O Mensageiro

1 "Prelúdio #1" - "O Bravo Carroceiro"


Notas iniciais
Este é o prelúdio da aventura, o começo antes do começo, entendem? (risos). Espero que gostem desse trechinho, não tem muito haver e nem é muito esclarecedor mas acho que é importante de se por aqui. Espero que gostem, boa leitura.

Entre as florestas depressivas, uma carroça corre em contraponto da chuva forte. O som da água batendo forte na madeira velha ecoa floresta adentro, dando calafrios no jovem carroceiro encapuzado em verde, que se contorcia por dentro em resposta ao frio agonizante daquela noite. Com suas velhas luvas, o carroceiro guia os cavalos, sacudindo cordas amarradas a eles, com botas pretas e apertadas ele batia o pé numa madeira solta, feita para apoia-los. Cavalos rápidos e tristonhos, defendidos contra a chuva com suas armaduras de bronze, seguem estrada a fora com a mesma expressão do carroceiro, seus rostos cansados e sem ação, apenas a melancolia em seu coração. Viajando a dias cabisbaixos, em linha reta pelo trajeto floresta adentro até a cidade central. O limo excessivo demonstrava a antiguidade e rigidez da floresta, sem um tronco no chão, uma folha no solo, sem sinais da civilização por ali, sem nenhum vestígio animal, sem nada mais do que as árvores, todas iguais, retilíneas e uniformes, todas encarando o carroceiro, e o carroceiro as encarando. Os trovões batiam forte no chão, a carroça estremecia, mas o carroceiro não demonstrava preocupação com aquela chuva demoníaca, ele e seus cavalos conheciam aquele labirinto natural como ninguém e já enfrentaram aquela mesma tempestade, várias e várias vezes. A expressão sem vida do carroceiro refletia na bagagem que levava na carroça velha, o corpo de um guerreiro idoso, que á muito tempo fora caçado por atos nobres ao público, atos que incomodaram a nata da sociedade medieval. O velho guerreiro levava sua espada abraçada no peito, com os dois braços aconchegando-a, como símbolo da grande amizade que os dois tiveram por um longo tempo, tempos de glória para seu povo pobre, dos tempos que caminhava de Norte a Sul, procurando aventuras para livrar-se da monotonia. Aquele povo teria perdido alguém querido, alguém importante para eles. Ainda vestindo sua armadura saliente, dos pés até o busto, sem o capacete, o guerreiro parecia satisfeito, com uma expressão séria, porém aliviada, seu rosto com três cicatrizes grandes e feias redesenhavam sua anatomia, um rosto tão bem delineado, como o de um nobre daquela época, com cabelos loiros, grisalhos e lisos. Mas não, ele só era mais um caçador de recompensas vindo das terras periféricas dali, agora tendo essa imagem expressada em seu rosto em forma de cicatrizes. O corpo agora molhado pela robusta chuva que o banhava, o guerreiro é levado para a cidade central, cujo será sentenciado pelos Sacerdotes Centrais, os únicos que podem julgar alguém ou algo oficialmente, sábios ancestrais cujo tem conhecimentos duvidosos sobre muitos assuntos, inclusive sobre a própria religião. Depois de tanto adentrar na floresta sem fim, finalmente uma muralha pode ser vista ao longe, destacando-se no meio das árvores uniformemente espalhadas por ali. Os cavalos param no centro do grande portão de madeira que dava entrada a fortaleza do Centro. Do alto da torre da direita ouve-se o grito de um soldado templário, com a voz um pouco sonolenta–

–O que faz por aqui, carroceiro verde? Não tens medo de entrar em plena tempestade neste cemitério em forma de floresta? Sabe quantos já se perderam nela ao decorrer dos tempos? Imagina se perde esse importantíssimo carregamento? Com certeza o Guardião do Templo iria querer tua jovem cabeça num domo de prata– Zomba o templário ainda bocejando

–Só abra a porta, ó templário questionador. Se o Guardião do Templo desta cidade almeja tanto o corpo deste guerreiro em plena saúde, será um prazer ver a reação dele ao ser notificado que, um de seus templários, fez com que este guerreiro pegasse pneumonia e morresse na porta de sua rica cidade. –Diz o pequeno carroceiro com firmeza.

Emburrado por não ter resposta, o guarda abre os grandes portões, girando uma manivela pesada e enferrujada. O carroceiro chicoteia os cavalos passando portão adentro com um sorriso de canto, pela bela resposta dada ao templário, enquanto o mesmo mostra a língua de recanto enquanto fecha o portão girando a manivela no sentido contrário, xingando o carroceiro baixinho, acabando de fechar o portão, bate a janela da torre que abriu para saudar o carroceiro e volta a sentar em seu banco de madeira para cochilar ao som da chuva.

Da lama para a pedra polida, agora os cavalos pisam em solo nobre, onde somente religiosos pisavam, onde nenhum homem com roupas contrárias a branco e preto entrariam. Mesmo com a proibição de sua entrada, o carroceiro visitava aquela cidade sempre, teria amigos e uma família ali dentro, mas deixemos as estas explicações para mais tarde, o que importa agora é que a atmosfera daquela cidade estava diferente, parecia que nunca tivera pisado naquele solo, parecia a primeira vez que passara aquele portão.

–O que diabos acontecera a esta cidade, meu Senhor? – Se pergunta em voz baixa o carroceiro trêmulo, quase recuando com os cavalos a floresta.

Consegue sentir que algo ruim está para acontecer novamente, consegue sentir aquela mesma sensação de quando fora preso naquela masmorra, de quando retiraram tudo de sua pessoa, de quando perdeu a confiança em sua própria mente, de quando retiraram a luz de suas entranhas.

Notas finais
Gostaria que deixasse um comentário sobre o capítulo, para saber o que está achando sobre a história, dúvidas e também opiniões são bem-vindas nos comentários. Obrigado por ler, sou grato pelo seu apoio e até o próximo episódio.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.