Acordo atrasado para a aula, nem me arrumo direito e vou para o colégio, chego na hora que o sinal bate, entro na sala antes que a professora perceba minha falta. Olho para os lados para procurar Fernanda e Pedro, e eles estão me olhando rindo, não percebo o porquê, quando percebo, meu cabelo esta todo bagunçado, como se uma vaca tivesse lambido ele.

–Bom dia turma – Diz a professora – Vejo que temos um aluno novo na sala, e esse aluno é bem atrasadinho né.

–Desculpa professora, é que perdi a hora – Tento me explicar – Isso não vai acontecer de novo.

–Acho bom mesmo – Diz ela séria.

Ela olha seria para a sala toda, como se estivesse procurando um crime.

–Estou brincando – Diz a professora na gargalhada – Mas enfim, sou Andrea a professora de Língua Portuguesa, e você, quem é?

–Eu sou o Gabriel, cheguei ontem na escola – Respondo.

–Ótimo, então não precisamos de apresentações.

Andrea é uma mulher muito bonita, com todo respeito. Ela é alta, olhos azuis e loira,é simpática, esta sempre sorrindo nos corredores. Ouvi dizer que quase nenhum aluno reprova com ela. Ela começou a explicar algumas frases sobre orações subordinadas, mas não prestei atenção, o motivo de eu não prestar atenção? O sonho. Esse sonho não sai da minha cabeça, eu quero contar para Pedro e Fernanda, mas estamos no meio da aula, e mesmo a professora sendo boazinha, ela não vai deixar nós ficarmos conversando no meio da aula.

Viro para Fernanda e chamo-a sussurrando.

–Fernanda! Ei, Fernanda – Falou baixinho.

–O que foi Gabriel? – Diz ela também sussurrando – Eu quero prestar atenção na aula.

–Ta, ta, quero falar contigo e com o Pedro depois, ta?

–Ta bom Gabriel, agora me deixa prestar atenção na aula – Diz ela se virando pra frente.

A aula inteira passa e eu nem me mexo, fico pensando nesse sonho a aula inteira, será que é só coisa da minha cabeça? Ou será um sinal de algum ser supremo que manda sinais para os meninos novos nessa escola, avisando que a diretora é um sacerdote e mata um aluno por ano?Ainda não sei, mas vou descobrir.

Triiiiiiiiiiiiiiim

Fico na porta da sala esperando Fernanda e Pedro

–Anda gente! –Os apresso – Tenho que falar com vocês.

–Não pode ser aqui no corredor? –Pergunta Pedro.

–Não! Não pode.

Sentamos em um banco, no canto do pátio, meio afastado dos outros.

–Fala o que foi Biel, – diz Fernanda – Já estou ficando preocupada.

–Ta bom – Respiro fundo antes de contar.

Explico o meu sonho com cada detalhe para eles, eles ficam me olhando paralisados.

–Não, isso não. Por favor, Deus – diz Fernanda preocupada.

–O que foi Fernanda? – digo eu preocupado.

Quando percebo, ela e Pedro estão sérios me olhando.

–Gente? – Pergunto – O que esta acontecendo?

–Eu também sonhei com isso – diz Fernanda preocupada.

–E... E... Eu também – diz Pedro quase desmaiando.

–Será? – Nesse momento todos já tínhamos entendido oque aquele sonho queria dizer.

–A diretora – dizemos em uníssono.

–Bem, isso não é coincidência. Acho que todos pensamos assim, né? – digo.

–Sim. Será que é aquela porta? – diz Pedro – Nunca me importei muito com ela, a diretora sempre fala que são materiais de limpeza, e alguns livros, e até os alunos que saiam de lá falavam isso.

–Eu também nunca me importei com isso – Diz Fernanda – Mas agora, quero saber o que tem lá dentro.

Levantamos e vamos caminhando em direção a sala da diretora, ela está mexendo no celular no outro cômodo da sala dela, vejo a chave mestra do colégio em cima da mesa dela.

