O Meu Guarda-chuva

13 O mar está além do mar


Notas iniciais
Demorou mas chegou. Espero que apreciem o capítulo.

Capítulo 13 – O mar está além do mar

O dirigível seguia lentamente em direção ao horizonte, voando de maneira majestosa, mas lerda. Já haviam se passado horas desde o embarque e a tarde chegava de maneira surpreendente. O céu estava composto por uma pequena rajada de azul-claro, vermelho e amarelo. Algumas nuvens opacas aqui e ali, que não cobriam tanto a superfície colorida. O vento soprava calmamente de um jeito suave.

Luiza e os garotos estavam ansiosos – Queriam chegar logo naquilo que parecia ser o mar – E não conseguiam ficar um minuto parados. Estavam eufóricos com a ideia. Não podiam deixar de sorrir e dar suas opiniões sobre aquilo. Era surpreendente como estavam renovados e com mais esperança.

– Daqui a pouco estaremos chegando – Avisou Túlio se espreguiçando.

– Aleluia! Finalmente eu vou poder ver o mar. Tomar banho no mar! – Ivo diz sorridente quicando na cadeira onde estava sentado.

– Acabamos de achar o mar e você já quer poluí-lo! – Felipe brinca bagunçando o cabelo do irmão.

Luiza ri enquanto observa Ivo ficar vermelho de raiva. Aquele pequeno não tinha jeito mesmo. De repente as expressões de Luiza mudaram. Seu sorriso se desmanchou e ela observou seriamente a paisagem a sua frente. Onde estava o cheiro da maresia? Onde estava o barulho encantador das ondas? Onde estava o brilho verde das águas? Tudo o que ela via só era uma infinidade de placas solares.

– Vamos pousar Ivo. – Diz ela numa voz monótona.

– Já? – Ivo pergunta virando-se para a menina.

– Claro! Você quer pousar em cima da água bobo? – Túlio rola os olhos.

– Ei! Eu só perguntei. Irritadinhos. – Ivo vira-se e retira de maneira prática todo o ar de dentro do dirigível. Eles haviam pousado.

Todos descem do dirigível e ficam de frente para o ‘’mar’’. Os meninos perplexos olham para frente com expressão confusa. O mar deve estar mais para frente. Pensaram de maneira ingênua. Até Luiza interromper o silencio dizendo calmamente:

– Não é o mar. Nunca foi. – Ela diz dando alguns passos observando as placas.

– Mas... Mas... – Ivo levanta as mãos para o ar – Como?

– Pronto. Todo esse esforço para nada. – Felipe desiste se sentando.

– Como assim? Esse esforço pra nada? Por acaso isso nasceu do chão? Foi uma semente? Não! Alguém colocou isso aqui! – Luiza eleva a voz.

Os meninos de tão desesperados para verem o mar, não perceberam o que estavam em sua frente. Rapidamente se levantaram e ficaram perto de Luiza. Havia um lampejo de perplexidade no olhar de cada um.

– Eu não acredito. – Túlio sussurrou – Existe! EXISTE MAIS ALGUÉM NESSE DESERTO!

– Não só uma pessoa ou uma pequena aldeia. Devem ter... Várias aldeias. – Felipe sorriu passando a mão nos cabelos encaracolados.

– Devem ser várias aldeias fantasmas. – Ivo diz com ma pontada de medo na voz.

Todos param e arregalam os olhos.

– Oh. Não. – Luiza passa a mão no rosto – Como não pensamos nisso antes? São os fantasmas... E se eles nos pegarem? Meu Deus... E se não forem pessoas? – Ela falou rapidamente andando de um canto a outro.

– Não podemos nos desesperar. – Túlio falou – Precisamos ir atrás de respostas.

Todos estavam sentados na areia enquanto tentavam entender o que estava acontecendo. Ivo se levanta e vai em direção ao dirigível. Luiza, Túlio e Felipe continuam olhando para frente. O sol desaparecia no horizonte calmamente dando lugar a uma escuridão intensa. Ivo volta com uma expressão desesperada.

– Não tem mais gás no dirigível. Não poderemos mais usa-lo. – Ele cai de joelhos no chão de maneira dramática. – Estamos perdidos.

– Mais uma novidade para nosso dia agitado. – Luiza diz deitando na areia e olhando para o céu.

– O que faremos? – Túlio pergunta.

– Amanhã resolvemos. Hoje vamos dormir sem pensar em mais nada. – Felipe diz se levantando. – Agora precisamos de um lugar seguro. Ivo pegue os mantimentos, Túlio pegue as armas e Luiza vamos procurar uma placa, se dormirmos em baixo de uma ficaremos seguros.

Todos fazem o que foi mandado por Felipe indo nas direções de suas tarefas. Luiza e ele seguiram em direção as placas calmamente – analisando-as. Até que acharam uma favorável para ficar a noite. Logo após, Túlio e Ivo chegam com os mantimentos e as armas e as colocam embaixo da placa. Todos comem em silencio e no mesmo silencio Luiza diz uma simples Boa noite e vira-se para dormir. Os garotos resolveram que iam ficar atentos a noite inteira – Estavam em terra inimiga.

‘’Se as aves foram naquela direção, então amanhã iremos desbravar este mar. ‘’ Pensou Felipe segurando fortemente o cabo do seu machado.