O Mistério do Colégio

8 Transformo em Pó Minha Diretora


Debato-me na cama, mas sem resultados. A diretora está na mesa perto do quadro com as fotos, consigo perceber que ela está afiando a faca, olho para cima e vejo que no teto tem uma espécie de buraco tapado com vidro onde entra a luz da lua, mas a lua não está no alto ainda.

–Bom, eu não queria fazer isso – Diz a diretora – Estou brincando, quero sim.

Ela se aproxima de mim, e tira a faixa da minha boca, em seguida faz o mesmo com meus amigos.

–Algum pedido? – Pergunta a diretora.

–Pedido? – Diz Pedro.

–Sim, um copo da agua, uma bolachinha – Diz ela — Não quero ver vocês morrerem com fome ou com sede, não sou tão mal assim.

–Então podia nos soltar né – Sugere Fernanda.

–Me deixa pensar, não! – Diz a diretora gargalhando

Ela olha para o alto e a luz da lua está quase no topo. Ela se aproxima da mesa e pega a faca, se aproxima de Fernanda, e levanta a faca.

Toc, toc, toc.

–O que? – Diz a diretora indignada – Quem está batendo na porta?

–Socorro! – Grito – Nos ajude! Socorro.

A porta se abre num chute. A Professora Andrea esta em pé na porta – A que tinha ali – Nos olhou amarrados na cama e a diretora com uma faca na mão.

–O que está acontecendo aqui? – Pergunta a professora nervosa.

–Nada, nada não – Diz a diretora – Só estamos fazendo uma simulação.

A professora no impulso empurra a diretora, fazendo a cair no chão. A professora pega a faca da mão da diretora, que está inconsciente e corta as fitas amarradas ao nosso redor e saímos correndo da sala.

–Por favor, me expliquem o que estava acontecendo naquela sala. – Diz a professora nervosa.

–É uma longa historia. – Diz Pedro.

Entramos na biblioteca e chaveamos a porta. Entro na internet e mostro para Andrea oque estava acontecendo.

–Isso é uma lenda – Diz a professora rindo.

–Não, você tem que acreditar na gente – Diz Fernanda.

–E o único jeito de acabar com isso, é recitando um feitiço – Diz Pedro.

Falamos o feitiço juntos:

Vita, quae est in te,

Non eritis

Ut in vita sunt

Nunc Saim

–Esse é o único jeito – Digo – Mas temos que estar perto dela.

–Então tá – Diz a professora ainda meio confusa – Vamos lá.

Saímos da biblioteca, e vamos para sala do massacre, chegando lá a diretora não está mais.

–Cadê ela? – Pergunta Fernanda.

Não precisei responder. Me virei para trás e ela está ali, com a túnica preta.

–Não foi uma coisa legal de fazer com a sua chefe – Diz a diretora.

Saímos correndo para qualquer lugar, Fernanda está gritando, a professora está ficando cansada e Pedro também.

Só sinto um vento passando por mim, seguido por um grito. A diretora tacou a faca, e atingiu a perna da professora Andrea, ela retira a faca lentamente, com muita dor. Vejo a diretora se aproximando rapidamente, levantamos a professora e continuamos correndo, consigo ver a perna da professora, está sangrando muito, e pelo que sei, temos que parar o sangue.

–Vocês não podem correr para sempre – Diz a diretora de longe – Uma hora vão cansar.

Estamos perdendo velocidade e força, estamos desesperados. A Fernanda e Pedro estão chorando, a professora gemendo de dor, e eu estou desesperado, estou ficando maluco, já me perdi nesses corredores.

–Gente – Diz a Professora – O feitiço, usem rápido.

Com toda essa correria eu tinha esquecido o feitiço, a única maneira de acabar com isso.

–É verdade gente – Digo – Vamos atrás dela.

–Ou ficamos aqui parados – Sugere Fernanda – A diretora está atrás de nós, ela vai dar um jeito de nos encontrar.

–É verdade – Concorda Pedro.

Ouço passos ao longe, cada vez se aproximando mais, quando uma sombra aparece no fim do corredor, vejo que é a diretora, ela começa a rir, e a recitar algum tipo de feitiço em latim. Lembro-me do feitiço e digo sussurrando “um, dois, já”.

Eles entenderam o recado o recado e recitaram o feitiço juntos comigo:

Vita, quae est in te,

Non eritis

Ut in vita sunt

Nunc Saim

A diretora solta um grito de dor.

–O que estão fazendo? – Diz ela gemendo.

–O que outros já deveriam ter feito antes – Respondo — De novo!

Vita, quae est in te,

Non eritis

Ut in vita sunt

Nunc Saim

–Aaaah – Diz a diretora caindo no chão.

Aos poucos, ela vai ficando mais velha, os cabelos vão ficando branco, a pele vai enrugando, ela vai emagrecendo, quando de repente, ela vira pó.

Não pude acreditar no que eu estava vendo, o feitiço tinha dado certo.

–Ai meu Deus, ai meu Deus! – Diz Fernanda rindo – Deu certo! Eu não acredito.

Abraçamo-nos todos, e rimos.

–Gente! – Diz a professora – O que vamos fazer agora? O que vamos dizer aos policiais? Que ela virou pó? E como vamos explicar que a diretora morreu?

–Podemos não dizer que ela morreu – Sugiro – Podemos escrever uma carta como se fosse ela e dizer que ela se matou ou sei lá.

–Melhor dizermos que ela fugiu do mapa, mudou de vida, e alguma coisa desse tipo – Diz Fernanda.

–É uma boa ideia – Diz Pedro.

Vamos à sala da diretora e escrevemos uma carta, explicando que ela fugiu para outro país, e que não voltaria mais, e deixamos em cima da mesa dela.

–Bem temos que ir para casa, nossos pais estão nos esperando – Digo.

–É – Diz a professora Andrea – Se eu fosse vocês eu ia rápido.

–Você fecha o colégio? – Pergunta Fernanda.

–Fecho, fecho – Diz a professora – Vão indo, até mais tarde na aula.

–Até professora – Diz Pedro – E mais uma vez obrigado.

A abraçamos em conjunto e saímos do colégio. Quando fechamos a porta, nos olhamos e começamos a rir.

–Nunca que eu pensava que isso ia acontecer – Diz Pedro rindo.

–Nem eu – Diz Fernanda.

–Mas até que foi legal – Digo – A sorte que a professora estava la para nos ajudar.

–É verdade – Concordam os dois.

–Ah! Só uma coisa – Diz Fernanda – Isso é por ter me salvado – Ela se aproxima de mim, e me beija, foi o melhor beijo da minha vida – O segundo beijo, e o melhor, melhor ainda que o da Tati.

–Mas não fui eu que te salvei – Digo perplexo.

–Mas mesmo assim merece um beijo – E me beija novamente.

–Gente, oque é isso? – Diz Pedro – Eu sou menor de idade.

Dou uma risada, que dói o carrinho do dente.

Caminhamos até nossa casa, e nos despedimos, mas eu tenho certeza que amanhã vai ser melhor.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!