Quando começei a pegar no sono, ouço uma voz angelical um pouco roca.

- Ei, toma o chá e prometo que você pode dormir. — Ele falou, me virei e encontrei as suas orbes cor de mel.

- Vamos pular essa parte e apenas dormir. — Eu falei fazendo bico.

- Não. — Ele respondeu sério.

Eu bufei e me sentei na cama, peguei a xícara e tomei um gole do chá, fiz uma careta.

- Isso tem que valer a pena, porque tá horrível. — eu disse.

Ele apenas riu e se sentou ao meu lado.

- Só toma e não reclama. — Ele falou.

- Você tá tão bem, porque eu tô tão mal? — Eu indaguei.

- Bom... Eu só pareço bem. Mas a cada dia que passa sinto como se morresse um pouco. — ele falou cabisbaixo.

Eu não queria parecer rude mas eu expliquei a pergunta melhor.

- Bom, eu estava falando da festa. — Eu falei tomando mais um gole e não olhei qual foi sua reação.

- Bom... Você bebeu bastante. — Ele falou.

- Eu não sou de beber, num entendo porque fiz isso ontem. — Eu falei tomando o último gole.

Ele se levantou e estendeu a mão pedindo a xícara, notei sua calça levemente caída mostrando sua boxer azul. O que me fez lembrar rapidamente da sua boxer que estava aqui, era a ocasião perfeita para entregá-la, pelo menos eu achava.

- Escuta J... — Eu rapidamente me corrigi. — Desculpa, Justin. — eu falei me levantando. — Você esqueceu algo aqui, e acho que devia te entregar.

Ele colocou a xícara na escrivaninha, me olhou nos olhos e se aproximou, perto o suficiente para que a fragância que exalava de seu corpo me fizesse ter lembranças. Prendi a respiração.

- O quê? — Ele falou baixinho fitando meus lábios.

Eu o olhei nos olhos e meu corpo estremeceu por alguns segundos e eu tentava me concentrar, mas a palavras faltavam, então como meu primeiro instinto me afastei.

Fui em direção ao guarda-roupa e peguei a caixa na qual eu a havia guardado, fui em direção a cama e me sentei. Abri e ele logo viu a sa boxer lá.

Ele deu sorisso meio envergonhado.

- Bom... Foi isso que você esqueceu.- Eu falei rindo. — Estava guardada aqui porque não queria que a minha mãe visse até que eu pudesse te entregar. — eu peguei ela e o entreguei.

- Obrigado. — Ele falou sem graça.

- Não foi nada. — Eu falei olhando pro chão, de repente o clima ficou estranho, aquilo trazia lembranças, do quão alegre tinha começado aquele dia e de repente tinha virado um desastre.

- Bom, você pode dormir agora, eu tenho que ir. — ele falou pegando a xícara e saindo do quarto. Eu o segui.

- Você pode colocá-la aí, outra hora eu lavo. — Eu falei.

- Não, você... — Eu o interrompi.

- Sério, você já gastou tempo demais comigo. — Eu falei.

Ele colocou a xícara na pia e quando ia lavá-la, eu o puxei pela blusa com força, pois achei que ele ia se recusar a vir. Mas pelo contrário ele veio com facilidade, tanta que os nossos corpos se chocaram, acho que coloquei mais força para puxá-lo do que a necessária.

Nossos corpos ficaram próximos e meu coração acelerou, minhas perna ficaram bambas novamente e apesar de não ter feito nenhum atividade física, sentia minha respiração acelerada e às vezes me faltava o ar.

- Já te disse que não precisa lavá-las. — falei com dificuldade.

Senti suas mãos encontrarem a minha pele. Ele passava os dedos suavemente nas minhas coxas e foi subindo até minha cintura. Me apertou contra seu corpo e sentia sua respiração ofegante. Ele inclinou sua cabeça de modo que nossos rostos ficassem mais próximos, umedeceu seus lábios e fitou os meus, sentia ele se aproximar mais e mais, e eu simplesmente fechei os olhos. Tentando me concentrar apenas no contato de nossas peles.

