Notas iniciais
Oi gente, desculpem pela demora em postar, mas o site ficou fora do ar um tempão e depois começaram as nossas provas, mas esta ai, espero que goste,. =D A música do capítulo é Rainy Day do Coldplay http://www.youtube.com/watch?v=CCa48saQQow.

POV Charlotte

Um som me acorda, alto, agudo e insistente. Me levanto da cama assustada, empurrando as pesadas cobertas para o chão e tremendo quando o ar frio de Londres bate em minhas pernas cobertas apenas pelo shorts do pijama. O despertador continua emitindo um bipe chato e constante. Demoro algum tempo para achar o botão de desligar e nesse momento me lembro o motivo de estar acordada as sete da manhã de um domingo. Hoje era O Dia.

Caminho até a janela e encosto a testa na caríssima esquadria branca, observando a cidade abaixo de mim, eu sentiria falta daquele lugar, por mais que não gostasse de algumas pessoas que moravam comigo, eu amava o clima frio e chuvoso de Londres e esperava sinceramente que o local que eu estava indo também fosse assim.

Solto um suspiro profundo ao me afastar da janela e andar até o banheiro. Entro no recinto todo em tons de branco e cinza e me dirigi a grande banheira que ficava em um canto do cômodo, do outro lado o vaso sanitário, a pia e um pequeno armário branco de madeira em que ficavam guardadas as toalhas e tudo que era necessário para usar um banheiro. Liguei a água quente no máximo e comecei a tirar a roupa, quando a banheira estava quase cheia, desliguei a torneira e entrei, usando a água fria para tornar o banho agradável. Terminei de lavar o cabelo e sai da banheira ficando um pouco triste de abandonar aquela água que estava na temperatura perfeita. A toalha branca, com CM bordado em dourado, estava pendurada logo acima de mim, peguei-a e envolvi meu corpo com ela.

Apesar de odiar a pessoa que tinha aquela casa, era inegável as habilidades do meu padrasto em gastar o dinheiro em coisas boas. Minha mãe diz que ele tem um olho para os negócios e eu digo que ele tem um olho para a beleza, não apenas para mulheres mas também para roupas e principalmente decoração.

Sai do banheiro envolta em uma nuvem de vapor e enrolada em um roupão macio e confortável. Andei até o armário e puxei uma mala grande e preta da primeira porta, deixei-a arrumada na noite anterior, então apenas levei-a até a porta. Voltei ao armário e comecei a procurar algo para vestir, achei um shorts jeans que eu quase esqueci de levar e coloquei com ele uma blusa branca de manga comprida, junto com um colar com uma nave espacial. Meus tênis estavam me aguardando junto a penteadeira, coloquei os All Star's pretos e dei uma pequena tremida. Na escola que eu estava indo podia ser quente, mas em Londres o tempo continuava frio. Voltei ao armário e peguei um sobretudo preto, eu tiraria ele quando chegasse lá mas por enquanto ele era necessário.

Sai do meu quarto e desci as escadas, chegando no andar térreo. Minha mãe estava na cozinha, seus cabelos pretos presos por uma bandana branca enquanto ela fazia panquecas de blueberry e frutas vermelhas.

–Bom dia mãe — eu me encostei no batente da porta, enquanto ela vinha em minha direção, com as mãos sujas de massa.

–Bom dia Charlie, dormiu bem? — minha mãe me abraçou animadamente enquanto eu assentia.

–Ricky e Rob já estão descendo, podemos esperar eles para comer?

–Ah, claro, como a grande família feliz que nós somos — eu falei, quase pingando ironia. Minha mãe passou o dedo cheio de massa de panqueca na minha bochecha e saiu para cuidar do fogão.

Ouvi passos atrás de mim e me virei a tempo de ver algo grande e pesado vindo em minha direção. Quase perdi o equilíbrio quando meu meio irmão pulou e me abraçou forte.

–Charlie, não quero que você vá, eu vou ficar com saudades — Ricky continuou abraçado comigo por algum tempo, eu fiquei acariciando os cabelos compridos e sedosos dele. Ricky seria muito bonito quando fosse mais velho porém com 9 anos tudo que ele era adorável, com o cabelo preto um pouco acima dos ombros e lindos olhos azuis que puxou do pai.

Ouvi um pigarreio e me levantei, meu padrasto estava olhando para nós com um olhar claramente desaprovador ele não gostava de minha relação com Ricky, acho que sentia ciúmes. Quanto a nós dois, foi ódio a primeira vista e mesmo contra tudo que eu disse dele, ele e minha mãe se casaram.

–Charlotte — ele é a única pessoa que eu conheço que me chama de Charlotte — espero que esteja pronta, Frank esta te esperando.

–Sim Robert, vou tomar o café e estarei pronta, pode dizer a ele começar a aprontar o carro — me virei de costas e fiz uma careta, Ricky viu e soltou uma pequena risada.

O café passou rápido, minha mãe estava passando as últimas recomendações e dizendo o quanto sentiria minha falta.

–Mãe não é para tanto, estarei de volta para o Natal — eu tentei acalmá-la sem sucesso.

–Eu sei, mas é agosto e o Natal é só em dezembro — ela começou a chorar. Levantei e fui abracá-la
– Vou pegar minhas coisas, eu volto para te dar tchau — me virei e subi correndo as escadas.

Entrei no meu quarto e imediatamente me joguei na cama, joguei todas as cobertas para o chão e fiquei ali por um tempo, fui me despedir do banheiro, do armário, da escrivaninha e finalmente estava pronta para ir embora. Agarrei a alça da minha mala e desci as escadas, sofrendo pelo peso e pelo número de degraus. Na porta estava o nosso motorista, com quase dois metros de altura Frank assustava muita gente mas na verdade era super simpático.

