Notas iniciais
Olá, sentiram minha falta? Sim? Não? Talvez? rsrs Bem, aqui estou eu com mais um capítulo para vocês. Como demorei eras para presenteá-los com um novo capítulo, vou deixar o falatório de lado e vou deixá-los ler em paz. Espero que gostem. Beijos e boa leitura.

“Não adianta discutir com o inevitável. O único argumento disponível contra o vento de leste é vestir o sobretudo.” – James Lowell.

[Alyssa]

Mal consigo erguer os olhos da bandeja a minha frente enquanto ouço Serena contar as últimas novidades de nossa aula de Musicalidade e Interpretação para Melody, que está tão elétrica sobre sua cadeira que até me surpreende que ela ainda não tenha se desequilibrado e despencado dela.

– Então... – Melody pergunta assim que Serena termina de narrar os últimos acontecimentos – Quer dizer que o cara gostosão com quem você quase foi para cama ontem é seu professor?

Assinto e ela solta uma risada animada.

– Bem, pelo menos nessa disciplina você pode ter certeza de que vai tirar um A, não é?

Serena cai na gargalhada juntamente com Melody e eu fecho a cara para as duas.

– Isso não é engraçado! – digo soltando os talheres, com raiva, em cima de meu almoço quase intocado – Será que vocês duas podem parar de rir?!

– Calma, Liss. Nós só estamos tentando aliviar um pouco dessa tensão. – Serena se vira para mim – Existem situações das quais você precisa rir para não chorar, sabia?

Respiro fundo, tentando recuperar a calma e assinto, afinal, elas têm razão.

– Me diz. – Melody começa levantando-se da cadeira ao lado de Serena e sentando-se na cadeira ao meu lado para me deixar exatamente no meio delas – Em uma escala de 0 a 10, o quão irritada você está?

Olho para ela e reflito um pouco.

– Nesse momento? Um terrível dez. Se serena me deixar sozinha com o Blake de novo, vamos precisar de uma escala maior. – respondo lançando um olhar mortal para Serena, que ergue as mãos na defensiva.

– Olha, eu não tive culpa, ok? Eu não ia simplesmente dizer ao nosso novo professor que não ia deixá-lo conversar com você a sós. – ela sorri – Isso seria meio que um suicídio acadêmico e eu me orgulho muito das minhas médias altas para correr o risco de reprovar nessa disciplina porque você quase foi para a cama com o professor.

Faço sinal para que ela se cale e olho ao redor com receio de que alguém possa ter escutado aquilo, mas quando vejo que ninguém está olhando para nós, me volto para Serena novamente.

– Só para deixar bem claro – digo abaixando o tom de voz e alternando o olhar entre ela e Melody –, foram vocês quem escolheram o Blake para aquela droga de desafio.

– E só para deixar bem claro – Melody diz com um grande sorriso –, foi você quem decidiu esquentar as coisas e ir para o apartamento dele.

Ela e Serena trocam um cumprimento vitorioso e tudo o que eu posso fazer é abaixar a cabeça porque, mais uma vez, elas têm razão.

– Hey, Liss. Não fique assim. – Serena passa os braços ao meu redor – Isso não é o fim do mundo, ok? Vocês nem transaram de verdade e, além do mais, você só vai precisar vê-lo duas vezes por semana.

– E apenas uma hora por dia. – Melody completa me abraçando também – Não é tão ruim.

Contento-me em assentir, pois eu não tenho certeza se sobreviveria à duas horas semanais de Blake por todo um semestre. Céus! Eu nem sequer tinha certeza de que sobreviveria à próxima aula!

– Sabe o que seria bom para te ajudar a esquecer tudo isso? – Melody interrompe meus pensamentos e eu olho para ela, questionando – Uma boa festa. – ela responde animada.

– Uma festa? Sério? – solto uma risada sarcástica – Não quero questionar os seus métodos, mas... eu ainda estou sofrendo as consequências da última festa que você inventou.

