O Mistério do Colégio
7 O último Dia
–Sério? – Digo rindo – Ta brincando né?
–Não – Diz Fernanda sentada no chão chorando.
Então percebo que é sério, vou correndo ao quadro, e está escrito nossos nomes.
–Não, não, não, isso não pode estar acontecendo – Diz Pedro nervoso.
Ficamos todos ali no chão, parados, chorando. O sinal já bateu, mas não estamos em condições para aula.
–Vamos sair daqui – Digo decidido.
–Se ficarmos aqui não vai adiantar nada – Diz Pedro – Temos que sair.
–Espera – Diz Fernanda secando o choro – No livro deve ter como acabar com isso, sei lá, uma explicação, um jeito de desfazer isso.
–Boa ideia – Digo – Vamos procurar no livro, e rápido.
Viramos muitas páginas até encontramos uma que está escrito: Como Desfazer a Vida Eterna. Lemos todos com atenção, e devagar, está escrito no livro que a única maneira de desfazer isso é, recitando um texto:
Vita, quae est in te,
Non eritis
Ut in vita sunt
Nunc Saim
Lemos em voz baixa, lentamente juntos. Quando percebemos o sinal do final da aula já tinha tocado. Saímos devagar da sala, sem ninguém perceber, corremos para sala da diretora e colocamos a chave em cima da mesa dela sem ninguém perceber.
–Essa foi por pouco. – Diz Fernanda.
–Pouquíssimo. – Concluo
–É, já pensou se alguém pega a gente? Ia ser detenção pro resto da vida.
–Do que ia adiantar? a Sra. Doods ia matar a gente do mesmo jeito – Diz Fernanda triste.
–Fernanda, esqueceu que temos um plano? –Diz Pedro.
–Claro que não – Diz ela – Mas se não der certo? Não vamos ter outra chance, e se aquele livro for uma distração? E ela sabia que a gente ia ver.
–Fernanda – Digo acalmando ela – A diretora não tem poderes.
–Ela não é um sacerdote? – Questiona ela – Sacerdotes têm poderes gente!
–É, mas, não tinha como ela saber que íamos entrar na sala – Digo calmamente.
–É você tem razão – Diz Fernanda mais calma.
–Gente, temos que ir –Diz Pedro – Meu pai não é tão compreensivo quanto á chegadas atrasadas minhas.
–Então vamos – Conclui Fernanda.
Vamos caminhando e discutindo o plano para amanhã.
–Então amanhã, vamos nos entregar para ela, vamos ficar por perto dela no final da aula, quando a lua estiver no alto e ela estiver perto, recitamos o texto, ou seja lá o que for aquilo, pode ser? – Digo.
–Mas temos que deixar ela nos pegar e nos colocar na sala? – Diz Pedro preocupado.
–Sim, senão o feitiço não funciona – Digo – Pelo menos é o que estava escrito no livro.
–Mas se ela não esperar a lua estar no alto? – Pergunta Fernanda.
–Ela tem que esperar, senão o feitiço não funciona.
–Okay, muita informação pra minha cabeça – Diz Pedro.
–Óbvio que é — Diz Fernanda rindo.
É bom ver nós todos rindo novamente, depois da sala do massacre – Vou chamar ela assim – Não tínhamos dado nenhum sorriso.
–Tudo bem, chegamos no fim da linha – Digo rindo.
–O que? – Diz Pedro.
–Chegamos na frente da minha casa.
–Ata! – Diz Pedro.
Despedimo-nos, e cada um vai para um lado. Entro em casa, e meu pai esta preparando o almoço.
–Como foi o dia filho? – Pergunta ele animado.
–Não quero falar sobre isso agora pai – Digo desanimado.
–Tudo bem, vai lá em cima descansar um pouco e depois desce para o almoço, pode ser?
–Pode — Digo subindo as escadas.
