O Menino Que Não Teve Escolhas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
E mais uma vez eu me encontrava encarando meu próprio reflexo no espelho do banheiro da Murta. O que eu estava fazendo da minha vida? Como tudo desmoronou de um momento para outro? Meu reflexo me mostrava uma imagem que não se encaixa a Draco Malfoy, pelo menos o que todo mundo pensa e sabe de Draco Malfoy. O desespero devagar tomava conta da minha mente, eu estava a ponto de me sufocar só olhando debruçado sobre a pia para aquele reflexo. Em uma tentativa inútil de tirar aquela angustia, eu tirei a gravata, só para ter uma certeza que no meu subconsciente eu já tinha, aquela angustia, aquele medo, não era pelo aperto da gravata, era dentro de mim. Quem eu queria enganar ?
Olho no olho comigo mesmo. Cada vez mais parecia um animal desesperado. O cabelo bagunçado, a postura curvada, os braços fazendo força para baixo, as mãos apertando tão forte a pia que minhas veias apareciam e os olhos, irreconhecíveis. A pupila dilatada mostrava, eu estava beirando a insanidade e como um toque, para poder provar que eu estava a beira dela, reflexos e memórias de tudo de ruim vieram a minha mente.
Minha marca, a marca Dele, minha missão, aquela que se fosse bem sucedida, eu me tornaria o general de guerra do Lord Voldemort, caso fracassasse ganharia a morte de presente, a morte daquela que eu mais amo, a única pessoa que eu amo, minha mãe.
Comensal da Morte.
Como pude ?
E com um pequeno momento de lucidez, minha imagem no reflexo voltou a minha frente.
Olho no olho comigo mesmo.
Olhos aqueles que antes eram esnobes e frios, hoje demonstrava uma incrível angustia, uma tempestade de angustia. Olhos aqueles que mostrava não só uma tempestade de angustia, como mostrava os pingos fortes da chuva da tempestade em lágrimas nos olhos.
Então, o desespero veio a mim.
SOCORRO!
Porque ninguém me escuta? Porque ninguém é capaz de me ouvir?
SOCORRO, SOCORRO, SOCORRO.
E a tempestade bradava dentro de mim, os gritos só na minha mente, mas a tormenta, na parte mais profunda da minha alma.
E então, como um ato inútil de alívio, eu gritei, um alto e pouco aliviador berro de desespero.
Nada, não senti mais nada com aquele ato de tentar me controlar.
BUM!
O que houve a seguir, nem eu mesmo sei. Só sei que tinha nome. Potter. E uma chuva de feitiços começou, um outro jeito de talvez aliviar.
Que engano.
Eu já não era aquele garotinho que se importava em brigar com o Santo Potter. E com um ato de descuido, fui atingido.
Vermelho.
Gelo.
Negro.
Vermelho era cor que jorrava do meu corpo, gelo era a cor da tempestade em meu olhar, negro e vazio era o que eu sentia por dentro. Talvez assim eu encontre o verdadeiro alívio. A morte nunca veio tanto a calhar como agora, naquele momento. E tudo ficou escuro.
~Um ano depois~
O vento cortante batia em minha pele, minha mão segurando o meu verdadeiro motivo de viver. Minha mãe salva ao meu lado. Meu andar quase desenfreado, desesperado por estar deixando uma guerra para trás. E eu sentia, o olhar de todos eles, todos vendo a ''Grande família Malfoy'', abandonar a Guerra, abandonar a Lord Voldemort. O olhar de todos cortante, enquanto um novo episódio de duelo começava a se formar entre O Menino Que Sobreviveu e aquele mestiço imundo.
Mais um olhar para confirmar o que eu já sabia que ocorria atrás de mim. Uma figura se aproximava, uma pessoa que eu antes poderia chamar de pai, mas que hoje, não era mais nada para mim, só o verdadeiro motivo da destruição da minha vida. Lucius Malfoy, se aproximando de nós. E antes de virar, um único olhar me chamou atenção, um olhar dela.
Sangue Ruim.
O porque dela estar me encarando, eu não sei e sinceramente, acho que nunca chegarei a saber.
Me virei e continuei, até certo ponto em que senti aquela típica vertigem de aparatar e então, a Mansão Malfoy se encontrava na minha frente. Com um desespero contido sem eu perceber, já estávamos dentro da casa.
—O QUE VOCÊ FEZ NARCISA ?
Aquele homem, que um dia foi meu herói e hoje não passa de uma visão distorcida de um Malfoy berrava, com sangue nos olhos.
