O Menino Do Tempo

3 O resgate de Wat Tyler


Durante a madrugada Henrique, Jack, John e mais dois aliados se preparavam para invadir o castelo do rei e resgatar Tyler, Carlinha já estava dormindo. John deu uma espada curta para Henrique, ele se apavorou, nunca tinha segurado nenhum tipo de arma, senão nos videogames. Saíram, foram correndo em direção ao castelo. Alguns guardas andavam na parte superior dos muros, onde havia um caminho, as tochas não iluminavam muito ao longe. Foram sorrateiramente até o muro, esperaram um guarda que fazia a ronda, logo acima deles, passar. Jack usando uma corda com um tipo de gancho na ponta escalou o muro, seguido dos companheiros, Jack era o único que não usava escudo ou espada, usava apenas um arco e flechas, correram cautelosamente pelo caminho no muro, logo chegaram a uma escada que dava acesso a parte interior do reino, precisavam passar despercebidos por toda a cidade para chegar ao castelo.

Foram correndo para dentro da cidade, o castelo ficava bem no meio, com mais um grande muro à sua volta, Wat Tyler estava em um calabouço logo abaixo do castelo. Um guarda apareceu, mas eles se esconderam rapidamente. Por um bom tempo tudo correu sem problemas, mas em determinado momento, um guarda os avistou, a surpresa estava aparente em seus olhos, ele saiu correndo para avisar os demais guardas, John e Jack eram grandes inimigos do reino, quando o guarda correu, todos ficaram sem reação, menos Jack que puxou uma flecha, colocou em seu arco e derrubou o guarda, os outros ficaram pasmos, com a destreza e mira do parceiro.

Depois do susto com o guarda, começaram a se cuidar mais ainda, demorou um pouco mas logo estavam no castelo, melhor, na frente do muro, este muro era muito mais seguro que o outro. Jack disse:

-Eu vou acertar um guarda com uma flecha, isso chamará a atenção dos outros guardas, eles iram me procurar, enquanto isso vocês invadem o castelo por trás, onde a segurança estará fraca.

-Mas quando um guarda for morto os outros iram defender o rei, a segurança dentro do palácio estará mais forte, contrapõe John.

-Sim, este plano é só pra facilitar nossa entrada, vocês devem ir pelos fundos do castelo, e não por dentro, já trabalhei no castelo e sei. Pelos fundos há um porão que dá acesso ao calabouço. Encontro vocês do lado de dentro.

-Nos dê cinco minutos e estaremos lá, diz John despedindo-se.

Jack, empunha seu arco e mira em um guarda, os outros correm para o outro lado do castelo, Jack espera um pouco, e atira um flecha que derruba um guarda, outro guarda percebe, e vai em direção ao morto, Jack mata ele também, um terceiro, percebe e não vai em direção aos mortos, mas em direção ao castelo, Jack faz barulho para atrair a atenção dos guardas do castelo, para que seus parceiros não sejam percebidos ao entrar no castelo.

Henrique acompanha os outros, já dentro do pátio do castelo, eles procuram um pouco e acham a porta do porão, entram, um dos homens pega uma tocha que tinha na parede, no corredor tem água até a altura da canela, Henrique reclama que algo belisca seus pés, John pede silêncio. De repente, ao longe eles avistam um cachorro gigante, mesmo em quatro patas o animal tinha aproximadamente dois metros e meio, os homens congelam de medo, o cão rosna para eles desconfiado. John puxa sua espada, o cachorro avança em direção a eles, Henrique tremendo puxa sua espada e os outros dois homens também. O cão corre para atacar um homem, mas John pula em seu pescoço e contem o ataque do animal.

-Corram para dentro e salvem o Tyler. Grita John agarrado no bicho. Os outros correm para dentro, Henrique os acompanha. O cão agarra o braço de John e o joga bruscamente no chão, Henrique olha pra trás e vê o homem encrencado, sem pensar duas vezes ele volta segurando a espada, o cão o acerta um golpe forte com a cauda, ele bate na parede e cai, o cão vai pra cima de Henrique e antes que pudesse dar um último golpe, John vem por baixo e crava sua espada no coração do cão, que cai, morto, em cima de Henrique.

-Tira esse bicho de cima de mim, ele é pesado, diz Henrique fazendo força para tirar o cão. John faz uma tremenda força e o tira, eles vão encontrar os outros dois.

Os quatro estão juntos agora, eles enxergam o calabouço, não está muito longe. Eles chegam no lugar, há apenas um guarda, dormindo ainda por cima. John astuto pega as chaves dele e o acorda, o guarda acorda assustado, um dos homens o rende com a espada.

-Onde está Wat Tyler? Pergunta John.

