Notas iniciais
Oie! Depois de meses estou eu aqui postando um novo capítulo. Capitulo esse que estar escrito desde 2013, assim como boa parte inicial da história. Sei que falei que ia concluir a história ainda nas férias de janeiro, porém meu ano não começou nada bem. No dia 01/01 eu já estava sofrendo horrores por causa de uma infecção urinária. Então passei quase uma semana sem fazer nada. As férias da minha mãe acabaram no dia 02/01, e a partir daí a minha irmã de 07 anos era responsabilidade minha, o que fez meu tempo ser quase inexistente. A noticia boa (sim, ela existe) é que metade da história já estar escrita, faltando apenas digitar ( o que eu morro de preguiça de fazer). Nesse recesso de carnaval vou tentar postar mais uns dois capítulos, sei que minha dívida com vocês está enorme. Se ainda tiver alguém acompanhando eu gostaria de saber. Divirtam-se!!!!!

A enfermeira era totalmente diferente do que ele imaginava. Ele achava que era praticamente uma regra as enfermeiras das escolas serem senhoras de idade como nos filmes adolescentes.

Debruçada sobre uma pequena pilha de papéis estava uma moça, que aparentava ter no máximo trinta anos. Cabelos pretos e lisos, que iam até um pouco acima do ombro, e quando lhe direcionou o olhar Augusto pode ver quão azul eram os olhos que o encaravam.

Ainda em silêncio Augusto sentou na cadeira lhe indicada, em frente à mesa da que agora ele sabia ser médica, como o bordado em seu jaleco indicava: Dra. ... Gomes. O primeiro nome estava sendo encoberto pela borda da abertura frontal do jaleco.

— Em que posso lhe ajudar?

Só agora ele lembrou-se o porquê que o levou até ali.

— Meu amigo está com muita febre, tentei lhe acordar, mas ele simplesmente nem se mexeu.

— Me conte essa história enquanto me mostra seu dormitório — Falou ela se dirigindo a um armário na lateral da sala e retirando dele uma maleta.

— Quando eu fui dormir ele ainda não tinha chegado. Hoje eu acordei mais cedo que o normal, então não achei estranho ele ainda tá dormindo. Fiquei um tempinho a mais no banheiro sabe? Não estou acostumado com o calor que faz aqui, a Itália era sempre tão fria essa época do ano, você sabe quantos graus faz aqui essa época do... — Augusto se interrompeu ao perceber o olhar da médica sobre si, com certeza ela não queria saber sobre o clima europeu. — É, quer dizer, quando saí do banho vi que ele não tinha acordado ainda, e sabe... a gente não é o que se pode chamar de melhores amigos, mas eu não deixaria ele chegar atrasado. Só que quando eu cheguei perto dele, percebi que ele tremia. Nunca fui bom aluno em biologia, mas tremer no calor brasileiro não pode ser considerado um sintoma de saúde...

— Sinal.

— Como? — Augusto estava tão concentrado em sua narração que mal percebeu quando chegaram ao terceiro andar.

— Tremor é um sinal.

— Certo. — Ele só concordou com o que quer que seja que ela estivesse falando.

Nesse momento eles cruzavam a sala de estar, e pela ausência de aluno Augusto temia que sua ajuda não tivesse sido tão rápida assim. Como era de se esperar Daniel continuava deitado na cama, porém o lençol se encontrava jogado ao chão.

Augusto viu quando a médica abriu a maleta e começou a retirar os instrumentos necessários para os primeiros-socorros, só agora se deu conta de que não sabia o nome dela. Seu rosto pequeno transparecia toda a concentração e por vezes a preocupação tomava o seu lugar.

Depois do que pareceram minutos, e de procedimentos que ele não fazia ideia da serventia, a médica voltou a falar.

— Como eu esperava a temperatura está alta, mas não se preocupe, já o mediquei, e pelas próximas seis horas ele não deve voltar a ter febre. Provavelmente terá que passar o resto da semana sem ir às aulas, mas sobre isso deixe que eu me encarregue de avisar ao diretor. Quando ele acordar vá até a cozinha e peça para que a refeição seja servida aqui, ele deve dormir pelas próximas duas horas. Avise também que quando ele se sentir melhor vá até a enfermaria, quero falar com ele.

