O Mistério de Miwa
2 Capítulo 2 - Reconhecimento do Inimigo
Notas iniciais
Chegando a parte posterior da montanha, seu destino era um campo de treinamento secreto ao qual nunca levara a princesa, pois fora lá que aprendera os segredos das técnicas que hoje profissionalmente executava com irrelevante naturalidade e facilidade. Ao crepúsculo, esse se localizava ao centro do campo de treino, sentado com sua espada sobre suas pernas, focando no que desejava. Logo após, levantou-se, desembainhou sua espada e, com apenas um único corte lateral curvado à direita levemente, cortou uma árvore de tronco grosso o bastante para esmaga-lo se caísse sobre ele. O toco no chão ficou, enquanto o tronco cortado sobre ele ameaçou cair. Foi então que o jovem Doragon deu inicio ao treino da técnica que, sem querer, quase degolou sua amada: A técnica da espada rápida. O tronco que, sobre ele, ameaçava desabar, na velocidade de um piscar de olhos, foi reduzido a lascas de madeira e empilhado num canto. Só então, após tocar o chão novamente, Doragon abre seus olhos, confirmando que confiou seus sentidos ao seu instinto de autopreservação, e que fez tal ato inconscientemente. Fez o mesmo com as outras 85 árvores que foram ali plantadas com este único propósito. Enquanto treinava, o jovem samurai resmungava coisas muitas vezes inaudíveis e/ou incompreensíveis.
—Eu sou um fracasso... Não posso protegê-la nesse nível... Sou inútil pra... Ela tem que ser protegida... Minha... E também minha amada...
Nesse momento, ele notou que chorava. Ele fraquejou e, ao invés de cortar o tronco, ele rolou pra direita e o cortou em dois, igualmente incrível, porem não o objetivo, o que o chateou. Treinou até a aurora, e depois até o crepúsculo. Só então ele percebeu que nada havia comido um dia inteiro, desde sua partida. Sentou-se, aqueceu suas provisões e comeu como um passarinho, pois sua preocupação lhe tirava o apetite. Apagou o fogo, para não delatar sua localização, guardou suas provisões, entrou na pequena cabana que lá havia e deitou-se para dormir. Revirou-se na cama como um morto se revira no túmulo quando algum absurdo é pronunciado, mas não conseguiu descansar. Como resultado, apenas levantou-se, após 4 horas deitado, e voltou a treinar. Sentou no primeiro toco que fez e ficou olhando o horizonte, admirando as estrelas, à espera da aurora. Após o sol se estabelecer no claro e profundo azul do céu, levantou, pegou uma corda, amarrou as mangas do seu Hakana, pegou a enxada e arrancou cada toco com movimentos ágeis e estupidamente precisos e, no lugar, plantou novas árvores, para práticas futuras. Momentaneamente, ele se sentiu observado, pegou sua espada e sentou no centro do campo, à espera da investida do inimigo, porém ela não chegou. Então ele não treinou mais, deitou-se para dormir. Quando fingiu adormecer, uma figura negra, em suas costas, surgiu, o agarrando e enlaçando com o corpo. Quando buscou sua espada dentro de suas vestes já não estava mais lá, pois o invasor a havia habilmente retirado. Ele então se virou de frente e se viu cara a cara com uma bela mulher, de cabelos longos e negros como a mais negra turmalina, de corpo esbelto e seios insinuantes. Só então ele percebeu que ela estava nua. A olhou de cima a baixo, com seus olhos sendo atraídos pelos seus esbeltos seios que sobre seu peito se insinuava, as coxas macias e quentes que enlaçavam sua cintura com bastante energia e vigor, de forma que ele se sentiu tentado a se deixar dominar. Mas, por um milésimo de segundo apenas, a calorosa recepção de sua amada lhe passou à mente como apenas um lampejo distante, seguindo pelo som de sua risada, fazendo-o acordar e ir à busca de sua espada para defender-se da vil e tentadora invasora. Sacou e empunhou-a com tremenda rapidez, agilidade o suficiente para deixar a invasora estagnada tempo o bastante pra que ele armasse novamente sua guarda e estivesse pronto pra um ataque, que, porém, não chegou. A Invasora deu meia volta, vestindo-se novamente num piscar de olhos e saindo pela porta da frente. Doragon corre ao seu encontro e ouve apenas um sibilo baixíssimo que o vento perdurou até seus ouvidos
— Coitada daquela princesinha...
Doragon demorou alguns segundos para captar o real significado daquelas palavras que o vento o trouxera. Quando deu-se conta, chamou Nobuyuki e agilmente escapuliu para seu dorso, mal posicionado, porém não se importando, impeliu o esbranquiçado corcel a seguir rumo ao Reino. Chegou apenas na aurora posterior à que ele contemplara. Ao chegar ao seu destino, correu para os aposentos da princesa e lá apenas encontrou uma penumbra anormal e um bilhete preso a uma kunai, ao qual mandava que ele fosse à montanha mais próxima ao norte, onde encontraria uma cabana e, lá, deveria entregar sua espada em troca da vida da princesa. Assobiou para chamar Nobuyuki, novamente elevou-se até o dorso do companheiro animal e partiu rumo às montanhas do norte, sem olhar para trás e sem perceber que um vulto preto, na copa de uma árvore, o observava atentamente e o seguia em silêncio, e muito menos perceber que o Senhor Akihiko o gritava, preocupado.
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