O Mistério de St. Reeve's

10 Infelizmente Não Havia Dinossauros


Notas iniciais
Espero que gostem. A música do capitulo é Midnight do Coldplay http://www.youtube.com/watch?v=oQvFUBxw-Vs

To boldly go where no man has gone before

Star Trek

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Olhei para minhas colegas de quarto, Katherina olhava para o buraco com a boca aberta e a surpresa estampada em seu rosto. Ren ainda estava no chão, de modo que estendi minha mão e a ajudei a levantar.

–O que será que é isso? — Kat finalmente saiu da paralisia

–Não sei, mas acho que isso não devia estar aqui — movi os braços pelo quarto inteiro, tentando deixar claro a minha ideia.

Fui para minha cama, nas gavetas embutidas no beliche estavam algumas de minhas luzes de leitura. Peguei uma que iluminava 360 graus e outra mais focada.

Voltei para perto do buraco, Ren estava mexendo em alguma coisa na mala, esperava que ela estivesse pegando lanternas pois eu não queria explorar aquilo sozinha. Apenas metade do corpo de Kat era visível e pouco depois que ela passou as pernas pela parede ouvi uma exclamação seguida de um palavrão em uma língua que eu não conhecia, possivelmente búlgaro.

–Não tentem ficar de pé aqui — a voz de Katherina saiu abafada pela parede — é um pouco baixo.

Dei uma risada contida e segui para o buraco, Ren estava logo atrás de mim.

–Não podemos demorar, os inspetores passarão logo — desci os primeiros metros, ainda não era seguro ficar em pé.

Katherina estava um pouco mais embaixo, com a lanterna ela iluminava ora o chão ora o teto que parecia acabar uns 50 centímetros acima do chão do nosso quarto. Para baixo tudo que eu conseguia ver era a escada.

Alcançamos Kat e andamos para baixo em silêncio. A escada de ferro estava mal conservada, em alguns pontos era possível ver ferrugem mesmo com a pouca luz da lanterna e em alguns degraus haviam buracos do tamanho de bolinhas de ping-pong. Mesmo no meio da escada em caracol, se eu esticasse o braço conseguiria encostar na parede de pedra junta ao corrimão.

Quando estava a ponto de sugerir que voltássemos para o quarto e que explorássemos amanhã, Kat soltou um arquejo de surpresa e parou. Quase bati nela, seria engraçado porém difícil para Ren explicar para a inspetora, "então, estávamos descendo por uma escada que achamos quando eu acidentalmente quebrei a parede e as minhas colegas de quarto caíram e quebraram o pescoço", eu ri da ideia e quase caí de verdade.

Katherina finamente saiu da minha frente, no começo eu não entendi, mas desci os últimos degraus da escada e percebi que minha vista estava obstruída pela quase familiar parede de pedra cinza.

Havíamos chegado ao fim da escada. Colossal provavelmente não seria o adjetivo adequado para descrever o lugar que estávamos. A escada terminava em uma plataforma de ferro enferrujado.

A passarela era gigante, cabiam confortavelmente três pessoas lado a lado e eu imaginava que caberiam mais três. O chão em que pisávamos era furado e feito de um material duro e resistente.

–O que será que é isso? — Kat perguntou

–Eles deviam usar isso para fazer manutenção.

–Ah claro, deve ser por isso que tivemos que quebrar a parede para passar — eu falei quase pingando sarcasmo — eles não tinham cachê para comprar uma porta.

A caverna, se é que podia ser chamada assim era gigantesca, podia ver apenas a parede de pedra que envolvia a escada para o nosso quarto. Não conseguia ver o fim, tanto para os lados quanto para cima, tudo que tínhamos era a sólida plataforma abaixo de nossos pés e a escuridão do desconhecido.

–Será que tem fim?

–Na verdade não, ele desce até o centro da Terra, se você seguir por bastante tempo pode até encontrar um T-Rex — eu peguei minha pequena luz de leitura — eu posso jogar isso e ver até onde vai.

Me aproximei com bastante cuidado da beirada da plataforma, o guarda corpo chegava na minha cintura e como eu não conseguia ver o fundo, tudo que eu não queria era cair. Joguei a luz para o alto usando toda força que tinha e ela nem iluminou o teto, depois de um tempo subindo, a gravidade finalmente fez efeito e a pequena bolinha começou a descer. Devagar no começo, mas depois tão rápido que mal conseguimos acompanha-la. Contei sete segundos antes de ouvir o barulho de algo se quebrando e a luz finalmente se apagar.

