O Mistério de Roseblanc
1 Prólogo
Notas iniciais
Vou procurar postar regularmente, não se esqueçam de dar reviews. Sua opinião é muito importante! kisses
Mimmy batia ansiosamente os dedos no teclado do notebook. O luar pálido era perfeito para escrever uma história. A única coisa que tornaria tudo ainda mais perfeito seria chuva. Ela fechava os olhos, algumas vezes, e imaginava os roncos de uma tempestade, lampejos sobrenaturais se debruçando sobre a parede de vidro do escritório. Ela precisava contar. Contar tudo, tudo o que sua mente pudesse montar sobre os fatos. As tranças castanhas e compridas caíam sobre suas bochechas, os óculos enormes escorregavam pelo nariz pequeno.
Os dois estavam lá, sentados em suas poltronas de lã fina, aproveitando o calor da fogueira. Um rapaz e uma garota. A sala era escura demais para enxergar seus rostos. Ou suas crueldades. O rapaz exibia um sorriso cintilante, envolto em sombras:
−Temo que a hora esteja chegando, não é mesmo?
A garota contraiu os lábios em pura diversão. Ela amava aquilo. A sensação de poder, de exploração dos mais fracos.
−Você sabe muito bem que sim. No final, quase não tivemos problemas. Seremos ainda mais gloriosos. Uma família pequena e feliz.
O garoto deixou escapar um riso. Olhou para o teto e acrescentou:
−Mas não será a mesma família, não é mesmo? Depois de perdermos alguns dos nossos...
−Ah, não me venha com estupidez − a garota revirou os olhos – não preciso falar nada, preciso? Certas pessoas só nos ajudam com uma causa maior. Até parece que você se importa com eles, Crow. Como se você ligasse pra alguém.
Crow pareceu mudar completamente em meio ao negrume da sala. Seu sorriso bobo desapareceu. Seus olhos brilhavam, mas não do mesmo jeito. Suas sobrancelhas se arquearam de forma ameaçadora.
−Certa, como sempre. Odeio todos eles.
Mimmy suava, extasiada pelas palavras que percorriam a folha do notebook. Era apavorante, sublime, sua obra prima. Não precisava mais fechar os olhos para sentir raios rasgando seus tímpanos. O óculos não parava de deslizar pelo nariz, e ela precisava ajeitar várias vezes a armação.
A garota apenas respondeu com um silêncio sepulcral. Ela era assim. Nada na vida deve ser ao acaso: o destino nem sempre é satisfatório. Tudo deve ser planejado, tudo...
O garoto mal podia acreditar na própria falta de caráter. Ele era como um boneco bipolar, um jogo de cara ou coroa, sua bondade era tão frágil quanto seus sonhos. Sua ânsia por tirania só podia ser amansada pela garota. Ela sabia como lidar com as coisas. Ele, tinha que se segurar pra não surtar em público.
Um louco e uma psicopata.
O que dá combinar um louco com uma psicopata?
As mãos de Mimmy tremiam.
−Eu te amo, sabia? Você é incrível, Éter.
−Eu sei que sim− e a resposta pareceu valer para as duas perguntas.
A afobada de óculos parou de escrever. O rumo que estava tomando começava a assustá-la. Olhou pela janela: a noite continuava tranquila e pálida. Nada estava atrás dela naquele escritório, ou pelo menos ainda. Ela precisava registrar, mesmo que fossem sugestões da sua mente: o cenário, o sorriso instável do garoto, as unhas cor de morango da garota. Talvez o registro fosse deixado para a polícia, se algum dia as coisas ficassem sérias. Precisavam saber, com alguma precisão, os objetivos do louco e da psicopata. E da ordem mais estranha da cidade. Embora aquela mente de aspirante a escritora não fosse das mais confiáveis.
Ela se reclinou na cadeira e suspirou. Ainda estava de uniforme. Seus pais só chegariam mais tarde.
Talvez aquela fosse a única chance de incriminar eles. Fazê-los pagar. Mas quem era ela nesse romance? A nerd esquisita? Suas novas amigas estavam lá fora, batalhando contra a ordem. Sherazade a havia instruído para receber alguma ligação importante. E o que ela fazia, enquanto isso? Escrevia Boletins de Ocorrência imaginários.
Seus sapatos estavam jogados em um canto da sala. As meias não faziam barulho contra o piso de madeira, ela caminhou até a estante, e pegou “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R Tolkien.
Mergulhou para fora daquele mundo, em busca de respostas.
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