Notas iniciais
Não, não é miragem! Estou de volta depois de quase dez meses, e tenho certeza que nem todas as desculpas do mundo vai me redimir. Mas mesmo assim desculpem-me pela demora. Não planejava demorar tanto. Espero conseguir postar o próximo ainda esse mês, e na pior das hipóteses ainda esse ano. Bom, vou deixar vocês lerem. Divirtam-se!!!!!!!

A semana passou sem maiores problemas. Ou era isso que Augusto pensava.

Algumas pessoas tentavam descobrir o motivo de Daniel não está comparecendo as aulas, alguns achavam que ele estavam doente, porém por não se encontrar na enfermaria logo desistam da ideia. Alguns arriscavam dizer que Augusto o havia matado, e estava escondendo o corpo.

Todo o dia após as aulas Augusto emprestava suas anotações a Daniel. A briga parecia ter sido esquecida, nenhum dos dois deu indícios de querer falar sobre ela.

A suspeita de Augusto em relação a Daniel estar escondendo algo só fez aumentar com o passar dos dias. Por diversas vezes Augusto o viu saindo do quarto durante a madrugada, e voltando apenas quando o dia já estava nascendo. Algumas vezes voltava com os sapatos cheios de terra, outras com a barra da calça molhada. Em uma dessas vezes Augusto tentou o seguir, mas ao saírem de um corredor escuro Augusto se encontrava só. Daniel simplesmente desaparecia.

A segunda feira chegou seca e quente, assim como um dia de verão típico brasileiro. Augusto estava caindo de sono em cima do café da manhã. Graças a Deus — e ao carnaval- as aulas só iriam até a quarta, depois apenas na quinta da próxima semana é que as atividades seriam retomadas.

Durante as aulas os professores mal passaram conteúdo, porém a pilha de atividades para casa parecia não ter fim. Boa parte dos alunos decidiu permanecer na escoa durante o feriado, as aulas haviam começado há apenas uma semana, a saudade de casa ainda não era tanta.
Foi durante a aula de artes que Augusto ficou mais confuso do que tudo.

Ele havia esquecido completamente o trabalho de artes. Só lembrou-se no domingo a noite após o jantar, quando Laura lhe perguntou qual era o significado do seu símbolo, como não tinha o que responder disse que seria surpresa.

— É sério que é surpresa? — perguntou Daniel após as meninas teriam indo embora da sala de jantar.

— É surpresa até pra mim! — Declarou ele rindo.

Como Daniel já estava com seu trabalho pronto — ele havia aproveitado a semana sem aulas — não precisou ficar até tarde na biblioteca.

Depois de muito pesquisar em livros de artes e não encontrar nada nem mesmo na internet, Augusto se viu surpreso ao encontrar a explicação em um simples livro que contava a história local. Toda a trajetória das antigas tribos indígenas que habitaram a região estava relatada ali.

O símbolo era na verdade a junção dos símbolos da terra, do ar, da água e do fogo. O livro contava a história de como uma tribo detentora da manipulação lutava para passá-la de geração em geração. O autor, um alquimista francês de grande renome no século XIV, deixava claro que em nada essa magia se parecia com a utilizada no oriente. Quando chegou para observar a tribo, nem mesmo um símbolo eles tinham. O próprio autor criou o que hoje era a marca histórica do antigo povo.

Eles acreditavam que a cada meio século os deuses escolhiam crianças para serem contempladas com o dom de dominar determinado elemento. Desde cedo todas as crianças eram submetidas a cumprir desafios para quê se descobrissem quem eram as escolhidas pelos deuses. Havia ainda a lenda de que alguém capaz de dominar os quatro elementos nasceria, porém até a criação do livro nenhuma havia registrado essa habilidade.

Augusto ficou tão empolgado lendo o livro que quando deu por si já se passava de uma de manhã. Como tinha entrado na biblioteca sem ninguém ver — já passava do horário permitido -, teria que sair sem chamar atenção. Colocou o livro por dentro da camisa que usava e teve que abrir em condições especiais — arrombar — a fechadura de uma das janelas.

Quase se ajoelhou pra agradecer após fechar a porta do quarto. Estava confiante de que receberia uma boa nota, afinal só precisaria explicar que o símbolo era na verdade quatro em um.

Porém a sua opinião não parecia ser a mesma do professor.

— Isso foi tudo que você encontrou? Então acho que a biblioteca do colégio precisa ser atualizada. Ah, espere! Existe a internet, e essa até onde sei é atualizada todos os dias. Pode sentar.

Augusto não saberia quantificar a raiva que estava sentindo. Tinha vontade de ir até o dormitório, pegar o livro do qual retirou a informação e joga-lo diretamente na cabeça do professor. Estava com tanta raiva que mal viu o resto da aula passar. Só se deu conta do término quando viu Daniel e Laura saindo da sala juntos e cochichando entre si. Não pensou muito quando jogou tudo dentro da bolsa e saiu na direção dos dois, porém teve seus planos barrados ao escutar seu nome sendo chamado pelo professor.

Estava pronto para receber um grande sermão, mas tudo o que ouviu foi:

— Não ache que não gostei do seu trabalho, você fez exatamente o que lhe foi pedido. Mas lhe aconselho a pesquisar mais sobre o assunto. Pode ser que encontre algo interessante.

E dizendo isso simplesmente saiu da sala, deixando Augusto mais confuso do que irritado. Porém a cena da sua irmã junto a Daniel ainda estava fresca em sua mente, e tudo que o professor disse foi rapidamente esquecido.

