Notas iniciais
YEEEEEE. Voltei para mais uma atualizada na história. Aos novos e antigos leitores. Muito obriaga por tudo. ❤❤ Principalmente ao antigos. Beijoss

O tempo passava tão lentamente dentro das celas, que era rara as vezes quando eu não estava sufocando ou delirando. A atmosfera pesada e fria contribuía para a sensação de estar indo em direção a algo ruim, algo que ninguém podia impedir que acontecesse. As dores já tinham diminuído há algum tempo, os cortes e machucados já estavam em processo de cicatrização. De certo modo, era um alívio que meu corpo já estivesse dando sinais de estar se recuperando, eu não estava destruída permanentemente, pelo menos não fisicamente. No resto eu podia dar um jeito. A minha mente ainda latejava, pressentindo ou esperando pelo pior. Eu sabia que hora ou outra eu iria descobrir o motivo de terem parado, e com certeza não foi por compaixão.

Uma hora atrás tinham levado Tate, depois foi minha vez. Quatro soldados vestidos de cinza, duas mulheres entre eles, me soltaram e levaram até um quarto pequeno, as armas em suas mãos me deixavam a par do que aconteceria se eu tentasse algo, então segui sem questionar. Eu quase nunca conseguia ver o lado de fora dos quartos e celas, então aproveitava sempre que podia para memorizar o máximo de detalhes que eu conseguisse, qualquer coisa que pudesse denunciar onde eu estaria exatamente, me ajudar a pensar em algo que nos fizesse escapar. Era tudo tão denso, a iluminação era sempre através das luminárias, as cortinas estavam sempre fechadas, o ar era sempre de medo. Esse último acredito que seja só da minha parte. Era uma prisão, a decoração era muitas vezes bonita e pomposa, mas era uma prisão.

Eu pude me limpar e depois me alimentar com mais decência do que tive direito nos dias anteriores, me peguei agradecendo mentalmente por aquilo, era mais renovador do que podia me lembrar. As duas mulheres que estavam entre os quatro seguranças, não me perderam de vista nem por um segundo, me olhavam como se me matar ali mesmo fosse ser um grande prazer, eu encarei uma delas.

— Cadê ele? – Pergunto por Tate. Ela simplesmente me encara um pouco mais e fala algo com a outra mulher, uma língua que não entendo. As duas se comunicam por alguns segundos e depois ela se volta para mim, um sorriso curto e sombrio em seu rosto. A raiva e o medo me apertam o peito e seguro o talher de plástico que tinha nas mãos, enquanto ainda estava na mesa. Insisto – Onde ele está? Está vivo? Podem me dizer isso?

— Por favor – Falo depois de um tempo sem resposta. Fecho os olhos e respiro fundo. Coloco o prato de volta na mesinha ao lado da cama, me levanto devagar e elas se prostram ao meu lado. Olho para as duas esperando que respondam algo, tudo que recebo de volta é um olhar indiferente.

Na volta, percebo que estamos indo em uma direção nova, andamos por mais tempo que o comum. Os objetos começaram a aparecer empoeirados e a parede suja pela umidade, alguns móveis pareciam ter sido retirados, deixando apenas o molde na poeira.
— Para onde estamos indo? – Reduzo o paço e pergunto a uma delas. Um dos homens atrás de mim me empurra bruscamente, me forçando a voltar ao ritmo anterior. Sibilo pela dor nos ombros. Nenhum deles me responde, o último segura na arma em sua cintura, mostrando o que fará se eu não fizer o que ele diz.

Caminhamos por um longo corredor, a iluminação foi ficando cada vez mais escassa até quase não conseguir enxergar, nesse momento uma das seguranças me mantinha perto me segurando pelos ombros. Quando chegamos a última porta do corretor, a que tinha falado algo na língua que eu desconhecia volta a fazer o mesmo, dessa vez é o guarda que responde, ríspido. Ela o ignora e bate na porta, depois me empurra para que eu entre.

Entro numa espécie de laboratório, há algumas mesas e ferramentas de trabalho espalhados por toda parte. A iluminação é mais forte do que meus olhos se acostumaram, uso a mão para proteger os olhos até que se adaptem.
Ouço uma voz falando na mesma língua estranha, os guardam assentem e fecham a porta, me deixando sozinha do lado de dentro. Minha visão começa a normalizar e enxergo mais detalhes na sala. Há alguns quadros na parede, uma estante com livros velhos e uma cadeira logo a frente, sentada na cadeira estava Emilia. Seu nome ficou gravado na minha memória no dia que ela quase me matou asfixiada.

“Emília, pare por favor. – Tate a chamou. – Você venceu. Apenas... apenas espere e converse comigo, droga!