—VOCÊ SABE O QUE VOCÊ FEZ ? NOS TIRANDO DE LÁ NESTE EXATO MOMENTO? O QUE O LORD VAI PENSAR? QUE ESTAMOS CONTRA ELE! ESSE ERA O MOMENTO DE PROVAR NOSSA LEALDADE E AJUDAR A MATAR AQUELE MALDITO, NOSSO MOMENTO DE ERGUER NOSSO FILHO A GLÓRIA!
Minha cabeça girava.
Minha mãe encolhida, com medo, mas pela primeira vez, com um olhar determinado.
—Lucius, tenta se acalmar, seguir aquele que se diz Lord, não é para os Malfoy, só estou fazendo para o bem da nossa família.
Um tapa foi ouvido, minha mãe caída no chão, meu pai, insano, a família perfeita destruída.
Mas aquilo não ia ficar assim. Meus olhos se enxergavam vermelho e com um impeto de lucidez, peguei a varinha da minha mãe e coloquei na mandíbula do meu querido papai.
—Não encosta nela. Você é o culpado de tudo, eu tenho nojo de você.- Minha mente trabalhava a mil por hora, meus olhos demonstravam o monstro que tinha dentro de mim, o monstro que outro monstro criou. Aquele que agora me encarava assustado, mas com superioridade.
E horas se passavam. Minha mãe em um canto em choque pela realidade em que vivíamos. Eu erguendo a varinha para aquele monstro e ele, incrivelmente quieto.
Um estrondo foi ouvido e Aurores entraram com varinhas em mãos, levando assim, Lucius Malfoy.
~*~
Meses se passaram e o julgamento veio. Minha mãe inocentada, inocentada pela ajuda que obteve daquele que eu menos esperava. Potter.
Lucius Malfoy condenado ao beijo do dementador.
E o meu, em andamento.
Depois de horas, perguntas e respostas para todo lado e mais uma vez, veio de ''brinde'' a ajuda do Potter, eu fui inocentado. Acabou. Tudo acabou.
E mais uma vez aquele olhar me pegou.
Maldita Sangue Ruim
Sentada em uma cadeira ao lado de Potter e do cabeça de fósforo, mas dando a mão com este ultimo. Fui seguindo o caminho dos braços dos dois enroscados juntos, parando na mão. Nos dedos. Uma aliança brilhava ali.
Levantei o olhar e encarei aquele olhar que agora era feroz e muito mais maduro a minha frente, com um ultimo típico sorriso torto e sarcástico de Draco Malfoy, me virei e sai.
~*~
O beijo do Dementador.
Eu me encontrava dentro daquele cela imunda, daquele lugar macabro, com aquele visão horrenda a minha frente. Meu pai, louco, doente, cruel, na minha frente. Gritava para o nada, gargalhava e ficava falando com ele mesmo. Aquela não era só a visão do meu pai a minha frente, era a visão do que eu iria me tornar, do que eu iria virar por causa dele.
Dele!
Como tudo foi mudar ?
Hey pai, olhe para mim,
Como o meu herói se tornou o meu pesadelo ?
Pense de novo e converse comigo,
Eu cresci de acordo com o plano?
Aquele homem não é o homem que eu amei, que eu queria ser
E você acha que eu estou perdendo meu tempo fazendo coisas que eu quero fazer?
Tudo desde de antes do meu nascimento foi forjado, moldado da maneira que ele queria que fosse.
Nada nunca era bom, nada nunca foi verdadeiro.
Mas dói quando você desaprova tudo
E agora eu dou duro para fazer isso,
Eu só quero te deixar orgulhoso,
Eu nunca vou ser bom o suficiente para você?
Eu não posso fingir que,
Eu estou bem.
E você não pode me mudar.
Lágrimas vieram a mim, como pude nunca reparar, me enganei, me deixei levar, eu amei um monstro.
Era aquele homem que ele queria que eu virasse? Ou pior, era um homem, sem honra, alma, um homem cruel e frio, general de guerra que matasse tudo e todos em nome de um mestiço ?
Porque nós perdemos tudo,
Nada dura para sempre,
Sinto muito,
Eu não consigo ser perfeito.
Eu não era o suficiente para você?
Agora é tarde demais,
E nós não podemos voltar atrás,
Sinto muito,
Eu não posso ser perfeito.
Sinto muito pai, eu nunca poderia ser perfeito ao ser ver, totalmente do jeito que você queria. Eu nunca seria você.
E com um último olhar para o monstro
Um olhar que palavras não poderiam dizer
Eu fui embora, para nunca mais olhar para trás, para nunca mais voltar a ver ele.
Adeus.
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