-Não está aqui, responde o guarda.

-Onde ele está?

-Não direi. Diz o guarda.

-Fiquem com ele ai. Ordena John. John vai em direção as celas, Henrique o acompanha, são mais ou menos 20 celas, eles olham uma por uma, algumas vazias e em uma ou outra há alguém deitado, uns agonizando outros dormindo, Wat Tyler está na última das celas, ele está sentado acordado, ele olha para John.

-Estava esperando vocês. John abre a porta da cela.-Quem é ele? Pergunta Wat.

-Eu sou Henrique, sou de outro lugar, eu ajudei no seu resgate.

-Muito bem, cadê o Jack? Pergunta Tyler.

-Ele foi a distração. Mas deve estar bem, diz John.

-Vamos sair e encontrá-lo. Ordena Tyler.

Eles voltam correndo pelo corredor com água, Tyler se apavora com o cão gigante morto, logo eles chegam a porta, quando abrem vêem Jack sob custódia dos guardas, sendo levado.

-Precisamos resgatá-lo. Diz Tyler.

-Um resgate que leva ao outro, lamenta John.

-Como faremos? Pergunta Henrique.

-São seis guardas, estamos entre cinco, acho que damos conta, o que vocês acham? Os outros concordam, Henrique concorda envergonhado, sem muita confiança. John dá a Tyler uma espada que tinha guardado, os cinco vão com calma e cautela atrás dos guardas. Tyler faz um sinal e eles partem para cima dos guardas, um guarda é eliminado facilmente, mas os outros percebem e vão a luta, estão agora cinco contra cinco, Jack está acorrentado, e é inútil neste momento. Uma batalha é iniciada, Henrique está cara a cara com um homem grande e gordo, que empunha uma espada ferozmente, Henrique treme e cai, quando o homem vai lançar um golpe, John o mata, quando Henrique se dá conta os cinco guardas estão no chão, e ninguém de seus amigos morreu, apenas um dos dois homens se feriu no braço.

Eles correm para o muro, logo estão do lado de fora das muralhas do castelo, não demora muito e estão fora do reino, não havia nenhum guarda no reino, pois todos estavam no castelo, defendendo o rei, então foi fácil e rápida a retirada de Henrique e seus amigos, quando o dia começava a nascer John, Jack e Henrique chegam ao acampamento dos camponeses acompanhados de seus dois parceiros, e de Wat Tyler, todos recebem seu líder com ovações , todos parabenizam os heróis pelo feito de salvar o líder dos camponeses, Carlinha está de pé ao lado de seu irmão.

-Prepare-se Henrique pois amanhã, iremos destronar o rei, o poder será do povo. Diz Wat Tyler.

-Sim senhor. Logo após ter dito isto Henrique vê que o relógio começa a fazer um tic tac, então Henrique começa a sumir lentamente, todos olham apavorados para ele, Henrique olha para sua irmã que também some aos poucos, todos se assustam e ficam olhando enquanto os dois somem, Henrique e Carlinha caem novamente na dimensão dos tempos, eles não entendem nada, como chegaram até ali? Ele não sabia, de repente surge Abraham.

-Como viemos para cá? Pergunta Henrique.

-Se não escolherem a porta certa, vocês ficaram aproximadamente doze horas no lugar que forem, logo depois serão transportados para cá.

-E quanto tempo ficaremos aqui?

-Não sei. Já tem gente há mais de cem anos aqui que não encontrou a porta de casa. Henrique cai sentado, está apavorado. Abraham se aproxima dele e diz.-Enquanto estão aqui o tempo não passa, mesmo que não achem o caminho de volta vocês não irão envelhecer, seus pais não perceberam que não estão lá, ou seja, vocês pararam o tempo em que viviam, existem vários universos paralelos, vocês pararam o seu, e é seu trabalho encontrá-lo novamente.

-Certo, mais alguma coisa que preciso saber?

-Sim, existem duas portas especiais. Uma preta e uma branca.

-O que elas fazem? Pergunta Henrique.

-Eu não sei, varia de pessoa para pessoa, para alguns a porta branca é a porta de casa, para outros é a preta. Mas se escolher a errada, você ficará preso para sempre na dimensão dos tempos, assim como eu. E para outros, nenhuma das duas é a de casa, e apenas prendem a pessoa aqui, tanto a branca quanto a preta, então fica sob sua escolha, se irá ou não entrar em uma das duas. Dito isso Abraham some, Henrique olha pra sua irmã, ela aperta sua mão, ele sorri pra ela e ela sorri de volta.

Notas finais
Eu distorci os fatos da revolta camponesa, e vou fazer isso nas próximas histórias, pegar fatos históricos e modificá-los.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.