Notas iniciais
Oi gente, esse é o primeiro capítulo. Era pra ser só um, mas dividi em duas partes para não ficar tão cansativo. Boa leitura sz

De verdade, eu nem acredito que isso está acontecendo. Depois de exatamente 1 ano e dois dias de espera, eu finalmente vou ver ele. A próxima festa de Halloween da escola da Kahlen, minha melhor amiga, finalmente aconteceria de novo.

—Eu tenho orgulho de você. — eu disse apontando para mim mesmo no espelho enquanto ajeitava minha camisa.

Foi um ano difícil. Pensar em alguém o tempo todo não é saudável, ainda mais quando você nutre todo o sentimento em uma simples lembrança de uma festa como qualquer outra.

Mas ele era especial. Não sei como, mas era.

Amigo da minha melhor amiga, mais ou menos uns 15 anos de idade (me lembro que éramos da mesma série na escola), cabelos escuros e tudo mais. Pode parecer alguém normal, mas o que eu senti quando vi ele foi inexplicável.

Nós mal conversamos durante a festa, no máximo cantamos algumas músicas juntos e rimos de coisas aleatórias.

Mas dessa vez vai ser diferente. Nós vamos nos aproximar.

Durante o último ano, o chamei no Whatsapp várias vezes, mas nada parecia funcionar para manter a conversa fluindo, então, desisti. Resolvi esperar até hoje, o momento do tudo ou nada.

Meu celular vibrou

*1 mensagem não lida*

Kahlen : Já tá pronto?

Abri o aplicativo.

Steven : tô sim, já vou indo pra lá.

Abri meu aplicativo de táxis e pedi um. Peguei uma blusa de frio vermelha, a coloquei sobre meu ombro e fui para a parte de fora da casa.

Naquela noite, tudo estava em jogo. Olhei para o céu, e ele parecia estrelado como nunca. Um tanto diferente do dia em que conheci ele.

Me sentia ansioso, como nunca antes. Podia me lembrar exatamente da noite em que o vi. Peguei um ônibus, encontrei uma prima nele, cheguei no local da festa, me desesperei pensando ter perdido o celular e vi minha amiga. E claro, James Lopez.

Naquele momento, não sabia o quanto aquele ser humano me afetaria. E como me afetou. Foram meses de obsessão e procura, até que finalmente tive coragem de pedir o número dele para Kahlen, o que não ajudou muito. Ele não é alguém muito sociável. Mas duvido que ele possa fugir de mim hoje. Por mais que eu tenha tentado conversar com James ao máximo, ele sempre era indiferente. Isso me fez questionar diversas vezes se realmente gostava dele, mas aquela sensação forte dentro de mim me garantia que sim.

Sentindo o vento fraco do exterior da casa, direcionei meus olhos novamente às estrelas. Ah, as estrelas. Quantas vezes me peguei pensando nele enquanto observava aqueles pontos luminosos estampados no céu escuro. A minha esperança parecia se renovar a cada vez que meus olhos eram iluminados por elas. Esperança de que um dia, tudo daria certo entre nós. Por mais que seja muito louco pensar nisso com alguém que só vi uma vez na vida. Mas isso não inporta agora. Não mais.

Voltei à realidade após uma notificação em meu celular me avisar de que meu táxi já estava chegando. Avistei um carro virar a esquina de minha rua, e ao ver que a placa dele era a mesma indicada no aplicativo, me aproximei mais do asfalto.

O homem acenou para mim entrar no carro. Abri a porta do banco do carona e me sentei nele.

—Steven, certo? — perguntou o homem com um sorriso no rosto.

—Eu mesmo. — respondi enquanto abotoava o cinto de segurança.

O homem assentiu com a cabeça e começou o trajeto.

A cada rua e cada curva, eu me lembrava dele. É como se eu estivesse prestes a realizar um grande sonho. As luzes da cidade, prédios, casas, pessoas, tudo parecia sorrir para mim. Realmente, hoje é meu dia.

Milhares de perguntas giravam em torno da minha cabeça. Ele vai me querer? Vou ser tombado? Meu interior estava inquieto, e eu me sentia ansioso, afinal, era um momento muito esperado.