Eu estava quase perdendo os sentidos, a mão dela em volta do meu pescoço impedia o ar de chegar aos pulmões, era como se estivessem queimando. Ela tinha dito algo a Tate, falou baixo o suficiente para que eu não entendesse, ele simplesmente a ignorou.

— Não diga meu nome! Não ouse. Isso é para que se lembrem que não podem sair impune. Cada dia, cada dor. Será para se lembrar do que fizeram”

Respiro fundo com a lembrança.
— Estava pensando quando chegaria. – Ela fala com uma voz calma. Tem um falso sorriso no rosto. – Estive ansiosa por esse momento. Sente-se.

Olho para ela sem responder, ela aponta para uma cadeira próximo a dela, sem ter opções, me sento e espero, todos os meus sentidos já em alerta. Me pergunto mentalmente que motivos ela teria para me trazer aqui, Tate estava fora de vista, não havia nenhuma ferramenta de tortura exposta. O que poderia...

— Pedi que a trouxessem aqui pois queria eu mesma lhe dar está notícia. – Ela sorri, não me dando tempo de terminar o raciocínio. – Não gosto de arrodeios, Sam. Nunca gostei e por isso serei direta. Há três noites atrás, encontramos seu pai, Lucas. Ele foi encontrado andando pelas ruas, disfarçado. Ele e mais 6 de seus seguidores foram capturados.
— Eu sei... não precisa se desesperar. – Ela fala quando percebe meu nervosismo. – Tudo está bem. Acredite. – Seus olhos sequer piscam enquanto me encaram, minha respiração sai com dificuldade, me concentro em controlá-la.

— Onde ele está? – Minha voz sai baixa.

— Oh, querida. Ele já está morto. Achei que já tivesse deduzido isso. – Ela sorri novamente para mim. Não respondo.

— Por que iriam querer ele morto? Ele é mais importante para vocês vivo, só ele pode acalmar as revoltas que estão acontecendo nas ruas.

— Em parte você está certa. Mas porque eu me daria ao trabalho de mentir sobre isso?

— Eu não sei. – Respondo, tentando ser o mais indiferente possível. Emilia era cruel e sentia prazer o sofrimento alheio, não ia dar esse gostinho a ela.

— Ninguém é insubstituível, Samantha. Nem mesmo Lucas, nem mesmo você.
— Lucas está morto, isso é fato. Assim como sua mãe, assim como muitos dos seus amigos. Está acabado. – Ela continua, a dor da lembrança da morte da minha mãe e Corm me atingem sem piedade.

— Eu não acredito. – Nego.

— Isso vale mesmo a pena? – Ela inclina a cabeça, pensativa. – Quer dizer, eu gostaria de saber mesmo de onde vem esse ímpeto. Realmente. O seu pai era um homem de princípios, isso eu entendi rapidamente. Capaz de arriscar tudo pelo que acha certo, capaz de colocar os seus em risco, de se aliar aos piores tipos de gente para conseguir o que quer.

— Isso quem faz é você. O meu pai sempre lutou pelo bem de todos. – Rebato, com a voz rouca. Ela sorri friamente.

— Incrível como você é igual a ele. Arrogante. Mesmo depois de tudo, ainda contínua achando que irá ganhar.

— Mesmo que eu morra, mesmo que todos morram. Sempre terá alguém que se levante. Não importa quanta dor e medo infrinja, ou quanto tempo leve. Não se trata de ganhar, a sua ideia de poder acabou.

— Você já sentiu dor, Sam? Quer dizer... sofrimento em um nível inimaginável? – a voz dela se eleva um pouco, mostrando um descontrole e irritação.

— As pessoas... as pessoas não irão mais aceitar serem manipuladas e segregadas, sofrerem com escassez de tudo e aceitar na esperança de não serem torturados ou servirem de cobaias para os seus experimentos sádicos.

— Chega. Achei que esses dias a tinham feito enxergar com clareza, pelo visto me enganei. Você vai voltar para a cela por mais uma semana.

— Não, espera.... espera. – Respiro, tentando me acalmar, – Tudo bem. Por favor...

Ela me encara por alguns segundos, me analisando. – Melhor.
— Você ainda não me respondeu. – Ela recosta novamente na cadeira e comenta. – É só curiosidade. Seu pai tinha o ideal dele, Cormyn era um coitado e via vocês como família. Tate... bem, com ele tudo se resumia a você. Tudo que ele fez... tudo pelo qual ele se dedicou. Mas duvido que você tenha a mesma devoção. Então... o que te dá esse ímpeto? Essa força?

— As coisas mudaram no dia que vocês mataram minha mãe. – Respondo sem pensar.

