O Mestre - EM HIATUS

28 Capítulo Vinte e Sete


Notas iniciais
Oláris, Demorei mais que o esperado (ou não), mas apareci. Estão prontos para mais um capítulo? ~claro que estão~ E eu espero que gostem... Boa leitura.

“Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que também precisa sair de dentro de nós.” — Martha Medeiros.

[Alyssa]

Eu me sinto linda.

Raramente me olho no espelho e fico satisfeita com o que vejo, mas, essa noite, tudo está perfeito. O vestido azul, que comprei há algumas semanas e nunca tive oportunidade de usar, cai perfeitamente sobre o meu corpo – com seu corpete brilhante delineando minha cintura e realçando os meus seios – e os sapatos de salto prateados que escolhi parecem ter sido criados para serem usados com esse vestido. Até mesmo meu cabelo decidiu cooperar essa noite, permitindo que eu domasse todas as suas mechas loiras em uma trança espinha de peixe rebuscada e, quando finalizo a maquiagem e me olho no espelho, sinto como se eu estivesse pronta para ir a um baile, mas o frio incessante em minha barriga me lembra que, na verdade, estou indo a uma guerra e que não voltarei dela com vida.

Pego minha bolsa e guardo o celular dentro dela. Meu estômago ainda se contorce quando vejo o aparelho e me lembro do que acabei de fazer, mas respiro fundo e digo a mim mesma que foi necessário.

— Não precisam me esperar essa noite. – Aviso quando passo pela sala onde Melody e Serena estão sentadas, encarando a TV sem parecerem realmente prestar atenção no que está sendo transmitido.

Serena balança a cabeça levemente, mas Melody volta seus olhos castanhos para mim e estuda a minha produção.

— Você vai acabar com ele, Liss. Vai acabar com vocês dois. – Ela comenta e eu sei que não posso mandá-la calar a boca porque ela está certa, mas eu também sei que não havia outra opção. Não com Blake tão decidido.

— Estou levando as minhas chaves e... – Começo, tentando contornar aquele assunto, mas Melody grunhe e se coloca de pé.

— Não quero saber! – Ela grita e sua reação explosiva me choca um pouco. – Se quer se destruir, vá em frente, mas eu não vou ficar aqui, ouvindo a dor na sua voz, enquanto finjo que estou de acordo com isso. – Ela dá um passo para longe do sofá, mas para e crava seus olhos em mim de novo. – E eu espero que se torne uma atriz melhor antes de encontrar o Blake essa noite porque, assim, você não está convencendo ninguém. – Então, ela sai da sala e bate a porta do banheiro quando se tranca dentro dele ainda resmungando.

— Ela só está preocupada com você. – Serena me lança um olhar complacente. – Nenhuma de nós quer vê-la machucada de novo, entende?

As lágrimas ameaçam brotar em meus olhos, mas respiro fundo e assinto para Serena, tentando manter o controle.

— Vou ficar bem. Só preciso resolver logo isso.

Minha amiga se levanta e alguma coisa se parte em meu peito quando ela se aproxima e segura minhas mãos.

— Sei que está mentindo, Liss e não gosto disso, mas confio em você para tomar suas próprias decisões. Só quero que saiba que nós estaremos aqui para você, nem que seja para juntar os cacos que sobrarem.

Aperto as mãos dela nas minhas e me forço a abrir um sorriso.

— Estou bem, Serena. Vejo vocês amanhã, ok?

Então, eu saio para a brisa fresca da noite e preciso me apoiar um pouco no capô do carro de Serena para recuperar minha compostura. Não posso chorar, não posso chorar, não posso... pelo menos, não ainda, é o que repito para mim mesma nos segundos em que permaneço ali. Quando recupero o controle sobre minhas emoções, entro no carro que Serena teve a boa vontade de me emprestar e rumo para o apartamento de Blake.

Quase perco o fôlego quando o vejo.

— Caramba. – É a primeira coisa que ele diz para mim e tudo o que quero fazer é abraçá-lo quando um sorriso radiante se instala em seus lábios e se reflete em seus belos olhos azuis. Eu amo seu sorriso, assim como amo seus olhos. – Se eu soubesse que esse seria um jantar de gala, teria me arrumado um pouco melhor.

Eu corro os meus olhos por ele, de camiseta e jeans azul lavado, os pés descalços sobre o carpete acinzentado do apartamento. Não importa o que vista, Blake sempre será o homem mais lindo que os meus olhos já viram e a constatação desse fato só faz com que meu coração se quebre um pouco mais. Eu queria que isto fosse mais fácil.