Foram tantas as instruções e recomendações que ao final do discurso Augusto não sabia nem se ela ainda falava em português. Tudo que conseguiu fazer foi perguntar seu nome, obtendo um abafado “Aline” como resposta.

As próximas duas horas foram de total tédio para Augusto, depois da primeira meia hora, o livro que resolveu lê estava dando mais sono do que as aulas de Filosofia. Augusto não sabe dizer quanto tempo se passou até Daniel acordar, porém a cara pálida dele indicava que sua saúde já tinha visto dias melhores.

— Que hora é? — Foi a primeira coisa que ele perguntou após acordar.

— Tarde, bem tarde. — E pelo susto que o outro levou, Augusto teve certeza que aquele foi uma pergunta retórica, e Daniel nem mesmo sabia que ele estava ali. O que foi confiado pela pergunta seguinte.

— O que você faz aqui?

— Levando em conta que metade desse dormitório é meu, e fui praticamente obrigado a lhe fazer companhia, essa não é a melhor forma de agradecer por não ter lhe deixado morrer.

Ignorando o sarcasmo de Augusto, Daniel perguntou:

— O que aconteceu?

— Não sou a melhor pessoa pra lhe contar, já que nem eu sei direito. — E ignorando totalmente as recomendações anteriores, anunciou — Vou chamar a médica.

Deixar Daniel sozinho no quarto, e ir atrás da médica trouxe a Augusto a sensação de déjà vu, por isso foi logo na cozinha, pedir que servissem o café da manhã no quarto, e só depois de minutos de debate foi que conseguiu convencer a cozinheira de que um aluno realmente estava doente.

Dessa vez o caminho até a enfermaria não foi tão difícil de acertar, e por sorte havia apenas uma paciente, deitada em uma maca com o pé imobilizado. Pouco tempo depois de ter saído do quarto, Augusto retornou trazendo consigo a médica, que durante todo o caminho reclamou das alunas e sua fixação pelo professor de Educação Física, que segundo ela levava as determinadas alunas fingirem diversas torções em toda e qualquer articulação do corpo.

Quando já estavam entrando no quarto, observou a médica parada a porta lhe observando.

— Poderia nos dar licença? — Disse ela, e sem nem esperar resposta fechou a porta em sua cara.

Sem ter muito o que fazer Augusto retornou a sala de estar, tentou achar o livro que lera no dia anterior, queria ver se havia outros recados, precisava descobrir quem era aquelas pessoas.

Enquanto procurava, não viu a sala se encher à medida que alguns alunos vinham guardar os materiais para irem almoçar, por isso seu coração quase saiu pela boca quando sentiu uma mão em seu ombro.

— Sua irmã está louca lá embaixo atrás de você, tive que usar todo meu poder de convencimento para impedir que ela subisse. — Disse Tiago não se dando conta do Augusto pálido e arfante que tinha diante de si.

— A Laura?

— Você só a tem de irmã, não é? Então é ela mesma.

Augusto achou melhor não perder tempo com Tiago e suas maluquices. Ele sabia que se não fosse logo, não ia demorar para a irmã entrar na sala o procurando.

Assim que desceu o último degrau Augusto mal teve tempo de respirar, ele mal observou onde Laura estava quando sentiu a primeira tapa lhe arder o braço.

— Quem... você.... pensa... que...é? — No final da fase ele podia jurar que todo o seu braço esquerdo se encontra dilacerado. — Espero que você tenha um bom motivo pra me deixar preocupada amanhã inteira, por pouco não liguei para a mamãe.

E no momento seguinte ela se jogou em seus braços chorando copiosamente.

— Ela passou a manhã toda preocupada, tivemos que impedi-la de ir falar com o diretor. — disse Valentina do outro lado do corredor.

— Ela só melhorou depois que liguei para o meu pai e ele afirmou que não estava sabendo grave nada sobe você.

— Obrigado, Catarina. — Augusto conseguiu dizer ainda segurando a irmã nos braços.

— Eu achei que você e o Daniel haviam brigado novamente, e dessa vez algum dos dois tinha acabado por matar o outro. — declarou Laura entre soluços, fazendo com Augusto risse. — Você é um péssimo irmão Augusto, me preocupei com você pra agora você rir de mim.