Resolvi colocar umas músicas para tocar em meu celular, e ter alguma trilha sonora até chegar no Shopping, onde ocorreria a festa. Foi um longo caminho cheio de pensamentos e inquietação dentro de mim, até que finalmente cheguei lá.

Paguei o moço, me despedi com um aceno e desci do carro. Olhei para a entrada do shopping e respirei bem fundo.

—Boa sorte. — disse a mim mesmo.

Fui entrando no prédio, indo em direção ao elevador que levava ao centro de convenções. Estava bem cheio, pois muita gente iria para a festa, então tive que esperar algumas vezes para que pudesse me enfiar no elevador. Muita gente ali me era familiar dos outros anos da festa. Alguns até conheciam o James. Me segurei para não perguntar se tinham notícia dele, pois minha ansiedade era grande.

Enfim, o elevador chegou no local da festa. Saí de dentro dele.

A hora havia chegado. Meus olhos contornavam todo o lugar, procurando pela Kahlen. Mal me lembrava do rosto do James, caso contrário, estaria procurando por ele.

Com o ar condicionado ligado numa temperatura desagradável, agradeci a mim mesmo mentalmente por ter vestido aquela blusa vermelha.

Continuei procurando por Kahlen, que devia estar atrasada. Quando de repente, meus olhos avistam uma garota. Os dela avistam os meus.

—STEVEN FREAKING JOHNSON! — ela corre até mim loucamente, enquanto eu a recebo de braços apertos para um caloroso abraço.

—OI, KIM! — aperto ela mais forte ainda em meus braços.

Kimberly é minha amiga desde a 5ª série, e apesar de não sermos tão próximos, sempre mantivemos uma amizade legal, nem extremamente íntima nem muito afastada. Sabíamos que um estaria ali quando o outro precisasse.

—Não fazia ideia de que você viria hoje, nenê. — ela disse enquanto se soltava do abraço, deixando em mim seu perfume agradavelmente doce.

Antes de respondê-la, meus olhos percorreram novamente o lugar em busca de James. Por enquanto, nada.

—Ah, eu vim convidado pela Kahlen. Mas como ela não apareceu por enquanto, finja que foi por você. — pisquei os olhos pra ela, a fazendo rir.

Kimberly conhecia Kahlen da escola de inglês, pois ela também estudava no curso "anfitrião" da festa.

—Vou ficar com você, se não se incomodar. — Kim observou se os amigos não estavam ouvindo, se aproximou de mim e sussurou. — O pessoal dessa escola é esquisito. Mesmo depois do ano todo, ainda não me enturmei direito.

Ri da situação.

—Você terá a honra da minha companhia.

Mais uma vez percorri meus olhos pelo salão. Nem sinal de algum dos dois.

—Iih, tá todo disperso! — Kimberly passou a mão na frente dos meus olhos. — O que foi, hein?

Quando eu ia começar a explicar a situação, ela fez um sinal de "pare" com a mão. Tinha uma expressão facial confusa, que foi aos poucos se tornando um sorriso.

—É aquele menino do qual você falou o ano inteiro, né? — ela sorria brilhantemente enquanto eu fazia que sim na cabeça, segurando a risada. — AI QUE GRACINHA, FINALMENTE VOCÊ VAI CALAR A BOCA!

Queria muito rir, mas como parte do meu drama, montei uma expressão de indignação.

—Pensei que você gostasse de me ver apaixonadinho. — balancei a cabeça. — Falsidade no ar.

Ela revirou os olhos.

—Ai ó, para de drama. Você sabe bem que se tudo der certo vai sobrar pra mim aguentar você mais apaixonado ainda com ele te correspondendo. — respondeu.

—Tenho que concordar. — ri.

Kim agarrou minha mão e disse, apontando para a bancada de comidas:

—Vem cá, quero comprar algo pra beber.

Fui até lá puxado por ela, e me choquei ao reparar em quem estava vendendo as comidas e bebidas.

—Tia Isabel? — perguntou Kimberly.