–Então vamos fazer assim – Digo – Eu e Fernanda ficamos aqui fora, e Pedro, que é o mais corajoso vai lá e traz a chave.

–O que? – Diz Pedro indignado.

–Eu apoio o plano – diz Fernanda – Não vai decepcionar a sua namorada, vai?

Fernanda não precisou dizer mais nada, Pedro abriu a porta, entrou na sala, e lentamente pegou a chave mestra.

Ele vem com um sorriso no rosto e me entrega a chave.

–E que tal um beijo agora namorada? –pergunta Pedro para Fernanda.

–No rosto – responde ela.

Ela se aproxima e lasca um beijo no rosto de Pedro, as bochechas que já eram rosadas ficaram que nem um camarão.

–Então... – digo sem jeito – Vamos rápido antes que ela perceba.

Saímos correndo em direção a sala misteriosa, e como sempre, ela esta trancada, coloco a chave na porta, e viro-a duas vezes, forço a maçaneta e a porta abre.

Não posso acreditar, e percebo que nenhum de nós, pode acreditar, a sala é igual a sala do meu sonho.

–Essa é a sala do sonho de vocês? – Pergunto.

–Sim – Dizem os dois ao mesmo tempo.

Entramos na sala devagar, e fechamos a porta, eu não posso acreditar, essa sala é igual a do meu sonho, as fotos, a cama. Tudo.

– Ai meu Deus – diz Fernanda assustada – Aquele ali na foto é o Fabricio?

–É sim – diz Pedro quase chorando – Vamos sair daqui cara, é serio, não deveríamos estar aqui, você sabe disso.

–Quem é Fabricio? – Pergunto.

–É o menino que desapareceu ano passado – Diz Fernanda seria – A diretora o trouxe aqui, e depois no outro dia e ninguém mais viu ele, ela disse que ele tinha sido transferido. Que a família dele tinha se mudado para a Austrália, mas eu acho que não.

–Bem, já sabemos que a diretora é um sacerdote – falo – E que esse ano ela vai matar mais um aluno, não podemos permitir isso.

–Espera – Diz Fernanda – Tem uns nomes escritos em baixo da foto do Fabricio.

–Não vamos ler gente – diz Pedro – Vamos sair e falar para policia.

–Vamos falar o que? – diz Fernanda – Que a diretora do nosso colégio é um sacerdote, e que para ela sobreviver ela tem que matar um aluno por ano, para pegar a juventude dele?

–É, na minha mente não parecia se tão bizarro.

–Só na sua mente Pedro – diz Fernanda irritada.

–Calma gente – digo calmamente – nos estressar não vai adiantar em nada.

–É verdade – diz Pedro.

–Ei, olha esse livro – diz Fernanda se aproximando de um livro que esta em cima da cama.

O livro está aberto em uma pagina, no titulo está escrito: Vida Eterna.

Lemos o texto silenciosamente cada um em sua mente. O texto diz que o único jeito de parar de ter que matar jovens todo ano, é matando 3 jovens na lua cheia. Assim ela não precisaria matar todo mês, mas mesmo assim ela teria que matar uma vez por ano.

Depois de ler, ficamos em silêncio por alguns segundos.

–Amanha três alunos morrem – Digo com uma voz baixa e desanimada.

–Quem será? – diz Fernanda – Já sei, acho que são os nomes que estão em baixo da foto. Temos que ler e avisar para eles.

–Isso –diz Pedro – Vamos fazer assim, Fernanda você lê e nos fala os nomes, pode ser?

–Por mim tudo bem — diz ela.

–Por mim também – concordo.

–Então vou.

Fernanda se aproxima do quadro e lê os nomes, ela vira lentamente para nós, com uma cara de quem viu um fantasma.

–A gente – diz Fernanda.

–O que tem a gente?- pergunto.

–Nós vamos morrer amanhã.