O Mestre - EM HIATUS
19 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
“Amor verdadeiro você percebe no olhar, no sorriso, no jeito de falar, no jeito de abraçar e até no jeito de brigar.” — A Pequena Sereia.
[Alyssa]
As semanas passam voando. Agora que o semestre parece ter entrado nos eixos, há tantos trabalhos e deveres para fazer que o pouco tempo que eu tinha para ficar com Blake se tornou ainda mais escasso.
O emprego de meio período que arranjei como atendente na Starbucks também não tem facilitado muito as coisas e eu sei que minha mãe morreria se me visse gastando todo o talento que ela diz que eu tenho, preparando café para pessoas desconhecidas, mas jovens pianistas universitárias precisam se sustentar e era isso ou trabalhar como babá de um casal de gêmeos que parecia precisar, urgentemente, de um exorcismo.
Em resumo, eu tenho dividido o meu tempo entre aulas, emprego, lição de casa e ensaios e, quando encontro um tempo livre, no meio de tudo isso, eu tento passá-lo com Blake, mas ele tem andado tão ocupado quanto eu nos últimos dias.
Com o projeto de teatro em andamento e com a grande quantidade de alunos que se inscreveram, os professores tiveram que dividir as audições em três etapas e tiveram que realizar uma verdadeira maratona para avaliar e selecionar todos os candidatos.
Todo esse trabalho fez com que Blake e eu passássemos mais de uma semana sem nos ver e eu imaginei que, depois que essa etapa das audições chegasse ao fim, nós poderíamos voltar ao nosso ritmo quase normal de encontros, mas as coisas não melhoram muito.
Blake passou a coordenar os ensaios do elenco de Um Bonde Chamado Desejo, para o qual Serena, Sophie e Wade foram selecionados como atores principais e eu fui selecionada como musicista na peça O Leque de Lady Windemere, que era coordenada pela professora Twigger, por isso continuamos com problemas para nos ver.
Os ensaios de Blake ocorriam no auditório central todas às segundas, quartas, quintas e sábados, assim como os ensaios da professora Twigger, mas os nossos começavam 20 minutos depois que os dele terminavam, então nós raramente conseguíamos nos encontrar.
Naquele sábado em questão, eu saí mais cedo do Starbucks e aproveitei esse pequeno tempo livre para acompanhar Serena até o auditório e assistir ao ensaio de sua peça. Ela havia se preparado bastante para disputar o papel de Blanche DuBois com Sophie e mais duas garotas e fiquei muito feliz quando soube que ela havia sido escolhida. Sophie acabou ficando com o papel de Stella Kowalsky e, para a minha grande surpresa e também para a de Serena, Blake escolheu Wade para fazer o papel de Stanley.
Wade havia interpretado muito bem o personagem, isso era um fato, mas eu estaria mentindo se dissesse que não estava esperando que Blake o dispensasse só por causa de suas desavenças. Blake, no entanto, provou mais uma vez que sabe ser muito profissional quando se trata de seu trabalho e eu fiquei ainda mais orgulhosa dele por isso.
Quando os resultados das audições saíram os estudantes de arte ficaram em polvorosa e eu admito que fiquei um pouco decepcionada por Blake não ter me escolhido como musicista de sua peça, mas ele disse que o meu estilo combinava melhor com a peça da professora Twigger e, no fim, descobri que ele estava certo.
A trilha sonora de Um Bonde Chamado Desejo era misteriosa e sombria, enquanto a trilha sonora de O Leque de Lady Windemere era mais suave e alegre e eu me senti realmente melhor tocando aquelas composições.
– Boa tarde. Boa tarde. Boa tarde. – ouço Blake cumprimentar as pessoas que estão perto da porta quando ele entra apressado no auditório.
Ele está usando tênis, bermuda cargo, camiseta branca e um óculos Rayban e um pequeno sorriso se forma em meus lábios ao vê-lo vestido dessa maneira, pois sempre que está na universidade, dando aulas, Blake nunca usa bermuda ou óculos escuros.
Ele olha para Serena, certamente para mandá-la subir ao palco e ocupar seu lugar, mas quando me vê abre um sorriso e caminha até nós.