Senti seus lábios encostarem nos meus aos poucos, como se ele estivesse indeciso sobre o que ia fazer. E de repente pressionou os nossos lábios, parecia estranho mas aquele mínimo contato me fazia sentir viva de novo. Ter suas mãos na minha cintura, seu corpo contra o meu, seus lábios nos meus, me lembravam o porque de eu estar sofrendo tanto com a nossa separação, porque eu o amava.

Ele me deu um selinho estalado, e depois mordeu meu lábio inferior, bem lentamente.

E bruscamente me puxou para a realidade.

- Isso foi um erro. — Ele falou se afastando. — Sabe, minha mãe insistiu que a gente devia ser amigos, e que tudo ia se encaixar aos poucos. Mas ficar perto de você só me faz sentir pior. — Ele falou com repulsa.

De repente, parecia que eu estava mergulhada de novo no pesadelo.

- Eu não te quero perto de mim. Acho que a gente num pode ser amigo, eu vou tentar ficar longe de você, só prometa que vai manter distância de mim. — Ele falou indo em direção a porta.

Eu sentia as lágrimas se formarem nos meus olhos, mas como uma reflexão rápida percebi que eu não deveria chorar por ele, quem era ele pra vir na minha casa me beijar e de repente me pedir pra me afastar e que eu tinha sido um erro. Isso era egoísmo, e ele simplesmente se aproveitava dos sentimentos que eu sentia por ele. Ele não gostava de mim nenhum pouco, eu era apenas o seu passa-tempo. Não ia mais ficar nessa de não aproveitar minha vida sofrendo por ele, pra mim chega.

- Quer saber? Vai embora. Eu cansei dos seus joguinhos. Você é bipolar? Porque pra mim tá parecendo. Estou farta de ouvir você me dizer coisas que me magoam, essa foi a última vez. Aproveite a sua vida, porque esse erro que você cometeu nunca mais vai se repetir. É oficial, eu te quero fora da minha vida, começando agora. — eu falei em um tom de voz alto e rude.

Ele não estava esperando ouvir aquilo, percebi pela sua reação.

- Eu vou sair da sua vida, não se preocupe. — Ele falou e feixou a porta.

Eu me senti um pouco mal por dizer todas aquelas coisas, nem todas eram verdade. Mas e a dele, todas eram verdade? Talvez eu tivesse falado tudo de cabeça quente. Mas acho que ele também não estava medindo suas próprias palavras.

Estava pensando que talvez o melhor fosse dá um tempo de toda essa crise, eu estava bem antes dele, uma vida normal, talvez não tivesse tantas novidades, mas eu estava bem. Talvez eu pudesse voltar aquela vida, por uns tempos, ver o que acontece. A viagem ia me ajudar a pensar melhor e tudo mais.

***

Acordei pela manhã com o barulho do despertador do celular, ele estava debaixo do travesseiro como sempre.

Logo o desativei e fechei os olhos. Eu não estava pensando nem um pouco em ir à escola, era sexta, só mais um dia, não ia morrer.

- Trate de se acordar, você não vai faltar aula. — Ouvi minha mãe falar enquanto batia na porta.

Como assim? Ela já devia ter saído há uns vinte minutos. Eu só queria dormir, que droga.

- Você não vai trabalhar? — Eu falei me enrolando mais ainda nas cobertas e colocando o travesseiro na cabeça.

- Hoje me atraso. Mas você não falta aula, detesto quando você falta. — Ela me respondeu pra minha tristeza.

- Mãe, é sexta. Só por mais um dia. — Eu resmunguei.

- Você não vai me obrigar a arrombar essa porta, vai? — Ela falou num tom mais alto que o comum.

- Tá bem, tá bem, vou tomar banho, já me levantei. — Eu falei saindo com dificuldades da cama. Ela estava paranóica hoje, talvez estivesse de mal humor já que ontem passei o dia inteiro dormindo e nem jantei. Ela odeia quando eu não como nada.

Tomei um banho devagar, a água quente estava uma delícia. Enquanto estava debaixo do chuveiro, começei a pensar que talvez esse tempo que eu estava me dando fosse ótimo, tem tantas outras pessoas nesse mundo. Tudo vai sair muito bem, eu pensei. E começei a rir.