— Desculpe-me Laura. O Daniel não acordou muito bem, tive que ir até a enfermaria procurar ajuda, e depois a médica me pediu que ficasse aqui lhe fazendo companhia.

— Ele está doente? De quê? — a pergunta espantada veio de Valentina.

Não sei, a médica não disse muita coisa. Agora mesmo está lá reavaliando ele, mas me expulsou do quarto, então sei tanto quanto vocês.

— Temos que ir Augusto, não estamos acobertadas como você, então não podemos nos dar ao luxo de faltar as aulas da tarde. E ainda temos que ir almoçar. Após as aulas viremos aqui lhe passar o conteúdo. — disse Laura ficando na ponta dos pés e dando o beijo no rosto do irmão.

— Mas não se preocupe que você não perdeu muita coisa. O ponto máximo do dia foi quando a Rebeca fingiu uma torção na aula de Educação Física apenas para que o professor Ricardo a pegasse no colo. — pela cara de reprovação de Valentina, era nítido o desgosto dela por alunos que não levavam as aulas cem por cento a sério.

— Mas não podemos condená-la, não é? Deveria ser pecado um homem daquele ser professor. Se ele e sua esposa Paula, a psicóloga aqui da escola, não fossem tão amigos do meu pai, eu fingia logo era um desmaio.

Augusto não entendeu muito bem sobre o que elas falavam, mas as risadinhas lhe deram uma leve indicação que o assunto era garotos, ou melhor, o professor de Educação Física. Virou-se pra irmã, esperando pelo comentário dela. Quando viu que estava sendo encarada, Laura imediatamente ficou séria.

— Nos vemos mais tarde, tchau.

E foi essa a despedida de Laura, saindo tão rápido que nem deu tempo Augusto responder.

Quando retornava a sala de estar, quase esbarrou na médica, que sem nenhum cumprimento desceu as escadas e sumiu pelo corredor.

Demorou um tempo em frente à porta do quarto se perguntando se devia entrar ou não. Se achando um imbecil por ter dúvidas sobre entrar no próprio quarto, Augusto girou a maçaneta e tentou não pensar muito no que viria depois.

Daniel estava sentado na cama, uma muda de roupas ao seu lado, e a toalha no ombro. Nenhum dos dois sabia muito o que falar, nunca haviam se imaginado em situação parecida. Daniel foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Obrigado.

Augusto não sabia o que responder, mas achou que o silêncio não era a melhor forma de se continuar um diálogo.

— Não foi nada. É o que eu gostaria que tivessem feito por mim.

Não passou despercebido por nenhum dos dois que a frase “era o que você teria feito por mim”, havia sido evitada. Nenhum deles podia afirmar com certeza se a recíproca seria verdadeira.

— Você está melhor? — Augusto resolveu perguntar, afinal de contas, caso algo mais acontecesse seria ele a auxiliar.

— Sim. Ela disse que deve ser apenas uma virose, dentro de alguns dias estarei melhor. Me deu o resto da semana de atestado. — Enquanto falava Daniel se dirigia ao banheiro, evitando a todo custo manter um contato visual. — Porém ela disse que pra você é apenas hoje, ela não teria motivo para lhe permitir faltar aulas.

Atestado médico já não era mais uma preocupação de Augusto, no momento ele queria saber o que teria dado em Daniel pra estar tão na defensiva. Será que ele estaria com vergonha por ter precisado da ajuda de Augusto? Era a única explicação lógica que lhe vinha à mente.

— Daniel não precisa ficar com vergonha por eu ter lhe ajudado, não falei sobre isso com ninguém. — Ocultou propositalmente que já havia repassado a informação para a irmã, depois daria um jeito de controlar a língua de Laura.

— Se todos os meus problemas fosse você ter me ajudado... Até onde sei, irei precisar da sua ajuda muito mais.

— Do que você estar falando?

— Nem eu sei meu amigo, nem eu sei. — disse Daniel fechando a porta do banheiro, não lhe dando brechas para perguntas.

Augusto não sabia o que era, mas ele tinha certeza que Daniel lhe escondia algo. Algo esse que lhe envolvia.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Qualquer erro é só me avisar. Beijos!!!!!!!!!!!