– Dessa vez será diferente. Nada de garotos! – ela estipula – Seremos apenas nós, você e a boa e velha cerveja. O que acha?

– Eu posso recusar? – pergunto já sabendo a resposta.

– Não. – Melody e Serena respondem em uníssono.

– Então, que Deus me ajude. – digo pegando meus talheres de volta e recomeçando a comer.

No restante de minhas aulas eu me sinto mais tranquila e quase consigo esquecer o episódio lamentável da aula de Musicalidade e Interpretação enquanto corro, para lá e para cá, pelo campus, tentando desvendar o meu espelho de matrícula.

Às três da tarde, sigo para o estacionamento, onde Melody e Serena já estão me esperando e, então, nós nos apertamos no carro para voltar para casa, enquanto Melody nos passa uma ficha completa de cada um de seus professores.

– Olha, eu só tenho uma coisa a dizer: meu professor de Gestão de Processos é um porre. – ela conclui, jogando-se sobre o sofá, assim que chegamos em casa.

– Jura? Tente quase ter ido para a cama com ele e, aí sim, você vai ver o que é um porre. – desabafo, jogando-me no sofá ao lado dela para tirar meus tênis.

Melody faz uma careta.

– O Blake pode até ser um tesãozinho, mas o Sr. Caldwell não é exatamente o tipo de pessoa com quem eu iria querer ir para cama, sabe?

Eu e Serena rimos e Melody joga sua mochila sobre o meu colo.

– Eu vou tirar um cochilo. – ela diz colocando-se de pé – E não me interessa se estarão cansadas ou não, quero as duas prontas para sair às oito.

– E eu posso saber onde é que nós vamos? – me atrevo a perguntar.

Um brilho travesso invade os grandes olhos castanhos de Serena ao mesmo tempo em que um largo sorriso, igualmente travesso, toma conta dos lábios de Melody.

– Liss, minha querida. – ela diz com seu sorriso de Gato da Alice – Essa noite nós vamos ao West!

Eu não fazia a menor ideia do que era esse tal West, mas pelas expressões nos rostos de Melody e Serena eu soube, logo de cara, que não se tratava de um lugar onde eu pudesse levar meus pais caso eles resolvessem ir a San Diego me fazer uma visita.

– Tudo bem. Então, às oito eu estarei pronta para ir ao West. – concordo sem ter outra opção.

– Esse é o espírito, garota! – Melody faz uma dancinha e segue para seu quarto cantarolando alguma música eletrônica que eu desconheço.

Como já era esperado, às oito horas eu Serena já estamos arrumadas e prontas para sair, enquanto Melody ainda está no quarto, enrolada com o cabelo e a maquiagem. Desde criança ela tinha essa mania de estipular horários que ela nunca conseguia seguir, então nós nem nos surpreendemos.

Quando Melody, finalmente, termina de se arrumar, nós seguimos de táxi até a 959 da Hornblend Street, para que não precisemos dirigir depois de beber tanto quanto Melody espera que nós bebamos naquela noite.

Diferente do que eu imaginei encontrar ali em uma segunda-feira, o Bar West – que, na verdade, é muito mais bonito do que eu pensei que fosse – está lotado, em sua grande maioria, por universitários.

Enquanto me dirijo ao interior do West, tentando não perder Melody e Serena de vista, aproveito para observar o local.

O West possui dois andares. O térreo é resevado para o bar e possui diversas mesinhas redondas de cor preta, dispostas de frente para um balcão luxuoso, feito de mármore negro e vidro, onde uma dúzia de barman’s bem vestidos preparam drinques de cores vibrantes. Logo atrás dos barman’s há uma bela prateleira de mogno e vidro, onde uma infinidade de bebidas está exposta e, logo acima deles, pairam cinco luminárias enfeitadas com desenhos de tribais vermelhas.

