Notas iniciais
Olá lindos. Desculpem pela demora, mas estou sem net e vim agora a casa da minha tia. Por isso aqui está. Beijinhos fofos.

Acordei com a luz que vinha da janela ao lado da minha cama. Levantei-me, vesti uma roupa quente e agasalhei-me com a capa, cachecol e luvas. Hoje era dia de ir a Hogsmeade e nevava imenso. Desci até ao Salão para tomar o pequeno-almoço, ainda não havia muita gente, então fui sentar-me à beira da Ginny que estava a acenar-me, indicando-me para sentar-me lá.

–Bom dia.

–Bom dia, Soph.

–Vais a Hogsmeade? – Perguntei-lhe.

–Sim, tu vais?

–Vou.

Comemos em silêncio, logo depois Luna, fez-nos companhia. Era bastante divertida com as suas teorias de bichinhos que nos rodeava. Ginny pediu-nos que lhe fizéssemos companhia ao outro lado da mesa, pois queria dar um recado ao Harry Potter. Sempre desconfiei que ela tivesse mais que um fraquinho. Lembro-me do primeiro ano que viemos para Hogwarts ela só falava nele, agora ela já tinha namorado com dois rapazes, mas acho que continua a ter mais que um fraquinho por ele, mas Ginny, como conheço, é bastante teimosa e não se deixa intimidar e enfrenta, neste caso, tenta esquecer com outras pessoas. Caminhamos até lá e os três olharam para nós, os olhares recaíram mais sobre mim e no símbolo na minha capa.

–Viva, Harry, tenho isto para te entregar.

Entregou-lhe um pergaminho com o nome de Harry, escrito numa letra fina e inclinada.

–Obrigado, Ginny…é a próxima lição do Dumbledore. – Disse virado para o Weasley e a Granger. – Segunda à noite! – Ron apontou com os olhos para mim e o Potter mudou de assunto. – Queres vir connosco a Hogsmeade, Ginny? – Convidou.

Sorri com o convite, Luna não percebeu nada e Ginny fez aquilo que eu esperava…esquivar-se.

–Vou com Dean… Talvez nos vejamos lá.

Afastamo-nos. Ginny foi encontrar-se com Dean e eu e Luna seguimos caminho, no frio. Filch estava às portas da entrada, a ver as autorizações. Levou mais tempo que o costume por ele estar a revistar-nos com o Sensor dos Segredos. Tínhamos que nos dobrar por causa do vento. Depois de irmos ao Doces dos Duques, Luna quis ir a uma loja, não percebi qual pelo cachecol que tapava a boca. Eu dirigi-me ao Três Vassouras. Estava lotado, pelo que fiquei pelo balcão, pedi uma Cerveja Amanteigada. Potter estava um pouco descontrolado, mas Hermione tentava acalma-lo. Voltei novamente para a bebida que eu precisava. Quando acabei só um nome me chamava em pensamento Draco.

Saí do Três Vassouras, agasalhando-me mais. Andava o mais rápido possível, foi ótimo quando vi o portão que dava acesso à escola. Filch correu na minha direção com o Sensor de Segredos. Depois de ver que nada trazia a não ser uma saca de doces, deixou-me ir. Foi um alívio quando entrei no castelo, sacudi a neve, baixei-me para sacudir das pernas, ainda andando, quando fui contra uma pessoa.

–Draco.

–Oh, olá.

–Olá. – Respondi. – Não foste a Hogsmeade?

–Estive de castigo com a McGonagall. – Passou o braço à volta da minha cintura e encaminhou-me. – Horrível.

–Preferias o Snape?

–Para estar de castigo não preferia nenhum, mas ultimamente o que eu quero é estar longe do Snape.

–Porquê? – Perguntei.

–Não te preocupes. – Disse e deu-me um beijo, selando apenas os lábios.

–E porque tiveste de castigo?

–É a segunda vez que não acabo os trabalhos de casa. Quem aguenta seis anos de transfiguração?

–Vais ter aguentar mais dois anos.

Ele virou ao fim do corredor dirigindo-nos para a Torre de Astronomia.

–Não, felizmente, não.

Parei, fazendo-o deslizar o braço que me rodeava. Ele colocou-se à minha frente observando-me.

–Como assim? – A minha voz saiu fraca. Olhei para os meus pés.

–Sophie, tu sabes. – Fez uma pausa. – Isto de ser Devorador da Morte, está a dar cabo de mim, a minha família precisa de mim. Lord Voldemort precisa de mim.

Comecei a caminhar na direção que nos encaminhávamos à pouco, continuava com a cabeça baixa, as lágrimas não paravam de rolar pela minha cara. Ele está tão submisso a Voldemort, onde tinha a cabeça quando se tornou um Devorador da Morte? Os meus pais são, os pais dele, mas ele? É tão novo, nunca tinha sentido raiva do Lord mas agora era capaz de lançar um feitiço Cruciatus. Subi as escadas com os passos de Draco bem perto. Lá em cima o teto estava fechado devido à neve que caía, mas estava frio.

–Porquê? – Perguntei ainda a chorar. Ele olhou para mim alarmado com as minhas lágrimas.

–Porque estás a chorar?

–Responde-me. – Gritei. – Porque és tão burro ao ceder assim? O que te leva a fazer o que ele quer sem ripostar?

–Estás doida! Sabes o que acontece aos que se opõem a ele? – Não respondi e olhei para os campos brancos. Encostei-me ao parapeito. – Morrem.

Estremeci e ouvi ele suspirar.

–Depois de fazer o meu objetivo, tenho que me ir embora.