Assim como ele esperava ao chegar ao corredor este se encontrava vazio, sem nenhum sinal da sua irmã ou de Daniel. Mas ele não ia desistir de descobrir o porquê de sua irmã se encontrar tão próxima ao seu mais novo ex-inimigo.

Enquanto se dirigia a sua próxima aula, física, Augusto sentia como se á estivesse na sexta-feira, e não apenas na segunda. Por isso, deu meia volta e seguiu em direção ao dormitório masculino pra fazer algo que ele nunca esperou fazer: ler um livro de história.

Quando chegou ao seu quarto pegou o livro que tinha escondido entre suas roupas, e resolveu ler do início. Queria entender a história daquele povo.

“Caro leitor,

Antes de tudo caro leitor, você precisa saber que o que vou contar aqui é algo totalmente pessoal e imparcial, por isso se sinta a vontade pra tirar suas próprias conclusões.

Primeiramente confesso que ao vim para o Brasil, eu já sabia o que esperar, e tenho vergonha em admitir que agi de forma desleal ao colocar as informações a mim confiadas em um livro. Por causa disso alguém pagou muito caro, mas em minha defesa informo que não fui avisado do perigo que era documentar o que me foi contado.

Porém, não se pode mudar o passado, da mesma forma que uma vez que a tinta cai sobre esse papel não pode mais ser retirada.

Essa folha foi anexada por mim décadas após o livro ter sido escrito, eu já não era mais um jovem alquimista excitado pela história que ouviu do seu companheiro de cela. Já tinha visto, ouvido e vivido muito em minha vida, sabia o quão era fácil se deslumbrar pela confirmação de algo que há muito era tido como lenda, e o que isso podia fazer na vida de alguém.

Então resolvi deixar todo àquele que se dispor a ler o que está escrito nessas páginas ciente do que lhe espera, e a grande responsabilidade que cai sobre seu ombro no momento em que começar a desvendar segredos que não lhe diz respeito.

Tenha em mente que assim como você duvidei de muito que ouvi, estava apenas no início da minha carreira, não sabia como vasta podia ser a alquimia. Por isso, tive que vim ao Brasil, confirmar como meus próprios olhos aquilo que me foi contado. E foi aí que minha vida mudou, percebi o erro que tinha cometido ao colocar em um livro o que me foi confiado, esse arrependimento me acompanha até hoje, e afirmo com toda certeza que o levarei até o túmulo.

As páginas a seguir foram escritas de forma apressada, tinha medo de não ser rápido o suficiente e acabar esquecendo algo, talvez por isso você tenha um pouco de dificuldade na leitura, caso resolva lê-lo.

Porém, apesar de tudo tive a sorte de em meu caminho surgirem pessoas boas, de corações puros e compreensivos. Foram elas que me mostraram o lado bom da minha ação, me fizeram ver que através do meu livro a cultura de todo um povo permanecerá pra sempre viva.

Mas tome muito cuidado, esse livro que agora você tem em mãos foi a chave para o sucesso de muitos, mas também o motivo do fracasso de outros, um número além do qual você possa imaginar.

Acredito já ter me estendido muito em meu sincero aviso, mas não posso deixá-lo ir sem antes lhe dizer uma última coisa: confie apenas em quem te ajuda sem nem mesmo fazer perguntas, porque esses confiam em você da mesma forma.

O Alquimista

Quando fechou o livro Augusto sentia a cabeça dá voltas. Seu estômago estava embrulhado, à medida que seu corpo tremia e suava. Ele se sentia doente.

Chegou a cogitar não ler o livro, mas a sua curiosidade falou mais alto. O que era tão sério a ponto de fazer alguém passar sua vida inteira arrependido? Que povo era aquele? Como não viu esse bilhete antes? O quanto a informação que antes retirou do livro poderia já ter afetado sua vida? Será que mais alguém daquela escola já tinha lido esse livro? O que um livro daquele fazia em uma escola? Quem era esse alquimista? De onde ele era?

Augusto não conseguia desligar sua mente, por mais que soubesse que não obteria respostas para suas inúmeras perguntas. Só se deu conta do tempo que passou quando Daniel apareceu no quarto, lhe olhando com expressão confusa.

— Onde você estava? Sua irmã está louca atrás de você, já te ligou várias vezes e você não atendeu. Convenci ela a ir guardar os materiais antes de irmos lhe procurar.

— Desculpe, a aula de artes me deixou com uma enorme dor de cabeça, preferi vim deitar um pouco. Não ouvi o celular tocar, deve tá no silencioso.

Daniel lhe olhou de forma preocupada enquanto perguntou:

— Você tá bem? Tá achando um pouco pálido.

— Sim, sim. É só a dor de cabeça. — Augusto se apressou em responder, levantando rápido da cama. Escondeu o livro entre as cobertas durante o processo, não estava preparado para dividi-lo com mais alguém. — Você está indo almoçar agora?

— Sim, que ir junto? — Augusto fingiu não perceber a forma desconfiada que Daniel lhe olhava. — Sua irmã deve está lá embaixo me esperando.

Se Augusto não tivesse tão desligado do mundo a sua volta, teria percebido o quão estranha havia sido a última frase. Afinal de contas, fazia pouco mais de uma semana que sua irmã havia batido em Daniel, como poderia estar tão amigos?

Alheio a tudo isso, Augusto se limitou a confirmar com a cabeça, enquanto se perguntava: em quem posso confiar?

Notas finais
Espero que tenham gostado! E comentem, por favor!!!!!!! Preciso saber se ainda tem alguém lendo. Beijos!!!!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.