—Oi meninos! — disse ela enquanto batia uma bebida num liquidificador.

Tia Isabel era nossa cantineira até ano retrasado, quando foi substituída por uma mulher ranzinza que tinha frescura com tudo que não fosse "saudável".

—Meu deus, que saudades. — sorri após que a ficha caiu. — O que faz aqui?

—Olha, desde que o diretor da escola de vocês me despediu... — ela parou para entregar a bebida que estava sendo preparada a um garoto. — Estou vivendo de bicos em algumas festas. Não está nada mal, só o salário que foi de ruim a péssimo.

—Não se preocupe, a tia nova não é legal como você. — pisquei para ela. — À propósito, me faz um suquinho de morango, por favor.

Ela assentiu.

Voltei a olhar pelo centro de convenções em busca da Kahlen, e especialmente do James. Onde estão os dois? Deviam estar aqui a tempos.

Kim pareceu notar meu desespero.

—Kahlen tá demorando, né? — disse, me encarando meio desanimada.

—Eu não quero mais um ano sonhando em ver ele. — uma sensação de medo e preocupação invadia meu corpo. Sei que estava sendo um péssimo amigo por pensar apenas no crush, mas o que eu mais temia era que meu sofrimento permanecesse por mais um ano sem saber que rumo tomaria essa história. E se ele não chegasse logo, teria a confirmação de que isso aconteceria.

Kimberly me olhava com uma clara expressão de impaciência estampada no rosto.

—Se ele não vier, vida que segue. — ela deu de ombros. — Tenho uns amigos lindos e doidos pra tran...

—Okay, Kim. — eu ri.

—Desculpa. — ela disse, segurando o riso.

Parei para observar a decoração do lugar, já que a ansiedade ainda não tinha me deixado fazer isso. Alguns enfeites como abóboras e morcegos de EVA estavam pregados nas paredes do lado de fora da sala da pista de dança (da qual eu pretendia manter distância), além de alguns potes de abóbora no centro de todas as mesas.

Alguns dos rostos ali me eram familiares das edições anteriores da festa. Vi até uma menina que namorava uma garota no ano passado beijando um outro garoto.

—Aqui o suco, Stephen. — Tia Isabel me trouxe de volta à realidade. Não a culpo por errar meu nome, pois atendia centenas de pessoas naquela escola.

Agradeci a ela, paguei o suco e chamei Kim pra dar uma volta pelo lugar

—Steve, meu caro amigo, isso aqui tá um saco. — ela disse enquanto ainda andávamos, com a cabeça encostada em meu ombro.

E eu realmente concordava com ela. Todos os anos eu ia ali apenas para ver a Kahlen, pois era uma das poucas oportunidades que tinha de vê-la no ano, mas a festa era um saco. Esse ano foi praticamente tudo pelo James, mas tudo ali indicava que ele não viria, e isso me deixava incomodado. Queria tudo, exceto continuar no sofrimento em busca de saber mais sobre ele.

—A gente podia sair daqui. Tipo, o shopping tá vazio. — Kimberly continuou ao perceber minha ausência de resposta.

—Eu ainda quero esperar ele. — eu disse, parando de andar, desanimado por não acreditar que ele ainda viria.

—De verdade, Steven. — ela disse, me puxando para sentar com ela encostado em uma parede. — Já se passou uma hora desde que a festa começou. Os alunos deviam vir mais cedo. Se eles não vieram ainda, é porque não virão.

Eu suspirei.

—Eu sei. Eu sei. — meus olhos começavam a demonstrar sinais de formação de lágrimas. — Posso ao menos ligar para a Kahlen antes de saírmos daqui?

—É claro que pode! — Kimberly respondeu.

Peguei meu celular, o desbloqueei e abri a lista de contatos. Ao encontrar o contato da Kahlen, apertei para chamá-la.

E nada.

Tentei de novo.

Nada.

A primeira lágrima saiu dos meus olhos. Eu não quero mais 12 meses disso, não quero.

Novamente.

Nem sinal de vida.

Notas finais
Espero que tenham gostado yay
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.