–Que objetivo? – Perguntei encarando-o, encostando-me, agora, de costas no parapeito.

–Não posso falar.

–Mas é assim tão mau? – Ele olhou para mim e acenou, voltando a baixar a cabeça. – Mais uma vez porquê? Porquê Draco, porquê acabar com a vida de pessoas inocentes em prol de um homem que diz querer conquistar o mundo? Por serem filhos de Muggles? Os famosos Sangue de Lama? – Gritava cada pergunta sem saber bem porquê. Tudo era sem sentido, sempre vivi num mundo de devoradores da morte, um mundo onde venerava-mos o mais temível feiticeiro, mas quando ele desapareceu ninguém se queixou, o medo tinha desaparecido até aos servos dele. De qualquer maneira, cresci a ser ensinada a venerar esse feiticeiro, mas desde que vim para Hogwarts fiquei mais cética quanto à “bondade” dele.

–Sabes porquê? – Gritou. – Para os meus pais não serem mortos.

Abri a boca e senti-me culpada por ter feito todas as perguntas idiotas. As lágrimas voltaram.

–Draco, peço desculpa. Fui estúpida.

Ele dirigiu-se a mim e beijou-me. Tudo desapareceu, as questões, a irritação, o medo. Eramos só os dois e o seu toque era tudo que precisava, os lábios colados aos meus, as suas mãos agarrava-me a cintura, provocando-me arrepios. Sentia o seu cabelo macio no meio dos dedos. Separamo-nos para recuperar o fôlego, Draco beijou o meu pescoço. A temperatura estava a subir mesmo com a neve que rodeava-nos. Afastei-me dele.

–Trouxe doces. – Disse e ele riu-se pelo nariz. Puxou-me para um abraço apertado.

–És a melhor. Obrigado. – Abri a mão com os doces e ele tirou.

–Soubeste da rapariga dos Gryffindor? A Katie Bell é a chaser deles, acho que continua no Hospital De São Mungus.

Estava com Draco na Sala Comum, como era costume, já era quase uma rotina, depois de todos irem para o dormitório ficávamos os dois ali, a conversar. O seu corpo enrijeceu com a pergunta.

–Sim, não se fala de outra coisa.

–Por falar nos Gryffindor, eles continuam a treinar muito para o jogo de manhã. O épico Gryffindor contra Slytherin. Estás preparado?

Ele encolheu os ombros. Fiquei a olhar para ele que estava deitado nas minhas pernas. Como temos conversado bastante, ultimamente, era bastante fácil haver um assunto que deixasse Draco esquisito e enervava-me não saber porquê. Mas também era já costume saber calmar o ambiente.

–Como vai a Parkinson? – Perguntei entre dentes. Ele riu-se.

–Porque queres saber? – Encolhi os ombros. – Não sei, nem quero saber. Não tenho falado com ela ultimamente e não me importo.

–Fazes bem. – Verbalizei os meus pensamentos e calei-me rápido, ele voltou a gargalhar.

–Já acabamos os interrogatórios ciumentos do teu lado, agora são os meus. – Disse, semicerrei os olhos. Por Merlin, que conversa era aquela? – Como vão os teus admiradores?

–Que admiradores? Ninguém repara em mim. – Respondi sorrindo.

–Primeiro, eu reparo e és linda, o que me preocupa; segundo, tens bastantes admiradores, mas tu não reparas?

–Deveria? – Perguntei. Ele levantou a cabeça para me beijar. Voltou-se a deitar.

– Sabes há um bastante próximo.

–Quem?

–O Goyle. – Disse com os dentes cerrados.

Ri bem alto, mas tentei silenciar para não acordar ninguém.

–O Goyle? O teu guarda-costas? Por favor Draco.

Ele levantou-se, ficando sentado. Virou-se para mim sério.

–Vais dizer que nunca reparaste?

–Eu? Não.

–Ele baba-se por ti, Soph. Desde que te viu, até chateava ouvi-lo falar com o Crabbe. “A Sophie é mesmo linda, não é?” “Gostava que fosse do nosso ano. Será que falo com ela?”. – Ele imitou a voz do Goyle. Ri-me.

–Não mintas!

–Não acreditas mesmo, hã? Ele sempre foi simpático contigo, não é para os outros.

–Então estás comigo, mesmo sabendo que o teu amigo gosta de mim. – Disse.

–Sabes, não quero saber. Eu também gosto de ti, por isso não vou deixar ninguém se aproximar.

–A sério? És ciumento e nós não andamos, sabias disso, não sabias? – Ri-me e ele fuzilou-me.

–Mas não quer dizer que os outros se aproximem. – Foi aproximando-se, fazendo-me deitar e ele estar em cima. – És minha.

Sorriu e beijou-me.

–Eu tenho que estar mais atenta, já que mais de metade das raparigas da escola estão caidinhas por ti. – Admiti e ele deu-me um beijo no nariz.

–Ai é? Nunca tinha reparado.

–Não brinques, já namoraste com grande parte delas que eu bem sei, não faças de esquecido.

–Isso foi à bastante tempo. Ainda não estava contigo. – Ri-me. Pois. – Agora estou contigo e não quero mais ninguém.

Ele apertou a minha perna que rodeava o seu quadril e beijou-me. O seu corpo esmagava o meu, o que era uma sensação agradável, mas algo que não estava preparada.

–Draco. – Disse e levantei-me aos poucos. – Boa Noite.

Ele sentou-se derrotado.

–Boa noite, Soph.

Acompanhou-me até às escadas e deu-me um beijo de boa noite antes de eu subir para o dormitório.