O Meu Mundo Real
1 Capítulo 1
Notas iniciais
- Filha, acorda! — Minha mãe me chamava e a luz que estava acesa incomodava meus olhos mesmo estando fechados — Hora de ir pra escola!
-Não quero ir pra escola, estou com sono -Resmunguei e virei para o lado.
-Ontem na hora de ficar lendo esse bendito livro não tinha sono...Vamos, levantando.
Relutante abri meus olhos para acostumá-los à luz, levantei — parecendo um zumbi- e fui me arrumar.
Já pronta, enquanto tomava café da manhã, continuei lendo a partir da parte que tinha parado na noite anterior. Era incrível como a história de Percy conseguia envolver a gente. Eu já estava terminando A Casa de Hades e mal podia esperar para que Sangue do Olimpo saísse. Era uma mistura de sentimentos : Uma vontade de saber o final dessa história e ao mesmo tempo o aperto no coração por saber que estava chegando ao fim.
-Pamela, larga esse livro e toma logo o seu café da manhã, ou vai se atrasar!
Soltei o livro de cara emburrada e terminei meu café.
Com o mesmo sono de sempre, fui cochilando o caminho todo pra escola e chegando na sala abri novamente o livro. Não estava nem um pouco interessada nas leis da física. Nunca gostei de física.
Sentei no fundo da sala para poder ler sem ser interrompida pelo professor.
Consegui terminar o livro até a hora do intervalo e o resto do tempo na escola ficou dividido entre pensar em coisas aleatórias que não tinham nada a ver com a aula, fingir que estava prestando atenção e cochilar quando a aula era muito entediante. Ninguém merecia aquela escola.
Com o fim do livro, o que me salvou do tédio mortal aquele dia foram meus devaneios me imaginando no acampamento ou combatendo Gaia ao lado dos outros semideuses. Por Zeus! Seria incrível!
O dia torturante finalmente havia acabado e então me deitei e caí no sono enquanto pensava como iria aguentar o dia seguinte no meu mundinho sem graça, esse que a gente conhece.
Aquela noite tive um sonho muito estranho, mas também muito real, onde eu me comunicava com a minha avó, já falecida a alguns anos. Ela sorria pra mim e fazia um aceno afirmativo com a cabeça, como se estivesse respondendo uma pergunta, uma pergunta que eu não havia feito. Então ela desapareceu, e eu acordei. Já era hora de ir para a escola novamente.
Cheguei na escola e um guri que sempre me observava desde o começo do ano resolveu vir falar comigo.
Percebi o jeito estranho dele de andar, um jeito bem estranho, mas resolvi não comentar com ele, seria um tanto grosseiro da minha parte.
-Olá, Pamela. -Ele disse — Como tem passado?
- Hm, bem, eu acho. -Que estranho, chegar do nada me perguntando esse tipo de coisa — E você?
- Apenas fazendo o que eu devo. Percebi que você gosta de ler, estava lendo HDO ontem. Terminou?
- Sim, adoro! e Sim, terminei. Você é semideus também? — Aquela conversa começou a me animar. Imagina achar um semideus na minha sala? Seria incrível!
- Eu? Semideus? Ah, não, não mesmo. Você acha que é uma? Digo, realmente uma semideusa, filha de algum deus?
- Ah, não. É tudo uma grande brincadeira, sabe. Não acredito que isso possa realmente existir. É muito ficcional. Você acredita nisso?
- Acredito piamente. Posso afirmar com total certeza que os deuses existem. O Olimpo existe. O mundo inferior existe. Nada disso é mentira, Pamela.
Ok, esse menino era meio maluco. E qual era o nome del mesmo? E como ela sabia meu nome?
- Qual é seu nome, hein?
- O meu? Thales. Prazer. Vamos nos aproximar muito a partir de agora.
Ele parecia interessado em mim, mas não queria nada sério. Não mesmo.
- Olha, não sei o que você está querendo dizer, mas não quero nada com ninguém no momento e não me leve a mal, mas, sabe, voc...
-CUIDADO!
Ele se jogou por cima de mim no momento em que alguma ave gigante passou voando e pegou o bolinho que estava na minha mão.
- O que foi isso?
- Harpia. Pode ir se acostumando.
- Hahahaha. Como é que é? Você diz harpia, tipo... HARPIA? Não estou entendendo.
- Até hoje você via tudo através da névoa, só que os monstros estão se aproximando e você tem que saber. O Acampamento existe. Você é uma semideusa, de verdade, só não sabemos de que deus ou deusa ainda. Mas como você já deve saber os deuses agora são obrigados a reconhecerem seus filhos, então assim que chegarmos no acampamento você terá uma resposta. — Ele ia dizendo e eu ia escutando tudo boquiaberta, não estava ouvindo direito, não era possível — Gaia já foi destruída, mas não vou estragar o resto da surpresa, você terá que esperar para ler no livro. Mesmo assim, a luta contra monstros e semideuses é constante. Enfim. E eu, como já deve ter notado, sou seu sátiro, vim te buscar.
Olhei pra ele e vi que ele ia começando a ficar assustado pela minha expressão. Olhei tão animada e então dei um pulo no pescoço dele, dando um abraço e agradecendo aos deuses. Aquilo existia mesmo. E meu sátiro viera me buscar! Mal podia esperar pela mudança em minha vida a partir daquele dia.
- Thales! Obrigada, obrigada, obrigada! Você vai me tirar desse mundo chato! Sabia que eu não pertencia a ele! Demais!
Eu e Thales conversamos pelo resto do dia. Ele tinha que me esclarecer muitas coisas.
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