Entro no meu quarto e só consigo pensar em uma coisa, nos meus amigos em São Paulo, no João, na Julia e na Tati, todos já devem ter lido minha carta, falando que estou bem, mas mal sabem eles que amanhã posso morrer, mas talvez posso não morrer, posso recitar o tal texto e conseguir matar a diretora. Mas acho melhor não pensar nisso.
Passo o resto da tarde trancado no quarto, tentando não pensar no que vai acontecer amanhã, será que vamos conseguir? Ou será que só vamos ser mais umas fotos no quadro da diretora? não podia aceitar isso, não podia morrer e deixar que todo ano ela matasse mais três crianças para ela ficar viva eternamente. Quando percebo já está de noite, tomo um café antes de dormir, tomo um banho, e vou pra cama, mas não consigo dormir, fico pensando no Pedro e na Fernanda, os únicos amigos que tive no colégio, e também penso no feitiço, será que ele vai funcionar? Tento não pensar muito e acabo caindo no sono, e para ajudar acabo sonhando.
Estou na sala do massacre, e não consigo me mexer, olho ao redor e vejo Pedro e Fernanda deitado no chão com um furo no peito sangrando. A diretora está colocando eles para o lado e vindo para cima de mim com a faca, quando ela pressiona a faca no meu coração, acordo.
Já é de manhã, isso quer dizer que, é hoje o dia da minha morte, ou da morte da diretora. Levanto meio sonolento, lavo o rosto, escovo os dentes e ponho o uniforme.
Desço as escadas e nem tomo café, me despeço do meu pai e minha mãe, abraço eles forte, pois pode ser a ultima vez que verei eles, enquanto caminho para a escola, percebo que ao redor do colégio esta se formando uma nuvem preta, como se fosse cair um temporal só ao redor dela, mas acabo não ligando para isso.
Vejo Pedro na frente da escola, andando para um lado e para outro, impaciente – Esperando eu e Fernanda.
–Que foi Pedro? – Pergunto calmamente.
–O que foi? – Diz ele indignado – Nós podemos morrer hoje no final da aula!
–Eu sei, mas não se esqueça da hipótese de que não seremos nós que morreremos.
–Oi meninos – Diz Fernanda subindo as escadas da entrada do colégio.
–Oi – Respondemos.
–É hoje né? – Diz ela triste – Hoje dei um abraço apertadíssimo no meu pai e na minha mãe.
–Eu também – Diz Pedro – Pode ser meu ultimo dia com eles.
Triiiiiiiiiiim
–Vamos, a professora de português não gosta de atrasos.
Passamos a aula toda em silencio, não nos falamos, não nos olhamos, nem mesmo no intervalo, só conversamos sobre o feitiço.
Triiiiiiiiiiim
Bateu o sinal do fim da aula, quando estamos saindo da sala a diretora aparece.
–Gabriel, Fernanda e Pedro!
–Sim – Respondemos juntos.
–Na minha sala, por favor.
Olhamo-nos nervosos e seguimo-la até a sala dela.
Ela abre a porta e entramos.
–Hoje vocês vão ficar até a noite aqui no colégio – Diz a diretora.
–Mas nossos pais? – Pergunta Fernanda.
–Já visei a eles.
–O que vamos fazer aqui até a noite? – Pergunto.
–Detenção – Responde ela.
–Detenção? – Pergunta Pedro – Mas detenção pelo que? Não fizemos nada.
–Sim vocês fizeram – Diz ela sorrindo – Vocês roubaram minha chave mestra, e ninguém que rouba minha chave mestra, sai bem dessa historia.
De repente me sinto zonzo, vejo a diretora colocando uma mascara de gás.
Acordo em uma sala escura – a sala do massacre – e vejo que já é noite, olho ao redor e vejo que Fernanda e Pedro também estão na sala, estamos amarrados em camas, e com faixas na boca.
De repente a porta se abre e entra a diretora com uma faca na mão.
–Isso é por ter roubado a chave – Diz ela braba – E por que quero ficar jovem para sempre.
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