O Mestre - EM HIATUS
4 Capítulo Três
Notas iniciais
“As mulheres não foram feitas para a fuga. Quando correm é porque desejam ser perseguidas.” – Jean-Jacques Russeau.
[Blake]
É como se eu não pudesse dirigir rápido o bastante. Mesmo sendo domingo à noite, o trânsito estava uma droga e, com Alyssa na garupa de minha moto, agarrada fortemente à minha cintura, parecia que um fogo me consumiria antes mesmo que eu pudesse chegar ao meu apartamento.
Eu não sou o tipo de cara que costumar ir para a cama com uma garota que mal conhece – eu, definitivamente, não sou esse tipo de cara –, mas por alguma razão, o que eu mais quero essa noite é que Alyssa seja a exceção à regra.
No momento em que estaciono em frente ao meu prédio, Alyssa salta da moto e tira o capacete. O gesto faz seus longos cabelos loiros se agitarem e eu observo enquanto ela ergue a cabeça e percorre a fachada do edifício com o olhar, antes de soltar um assovio e se virar novamente para mim.
– Uau! – ela diz com um sorriso – Aposto que seus pais são cheios da grana.
– Eles têm uma boa situação financeira realmente, mas quem comprou o apartamento fui eu. – digo colocando a mão em sua cintura e guiando-a em direção a porta de entrada do prédio.
Assim que chegamos ao meu apartamento, eu abro a porta e faço sinal para que ela entre primeiro. No momento em que ela o faz, vejo seus belos olhos verdes se iluminarem – assim como os olhos de uma criança se iluminam ao entrar em uma loja de brinquedos – e eu não posso negar que essa é uma das coisas que a tornam tão atraente para mim.
Alyssa está usando um vestido tomara que caia preto, com uma saia evasê curta o bastante para deixar boa parte de suas coxas à mostra e, ainda assim, quando eu olho para ela, o que vejo não é apenas uma mulher estonteantemente sexy, mas também uma garota doce e inocente. E ela é simplesmente encantadora.
Tranco a porta e me aproximo dela.
– Gostou? – pergunto, fazendo com a mão um gesto que abrange toda a sala, que é o lugar em que estamos.
– Está de brincadeira? – ela se vira para mim – Seu apartamento é lindo.
– Bem, se gostou daqui, espere até ver o meu quarto. – digo com um sorriso.
Os olhos de Alyssa se iluminam novamente, mas dessa vez posso detectar um fulgor de excitação por trás deles que faz meu corpo se aquecer de imediato.
Eu raramente me animo assim com uma garota. Aliás, isso aconteceu apenas duas vezes em toda a minha vida e, em uma delas, foi um completo desastre. Agora, com Alyssa, eu só posso esperar que não seja a mesma coisa, pois ela tem os olhos verdes mais lindos que eu já vi e estou completamente ansioso para ver o resto.
Quando eu a puxo para mais perto de mim, ela está sorrindo e tomo isso como uma deixa para inverter nossas posições e apertá-la de encontro à porta da sala, beijando-a da forma mais intensa que posso.
No momento em que nossos lábios se unem, sinto como se uma faísca surgisse dentro de mim e se espalhasse por todo o meu corpo causando pequenas explosões de prazer. Então, sem me contentar com aquilo, eu seguro as mãos dela acima da cabeça e intensifico ainda mais o nosso beijo, até que nós dois estejamos ridiculamente sem fôlego.
– Esse foi ainda melhor que o primeiro. – Alyssa sussurra assim que eu quebro nosso beijo para que possamos respirar um pouco.
Seus lábios estão avermelhados e um tanto inchados por causa do beijo e tudo em que eu consigo pensar é em beijá-la de novo e de novo e de novo... Sinto como se eu nunca fosse me cansar disso e a sensação é tão louca que nem parece real.
– Eu, decididamente, quero que você conheça o meu quarto agora. – digo tomando-a em meus braços novamente.
– E eu, decididamente, quero conhecê-lo. – ela diz com um sorriso travesso.
É o que basta para que eu a agarre pelos quadris e a erga do chão, permitindo que ela entrelace as pernas em minha cintura e, assim que nossos lábios se encontram novamente eu a carrego em direção ao meu quarto.
Nos esbarramos no sofá e na mesa à caminho do quarto – uma consequência do fato de eu ter mudado para esse apartamento recentemente e de estar tão excitado que mal consigo me concentrar em mover um pé após o outro – e, cada vez que nos esbarramos em alguma coisa, sinto a boca de Alyssa se retorcer em um sorriso contra a minha.
Quando finalmente alcançamos a porta do quarto, eu procuro pela maçaneta sem tirar meus lábios dos dela e, assim que a encontro, eu abro a porta e adentro no quarto. Tudo o que quero é levar Alyssa até a cama e jogá-la nela, mas ela se apoia em meus ombros e retira as pernas de minha cintura, escorregando para o chão novamente e olhando em volta.
– Seu quarto é realmente mais bonito que a sala. – ela diz em um tom brincalhão – Acho que é por causa das cortinas.
