O Milagre

3 A dor de um passado


Notas iniciais
Olá, Swens! Fiquei muito contente que tenham ficado curiosos com a tal ligação e mais contente ainda por terem vindo me cobrar mais um capítulo. Pois bem, aqui vai mais um capítulo e eu espero que gostem. Sem mais delongas, boa leitura! Ps: Relevem os erros.

Não conseguia me mover. Cada musculatura minha tinha enrijecido. Na minha cabeça tinha se instalado aqueles aviões da esquadrilha da fumaça sabe? Que faz várias manobras. Minha voz sumiu. Tenho certeza que o gato comeu minha língua – Impossível! – Pensei. Devia ser algum engraçadinho passando trote. E mais uma vez, pro meu desgosto, ela voltou a falar.

Emma! Eu sei que você tá aí. Por favor, eu preciso falar com você. Me respon... – Antes que pudesse concluir, desliguei o celular. Não sei da onde tirei forças para fazer tal coisa, mas o que importa é que tinha conseguido.

Ainda incrédula do que acabara de acontecer, tendo me recompor e dirijo o mais rápido que posso à casa da Belle. Afinal, hoje era despedida da Elsa e não estragaria isso por causa daquela ligação. – Maldita curiosidade! – Esbravejo batendo no volante. Sem me dar conta, já estou em frente à casa da Belle e vejo Ruby encostada em seu carro, de braços cruzados e com cara de poucos amigos. – Já vi que vou ouvir muito. – Desligo o carro, respiro fundo e por fim, saio de dentro dele. Caminho em passos largos até minha amiga e dou um sorriso de lado.

Ah! Pensei que tinha desisto de vim sem ao menos avisar – Fala descruzando os braços e me lançando um olhar fuzilador. Por um instante pensei que fosse morrer

Eu disse que viria não disse? – Disse inutilmente tentando acalmá-la

Disse! Mas eu pedi que você chegasse no horário, Emma! E não que chegasse uma hora depois do combinado – Volta a cruzar os braços e dessa vez começa a bater o pé. Prova de que quer uma explicação e era óbvio que não falaria da ligação. Pelo menos não agora. Não quero estragar a festa da Elsa.

Eu sei, Ruby. Me desculpa vai. Não fiz por mal – Falo manhosa e arranco um sorriso da minha amiga. – Me desculpa? – Pergunto meia encabulada

Antes me responde por que seu celular estava desligado – Exigi. Engulo seco e tento me manter calma. Sabia bem porquê tinha desligado meu celular.

Ele descarregou e só notei quando estava à caminho – Falei orando para que aquilo acabasse o mais rápido possível ou acabaria falando a verdade e não era isso que queria. Não por enquanto. Ruby não pareceu convicta do que acabara de ouvir, mas decidiu deixar as interrogações pra depois.

Vamos! O pessoal tá lá dentro. Só estávamos esperando você – Falava isso enquanto puxava meu braço. Quando entramos pude ver Elsa, Anna e Graham sentados no sofá conversando e mais no canto, Belle e... –Will!– Disse surpresa. Ruby sorrio com a minha reação.

Fiquei do mesmo jeito que você, mas já acostumei. – Disse ainda sorrindo. – Vem! Vamos falar com ele – E assim saiu me puxando novamente, como se não tivesse pés e pudesse me conduzir à eles.

Belle, Will – Disse assim que cheguei perto deles. Os dois voltaram-se pra mim sorrindo. Belle veio me abraçar e não pôde deixar de reclamar pelo meu atraso. Depois foi a vez do Will.

Oi, Emma – Sorrio estendendo a mão direita para que eu apertasse. Assim fiz e retribui o sorriso.

Logo nos juntamos aos outros. Sentei ao lado de Ruby que tinha Graham, Elsa e Anna à sua frente. À minha direita tinha o Will, que acabara de ir à cozinha pegar mais bebidas e Belle ainda de pé escolhendo uma música.

Depois de mudar várias e várias vezes de música, decidiu deixar em Want To Want Me. Quando dei por mim estávamos todos cantando o refrão da música feito loucos. Graham começou e claro, cantando na minha direção. Ri com aquilo. Namorei o Graham com quinze anos, mas infelizmente não deu certo. Acabamos de forma amigável, mas ele ainda insistia para que ficássemos. – Inacreditável! – Pensei. Mesmo depois de treze anos , ele ainda investia em mim. Fui tirada dos meus devaneios com a voz da Anna propondo um brinde a Elsa. Brindamos e então Ruby decidiu falar

Que tal irmos à boate Kiss Me? – Fala toda empolgada e todos topam. Will e Belle vão no carro com Ruby, Graham no seu, Elsa e Anna no meu. Nos encontramos em frente à boate que estava lotada. Era sempre assim nas noites de sexta-feira e pela hora já devia tá bombando.