Nos cantos direito e esquerdo do bar, cercados por cortinas de um tecido branco e fino, há dois grandes sofás verdes que, praticamente, tomam conta de toda a parede, que é ornamentada por um belo papel de parede com desenho de rosas negras e iluminado por dois belos abajures negros. E, em frente a cada um desses sofás, há duas mesinhas de vidro com um balde de inox cheio de gelo e garrafas de champanhe, cercados por algumas taças de vidro.

– Gostou? – Melody pergunta e eu assinto, ainda encantada com a decoração – O bar é realmente lindo, mas é lá em cima que a diversão acontece.

Ela aponta para uma escada negra, de aço, no fundo do bar e eu posso ver um pouco do jogo de luz da boate lá em cima refletindo nos degraus da escada.

O ambiente no segundo andar, embora fosse mal iluminado – por se tratar de uma boate – era tão encantador quanto no térreo e estava muito mais cheio.

Ele também possuía um belo balcão de mármore e vidro e mesinhas redondas, além de um sofá verde, cercado pelas cortinas brancas e finas. Mas diferente do bar, ali tudo tinha dimensões menores para que sobrasse espaço suficiente para a grande pista de dança que havia no centro, logo em frente a uma espécie de sacada, onde um DJ mixava as músicas.

Outra coisa interessante era que, logo abaixo dessa sacada, havia um pequeno palco com uma barra fixa de Pole Dance e, logo atrás dessa barra havia um telão, onde desenhos abstratos eram exibidos.

– Meu Deus! – exclamo aumentando o tom de voz para me fazer ouvir em meio ao barulho da música e dos corpos que se balançavam – Isso aqui é uma loucura

– Espere até a Melody ficar bêbada o suficiente para arriscar umas coreografias no Pole Dance e, aí, você verá o que é uma loucura. – Serena diz sorrindo

– Você só diz isso porque sente inveja. – Melody retruca dando risada também – Todo mundo sabe que eu arraso no Pole Dance.

Eu e Serena caímos na gargalhada e Melody nos segura pela mão, puxando-nos em direção ao balcão no fundo da boate.

– Venham, comigo. Nós precisamos de bebidas! – ela grita animada.

Nos sentamos nos bancos de aço polido em frente ao balcão e logo um dos barman’s vem nos atender.

Ele é alto, tem olhos cor de mel e um corpo atlético que é visível até mesmo por baixo da camisa social branca, cujas mangas estão dobradas até a altura de seu cotovelo, revelando tatuagens em seus antebraços. Seu cabelo é claro, provavelmente de um tom loiro acobreado, mas eu não posso dizer com certeza, pois ele o mantém bem curto, quase raspado.

– Boa noite, garotas. – ele nos cumprimenta encostando-se ao balcão de um jeito charmoso, que apenas um barman especializado em seduzir suas clientes conseguiria fazer.

– Wade? – Melody diz apoiando os cotovelos em cima do balcão e entrelaçando as mãos – Achei que você não trabalhasse nas segundas-feiras.

– E eu não trabalho. Só estou cobrindo o horário do JD.

– E onde está o JD? – Serena questiona sorridente – Não me diga que ele ainda está de ressaca.

– Não. Ele me ligou mais cedo e disse que acha que comeu alguma coisa estragada. Então, eu não perguntei os detalhes, mas acho vocês já podem imaginar.

– Eca! – Serena exclama fazendo careta.

O barman sorri e não demora muito para que eu o reconheça.

Era o mesmo cara que estava na casa de Melody na noite anterior quando voltei do apartamento de Blake. O mesmo cara que estava sentado no sofá e que nos cumprimentou com uma garrafa de cerveja.

– E então, o que vão beber essa noite? – ele pergunta fixando o olhar em nós, uma de cada de vez.

– Dois Dogmen’s Revenge¹ para as minhas amigas e um Blue Lagoon² para mim. – Melody responde dando uma piscadela para o barman.

– Bela pedida. – ele diz pegando três taças e virando-se para pegar as bebidas com as quais montará nossos drinques.

