O Metamorfo

7 Capítulo 7 - Antonie


Notas iniciais
karol postando aqui .-. reclamem com a lara o; hiuhiuhiuh beeijos BEST *-*

“Ainda hesitando em se molhar, sabendo o que aconteceria com ela se o fizesse, Melanie ouviu a respiração de Brad diminuir lentamente e cada vez mais. Ela não sabia se suportaria passar pelo lago antes da falta de memória e de força. Não sabia se conseguiria salvar Brad, mas uma coisa era certa, ela estava disposta a fazer algo por ele. Algo que com certeza prejudicaria seus planos para com Brad e impossibilitaria o resgate do amor entre eles.”

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Capítulo 7 – Antonie

Fechando os olhos e tentando se esquecer das consequências, Melanie foi enfiando seu corpo lentamente naquela água que a olho nu não faria mal a ninguém. O corpo da garota reagia à tensão enviando ondas elétricas constantes de medo e angústia e os arrepios também eram distribuídos pelos seus braços, pernas e barriga. Ela levantou a cabeça avistando as pequenas bolhas que a tentativa da respiração de Brad produziam e começou a dar braçadas rápidas e descordenadas em direção a ele.
O medo pelo fracasso estava tomando conta de Melanie, o que só fez com que ela fosse mais e mais veloz. Mergulhou e agarrou o corpo de Brad levando-o para a superfície e, enfim, conseguiu carregá-lo até a margem sem sofrer nenhuma perda nem dano. Já estava se perguntando se o lago a afetaria de verdade ou não, mas ao agarrar-se na esperança de que nada lhe aconteceria Melanie sentiu seu corpo se enfraquecer e ela se sentou à espera dos efeitos que já eram previstos. Aos poucos sua cabeça foi começando a se esvaziar e Melanie se sentia como se estivessem arrancando-lhe a alma de dentro do corpo, como se sugassem sua essência tão rapidamente que fazia com que ela perdesse a total e completa consciência de quem era ou onde estava.
Brad ainda estava desacordado e sua cabeça latejava. Cerca de dez minutos depois de ser tirado da água pelos braços de sua amada ele voltou à consciência, daquela vez sabendo de tudo que acontecera entre ele e Melanie durante todos os séculos que ela havia passado buscando incessantemente por ele.

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*****Século XV*****

“Como seus lábios são lindos” pensava Antonie ao observar a bela dama de longos cabelos negros e olhos azuis. Nada lhe chamava mais atenção do que aquela dama que assistia o parlamento junto aos nobres.
Antonie era um dos criados da rainha Maria, filha de Catarina de Aragão e Henrique VIII. Ele cuidava pessoalmente das necessidades de todos os parlamentares durante as reuniões que os mesmos realizavam para decidirem o futuro da corte real inglesa. Ele era o tipo de homem confiável, honesto e fiel a sua majestade, por isso o encarregavam do trabalho de permanecer nas salas de reuniões, podendo ouvir, deste modo, todos os planos e estratégias bolados pelos nobres sem que ninguém mais estivesse ciente de nenhuma palavra proferida no local.
Comparecendo sempre ao seu dever, Antonie se deliciava com a imagem da dama que se sentava sempre ao seu lado nas reuniões e que trocava olhares discretos com o criado. Ele se sentia envergonhado, pois aprendera que não deveria olhar nos olhos de nenhum nobre, sendo apenas um súdito. Mas a senhorita se recusava a desviar seu olhar, em certos momentos.
Melanie, como ele sabia muito bem que a dama se chamava, certo dia, saiu de uma das reuniões mais cedo alegando estar passando mal. A rainha encarregou Antonie de ajudá-la a voltar para casa em uma das charretes oferecidas pelo castelo real. Atendendo com bastante prontidão e gratidão ao pedido da rainha, Antonie estendeu a mão direita à dama e acompanhou-a até o transporte sem encará-la. Ajudou-a a se apoiar nas laterais da charrete e a subir os pequenos degrau para que ela pudesse se sentar, e montou no cavalo que puxava o transporte.