Fomos até a bilheteria, compramos os ingressos e entramos. Como previa, a casa estava lotada. Passamos em fileira, um atrás do outro e dançando de acordo com a batida da música. Assim que encontramos uma mesa, nos instalamos e sai com Ruby para comprar as bebidas.

Um copo de tequila, por favor – Pedi sentando em um dos bancos do balcão

Trás também um balde de cerveja, uma garrafa de tequila e uma de whisky – Ruby disse sentando-se ao meu lado. Assim que o barman saiu, ela virou-se para me olhar e pegou na minha mão. – Ei! O que aconteceu? Você parece assustada desde que chegou na casa da Belle. – Ruby era esperta, eu sabia que ela notara algo e só esperava por um momento a sós para me perguntar o que havia acontecido. Suspirei. Sabia que não adiantaria mentir e nem queria isso, mas devíamos aproveitar a festa certo? E faria isso sem tocar nesse assunto. O barman chegou e nos entregou os pedidos. Virei meu copo de tequila sem cerimônia e fitei os olhos castanhos da minha amiga

Depois te conto tudo ok? Agora vamos curtir essa noite que só tá começando. – Minha amiga assentiu, pegamos as coisas e voltamos à mesa.

Quando chegamos lá Will e Belle estavam aos beijos. Revirei os olhos ao ver a cena. Ruby colocou o dedo indicador na boca como se fosse vomitar com aquilo, o que arrancou risos de todos que ali estavam. Colocamos as coisas em cima da mesa e cada um se serviu. Graham e Will, que para minha surpresa estava a vontade, apostavam quem virava um copo de tequila sem fazer careta. Depois foi a minha vez e a da Ruby. Viramos vários copos, até que ela não aguentou e saiu correndo em direção ao banheiro com Anna logo atrás dela. Era sempre assim, eu bebia tudo sem careta alguma e ela em algum momento acabava colocando a bebida pra fora. Fui tirada dos meus pensamentos com Graham me convidando para irmos dançar, já que Elsa tinha ido com Belle e Will para pista. Não hesitei e me levantei indo em direção a mesma.

Tocava Moves Like Jagger. Começamos a pular e a fazer passos sincronizados. Eu ia para um lado, ele para o outro. Depois comecei a mover apenas o ombros e de acordo com as batidas começava a mexer a cintura. Ele ria feito bobo enquanto dançava a sua volta. Quem olhasse podia jurar que ''seduzia'' o rapaz. No refrão era de qualquer jeito. Pulávamos com as mãos para o alto, sacudindo a cabeça de um lado para o outro e nossos corpos acabavam se esbarrando, o suficiente para Graham agarra minha cintura e me roubar um beijo. Não sei porquê, mas acabei cedendo. Quando dei por mim suas mãos percorriam toda extensão do meu corpo de uma forma possessa, o que fez eu recuar e sair de perto dele. – Droga, Emma! – Me reprimi por tal ato. Fui andando sem direção alguma e quando dei por mim estava em frente ao banheiro. Entrei, lavei meu rosto e meus pensamentos voltaram-se para àquela ligação. Sacudi minha cabeça na tentativa de afastá-las e sai do banheiro rumo ao bar. Pedi mais um copo de tequila, depois outro e outro, até perder a conta e só enxergar vultos. Por um impulso levantei do banco procurando por meus amigos. Sem sucesso encostei minha cabeça na pilastra e me permiti ficar ali por alguns segundos até que minha visão desembaçasse. Senti muitas pessoas me tocarem, cochichar coisas em meu ouvido e até tentarem roubar beijo, o que fez eu abrir os olhos e empurrar a pessoa. – Droga! Droga! Droga! – Parece que piorou. Eu não enxergava nada.

Como se ouvisse minhas preces, Ruby apareceu sabe-se lá da onde e me tirou dali, me arrastando até o meu carro e pedindo pelas chaves. Relutei o quanto pude, queria me despedir da Elsa e além disso Ruby tinha bebido. Mas claro, estava bem melhor do que eu. Por fim acabei entregando as chaves do carro e partimos para meu apartamento. Sabia que teria que lhe dizer o que tinha acontecido mais cedo e só de pensar nisso meu estômago embrulhou. Fechei os olhos na tentativa de apagar àquela ligação da minha memória, sem sucesso. Quando vi já tínhamos chegado em frente ao meu edifício. Minha amiga buzinou, o porteiro abriu o portão que levava à garagem e em seguida ela entrou, estacionou o carro, descendo em seguida para me ajudar. Passou os braços em volta da minha cintura, enquanto eu apoiava meu braço em volta do seu pescoço.

