O Menestrel

1 O Inoportuno - Ato Primeiro - Cena I


Notas iniciais
Romeo e o seu Rei. Chamará ao alvorecer da noite, Romeo não sabia porque. Mas seu Rei havia por parte tomado de um desejo sagaz de ter Romeo para sí.

ATO I

CENA I

(num palácio, inundado de riquezas um jovem trovador, aguarda a volta de seu rei que saia chorosamente de seus aposentos sinuosos, vendo que seu servo havia chego e se apoderava do salão real, o velho rei atribulado, saiu saudando o jovem trovador que questionava o porquê o rei lho havia chamado.)

Rei Walter: Meu menestrel! Dedilha-te esta cistre já que a trouxeste com toda devoção e fervor ao seu rei. Toca-te com calma, pois estou mui atribulado!

Romeo, o Trovador: Se tu ó rei meu, dizes, em silêncio obedeço.

Rei Walter: Agradeço servo meu, e sua bondade é imensa.

(Num fio de voz o jovem pergunta sistematicamente. E no mesmo instante arrepende-se)

Romeo, o Trovador: Sim, mo tocar-te-ei! Algo em especial meu rei?

Rei Walter: Não, servo meu, toca-te, com fervor!

(Sem entender, Romeo ajeitou-se rapidamente e com a Cistre colocada entre o joelho dedilhou uma complexada melodia de notas bem distribuídas e leves.)

Romeo, o Trovador: Fujo sem destino.
Tento evitar todos estes sentimentos
Que me assolam.

Escondo-me no mundo da Falsidade
Até as minhas palavras me parecem ridículas
Sem qualquer ponta de verdade!

Onde está o verdadeiro
Criador de todos os meus poemas?
Onde está o meu coração?
Onde está a verdade?

Por quanto tempo terei de viver
Neste mundo de falsas expectativas?

Rei Walter: Isto meu servo! Aquieta-me o espírito!

Romeo, o Trovador: Quem sou eu senão nada,
Como poderei continuar a fugir
Desta saudade, desta agonia?
Como continuarei em frente?

Vejo o meu caminho tão escuro…
Tão frio, tão sombrio…
Quero esconder tudo isto
Que me persegue…

Mas algum dia terei de ceder,
E é esse dia que temo.
Como o pássaro receia a escuridão,
Eu receio a incompreensão e a solidão!

(O Jovem Romeo cantava. E seu tenor irradiava os átrios. Fez com que Walter tremesse. Para que sentisse a melodia doce daquela voz macia e suave que vinha da sala real. Romeo dedilhara na Cistre que longe via seu doce som. Walter com as mãos em vossa cabeça brama ao céu por ter dado esta dádiva tão precioso que era Romeo.)

Rei Walter: Senti um arrepio na alma ao ouvir esta doce voz. Grato a ti sou meu servo.

Romeo, o Trovador: Meu rei, quanto em mim tu operaste dá ao teu servo, a graça do teu saber bondoso. Retirar-me-ei de vossos aposentos e isento orarei por ti, para Deus pai que está em oculto.

Rei Walter: Tão pouco bastara esta doce voz, descubro em um trovador algo que nunca compreendi, sua fé é admirável.

Romeo, o Trovador: Grato a ti sou meu rei. Mas minha madre preocupada ficará e vosso patriarca mais ainda.

Rei Walter: Espere! Não te ocultas ao vosso rei. Não está em um bordel. O que queres como pagamento por tocar tão bem está cistre?

Romeo, o Trovador: Nada lhe peço meu rei. Preciso realmente ausentar-me.

(Walter levantou-se e deu um sinal aos guardas para que trancassem as portas do palácio.)

Rei Walter: Dá ouvidas as minhas palavras, jovem.

Romeo, o Trovador: Não, senhor, meu patriarca me espera!

Rei Walter: Jovem, não me desafie fique e escute o que vosso rei vós tem a dizer!

Romeo, o Trovador: Chega o Rei meu, chega!

(Walter aproxima lentamente de Romeo e o golpeia fazendo-o rolar uma pequena limiar real. Caindo sobre ele uma das taças mais caras do reino. Walter em pensamento rosnou. Mas seu desejo pelo jovem moço faiscava nos vossos olhos. E com grande força irradiava-se.)

Romeo, o Trovador: O que queres de mim?! Não me machuque!

Rei Walter: Quero que seja meu! A noite toda quero seu corpo Romeo!

Romeo, o Trovador: Perdoe meu rei! Mas isto é inescusável!

Rei Walter: Nada é abusivo contra o poder de seu monarca!Cala-te e obedeça

Romeo, o Trovador: Prefiro a morte a sucumbir meu corpo ao seu!

(Walter pega Romeo pelo braço, e o puxa para si tentando beijar seu pescoço)

Rei Walter: Sei que se enche de prazer a ter esta sensação te der o rei ao seu lado!

Romeo, o Trovador: Solte-me! Não sou como as concubinas que fornicam contigo!

Rei Walter: Não é uma delas, mas será meu agora! Todo meu!

(Walter tenta beijá-lo, Romeo esquiva-se. Romeo corre sobressaltando o vão da escadaria.)

Romeo, o Trovador: Por favor, meu rei! Pare! Está Louco! Está louco!

(A voz de Romeo aumentava gradativamente)

Rei Walter: Silêncio, Romeo!

Romeo, o Trovador: Deus ajude-me!

Rei Walter: Aquieta-te

(Tampando a boca de Romeo com um pano)

Romeo, o Trovador: Urgh! Uurgh!

Rei Walter: Calma, Romeo, Calma!

(Continua na próxima Cena)

Notas finais
Na próxima Cena:Romeo foge de Walter que manda seus guardas caça-lo em toda a Espanha. Romeo foge para a Itália onde passa pelas piores dificuldades enfrentadas. A pobreza o toma e sem seu trabalho os versos de Romeo enchiam-se de terror, tristeza e até ódio do próprio Rei Walter, que tentará ter relações com ele.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.