O Misterioso
4 Festa Sangrenta
Sábado — 17:50
Aquele seria o grande dia.
A festa da fraternidade que todo mundo comentava, a que ninguém tinha coragem de faltar. Aos poucos, o campus foi sendo tomado por adolescentes vestidos para impressionar, errar, esquecer. Roupas curtas, risadas altas, promessas vazias.
Quando a noite caiu, a casa já estava lotada.
Bebidas passando de mão em mão, corpos se esbarrando, música tão alta que fazia o chão vibrar. Não havia amanhã ali dentro — só o agora, intenso, caótico, irresponsável.
Passava da meia-noite quando tudo parou.
A música morreu de repente.
As luzes se apagaram.
Um coro de vaias e reclamações tomou conta do lugar. Antes que alguém pudesse fazer piada, o telão da festa se acendeu sozinho. A imagem era granulada, instável, como se alguém tivesse invadido o sistema.
Então ele apareceu.
Uma figura usando uma máscara marcada por chamas, parada diante da câmera.
A voz saiu distorcida.
— Hoje… o cercado será alguns de vocês.
— E a festa vai terminar em sangue.
O telão desligou. As luzes voltaram. A música retornou como se nada tivesse acontecido.
Risos nervosos surgiram.
— Nerd brincando de hacker — alguém gritou.
A festa continuou.
Mas não para todos.
Algumas pessoas foram embora, incomodadas demais para ignorar o aviso. Entre elas estava Casey — popular, confiante, alguém que não costumava sentir medo. Ela havia namorado Logan depois que ele se assumiu, e sabia exatamente como chamar atenção sem esforço.
Antes de sair, resolveu passar no banheiro para retocar a maquiagem… e usar alguma coisa para relaxar.
A porta se fechou atrás dela.
O espelho refletia um sorriso confiante até o sinal do celular desaparecer.
Sem rede.
Casey franziu a testa.
Então ouviu passos.
Lentos. Pesados.
Ela prendeu a respiração. Os passos se aproximaram… pararam do outro lado da porta… e se afastaram.
Silêncio.
Casey saiu do banheiro, o coração acelerado, andando rápido pelo corredor enquanto tentava desesperadamente encontrar sinal no celular. Foi quando sentiu algo atrás de si.
Uma presença.
Ela virou.
Uma figura de capuz preto e botas cobertas de neve avançou em sua direção.
Casey correu.
O som da festa parecia distante demais agora. Ela quase conseguiu rede quando uma mão agarrou seu pescoço, apertando com força. O ar sumiu. O mundo girou.
Ele não a matou ali.
A faca surgiu em seguida.
Um único movimento.
O sangue escorreu quente pelo corpo de Casey, manchando a roupa que minutos antes chamava atenção por outros motivos. Seu último grito ecoou pelo campus da fraternidade — alto, desesperado, real demais para ser ignorado.
E dessa vez…
ninguém riu.
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