Menos de cinco minutos depois, dois belos drinques vermelhos ornamentados com uma fatia de pêssego e uma framboesa e um drinque azul ornamentado com uma rodela de laranja, são colocados diante de nós e eu logo me apresso em provar o meu.

– Espero que você não tenha exagerado no álcool, Wade. A minha amiga aqui – Melody aponta para mim – costuma agarrar os barman’s quando fica muito bêbada.

Quase me engasgo com o líquido vermelho quando ouço isso, mas me forço a engolir e depois me viro para Melody, chocada.

– Mell! – exclamo, corando de vergonha logo em seguida.

– O que foi? – ela se finge de desentendida – Você nunca me disse que era para guardar segredo sobre isso.

Olho para ela, boquiaberta com aquela grande mentira e Melody abre um sorrisinho.

– Eu preciso dançar. – ela diz enquanto pega seu drinque do balcão e dá um tapinha no braço de Serena – Vem comigo, amiga?

Serena a encara com uma expressão confusa durante alguns milésimos de segundos, provavelmente se perguntando, assim como eu, porque Melody inventaria uma mentira como aquela, mas assim que Melody – nem tão disfarçadamente quanto deveria – pisca para ela, seu rosto se enche de compreensão e ela se coloca de pé.

– Ah! Claro! – Serena responde sorrindo – Eu também preciso muito dançar.

Ela dá um beijinho em meu rosto, antes de pegar seu próprio drinque e seguir para a pista de dança com Melody e, ainda sem acreditar no que acabo de presenciar, eu observo as duas sumirem no meio da multidão.

Quase solto um palavrão enquanto imagino as mais diversas e dolorosas formas de matar aquelas duas e, quando me volto para Wade, encontro-o me observando com certa atenção.

– O que a Melody disse é mentira, ok? – me apresso em explicar antes que ele comece a imaginar coisas – Eu nunca agarrei um barman em toda a minha vida.

– Para tudo existe uma primeira vez. – ele sorri e só naquele momento eu noto que ele tem covinhas – Qual é o seu nome?

– Alyssa. – respondo de maneira tímida – E o seu?

– Wade. – ele me estende a mão – Wade Faris.

Aperto a mão dele, um tanto sem jeito, e depois tomo alguns goles pequenos do meu drinque, sentindo que posso me engasgar de novo por causa da forma como Wade está me encarando.

– Gostei da roupa. – ele diz depois de um breve momento e eu olho para baixo, me analisando.

Estou usando uma camiseta baby look branca, com uma pequena jaqueta de couro preta por cima, short jeans curto e uma sandália gladiadora preta de salto alto. Nada especial comparado aos vestidos glamorosos e perigosamente apertados que a maior parte das garotas naquela boate estão usando, então fico feliz que ele tenha reparado em minha roupa e, ainda por cima, gostado dela.

– Obrigada. – agradeço exibindo o meu melhor sorriso.

– De nada e, cá entre nós, acho que esse tipo de roupa combina mais com você que o vestido que estava usando ontem. Mas admito: o fato de ele estar com metade do zíper aberto foi algo bem sexy. – ele sorri e eu escondo o rosto entre as mãos, envergonhada.

– Ai meu Deus! – exclamo sentindo o rosto corar novamente – Você se lembra?!

– Bem – ele dá de ombros –, cenas como aquela a gente não esquece facilmente.

Ergo a cabeça e, mais uma vez, encontro o olhar penetrante de Wade sobre mim. Eu costumava ficar vermelha com facilidade e, depois de passar por tantos momentos embaraçosos, tenho certeza que eu estava parecendo um pimentão, o que só me fez ficar ainda mais vermelha.

Para a minha salvação um dos barman’s acena para Wade, pedindo ajuda para fazer alguns drinques para um grupo de amigos que tinham acabado de sair da pista de dança.

– Eu preciso ir. – ele diz, indicando o outro lado do balcão com um aceno de cabeça.

– Tudo bem. Acho que eu vou procurar as minhas amigas para me assegurar de que elas não farão nenhuma besteira. – digo, também indicando a pista de dança com um aceno de cabeça.