— Então, você vai me convidar para entrar ou terei que jantar aqui no corredor mesmo? – Digo forçando minha voz a aparentar algum humor.

Aparentemente, minha tentativa funciona, pois Blake ri.

— Com certeza você pode entrar. – Ele se afasta da porta e eu mal ponho os meus pés dentro do apartamento antes que ele enlace minha cintura e beije o meu pescoço. – Já disse o quanto você é linda?

— Essa noite ainda não. – Inclino um pouco a cabeça para que ele tenha mais acesso àquela área tão sensível do meu corpo. – A menos que “caramba” conte como um elogio.

— Não. Não conta. – Ele ri de novo e o calor de sua respiração em meu pescoço dispara correntes elétricas por todas as minhas terminações nervosas. Um ser humano não deveria reagir ao outro desse jeito, eu penso, não é saudável, principalmente, quando eu sei que isso não durará.

— O que você preparou para o jantar? – Me desvencilho dele da maneira mais sutil que consigo e vou até a cozinha. O cheiro que emana do cômodo é maravilhoso e quase faz com que eu esqueça o nó que há em meu estômago. Quase...

— Bem, você me pediu um menu especial para essa noite e como eu não sou exatamente um renomado chef francês, então... eu tive que apelar para a piedade da minha mãe. – Blake responde e a expressão envergonhada em seu rosto me faz rir.

— Outra receita secreta?

— Outra receita secreta. – Ele confirma seguindo até o forno para checar se nosso jantar está pronto. – Na verdade, várias delas, desde o prato de entrada até a sobremesa. Acho que a minha mãe realmente te ama. – Blake comenta e sinto meu peito ficar apertado de novo.

Jillian havia sido como uma segunda mãe para mim enquanto estávamos em Nova Iorque. Ela me acolheu e foi tão carinhosa comigo que, mesmo agora, com milhares de quilômetros entre nós, ainda me sinto abraçada por ela e por sua família. Imaginar o que eles diriam se soubessem o que pretendo fazer, o quanto ela e Sunrise se decepcionariam comigo... é simplesmente doloroso demais para lidar.

— Você está bem? – Blake para diante da mesa segurando uma travessa de salmão grelhado e eu tento me recompor.

— Estava tentando me lembrar se deixei a luz do meu quarto acesa. – Minto e sinto vontade de me socar por inventar uma mentira tão ruim. Melody tinha razão, eu deveria ter me preparado melhor antes de vir. Sempre fui uma péssima mentirosa.

— Porque não manda uma mensagem para as suas amigas e pede a elas para verificarem?

Sorrio.

— Farei isso, sim. – Assinto, mas não sei se Blake percebe que mal toco em meu celular, antes de enfiá-lo de novo na bolsa.

Ele me indica uma cadeira e me serve uma taça de vinho branco. Imediatamente, me lembro que, da última vez que jantamos em seu apartamento, bebemos apenas um suco de caixinha de pêssego e, então, percebo o quanto Blake levou a sério o meu pedido para que aquele jantar fosse especial. Ele conseguiu preparar uma refeição inteira em apenas algumas horas e ainda nos comprou uma ótima garrafa de vinho. Não há nenhuma forma no mundo de eu merecer esse homem.

Nosso prato de entrada é uma salada de macarrão e ervas com molho de mostarda e o sabor está impecável. Blake me revela que o segredo é adicionar algumas gotinhas de mel ao molho e eu não me sinto nem perto de começar a compreender como aquele arranjo pode funcionar tão bem. Na minha cabeça, mostarda e mel não deveriam ficar juntos, mas na receita de Jillian eles combinam perfeitamente.

Como prato principal, comemos salmão grelhado ao molho de maracujá e, mais uma vez, sou arrebatada pelo gosto maravilhoso daquele peixe. Segundo Blake, o segredo de Jillian para que ele não fique seco é pincelá-lo com azeite antes de colocá-lo no forno e deixá-lo cozinhar por, mais ou menos, quinze minutos a uma temperatura de 135°C. Imagino que é preciso ter muitos anos de experiência na cozinha para se atentar a todos esses detalhes. Se fosse eu a cozinhar, o salmão sairia do forno tão duro quanto uma pedra.

Quando passamos para a sobremesa e vejo que Blake preparou um belíssimo cheesecake com cobertura de frutas vermelhas, quase sinto vontade de chorar. Aquela é a minha sobremesa favorita e saber que Jillian a recomendou para aquela noite só me faz amá-la ainda mais. No entanto, também faz com que eu me sinta ainda mais culpada pelo que planejo fazer.