Não precisa disso By – Falei manhosa. Pude ouvir o som da sua risada e dei um tapa em seu ombro. – Não ri! – Repreendi.

Desculpa, Em! Mas você só me chama assim quando está bêbada e sim, você precisa disso. – Disse entrando no elevador e apertando o número 12, andar onde ficava meu apartamento. Ficamos em silêncio até a porta abrir e ela sair me arrastando novamente. Abriu a porta ainda me segurando e só então me largou no sofá, voltando para fechar a porta. Depois me pegou novamente, dessa vez para me levar ao banheiro. Subimos as escadas com dificuldades e me reprimi por tê-la ali. Nunca pareceu tão enorme quanto agora. Quando chegou ao meu quarto, tratou de retirar minhas roupas e ligou o chuveiro me colocando de baixo d'água.

Porra, Ruby! Tá gelada! – Gritei me abraçando e alisando meus braços na tentativa falha de aliviar o frio.

Eu sei disso e é de um banho assim que você precisa – Falou saindo do banheiro e pude ouvir sua risada.

Terminei meu banho e Ruby veio me ajudar. Coloquei o roupão e sai cambaleando até encontrar minha cama e me jogar na mesma. Minha amiga fez a mesma coisa e ficou me encarrando como quem quer dizer alguma coisa.

O que você quer falar Ruby? Desembucha!

Você também tem que me falar algo. Não pensa que esqueci. – Àquelas palavras fez meu estômago doer e minha cabeça latejar. Me ajeitei na cama, deitando minha cabeça no travesseiro e encarando o teto.

Eu sei! Mas primeiro você fala. – Não sei bem porquê fugia daquele assunto, mas não queria ter que falar dele agora. Porém, não conseguiria enrolar minha amiga por muito tempo.

Fiquei com a Anna – Falou tão baixo que quase não entendi. Virei para encara-la. Não sabia dizer o que via nos olhos dela e isso não era difícil. Ruby é uma pessoa que mostra fácil o que sente pela pessoa, entretanto, por algum motivo que não sei, não soube dizer o que se passava ali. Talvez fosse o álcool. Pensei.

Antes a Anna do que o Graham – Ruby arregalou os olhos, parecia não acreditar no que acabara de ouvir. Sorri com a reação dela e continuei. – É... Se te serve de consolo, é claro. – Rimos feito duas idiotas. – Mas o que foi? Não gostou? – Perguntei tentando entender o porquê dela está tão aflita.

Não é isso... – Suspirou. – Promete que não vai rir da minha cara? – Assenti já sabendo o que viria em seguida. – Eu gosto dela... Não é gostar como eu gosto de você, entende? – Assenti e ela continuou. – É gostar, gostar de verdade. De querer tá perto, mas ela não parece querer isso. – Ruby fala e posso ver o quanto triste ela está.

Como você tem certeza que ela não sente o mesmo?

Ah! Não sei. – Ela senta encostando-se na cama e respira fundo – Você sente quando alguém gosta de você. Não que ela não goste, mas é diferente. Não é do mesmo jeito que eu gosto dela. – Diz voltando seus olhos para os meus.

Olha, eu sou péssima com isso e estou um pouquinho bêbada para te dar conselho, mas você devia conversar com ela, Ruby. Tudo bem que você sinta isso e eu acredito nessas coisas, mas o que custa tentar não é? As vezes é melhor arriscar do que deixar as coisas escaparem e existe a possibilidade de você está errada sabia? Então não joga fora essa oportunidade por medo, entendeu? – Ela me encarrou por uns instantes e assentiu. Bateu na coxa dela para que eu deitasse ali e assim fiz. Um silêncio perturbador se instalou e eu sabia muito bem o que aquilo queria dizer. Chegou a minha vez de falar o que tinha acontecido.

Então Swan, não vai me contar o que aconteceu mais cedo? – Perguntou enquanto alisava meu cabelo. Fechei meus olhos por um instante, procurando forças para remexer naquele passado que acabava de ressurgir, assim como a fênix ressurgi das cinzas. Abri meus olhos e vi que minha amiga esperava uma resposta. Respirei fundo e por fim falei

Ela voltou, Ruby... A Lilly voltou. – Só quando ouvi minha voz pronunciar seu nome em voz alta, me dei conta de que não era um pesadelo que simplesmente acabaria quando abrisse os olhos. Era um pesadelo sim e pior, eu já estava de olhos bem abertos.

Notas finais
Então, gostaram? Algum palpite do que a Lily fez com a Emma no passado? E por que ela voltaria? Me deixem saber se acharam desse capítulo depositando seu comentário aqui embaixo. Beijos!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.