Notas iniciais
Boa Leitura.

–Claro, vô. -Disse Isabel enquanto se dirigia aquele cofre de metal negro envolvido pela ferrugem que o corroeu durante o tempo. -Qual é a senha?

–688529.

Depois de alguns minutos ela finalmente ouviu o cofre estalar e puxou a maçaneta, quando o abriu lá estava o baú da historia de seu bisavô. Era um baú pequeno de madeira bordado com bronze e parecia extremamente resistente apesar de todo o tempo que passou dentro do cofre.

Então ela levou o baú até ele, colocando-o em suas mãos ele deu um leve puxão no baú que se abriu. O baú por dentro era forrado com veludo vermelho e a única coisa que havia dentro era um medalhão de prata com o símbolo do infinito incrustado nele.

–Um medalhão? -perguntou ela quase que imediatamente assim que terminou de o observar. -Por que um medalhão é tão especial? O que ele tem?

–Eu ainda não sei, minha filha. É esse o favor que eu quero que você me faça, quero que descubra para que serve esse medalhão e se existem outros iguais a ele como diz o pergaminho. Minha filha, ouça: Se existem outros medalhões como esse é provável que, ou estejam em lugares muito difíceis de serem encontrados ou em posse de alguma outra pessoa.

–Que tipo de pessoa?

–Pessoas más que lhe matariam mesmo sendo uma criança, sem pensar duas vezes. Por isso deve ter cuidado, não confie em ninguém. Tenho profunda esperança em você, sei que não será grande problema com sua habilidade para mentiras. Mas preciso saber, quer mesmo fazer isso?

–Sim, eu quero.

Ele levantou-se da esteira de palha, que localiza-se bem no meio do quarto, pegou o baú e se dirigiu a uma antiga cômoda de angelim escura(combinando com o restante daquele lugar) ao lado de sua cama, abriu a primeira das três gavetas e de lá puxou um cordão meio-elástico preto. Colocou o cordão no amuleto e foi em direção a Isabel.

–Então tome, minha filha. Não deixe que ninguém saiba desse amuleto. -Falou, e logo depois colocou o amuleto no pescoço de Isabel.

–Mas, vô... N-ão é que eu não queira... E-eu realmente quero... Mas por que o senhor escolheu logo a mim? -Isabel disse gaguejando.

Frederico, que escutava atenciosamente, começou a rir.

–Além de sua incrível habilidade para mentiras...

–Ei! Eu nem minto tanto assim! -falou enchendo as bochechas de ar e cruzando os braços.

Frederico, ainda rindo, passou a mão na cabeça de sua bisneta e continuou a falar:

–Como eu estava dizendo... Além de sua tão grande habilidade para mentiras... Meus netos já estão adultos e corroídos pela ganância, se eu pedisse a eles, achariam que eu estou louco, vivendo num mundo de ilusões, e me levariam para um asilo... Eu vi esta mansão nascer e agora quero morrer nesta mansão. Eu poderia pedir a um outro bisneto, mas nenhum deles é tão criativo e aberto a novas ideias quanto você, e cá entre nós... -Ele chegou mais perto. -Você é minha bisneta favorita. -Disse num cochicho, se afastou e deu uma gargalhada, Isabel riu também.

–Não irei decepcioná-lo, vô. Eu prometo, irei desvendar esse mistério! Assim o senhor poderá morrer em paz. -Ela falou e ele assentiu.

–Agora vá, minha filha, e esconda bem esse amuleto.

Ela colocou o amuleto por dentro da blusa listrada de vermelho e branco, apesar de ter uma família rica, ela não é muito de frescuras. Se veste de modo simples: blusa, short ou calça jeans e um diadema, ela ama e tem uma coleção de diademas, afinal, ela continua sendo uma menina. Normalmente fica descalça mas quando sai não gosta de sandálias que machuquem o pé, usa seu sapato favorito(um all star botinha roxo com estrelas pretas brilhosas na estampa), esse sapato foi dado por seu pai agora morto.

Ela tem 8 anos, cabelos negros e lisos, olhos azuis, pele clara, nunca gostou de vestidos ou joias e tem o enorme desejo de realizar o sonho do bisavô: desvendar o mistério do amuleto e deixa-lo morrer em paz.

Notas finais
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