Eu deveria arder no fogo do inferno por pedir que Blake nos preparasse um jantar maravilhoso como aquele e por deixar que ele me presenteasse com uma noite tão especial só para que eu parta seu coração – e o meu – ao final dela, mas eu não sei se poderia me afastar dele sem que compartilhássemos esse último momento.

Ao longo dos poucos meses que estamos juntos, Blake e eu compartilhamos o equivalente a uma vida. Vivenciamos experiências que muitos casais mais antigos que nós ainda nem tinham sonhado em viver e tudo isso só fez com que nosso relacionamento se tornasse mais intenso. Nós rimos, choramos, brigamos, nos reconciliamos... Dizer adeus a toda a nossa história não seria nada fácil. Eu me sentia uma covarde por estar desfrutando de tudo aquilo, antes de dizer a ele o que eu precisava dizer, mas eu simplesmente não sabia como faria tal coisa e, no recanto mais profundo de meu coração, eu ainda esperava que Blake ouvisse a voz da razão e me poupasse de ter de tomar aquela atitude drástica e dolorosa.

— Você está quieta essa noite. – Ele observa, enquanto toma sua taça de vinho. – A nossa conversa dessa tarde a perturbou?

Ergo os meus olhos para os dele, para aquele azul infinito que eu sei que assombrará tanto os meus sonhos quanto os meus piores pesadelos quando eu deixar esse apartamento e penso em mentir, apenas para adiar um pouco mais aquela conversa horrível, mas sei que não posso. Nós já jantamos e tivemos nosso momento juntos, eu não poderia exigir mais que isso de uma despedida, muito embora eu quisesse, mas... que tipo de pessoa eu seria se dormisse com Blake só para depois lhe dizer que precisava deixa-lo? Eu realmente ansiava por mais uma noite com ele, ansiava por ter suas mãos em meu corpo, por me perder em seus braços, por sentir o gosto de sua boca na minha, mas isso não seria justo com nenhum de nós. Principalmente, não seria justo com ele.

— Acho que precisamos conversar. – Digo, depositando meus talheres sobre o pequeno prato de porcelana da sobremesa.

A expressão que se apodera do rosto de Blake após meu comentário quase parte o meu coração e penso que, talvez, ele saiba o que está por vir. Talvez tenha visto a verdade nos meus olhos assim que bati à sua porta.

– Eu não deveria ter te mostrado aquela caixa. – Ele murmura e eu pego sua mão sobre a mesa.

— Não tem nada a ver com a caixa, Blake. Nada a ver com aquelas cartas e fotos, eu não vejo problemas em você guardar lembranças de alguém que foi importante para você, que fez parte da sua vida muito antes de eu entrar nela.

— Então, porque eu sinto que você vai terminar comigo?

Engulo em seco.

— Porque eu vou. Na verdade, eu... eu preciso. – As palavras deixam um gosto amargo em minha boca quando as pronuncio, mas me forço a coloca-las para fora. Não havia mesmo uma forma menos dolorosa de dizê-las.

— Liss...

— Olha, eu sei que você está seguindo uma convicção. – Eu o interrompo antes que ele comece um discurso. – Sei que o que houve com a Jackie te marcou e que você acha que essa é a maneira correta de lidar com isso, mas não é, Blake. Não é! E eu não posso ficar aqui e deixar você jogar toda a sua carreira fora desse jeito. Eu não me perdoaria.

— E você acha que eu me perdoaria? – Ele solta a minha mão e se coloca de pé. – Acha que seria fácil, para mim, se algo acontecesse com você ou conosco, com o nosso relacionamento só porque eu estava longe?

— Mas nada precisa acontecer, Blake. Você está jogando sua carreira fora com base em suposições que podem nunca se confirmar. Você realmente não percebe o quanto isso é absurdo?

Eu o encaro. Será que ele não percebia? Blake sempre foi tão centrado, tão maduro, tão mais consciente do mundo que eu... Era a ele que eu recorria quando sentia que toda a pressão da universidade iria me matar, ele era a calma no meio da minha tempestade, mas, agora, era como se ele estivesse naufragando e não soubesse como evitar o desastre. Então, talvez, esse fosse o momento em que eu deveria me tornar seu colete salva-vidas, assim como ele havia sido o meu. Talvez, tivesse chegado a hora de eu ser a consciência dele porque, eu sabia, ainda que ele não entendesse agora, que ele me agradeceria depois.

— Eu não posso fazer isso, Blake. – Também me coloco de pé e me aproximo dele. – Não posso deixar que desista da sua carreira para ficar comigo e eu preciso que você entenda exatamente o que isso significa, porque, dependendo do que você decida agora, eu não terei outra opção além de colocar um ponto final nós dois.