– Ou talvez seja porque você está nele. – digo calmamente.
Aquilo soa como um flerte, mas há muita verdade no que eu disse. Alyssa é linda e sua presença, de fato, faz qualquer lugar ficar mais bonito. É algo complicado de admitir, pois eu acabei de conhecê-la – e não sei nem mesmo seu sobrenome –, mas estou completamente arrebatado por ela e começo a desejar que, para ela, aquilo que estamos prestes a fazer não seja apenas uma transa de uma noite.
Seus olhos estão brilhando quando ela passa os braços ao redor de meu pescoço e eu me inclino para beijá-la novamente, percorrendo toda a extensão do zíper de seu vestido com a mão até chegar a seus quadris. A vontade de puxar o zíper de seu vestido para baixo e despi-la faz minha pele queimar.
Retiro a boca da sua e desço até seu pescoço, empurrando-a contra a parede ao lado da porta do quarto e ela acaricia minha nuca. Ela está ofegante, eu estou mais ofegante ainda e eu posso sentir sua respiração em meu ouvido, então, sem conseguir me controlar mais, eu a afasto da parede apenas o suficiente para levar minha mão de volta para o inicio do zíper de seu vestido e poder deslizá-lo para baixo.
O barulho do zíper ecoa pelo quarto e quando ele, finalmente, se abre por completo eu me afasto um pouco mais para trás, para assistir, sem fôlego, o tecido preto escorregar pelo corpo de Alyssa, revelando-a para mim pela primeira vez.
Ela está parada diante de mim apenas com seus sapatos de salto e uma calcinha de renda preta enfeitada com um laço rosa pink e tudo o que eu posso fazer é olhá-la, com medo de que uma só palavra possa estragar todo aquele momento.
Minha respiração fica presa na garganta, enquanto eu a observo. Tudo nela é perfeito. Desde os cabelos loiros e sedosos, até os mamilos rosa-claro e, agora, tudo o que eu quero é sentir sua pele macia e quente sob minhas mãos. Tudo o que eu quero é tocá-la e é exatamente isso que faço.
Me aproximo novamente de Alyssa, tomando-a em meus braços e devorando sua boca com a minha. Posso sentir o calor do corpo dela atravessando minha camiseta e tenho certeza que ela também pode sentir, pois no momento seguinte, ela segura a barra de minha camiseta e, lentamente, a puxa para cima.
Deixo que ela retire minha camiseta de bom grado e, quando a abraço de novo, um arrepio me percorre ao sentir os seios macios dela contra o meu corpo, enquanto eu passo minhas mãos para cima e para baixo dos dois lados de sua cintura. Meus dedos estão cada vez mais próximos de seus seios e a vontade de segurá-los em minhas mãos me corrói, mas eu faço o meu melhor para me controlar.
Sou surpreendido quando Alyssa interrompe nosso beijo e empurra meu peito, obrigando-me a me afastar. Antes que eu possa fazer qualquer pergunta, ela sorri e morde o lábio inferior, levemente, enquanto se desvencilha do vestido aos seus pés e tira os sapatos.
Alyssa está brincando comigo e eu estou gostando disso. Estou gostando tanto que a agarro e a jogo na cama e agora que ela está ali, com os lábios convidativamente entreabertos e me encarando com aqueles olhos verdes, eu não posso fazer nada mais além de me inclinar sobre ela e beijá-la. Primeiro os lábios, depois o queixo e o pescoço e quando eu chego á sua clavícula, ela sussurra o meu nome, deixando-me completamente em êxtase.
Simplesmente adoro a forma como o meu nome fica ao som da voz dela, então eu percorro com a língua toda a extensão entre seu pescoço e sua orelha, parando para morder seu lóbulo delicadamente e Alyssa guia sua mão por meu peito, descendo até encontrar o botão de minha calça, que ela abre com facilidade.
Um calor se instala em meu baixo ventre e eu quase sinto que vou explodir e, quando Alyssa puxa minha calça para baixo, eu me afasto um pouco para ajudá-la a terminar a tarefa. Agora tudo o que há entre nós são nossas peças íntimas e eu mal vejo a hora de me livrar delas também.
Eu a quero. Eu a quero tão malditamente que nem consigo acreditar que a conheci há apenas algumas horas atrás, numa festa para qual fui praticamente arrastado por antigos colegas de universidade. Há algo grande acontecendo entre nós e eu não sou o tipo de cara que acredita em amor a primeira vista, mas ali com Alyssa, naquele momento, eu quase esqueço esse ceticismo. Algumas pessoas poderiam dizer que isso é loucura – e talvez seja mesmo –, mas o que eu seria um grande mentiroso se negasse essa forte atração que estou sentindo.
Alyssa fecha os olhos e eu me inclino para beijar seus ombros, a parte superior de seus seios e o vale entre eles, recebendo um gemido dela em resposta aos meus esforços. Então, quando eu finalmente abocanho um de seus mamilos, percorrendo-o com minha língua, Alyssa crava as unhas na pele de minhas costas, deixando todo o meu corpo tenso.