— Ah. Vingança. – Ela suspira, como se já esperasse por isso. – Então você é igual a mim.

— Não sou igual a você. Tem tanto sangue nas mãos.... Para que? No que isso te vingaria? – Balanço a cabeça em negativa.

— Nós somos iguais, Sam. Quando se trata da família, não medimos consequências.

* * *


Após sair da sala, sou levada por outro caminho. Subimos alguns lances de escada e logo minha pergunta para a falta de iluminação na parte de baixo foi respondida. Estávamos no subsolo. O corredor era mais limpo e a construção parecia ser mais atual neste andar. Fui jogada numa sala, um cômodo sem móvel algum, completamente vazio exceto por duas pessoas. Um homem que logo reconheci Tate, e a outra não me esforcei para lembrar, mas era uma jovem de rosto familiar.

Assim que o vi, a força aplicada em mim foi incontrolável. Corri para os braços dele sem pensar duas vezes, era um pequeno momento de alegria que eu recebia. Quando me viu, ele veio em minha direção e nós colidimos no meio do caminho. Envolvi meus braços ao redor do pescoço dele e o abracei com toda a força que tinha, respirando forte enquanto nos apoiávamos um no abraço do outro. Fomos privado disso por muito tempo. Estar sempre ao lado dele sem ao menos conseguir tocá-lo, foi doloroso demais. Não precisávamos falar nada um ao outros, o toque bastava para passar tudo que estávamos sentindo.
Eu o sentia em toda parte, me tocando em todo lugar enquanto eu me concentrava em beijá-lo. Sentia sua língua invadir minha boca com pressa demais, sugando tudo que podia enquanto ninguém aparecia parra nos separar. Coloquei as duas mãos em seu rosto e o acariciei, o acalmando. Não queria ter pressa agora, queria aproveitar cada segundo, sentir cada toque. Minhas mãos iam fazendo círculos pelo seu maxilar, passavam pelas orelhas e iam até o cabelo que puxei com força para que ele sentisse como eu estava, uma carícia íntima e meio desesperada enquanto eu explorava sua boca lentamente. Suas mãos me apertavam e me puxavam para mais perto, passava pela minha cintura, corriam pelas minhas costas até meus ombros e depois desciam novamente. Eu estava queimando. Ele passava a língua entre meus lábios, só para suga-los com força para dentro da sua boca. Ficamos assim por mais tempo do que eu consegui contar, Tate possuiu minha boca por completo, não deixando nenhum canto sem ser acariciado, depois seguiu com os lábios e a língua por todo meu pescoço. O nosso desejo era palpável. Estávamos a tanto tempo sem ter sexo, era quase doloroso. Primeiro foi por eu ter ficado tão fria após a morte da minha mãe, depois a missão dele como espião, depois minha captura na tentativa de ir atrás dele, em seguida minha falta de memória enquanto estávamos na simulação, e agora trancados nas celas. Tempo demais afastados.... Antes disso nós estávamos juntos todos os dias, sempre. Era só nós dois. Nos amávamos o quanto quiséssemos. Eu precisava dele, demais. Ele também, eu podia sentir isso, a forma que ele olhava pra mim, os toques. Era demais para mim. O empurrei devagar, tentando afastá-lo.

— Esp... – Ele resmungou, voltando a me beijar.

— Tate... não estamos sós. – Ele resistiu mais um pouco, mas acabou cedendo e se afastando apenas o suficiente para eu pudesse me recompor e virar.

— Desculpa. – Pedi, ainda sem jeito, para a jovem que nos olhava e sorria timidamente.

— Tudo bem, vocês devem ter passado por muita coisa. – Ela responde.

— Me desculpa, eu seu que eu devia lembrar quem você é... o seu rosto é muito familiar mas não consigo lembrar...

— Tate me falou que ainda é difícil para você lembrar de alguns detalhes do passado. E também nós nos conhecemos quando éramos ainda muito novas. Tínhamos só 12 anos. Vocês foram nos visitar em nossa cidade, sou Alexandra.

— Alex... estou me lembrando. Sim, eu me lembro. Foi o único dia em que meus pais permitiram que fossemos com eles até outra cidade.

— Nós quatro ficamos conversando bobagens a tarde inteira, enquanto nossos pais tramavam uma guerra que nem sabíamos que existia, Sam.
Meu peito se aperta com a lembrança de quatro adolescente em uma praça, falando sobre amenidades e rindo sem dor ou preocupações.

— Onde está seu irmão? – Pergunto.

— Bom, estou aqui por causa dele. – Ela responde e sorri, sem qualquer sinal de alegria.

Notas finais
Oiiiii. Gostaram de mais esse capítulo? Espero que sim. Abraços e até o próximo.