Blake se encosta ao balcão às suas costas e fecha os olhos com uma expressão quase torturada em seu belo rosto. Eu sei que ele está se forçando para tomar a decisão certa, porque suas mãos estão agarradas à beirada de granito do balcão com tanta força que os nós de seus dedos estão brancos. E, interiormente, eu rezo para que ele perceba o grande erro que está cometendo, rezo para que ele caia em si e para que possamos terminar aquela conversa com um final feliz em vez de com um rompimento doloroso, mas quando ele abre os olhos e me encara, eu sei que foi tolice nutrir esperanças.

— Eu não posso. – Ele responde em voz baixa. – Gostaria de poder fazer o que me pede, Liss, mas eu não consigo. Não dá.

Minha respiração falha e não consigo evitar que um pequeno soluço escape de meus lábios quando uma torrente de lágrimas brota em meus olhos. É isso. É o fim. E perceber que acabou, que não há mais expectativas para nós, me destrói de uma maneira que não sou capaz de descrever.

Tremendo dos pés a cabeça, dou alguns passos para trás e me apoio na mesa.

— Por favor, não faça isso. – Blake pede e eu também gostaria de atender ao seu pedido, mas, assim como ele, eu não posso. Eu me importo demais com Blake para deixar que ele destrua seu futuro por mim.

— Eu sinto muito. – Balbucio.

— Por favor. – Ele implora quando pego minha bolsa e sigo para a sala, preparando-me para ir embora. – Por favor, Liss. Por favor.

— Blake, eu não posso. – As lágrimas correm incessantes por meu rosto e tenho certeza de que toda a minha maquiagem está borrada agora. Eu devo estar parada diante de Blake como uma assombração, mas a dor que rasga o meu peito é maior que a minha vaidade, maior que qualquer coisa que eu já tenha sentido.

Ele se aproxima de mim.

— Liss, não faça isso comigo. – Ele diz e há tanta dor em sua voz quanto deve haver em seus olhos, mas eu não posso vê-lo porque minha visão está comprometida pelas lágrimas. – Nós daremos um jeito nisso, encontraremos uma forma, mas, por favor, não termine tudo.

— Não há outro jeito, Blake. Você não vai mudar de ideia e eu não vou deixar você jogar sua vida fora. É um impasse que não podemos resolver.

Blake se agita diante de mim, suas mãos agarram meus braços, depois, voam para seu próprio cabelo e, logo em seguida, voltam para mim como se ele não soubesse o que fazer ou o que dizer, como se estivesse diante de uma encruzilhada com várias rotas possíveis e não soubesse qual delas tomar... Eu sei qual rota ele poderia seguir, qual rota evitaria essa dor lancinante de se espalhar pelo que sobrou de nossos corações, mas eu também sei que não posso escolher por ele.

— Por favor, não vá embora. – Seu tom derrotado me quebra e eu passo as costas das mãos pelos olhos, tentando limpar a umidade que há neles. Blake se põe de joelhos. – Estou te implorando, Liss, não vá embora. Não... me deixe. – Ele diz e há lágrimas em seus olhos azuis também.

Eu nunca o vi chorar – embora já o tenha visto em todos os humores possíveis – e vê-lo naquele estado me corrói. Ajoelho-me junto dele e seguro seu rosto entre as mãos. Separações deveriam ser mais fáceis, deveriam doer menos, deveriam não nos deixar com essa sensação de que uma parte de nós está morrendo, agonizando...

Eu queria poder me recompor, sair por aquela porta e manter minha compostura até o fim do semestre, mas Blake me deixa fraca. Ele tem destruído minhas defesas desde o nosso primeiro encontro naquela festa de boas vindas que Melody e Serena fizeram para mim e exatamente porque eu sou tola e fraca, eu me inclino em sua direção e o beijo, mesmo sabendo que sentir seus lábios nos meus só vai me destruir um pouco mais quando eu for embora.

Os lábios de Blake se movem juntos aos meus com uma urgência quase desesperada e nós nos beijamos até estarmos completamente sem fôlego, até que não tenhamos outra opção além de respirar ou perder a consciência e, quando nos afastamos, as mãos dele seguram a minha cintura com um aperto firme.

— Faça amor comigo. – Ele pede e eu balanço a cabeça, levemente, em negativa, mas Blake encosta sua testa na minha e repete: – Faça amor comigo, Liss.