– Já perdeu o emprego, Srta. Cooper? – ele pergunta retirando os óculos escuros e guardando-os na mochila e eu sou obrigada a rir.
– Uma atendente do Starbucks não pode ter um dia de folga, Sr. Carson?
– Certamente pode e, creio eu, elas podem ter mais dias de folga que um professor. Ou que uma atriz – ele sorri e olha para Serena – Porque ainda não está no palco Srta. Humprey?
Serena abre um sorriso amarelo para ele e me dá um tapinha no ombro, antes de seguir rapidamente para o palco e se acomodar ao lado de Sophie para discutir algum detalhe da peça. Observo que Wade, por sua vez, fica no canto mais afastado do palco, lendo seu próprio roteiro e em momento algum ele e Serena interagem ou sequer olham um para o outro, o que é estranho já que, pelo que eu me lembro dessa peça, seus personagem tem uma espécie atração maluca e abusiva um pelo outro.
– Eles ficam sempre assim? – pergunto, apontando para Serena e Wade no palco.
Blake olha rapidamente para eles e assente.
– Ás vezes eu quero matá-los. – ele admite – Ambos são ótimos atores, mas estou tendo problemas para fazê-los transmitir a paixão rude e animalesca que há entre Blanche e Stanley. Estou a ponto de trancá-los num quarto e pedir que se beijem até que estejam acostumados um com o outro.
Eu rio.
– Você não faria isso.
– Ah, eu faria, sim. – ele estreita os olhos – Posso ser um coordenador muito malvado quando preciso. Além do mais, eu sei que esse recurso funciona.
– E como você sabe? – eu o encaro – Por acaso já fizeram isso com você?
– Já. – Blake responde calmamente e eu não posso impedir a pontada de ciúme que me atinge. Sei que muitos atores precisam se beijar em cena, mas, por favor, ele é meu namorado, né?
– Quando foi isso? – sou obrigada a perguntar – E quem você beijou?
– Ninguém em especial e foi há muito tempo. Muito tempo mesmo. – ele acrescenta ao notar o meu incomodo – Além disso, foi apenas um trabalho, Liss. Não há com o que se preocupar.
– Hum. – eu assinto, mas tenho certeza que a expressão em meu rosto revela o meu desagrado.
Pensar em Blake trancado em um quarto, trocando dezenas de beijos com uma atriz de teatro gostosa faz a minha autoestima cair a níveis preocupantes e não é que eu não confie no meu próprio taco, mas sei lá... Angelina Jolie e Brad Pitt, Nicole Kidman e Tom Cruise... São tantos os atores que já se apaixonaram enquanto contracenavam que é meio difícil não ficar com ciúmes ou receosa.
– Pode parar com isso. – Blake me dá um leve puxão de orelha e eu dou um tapa em sua mão me afastando dele.
– Posso parar com o que?
– Você sabe com o que. – ele cruza os braços e me encara – Está imaginando coisas onde não tem.
– Não estou imaginando nada em lugar algum. – desconverso – E você não tem uma peça para coordenar? Vá fazer o seu trabalho.
Blake fecha a cara para mim, mas apenas dou de ombros e, sem querer prolongar a discussão, ele se afasta e eu volto a me sentar em minha poltrona para assistir ao ensaio. Acho que estou agindo como uma idiota, mas o ciúme – mesmo quando você não sabe exatamente do que – tem esse poder sobre as pessoas.
Durante o ensaio, assim como Blake havia dito, percebo que Serena e Wade são ótimos atores, mas que não convencem muito como um casal, ainda que Blanche e Stanley não tenham realmente um relacionamento na peça.
Blake é obrigado a parar o ensaio várias vezes para reclamar da falta de emoção e de proximidade deles, até que por fim ele se cansa e pede que Sophie troque de lugar com Serena. Fico tensa de imediato, porque isso pode resultar em uma mudança de papéis e eu detestaria ver Serena perder o papel pelo qual ela tanto se dedicou nas últimas semanas, mas o resultado da cena com Wade e Sophie é ainda pior do que era quando ele estava contracenando com Serena. Os dois não possuem qualquer tipo de sintonia.