–Aqui Srta. Mills, eu levo a mala — ele a pegou e levantou sem esforço algum enquanto andava até o carro.

Minha família estava esperando do lado de fora da casa, minha mãe foi a primeira a me abraçar, ela estava chorando novamente e continuou dizendo que me amava, que eu devia me cuidar, que ela ligaria todos os finais de semana e que se algo acontecesse eu devia avisar.

–Certo mãe, não vou me esquecer e eu ligo se precisar de algo — me despedi dela com um beijo estalado.

Meu meio irmão foi o próximo e ele também estava com lágrimas nos olhos.

–Tchau Charlie, vou ficar com saudades de você — depois disso ele me abraçou forte e se recusava a largar.

–Eu também vou Ricky, não precisa chorar, eu ligo todo final de semana pra falar com você.

Dei um ultimo abraço apertado e me despedi com um aperto de mão extremamente constrangedor do meu padrasto. Andei até o carro e parei na porta aberta, sentiria falta dos jardins e da grande casa branca, meu novo lar não parecia ser assim tão atraente.

Sentei no banco macio de couro e Frank deu partida, a viagem demoraria algumas horas então aproveitei para tirar um grande cochilo. Acordei algum tempo depois com Frank me chamando e avisando que estávamos a apenas 10 minutos do meu novo colégio, a estrada era linda com campos verdes que brilhavam no sol de quase meio dia ao longe podia avistar o castelo que era o internato, ele ficava no alto de uma pequena colina verde e cercada por árvores, certamente seria uma aventura e tanto um passeio por aquele lugar.

Chegamos alguns minutos depois, Frank deu a volta em um pequeno chafariz e desceu do carro para abrir a porta para mim eu o dispensei e fiz um sinal para que pegasse as malas. Sai do carro respirando o ar fresco da Escócia e quase pingando de calor, tirei o sobretudo me sentindo muito mais aliviada.

Frank estava me esperando na escada que era a entrada para o internato.

–Adeus Srta. Mills foi um prazer — ele deu um sorriso e me entregou a mala

–Não fale como se nunca mais fossemos nos ver Frank, eu volto no Natal — eu retribui o sorriso.

–Assim espero — ele se virou e foi embora, quando passou com o carro deu uma buzinada amigável e eu acenei entusiasmada. As portas de madeira grossa estavam abertas para facilitar a passagem do alunos e seus pais. Segui as placas que diziam secretaria e depois de ficar alguns minutos na fila, fui atendida por uma senhora simpática que me entregou meu horário de aula, um mapa do castelo e a chave do quarto: 123. Agradeci e sai da sala, procurando pelas escadas que me levariam aos quartos.

Depois de subir e andar por um longo corredor, achei o quarto 123 e tentei abrir a porta, a chave entrava mas não rodava, estava virando para ir embora e reclamar quando vi um menino vindo em minha direção.

–Acho que você esta no lugar errado senhorita — ele tinha um sotaque pesado, claramente irlandês e era muito alto.

–Não estou não, esse daqui não é o quarto 123? — eu perguntei me aproximando, ficar perto dele era um pouco vergonhoso eu tinha mais de 1,75 e chegava no nariz do menino.

–Aluna nova? — ele perguntou se aproximando, ele tinha lindos olhos claros e um cabelo castanho claro cortado em um corte moderno.

–Sim.

–Bem, deixe-me te ajudar — no momento que disse isso ele estendeu a mão para pegar o mapa que eu segurava, enquanto em mexia o mesmo braço para tirar uma mecha do meu cabelo castanho dos meus olhos, o resultado foi que tudo que eu segurava caiu no chão. Ele murmurou um pedido de desculpas enquanto nós nos abaixávamos ao mesmo tempo para pegar os papéis, percebi que ele olhava para o meu colar.

–Ah — eu mexi nele, de forma que pudesse ser visto do lado certo — é uma..

–Battlestar– ele me interrompeu, antes que eu pudesse responder — eu conheço, é difícil achar pessoas que gostem e que tenham a minha idade.

Ele riu e eu também, de fato era difícil e era mais difícil ainda achar alguém que gostasse e fosse bonito. Mordi a língua ao perceber que quase falei isso em voz alta.

–Meu nome é Daniel Neverost — ele estendeu a mão para me cumprimentar e eu estendi a minha.

–Charlie Mills — ele beijou a minha mão como se estivéssemos nos apresentando no século XIV na Escócia.

–Mas pode me chamar de Danny

–Claro, você parece ser um aluno antigo então poderia por gentileza me mostrar onde ficam os meus aposentos — eu perguntei e ele riu, uma risada muito gostosa de ouvir.

–Claro milady, por aqui — ele fez um gesto com o braço indicando o caminho por onde tínhamos acabado de vir.

Subimos mais um lance de escadas enquanto discutíamos a série Battlestar Galactica cuja a nave estava no meu colar, andamos até o final do corredor superior onde estava a porta do quarto e em cima uma pequena placa com o número 123F que eu deduzi que significava 123 Feminino.

–Bom, esta entregue.

–Muito obrigada, se não fosse por você eu provavelmente estaria rodando por aí.

–Eu sei que sim — ele sorriu convencido

–Nos encontramos mais tarde então — fiquei na ponta dos pés e dei um beijo amigável na bochecha de Danny. Ele começou a caminhar para as escadas e eu peguei a chave do bolso. Girei a maçaneta e entrei no que seria meu lar pelos próximos meses.

Notas finais
Espero que tenham gostado e não esquecam de comentar. ~Nymeria PS- Nós imaginamos o colégio St. Reeve's como o Castelo Dunrobin