E, talvez, eu seja masoquista ou talvez o meu desejo por esse homem lindo e sensível seja realmente incontrolável, porque ele não precisa insistir muito mais. Digo a mim mesma que não estou cometendo um erro, que Blake sabe que nosso relacionamento acabou, que aquela noite será apenas uma despedida, um encerramento digno para tudo o que vivemos e levo minhas mãos ao zíper na parte de trás de meu vestido, abrindo-o devagar.

Seu corpete brilhante logo se solta de meu corpo e eu termino de retirá-lo, puxando-o até a altura da cintura. Não estou usando sutiã naquela noite, então, quando seguro a mão de Blake e a guio até o meu corpo, sinto seu toque quente diretamente sobre o meu seio e deixo escapar um ofego.

Blake volta a cobrir meus lábios com os seus e, logo, nós estamos deitados no chão da sala, tocando um ao outro como se nossas vidas dependessem disso.

Eu o ajudo a retirar a camiseta e a calça e ele termina de retirar meu vestido, livrando-se da minha calcinha logo em seguida. Ter seu corpo nu junto ao meu me causa sentimentos ambíguos. Por um lado, há o desejo quente e pulsante, a sede por cada uma das sensações que ele é capaz de me causar e, por outro, há a tristeza pungente por saber que aquela será a nossa última vez, a dor que já se apodera de meu peito antes mesmo de nos afastarmos e a sensação irrevogável de perda. Então, não me surpreendo quando sinto o gosto salgado das lágrimas se juntando ao gosto doce de nossos beijos. Lágrimas minhas e de Blake. Lágrimas que, eu tenho certeza, perdurarão por muitos dias mais.

As mãos de Blake passeiam por meio corpo, sua boa alterna entre meus lábios, meu pescoço e meus mamilos rijos e cada um de seus toques é como o paraíso e o inferno para mim.

Eu não me importo que nossos movimentos estejam mais duros naquela noite, não importo com todas as marcas que suas mãos fortes e seus dentes deixarão em meu corpo, da mesma forma que ele não se importa com as marcas que eu deixarei nele, com a forma violenta como minhas unhas se cravam na pele de seus ombros quando eu o agarro. E, quando Blake finalmente me penetra, nós gememos juntos, choramos juntos e murmuramos o nome um do outro e, também, todo tipo de coisas doces e rudes e coisas que sequer compreendemos no meio daquela enxurrada em que nossas emoções se transformaram.

Nosso sexo é a descrição de tudo e nada, alegria e tristeza, paz e caos... e, quando chegamos ao orgasmo juntos, eu não sei se quero sorrir ou chorar, então, eu faço os dois e me sinto como uma boneca de porcelana frágil nos braços de Blake quando ele me ergue do chão e me carrega até seu quarto, onde continuamos a fazer amor até que estejamos estupidamente cansados e sonolentos demais para continuar.

Ele me abraça tão apertado junto ao seu corpo que é até difícil respirar, mas eu não reclamo, não tento me libertar de seus braços. Só deixo que ele se agarre a mim, como se ainda tivéssemos esperança, como se aquilo pudesse perdurar, mesmo que eu saiba que estamos arruinados.

Então, quando Blake adormece, eu me permito observá-lo sem reservas. Catalogo cada detalhe em seu corpo e deixo que aquela imagem fique gravada em minha mente para que eu possa revivê-la milhares e milhares de vezes nos dias difíceis que eu sei que virão.

E, assim, sentindo-me completamente exausta e vazia, eu fecho os meus olhos e durmo. Ainda tenho algumas horas até o nascer do sol e, enquanto aquela noite não termina, eu me agarro a Blake como se estivesse me agarrando à minha própria vida, porque, de certa forma, eu sei que quando atravessar aquelas portas e for embora, será como se uma parte de mim tivesse morrido.

Na verdade, mesmo agora, eu já estou de luto por nós.

Notas finais
É, minha gente, acho que eu fiz vocês ficarem na bad depois desse capítulo, né? Apesar do momento triste, eu espero que vocês tenham curtido o capítulo e que estejam ansiosos pelo próximo. Nos vemos em breve e não esqueçam de me deixar aquele recadinho linduh para alegrar o meu dia, muito embora eu tenha entristecido o de vocês.... Beijokas. ps: comecei a escrever duas novas fanfictions (em breve serão três...) e, claro, eu não poderia deixar de fazer uma propagadinha delas por aqui né... Elas se chamam "Spotlight" e "Proibido", ambas são romances e, caso vocês queiram dar uma conferida nas sinopses, basta entrar aqui no meu perfil e dar uma olhadinha na aba de Histórias. Todos serão muito bem vindos, caso algumas delas desperte seu interesse de leitura. e... é só isso mesmo haha. Não sou tão boa em fazer propaganda quanto gostaria... Fui-me.