– Ok. Chega. – Blake se coloca de pé e chama Wade, Sophie e Serena para a frente do palco – Que merda há com vocês três? Nas audições individuais vocês pareciam artistas renomados e, agora, quando precisam mostrar algum trabalho de verdade, vocês parecem crianças de cinco anos interpretando a história da Chapeuzinho Vermelho.
– Desculpe... – Serena começa a falar, mas Blake ergue a mão pedindo que ela se cale.
– Vocês tem noção da importância que esse projeto de arte possui? – ele pergunta – Não estou falando da importância dele para a universidade, porque com ou sem este projeto, a Universidade de San Diego continuará sendo a Universidade de San Diego, mas vocês tem alguma noção de como ele é importante para vocês mesmos? Haverá pessoas influentes aqui, pessoal. Vocês podem sair desse palco com uma vaga garantida em alguma grande companhia de teatro e estão jogando tudo no lixo por desavenças que nada tem a ver com o trabalho. – Blake olha para Wade e Serena e eu acho graça quando os dois abaixam a cabeça como crianças envergonhadas – Eu quero que vocês dois façam uma pausa de dez minutos. – Blake continua – Saiam do auditório e conversem. Quando voltarem, não quero saber de olhares raivosos e magoados no meu palco. Vocês são muito bons para estarem agindo com tanta mediocridade.
Wade e Serena assentem e, sem retrucar, descem do palco e saem do auditório para conversar, enquanto Blake volta sua atenção para Sophie e faz alguma reclamação sobre ela não ter absorvido a identidade de sua personagem corretamente.
Fico impressionada com ele e com a segurança e facilidade com a qual ele lida com os problemas no palco. Blake realmente parece ter nascido para trabalhar com artes cênicas e, embora eu não saiba como ele é como ator, já que eu nunca o vi atuando, olhando-o agora eu percebo que a sala de aula é realmente um mundo muito pequeno para ele. Blake nasceu para o teatro, para os palcos e, uma carreira como professor de artes, jamais faria jus a todo o talento que ele tem, por mais que ele também desempenhe essa tarefa com maestria.
Quando Wade e Serena voltam para o palco, surpreendentemente eles estão rindo e brincando um com o outro, como faziam antes e eu sou obrigada a lançar um olhar questionador a Serena, quando ela passa por mim, ao qual ela devolve com um olhar de “explico depois”.
Daí em diante, a peça se transforma e eu realmente consigo ver os dois ótimos atores dos quais Blake falara e a tal emoção e proximidade que ele tanto exigira. Não sei sobre o que Wade e Serena conversaram, mas definitivamente funcionou e, a cada cena que os dois executam com perfeição, eu consigo entender ainda mais porque o diretor do curso de artes insistiu para que Blake coordenasse essa peça. Ele sabe o que faz e faz direito. Não há como negar isso.
Quando o ensaio finalmente termina e as pessoas começam a deixar o auditório, eu estou completamente encantada com o trabalho, não apenas dos atores, mas também dos musicistas que realmente fizeram minha alma se desintegrar e o meu coração se apertar em várias cenas. A professora Twigger é uma ótima coordenadora também, mas o que Blake fez com aquelas pessoas... ninguém poderia ter feito igual.
– E aí, o que você achou? – Serena pergunta correndo, animada, até a cadeira onde eu estou. Os olhos dela estão brilhando e eu posso sentir o entusiasmo fluido por seus poros, mas eu a entendo perfeitamente. A energia de um trabalho bem feito faz isso com as pessoas.
– Foi incrível. – respondo, levantando-me para abraçá-la – No início vocês não estavam muito bem, mas depois que voltaram para o palco foi simplesmente sensacional. Eu me arrepiei. De verdade.
– É. Eu sei. O início foi uma droga mesmo, mas depois...– ela sacode as mãos, agitada – Foi realmente demais! E o que o Blake falou para a gente... caramba! Esse cara é o máximo, Liss! Juro por Deus que se você não fosse minha amiga eu iria quer roubá-lo de você.
– Então, ainda bem que você é minha amiga, né? – sorrio.