Saí do banho e me vesti calmamente, fui na penteadeira, dei um jeito no meu rosto e nos meus cabelos, olhei no visor do celular e já passava das seis e meia, rapidamente ajeitei os livros dentro da bolsa. Eu tinha que tomar café, porque se não minha mãe me mataria e eu realmente estava com fome.

Ontem meu estômago estava embrulhado, mas hoje ele parecia renovado e faminto.

Saí do quarto às pressas e logo me sentei a mesa, ela estava comendo umas torrada e notei uns sanduíches de pão integral. Logo agarrei um e começei a devorá-lo.

- Você vai viajar amanhã de manhã, né? — Ela falou olhando pro nada.

- É... Acho que vai ser bem legal, já viajei bastante, mas nunca fui pra Noronha, não é? — Eu falei tentando quebrar o gelo.

- É... Vou sentir sua falta. — Percebi a tristeza nos seus olhos.

Na mesma hora parei de comer e fiquei triste.

- Mãe... — Eu falei me levantando da cadeira e indo em sua direção. -É só uma semana. — Eu falei a abraçando. — Prometo te ligar todos os dias, ok? — Eu falei tentando consolá-la.

- Eu sei, mas... Eu já passo tão pouco tempo com você. E uma semana parece tanto. — Ela falou se segurando pra não chorar.

- Por favor, se você quiser... Eu não vou. Acho que tem como cancelar minha ida. É só... Uma viagem. — Eu falei indo me sentar novamente, mas dessa vez mais próxima em uma cadeira ao lado dela.

- Não, não mesmo. — Ela falou colocando um sorriso no rosto. — E tem uma coisa... Seu pai chega na segunda. — ela falou segurando minha mão.

- NÃO. Agora que eu não vou mesmo. Faz tanto tempo que não o vejo, e ele só vem passar três dias e vai embora, num posso ficar sem vê-lo. — Eu falei. A viagem seria legal, mas... Eu não via meu pai há tanto tempo, eram apenas dois meses acho, mas pareciam anos.

- Não dessa vez filha, ele vai passar a semana inteira, e como você volta no sábado pode aproveitar dois dias com ele. É importante a viagem, e ele falou que não vai achar ruim que você vá. Na verdade ele quer muito que você vá. — Ela falou sorrindo.

- Mesmo? — Eu perguntei surpresa com a atitude dele. Ele sempre me prendia em casa.

- Sim. Aproveita. Viaja e se divirta. Não vai ter nada pra fazer aqui mesmo. — Ela falou se levantando e levando o copo de suco até a pia.

- Ok, vou aproveitar por mim, por você e pelo papai. — Eu falei me levantando.

Fui no meu quarto, escovei os dentes, passei perfume e peguei a mochila, já estava na hora de ir.

- Mãe, já vou indo. — Falei a braçando e dando um beijo nela.

- Boa aula. — Ela falou.

Eu saí pela porta apressada e apertei o botão do elevador freneticamente. Logo a porta abriu. Alguns segundos depois e eu já estava na portaria.

As minhas amigas já estavão lá, mas a B como sempre estava trocando carinhos com o Ryan. Já a Nick smepre se impondo independente olhava o visor do celular enquanto Chaz bocejava.

- Só eu que acho que não tem a mínima necessidade de irmos pra escola hoje? — Eu perguntei e todas me olharam com um grande sorriso.

- Resolveu acordar pra vida? Porque resolveu ir pra escola... Não sai de casa desde a festa. — A B falou se se aproximando.

- Num é que eu tenha resolvido, é que minha mãe manda em mim. — Eu falei sorrindo e dando um abraço nas duas.

- Ansiosa pra viagem, suas safadas? — Eu falei.

Notas finais
Pode parecer que tudo está perdido mais relaxem, a sexta das meninas ta só começando. E antes do cruzeiro de sábado, as coisas vão tá mais resolvidas do que vocês pensam.
Deixem reviews com o que vocês acham que vai acontecer nas aulas de hoje!!
JBeijos divas :*