Durante o longo caminho até a fazenda da senhorita, Antonie manteve o trotar do cavalo lento e suave para que ela não se sentisse mal mais uma vez. Porém, quando se encontravam a cerca de uma milha da fazenda onde ela morava, Melanie alegou estar se sentindo mal mais uma vez e Antonie parou o cavalo, descendo para se prontificar do bem estar da dama. Com delicadeza, ele pediu a devida permissão para subir na charrete e o fez sentando-se ao lado da dama, ainda sem olhá-la nos olhos.
_Eu não mordo, meu rapaz – disse Melanie zombeteira -.
_Perdão? – Antonie levantou os olhos rapidamente e voltou os mesmos ao chão -. _Meus olhos também não são de serpente, se é que tens tanto medo de encará-los.
O criado levantou a cabeça e encontrou os olhos cemicerrados da dama pedindo pela aproximação dos dois. Ele sabia que a ‘doença’ era uma desculpa esfarrapada para que ela fugisse dos parlamentares, mas com certeza nunca ousaria tocá-la mesmo desejando-a desde o primeiro dia que a conhecera.
_A senhorita se sente melhor? – perguntou Antonie olhando-a nos olhos daquela vez -.
_Ainda não. Podes ver o que estou sentindo agora? – ela puxou a mão direita do rapaz de encontro ao seu coração — Sentes o mesmo, Antonie? – se aproximou mais um centímetro o que já foi o suficiente para que ele sentisse a respiração quente da dama – Não sou tola, sei enxergar quando um homem me deseja.
O corpo do rapaz se enrijeceu com as palavras da jovem de apenas 16 anos. Mesmo ele sendo sete anos mais velho do que a garota se sentia como um adolescente ouvindo ela acariciar-lhe os ouvidos com sua voz melosa. Ameaçou descer da charrete, mas Melanie segurou sua mão impedindo-o de se movimentar.
_Creio que um pedido meu tenha de ser atendido como um pedido da própria rainha, não?
_Sim, senhorita – respondeu Antonie soltando sua mão da de Melanie -.
_Beije-me.
Os olhos de Antonie se arregalaram com tamanho atrevimento do pedido, mas ao mesmo tempo seu corpo queria que sua fieldade fosse menor que o desejo, só por aquele instante. A dama não esperou por resposta, considerando o fato de que seu pedido era uma ordem, e logo juntou seus os lábios que o criado tanto admirava aos dele. Inicialmente Antonie ficou estático, nem sequer mecheu os lábios, mas logo que ele sentiu que Melanie não estava satisfeita, levou sua mão as bochechas da dama trazendo-a para mais perto, e transformou o que era apenas um toque leviano num frenesi.

Após aquele dia, Antonie passou a acompanhar Melanie para casa todos os dias e os dois começaram a viver um relacionamento às escondidas devido aos costumes que deixavam bem claro que o casamento ou envolvimento só tinha fins lucrativos – ou seja, deveria ser realizado entre pessoas do mesmo grupo social -. Antonie ficou cada vez mais enamorado pela dama e o mesmo aconteceu com ela.
Após três meses de uma convivência de puro amor e romantismo, Antonie se viu só, já que Melanie desapareceu para sempre sem deixar pistas de onde poderia estar. Ele chegou a pensar que os dois foram descobertos, mas a realidade insistia em convencê-lo de que havia sido deixado.
Um ano depois do ocorrido, Antonie foi morto em uma das guerras civis regadas pelos ataques dos católicos aos anglicanos e Melanie voltou – já que foi expulsa da dimensão onde vivia devido ao seu relacionamento com Antonie – para a Terra se perdendo do homem que amava.

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Brad se assustou ao ver Melanie deitada ao seu lado desacordada e não soube o que fazer. Tentou se tranformar em um molde qualquer que lhe viesse a cabeça, mas se viu incapaz de fazê-lo. Levantou-se desesperado com Melanie em seus braços e foi a procura de ajuda. Todos ao seu redor, aquelas mulheres de branco e os homens que vestiam batas, também brancas, cobrindo até a altura do joelho, despresavam Brad e seus apelos. Uma mulher de cabelos avermelhados pareceu se dirigir a Brad, então ele parou e esperou por ela.
_Você deve voltar para casa, Antonie. Leve-a contigo e não voltem nunca mais.
Brad sentiu as mãos da mulher tocarem seu rosto e quando ele se deu conta estava deitado na cama, em sua casa, e Melanie parecia dormir ao seu lado. Ergueu seu corpo inclinando-o sobre a garota e tentou cogitar a possibilidade de tudo não ter passado de um sonho.
Ao chacoalhar o corpo de Melanie na tentativa de acordá-la, Brad percebeu que ela não reagia, não parecia ter vida dentro de si, e então concluiu que nada do que acontecera havia sido irreal. Ele se lembrava de coisas das quais nunca pensara ter vivido e não tinha a certeza de que Melanie voltaria a acordar um dia, nao sabia o porquê de ela não responder aos seus estimulos.

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“I believe in you
I’ll give up everything just to find you
I have to be with you
To leave
To breathe
You’re taking over me”

“Taking Over Me – Evanescence”

Notas finais
reviews?