– Beleza. – ele sorri, revelando suas covinhas mais uma vez – A gente se vê por aí, Alyssa.

– Com certeza. – aponto para o drinque vermelho em minha mão – Vou precisar de mais alguns desses até o fim da noite.

– É só pedir! – ele exclama e pisca para mim de uma maneira tão sexy, que eu quase tropeço em meus próprios pés enquanto tento me levantar do banco para ir atrás de Melody e Serena.

Assim que estou longe do balcão, eu me concentro em procurar por Melody e Serena em meio aquela multidão de corpos que se remexem ao som das músicas eletrônicas na pista de dança e, quando eu finalmente as encontro, sigo até elas pisando duro.

– Suas vacas miseráveis! – digo assim que me aproximo – Como é que vocês podem fazer uma coisa dessas comigo? Achei que nós éramos amigas!

– E nós somos. – Melody diz com um sorriso divertido – Tanto que te demos um momento para conhecer o Wade melhor.

– E olha que eu e a Mell estamos de olho naquele gatinho do Wade há um tempão. – Serena completa,

Abro a boca para retrucar, mas Melody ergue uma das mãos me silenciando

– Eu sei. – ela diz em um tom falsamente condescendente – Não precisa nos agradecer.

Olho para ela e para Serena, indignada.

– Ora, suas... suas... – procuro um termo apropriado para descrever a situação, mas não encontro. Então uso a primeira palavra ridícula e, diga-se de passagem, inexistente que me vem à cabeça – Suas demônias!

– Ah, fique calma, Liss! – Serena dá um tapinha em meu ombro – Nós só te demos a oportunidade de conversar com o cara. Não é como vocês fossem para a cama ou algo assim. – ela para e olha para mim com uma expressão travessa – Se bem que da última vez...

Melody cai na gargalhada e Serena a acompanha, forçando-me a dar um tapa em cada um para que parem de rir.

– E o que aconteceu com toda aquela história de “nada de garotos” da qual vocês me falaram, hein? – questiono assim que a crise de riso das duas acaba.

– Se eu bem me lembro – Melody se oferece para responder erguendo o dedo indicador –, eu também disse que essa noite seríamos apenas nós e as cervejas, mas o seu Dogmen’s Revenge não contém uma única gota de cevada.

Reviro os olhos e dou um leve tapa na testa dela.

– Eu não sei por que ainda tento discutir com vocês. – digo, tomando outro gole de meu drinque sem cevada.

– Eu também não sei. – Melody coloca a mão na cintura, convencida.

Abro um sorriso porque é simplesmente impossível ficar com raiva daquelas duas e me deixo envolver pelas batidas ritmadas da música que está tocando no momento.

– E então? – Serena indaga, balançando-se para lá e para cá ao som da música – O que você achou do Wade?

– Ah, ele é bonito. – respondo dando de ombros.

– Bonito?! – Serena exclama arregalando os olhos para mim – Bonito era o Leonardo DiCaprio quando fez Titanic. O Wade é um gato!

– Um gato, não. Um super gato! – Melody corrige – Agora admita que ele te deixou sem fôlego.

– Ok . – ergo as palmas das mãos me dando por vencida – Ele é um super gato, é super sexy também e me parece um cara legal, mas isso não quer dizer nada.

– Isso quer dizer tudo! – Serena se pronuncia – Que outros caras gatos, sexys e legais você conhece?

A resposta nos vem quase imediatamente.

– O Blake. – respondemos juntas e soltamos risadinhas eufóricas depois.

– Mas ele é meu professor. – completo rapidamente – E isso faz dele um gato sexy, legal e totalmente proibido.

– Então, concentre-se no gato sexy, legal e totalmente disponível que está bem ali. – Melody diz, virando-me em direção ao balcão, onde Wade está terminando de preparar um drinque para uma garota que, visivelmente, está tentando flertar com ele.