Serena abre a boca para fazer mais algum comentário a respeito da peça, mas antes que ela diga qualquer coisa, Wade se aproxima de nós e passa os braços ao redor de seus ombros.
– Ótimo trabalho. – ele elogia e Serena cora, instantaneamente.
– Você também. – ela diz, um tanto envergonhada – Um dos melhores Stanleys que já vi até hoje.
– Valeu. – Wade abre um sorriso para ela e depois olha para mim – Será que a gente podia conversar um pouco?
A pergunta me surpreende pois, desde a festa na praia, Wade tem me evitado e se recusado a falar comigo e cheguei a pensar que ele nunca mais me dirigia a palavra, mas fico feliz por ele finalmente estar querendo conversar e acho que já está mais que na hora de nós dois resolvemos nossas diferenças.
– Claro. – assinto.
– Eu vou para a biblioteca. Te espero lá quando o seu ensaio terminar. – Serena diz e, depois de dar um breve abraço em Wade, pega suas coisas e sai do auditório.
Eu e Wade saímos logo atrás dela e eu não posso deixar de notar o olhar de desagrado que Blake nos lança, mas tento ignorá-lo e acompanho Wade até o jardim que cerca o campus de artes.
– Então – ele começa mantendo as mãos nos bolsos de sua calça jeans e sem olhar para mim –, eu queria te pedir desculpas por ter te ignorado nas ultimas semanas. Não foi uma atitude muito legal da minha parte.
– Não foi mesmo. – concordo – Mas eu até entendo. Você estava com raiva.
– É. – ele acena levemente com a cabeça – Desculpa, é que... eu odeio quando metem para mim. Principalmente quando é alguém de quem eu gosto e eu não estou falando no sentido platônico da palavra, só quero dizer que... bem... eu não gosto quando um amigo mente para mim.
– Entendo, mas não era algo que eu achasse que devia ou que pudesse contar...
– Eu sei. – Wade me interrompe – Eu sei. Eu percebo isso agora. Você mal me conhecia, então porque você iria me contar algo assim, né? Nem faz sentido.
– Realmente.
– É por isso que eu quero te pedir desculpas. Eu conversei com a Serena e ela me fez perceber o quanto eu estava sendo um idiota com vocês, então... eu realmente sinto muito, Liss.
Olho para ele, que agora está me encarando com uma expressão constrangida que não combina muito com sua aparência de bad boy desleixado e não posso impedir que um sorriso se forme em meu rosto.
– É claro que eu te desculpo, Wade. – reviro os olhos e o abraço – Só não faça mais isso.
– Prometo. – Wade sorri – Mas... então... você e o Blake? – ele ergue uma sobrancelha e eu rio.
– Pois é. Eu e o Blake. – coloco as mãos nos bolsos de minha calça, assim como Wade, e recomeço a andar pelo jardim – Foi uma coincidência miserável, sabe? Eu o conheci na festa de boas vindas que as meninas fizeram para mim. A mesma onde eu te conheci. – recordo – A gente acabou ficando e eu não fazia ideia de que ele era meu professor, assim como ele não fazia ideia de que eu era sua aluna e quando nos encontramos no primeiro dia de aula foi... constrangedor. – faço careta e Wade ri.
– Posso imaginar a cena.
– É. Foi bem ruim. A gente até conversou depois disso, decidimos que iríamos esquecer o assunto, enterrar a história, mas...
– Não conseguiram ficar longe um do outro. – ele completa e eu apenas confirmo com um aceno de cabeça – Ás vezes o amor acontece de maneiras inesperadas, né?
– Você nem sabe o quanto.
– Na verdade, eu sei. – ele olha para mim e sorri – Nunca aconteceu comigo, claro, mas aconteceu com os meus pais.
– Sério? – pergunto interessada – Qual a história deles?
– Bem, eles são médicos. – Wade começa – Meu pai é dez anos mais velho que a minha mãe e ele trabalhava em um hospital de Los Angeles quando a conheceu. Na época minha mãe fazia residência e o meu pai se apaixonou por ela assim que a viu. Ou pelo menos é isso que ele diz. – Wade acrescenta divertido e, assim como ele, eu abro um sorriso.