Pressiono meu quadril contra o dela, sentindo-a tremer sob mim. Ela está me matando e eu não consigo aguentar mais. Eu preciso tê-la. Não há outra opção.
Desço minha mão de sua cintura até alcançar as tiras rendadas de sua calcinha e brinco um pouco com elas, antes puxá-las para baixo.
Alyssa está completamente nua agora e me dou o direito de observá-la por um momento, apreciando toda a sua beleza, antes de retirar minha própria peça íntima e acabar de vez com todas as coisas entre nós. E então, sem nada mais para nos refrear, eu deslizo uma mão por sua perna, subindo de seu calcanhar até a parte interna de suas coxas, e depois beijo seu umbigo delicadamente.
O calor ardente em meu baixo ventre aumenta cada vez mais e eu tenho certeza que Alyssa sente o mesmo. Ambos estamos estupidamente excitados e fora do ar e a única forma de sanar tudo isso e nos entregando totalmente aquele desejo.
Estou pronto para fazer isso quando Alyssa me puxa de encontro a sua boca mais uma vez, agarrando meus cabelos. Separo minha boca da sua e desço até seu pescoço, fazendo-a fechar os olhos e gemer de desejo.
Sorrio, pois para mim é gratificante poder ver esse desejo estampado no rosto de Alyssa, mas sorrio ainda mais por sentir esse mesmo desejo tomar forma em mim e, apesar de eu não ser o tipo de cara que se envolve com facilidade – francamente, minha vida amorosa sempre foi uma decepção –, sei que quando eu acordar na manhã seguinte quero que Alyssa ainda esteja em meus braços e, mais que isso, quero poder tê-la em meus braços mais vezes. E sim, isso é loucura, mas antes mesmo que eu possa me refrear, as palavras já estão saindo de minha boca.
– Acho que a gente forma um belo par. – digo, um tanto sem fôlego por causa dos beijos insistentes e intensos de Alyssa.
Assim que termino a frase, sinto o corpo dela ficar tenso sobre o meu e começo a me amaldiçoar mentalmente. Aquilo não é tipo de coisa que você deve dizer em um momento como aquele. Talvez fosse algo apropriado para se dizer depois do sexo, como uma forma de fazer a garota com quem você dormiu não se sentir apenas mais uma para você. Bem... Eu não sei exatamente como essas coisas funcionam. Meu último relacionamento foi a mais de dois anos e desde então garotas ficaram em um segundo – talvez terceiro – plano em minha vida, logo atrás de coisas como trabalho e realização pessoal. Tudo o que eu sei é que dizer aquelas palavras foi praticamente como pedi-la em casamento depois de um primeiro beijo.
Assustador. Aterrorizante.
Creio que era exatamente isso o que se passava pela cabeça de Alyssa enquanto ela se desvencilhava de mim e se levantava da cama e tudo o que eu mais queria era me dar um soco na cara por ser um verdadeiro fiasco no quesito romance.
– Acho que é melhor eu ir embora. – Alyssa diz, quebrando o silêncio constrangedor que havia se instalado no quarto, enquanto vestia sua calcinha novamente.
Por fora minha expressão é só um pouco decepcionada – eu espero –, mas dentro eu estou surtando. Só consigo pensar em como estraguei tudo. Tudo mesmo, desde nosso encontro essa noite até os futuros encontros que poderíamos ter tido, caso eu soubesse controlar minha maldita boca grande.
– Me desculpe. – digo envergonhado – Acho que eu fui rápido demais.
– Não. Não é você. – Alyssa diz atravessando o quarto de maneira apressada para pegar seu vestido – Sou eu, sabe? Eu não sou boa para isso.
Eu a observo enquanto ela recoloca o vestido e tenta, com certa dificuldade, fechar o zíper em suas costas. Sempre ouvi as pessoas falarem sobre aquele fatídico momento do “Não é você. Sou eu.”, mas eu nunca poderia imaginar que o meu momento seria em uma situação como essa.
– Me desculpe, Blake. – Alyssa continua quando permaneço em silêncio – É que eu acabei de sair de um relacionamento muito complicado. Eu não posso, sabe? Eu... – ela desiste de fechar o vestido e pega os sapatos do chão – Me desculpe. De verdade.
Antes que eu possa dizer qualquer coisa, Alyssa corre para fora do quarto e, por mais que eu quisesse correr atrás dela e segurá-la, me obriguei a ficar onde estava e permitir que ela partisse. Depois de meu deslize, era bem provável que Alyssa não quisesse me ver nunca mais e eu não queria que ela se lembrasse de mim como um louco que mal conhecia uma garota e já queria propor um noivado. Então, talvez uma fuga bem rápida e sem drama fosse exatamente o que precisávamos para acabar com aquela situação estranhamente embaraçosa em que nos coloquei.
Eu só não podia dizer que me contentaria com aquilo. Ainda queria muito vê-la de novo e faria o possível para que isso acontecesse.
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