Observo a cena por um instante, enquanto imagino como seria se eu estivesse no lugar daquela garota. Wade, de fato, é um cara muito atraente e me pareceu ser uma pessoa legal durante o tempo em que conversamos, mas ainda assim, eu não tenho certeza se flertar com ele é uma boa ideia.

– Eu não sei se isso daria certo. – digo receosa e me volto para Melody em seguida – E se ele me der um fora?

– Ele não vai fazer isso. – Serena responde animada – Você não viu o jeito que ele estava olhando para você?

– Não. – respondo rapidamente.

– Mentirosa! – Melody dá um tapa em meu traseiro e me vira novamente para o balcão – Agora pare de se fazer de boba e vá conquistar aquele homem!

Olho para trás, apreensiva, e ela me dá um empurrãozinho, enquanto Serena acena com as mãos, mandando-me seguir em frente.

– Eu juro que, um dia, ainda mato vocês. – digo antes de entornar o restante de meu Dogmen’s Revenge e seguir para o balcão, onde me sento e lanço o sorriso mais sedutor que consigo para Wade.

Ele retribui ao meu sorriso e, depois de terminar de preparar o drinque de mais um cliente, se dirige até mim.

– O que vai ser dessa vez? – ele pergunta de maneira gentil, apontando para a minha taça.

– Estou meio em dúvida. – digo debruçando-me sobre o balcão para ficar mais próxima dele – Talvez você possa me ajudar a escolher.

Nesse momento, eu começo a achar que, ao invés de Música, eu deveria cursar Teatro, pois, por dentro, eu me sentia insegura e receosa, mas, por fora, eu era como Marilyn Monroe.

– Bem – Wade diz inclinando-se para mais perto de mim também –, acho que um Hot Smith³ cairia bem agora.

Abro, mais uma vez, o meu sorriso sedutor e cruzo as pernas.

– Então, que seja um Hot Smith. – digo, dando uma piscadela para ele, assim como Melody havia feito.

Wade sorri e recolhe minha taça vazia, juntando-a com as outras taças sujas e depois pega um copo pequeno e cilíndrico e começa a preparar meu novo drinque.

Permaneço com meus olhos grudados nele, encarando-o de forma penetrante e sorrindo durante momentos ocasionais e mal reparo no homem que acabou de se sentar a dois bancos de distância do meu, até que o ouço pedir um Red Bubble a um dos barman’s e sinto meus ossos congelarem.

Me viro e me deparo com Blake, que está ainda menos parecido com um professor enquanto veste uma calça jeans escura e uma camiseta vermelha e calça um par de Vans.

Claro.

Dentre todos os bares e boates existentes em San Diego, Blake tinha que escolher justamente o West para frequentar naquela noite!

Notas finais
Notas Explicativas: 1) Dogmen's Revenge: é um drinque preparado com Jägermeister (um licor proveniente da Alemanha), Licor de Pêssego, suco de framboesa e gelo. 2) Blue Lagoon: é um drinque preparado com Vodka, Limonada, Curaçau Blue (um licor feito de laranjas provenientes da ilha de Curaçao, no Caribe) e Soda. Seu nome é uma homenagem ao filme A Lagoa Azul. 3) Hot Smith: é um drinque preparado com Absolut Peppar (pode-se substituir, por Vodka e algumas gotas de molho de pimenta de tabasco), suco de morango e morangos. 4) Red Bubble: é um drinque preparado com Vinho Espumante Rose, Groselha e limão. *** Bem, eu espero que você tenham gostado desse capítulo e espero receber reviews enoooormes, cheios de detalhes sobre o que acharam dos personagens e de suas atitudes nesse capítulo, afinal, eu adoro a opinião de vocês. Então mãos à obra! Vejo vocês no próximo capítulo, que vai demorar um pouco para ficar pronto pois, como já disse antes, com as milhões de coisas que tenho para fazer ultimamente, eu não tenho tido muito tempo livre para escrever. Bem, é isso. Beijos e mais beijos!