– Parece um bela história de amor.
– É. – ele assente – A questão é que o meu pai era o supervisor da minha mãe, logo, eles não podiam ter qualquer tipo relacionamento. Meu pai poderia perder o emprego se tivesse qualquer envolvimento com ela e a minha mãe poderia receber um advertência ou sei lá o que. Foi algo bem complicado.
– E como eles resolveram isso?
– Meu pai deixou de lado os quase seis anos de serviços prestados ao hospital onde trabalhava e pediu transferência para outro hospital, mais longe de casa e com uma jornada de trabalho mais pesada também, mas ele diz que valeu a pena. – Wade dá de ombros – Minha mãe terminou a residência, eles se casaram, abriram o próprio consultório e aí eu nasci.
– Realmente é uma bela história de amor. – digo, um tanto emocionada – Você deve ter muito orgulho de ser filho de um casal que se ama de verdade.
– Sim. Eu tenho. Eles são pais maravilhosos e eu cresci cercado de amor e respeito. Acho que isso é tudo que uma criança poderia pedir. – Wade comenta – Esse ano meus pais farão 25 anos de casados e eles não poderiam estar mais felizes. Talvez seja assim com você e o Blake.
As palavras dele me deixam envergonhada e eu sinto minhas bochechas corarem.
– Bem, quem sabe, né? – dou de ombros.
– Você gosta dele? – Wade pergunta – Da mesma forma que ele gosta de você?
– Como assim da mesma forma que ele gosta de mim? – questiono, sem entender – Você conversou com ele.
– Há alguma semanas. – Wade admite – Depois daquela aula onde ele quis me expulsar da sala, lembra? Eu fui falar com ele porque achava que ele só queria... me desculpe as palavras, te comer.
– Wade!
– Eu sei. Eu sei. Pensamento e palavras terríveis, mas eu realmente pensava isso. Achei que ele fosse aquele tipo de professor que só quer mesmo ir para cama com as alunas universitárias e eu não queria que ele magoasse você.
– Você disse isso para ele?
– Disse. Quase ganhei uma surra e... de verdade, o Blake me jogou contra a parede do auditório com tanta força que deixou uma mancha roxa nas minhas costas. – Wade confessa rindo – Não sei o que você sente por ele, Alyssa, mas ele realmente gosta de você. Eu consigo perceber isso agora. Pode ter começado como uma ficada numa festa, mas não é mais assim que ele te vê. Já deixou de ser só atração.
Não sei se sorrio ou se choro ao ouvir as palavras de Wade, mas a verdade é que as palavras dele me alegram e me emocionam. Para mim, o meu caso com Blake também já deixou de ser só atração há muito tempo e eu nunca duvidei que os sentimentos dele por mim fossem verdadeiros, mas é bom ouvir a opinião de alguém que está observando tudo de fora.
– Eu gosto dele. – respondo – Da mesma forma que ele gosta de mim, eu acho.
– Nesse caso, fico feliz por vocês. – Wade sorri – E, caso reste alguma dúvida, eu não vou contar sobre vocês dois para ninguém.
– Eu acredito.
– Tá. Então... eu vou indo nessa.
– Tudo bem. Eu também vou. O ensaio da professor Twigger deve estar começando.
– Okay. A gente se vê por aí, então. – Wade se aproxima e me á um abraço constrangido, ao qual retribuo da mesma maneira e, então, ele vai embora.
Ainda fico no jardim por uns dois ou três minutos, olhando para a grama verde sob os meus pés e pensando em toda a nossa conversa que tivemos. Descobri que Wade é um bom amigo e que é confiável e, finalmente, descobri o motivo pelo qual Blake ficou tão incomodado quando falei sobre ele no último jantar que tivemos.
As coisas estavam melhorando e, em breve, eu conheceria os pais de Blake e ele conheceria os meus. Talvez a nossa história terminasse como a dos pais de Wade, talvez não, mas por ora eu estava feliz. E também estava uns cinco minutos atrasada para o meu ensaio... Então, ainda sorrindo, me dirigi para o auditório.
Eu tinha um piano para tocar.
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