–Se eu tivesse que chutar, chutaria quase um quilometro para baixo — me afastei rapidamente de borda — vamos ver se achamos um jeito de descer.

Andamos meio a esmo pela plataforma, ela se dividia e seguia em diversas direções, algumas eram largas e podíamos passar lado a lado, outras eram tão estreitas que quase não coubemos, mas todas daquele ferro estranho. Ficamos vagando por mais tempo, andamos em uma direção e depois em outra, não achamos nenhuma parede e nenhum vestígio de teto.

–Bom, ele não pode subir infinitamente — Ren fez uma observação inteligente.

–Acho que as pessoas notariam um buraco para o nada — Kat fez uma observação desnecessária.

–Talvez tenha apenas uma pequena camada de terra que separa a superfície disso — abri os braços, abrangendo toda a caverna.

–Acho que tem algo mais para frente — Katherina era a que tinha a lanterna mais potente — mas antes de descermos seria inteligente deixarmos algo para marcarmos nosso caminho de volta.

Tirei uma das alças do meu vestido e amarrei no corrimão, esperava que aquilo fosse o suficiente, tirei a outra e fiz uma seta apontando para onde devíamos seguir.

–Isso é tão prático — Ren exclamou admirada

–Pensei exatamente nisso quando fui comprar o vestido — fiz uma falsa cara pensativa — preciso de alguma coisa com alça para quando eu for explorar cavernas gigantes e desconhecidas.

–Sim — Katherina exclamou mais de longe — isso é definitivamente uma escada e vai para baixo.

Enquanto andávamos havíamos achado outras três escadas, mas como a nossa, todas elas subiam.

Nos juntamos á Kat.

–Bem — alisei o vestido e levantei o braço — ao infinito e além.

Descemos por mais tempo do que achava que fosse levar, talvez eu houvesse calculado mal a distancia. Estava tentando me lembrar de como se calculava distancias usando coisas arremessadas quando o piso mudou. Não era mais o ferro que estávamos acostumadas, o chão agora parecia velho, impossivelmente velho. Me abaixei e senti ele, era feito de pedras irregulares e elas não pareciam estar ligadas por cimento.

–São pedras — me levantei e continuei descendo — mas elas parecem muito antigas, não pude sentir nenhum tipo de cimento ou argamassa.

–Talvez eles usassem saliva — Kat exclamou

–Nunca podemos descartar essa hipótese, Kat — ela odiava que chamassem-na assim.

Descemos por mais cem metros e finalmente chegamos, para minha tristeza, não havia nenhum T-Rex á vista.

–Não quero nem imaginar como vamos subir isso.

Eu não respondi, não podia responder, no meio de tudo aquilo havia um pedaço de pedra. Ele não era simplesmente um pedaço colocado lá ao acaso, parecia sair da própria terra, não conseguia ver nenhum tipo de suporte ou qualquer coisa que segurasse a pedra preta de pelo menos quinze metros de altura.

–Isso é....

–Impossível — Kat tirou as palavras de minha boca — nem imagino o trabalho que tiveram para colocar isso aqui.

–E aquelas pedras da escada são antigas, quer dizer, impossivelmente antigas — me corrigi — pelo menos 500 anos.

Ren estava se aproximando da gigantesca pedra.

–Eu não sei — ela parecia hipnotizada — isso está me chamando, vocês sentem isso?

Não podia negar, senti vontade de tocar aquele estranho objeto no momento em que o vi. Me aproximei, se esticasse o braço poderia tocá-lo.

–É como se eu — não conseguia descrever a sensação

–Quisesse — Ren também parecia ter dificuldades

–Mas não devesse — Katherina completou por nós três, agora que ela havia falado estava óbvia a sensação — também sinto isso.

Estávamos as três lado a lado a menos de um braço de distancia.

–Isso parece um obelisco, tem um na capital do EUA — me recordei da viagem que havia feito.

–Podemos chama-lo assim então — Ren estendeu o braço e eu e Katherina a imitamos.

Tocamos no Obelisco ao mesmo tempo, assim que encostei nele senti como se todo meu corpo fosse pegar fogo, então senti um arrepio na espinha, uma dor muito forte na minha cabeça e tudo ficou preto.

Notas finais
~Nymeria Espero que tenham gostado