O Melhor Péssimo Dia de Minha Vida
3 A noite segundo ambos
A tarde preparava-se para dar lugar à noite.
“ Ding-dong!“, ouviu o inglês entre uma lágrima e outra. Quem tocaria a campainha a uma hora dessas?
“ I‘m coming...“, Arthur tentou deixar sua voz normal, colocando a foto de volta no lugar. Precisava limpar as lágrimas e fazer algo para ocultar seus olhos vermelhos, mas o quê...?
“ Ding-dong! Ding-dong!“, insistia a campainha em tocar.
“ I said I‘m coming, you idiot!“, berrou o inglês, levantando-se. Iria atender de qualquer jeito; Suas lágrimas não cessavam mesmo com ele limpando incansávelmente.
” O quê você que-“, bramiu enquanto abria a porta. Seus olhos foram mais rápidos que sua boca e impediram Inglaterra de terminar a frase.
” América...?”, disse por fim, em um tom quase inaudível.
O americano, em frente à sua porta, olhava-o de cenho franzido, então dando um sorriso largo, concluindo:
“ Você pensava que eu não viria?”
O queixo caído do inglês tremia querendo soltar qualquer frase em oposição, porém nenhuma conseguia formar-se para ser proferida.
“ Eu quero festa, aru!”, gritou o chinês ao fundo, entre um balão e outro.
- X –
“ Canadá, não há Maple na cozinha! Muito menos panquecas!”, avisou Arthur vendo o pequeno abrir portas de armários e despensas enquanto jogava-se no sofá.
“ Essa cozinha tem um cheiro estranho...”, pôde ouvir de resposta.
Encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos, apenas a ouvir cada uma das vozes.
“ Essa música é legal, aru! Acho que vou fazer uma versão minha!”
“ Vou levar alguns desses doces para o Karariru-San!”
“ Maisbien sûr, deixe que seu urso também desfrute de mons doces !“
“ Quem é você, da?”
“ Canadádesu...”
“ Tem Vodka?”
“ N... No, mas acho que tenho Syrup...”
“ Je trouxe vinho! Alguém quer?”
Abriu os olhos novamente. Não escutava a voz de Alfred...
“ Hey, big bro!“, América pulou na frente do inglês, inclinando-se sobre o corpo do outro:
“ Você logo vai fundir-se com o sofá!”, e, voltando a deixar a coluna reta, estendeu a mão a Inglaterra, “ Shake your body, England!“
Arthur manteve ambos os braços apoiados em cima do encosto do sofá:
“ Estou velho para isso, América...”
“ You’re not!”, o americano puxou ambos os braços do irmão para a frente, forçando-o a levantar-se. Feito isso, começou a dançar sendo imitado, sem sucesso, por Inglaterra.
„ A rainha não te ensinou a dançar?”
“ Não insulte a rainha!”
“ Certo, não vou insultar a rainha!”, respondeu, mantendo seu sorriso largo e deixando escapar uma risada. Arthur fez o mesmo, mas logo teve que apoiar-se nos próprios joelhos com uma leve expressão de dor.
“ ‘Kay, acho que você realmente passou da idade.”, concluiu o mais novo, ajudando-o a sentar-se novamente no sofá. “ Já que é assim...”
Alfred foi até a mesa e pegou um dos doces que Francis havia feito. Já havia comido alguns – muitos – e assim certificou-se de que não havia nada de estranho em nenhum deles.
“ Taste that!”, disse ao voltar, dando ao inglês o quitute.
“ What is it?”, Arthur pegou o pequeno bolinho e ficou a observá-lo em vários ângulos.
“ Cupcake!”
O outro lançou um rápido olhar ao americano, que jogou-se no sofá ao lado dele esperando que ele provasse e fizesse sua crítica. Por fim, Inglaterra mordeu o doce.
“ It’s good...”, comentou, “ Não sabia que coyinhava tão bem...“
“ E non cozinha! Estes bolinhos foram feitos por moi!”, acompanhado de seu sorriso vitorioso, o francês apareceu atrás de Inglaterra, debruçando-se sobre o sofá.
O inglês soltou um grunhido de desgosto:
“ Você me pegou, eles estão bons...“, antes de continuar, deu outra mordida no bolinho e continuou a falar ao mesmo tempo em que mastigava, como um modo de abafar suas palavras, “ Congrats...”
- X –
Fim de festa. O cenário mostrava tanto caos que até uma guerra poderia ter deixado a sala mais arrumada.
A música não tocava mais. A maioria dos convidados já haviam ido embora. O silêncio dominava.
No sofá, dois países de energias esgotadas.
O país mais novo deitado, dormindo com a cabeça apoiada sobre o peito do mais velho.
O país mais velho também deitado, encostando a cabeça no braço do sofá, acariciando ainda com um pingo de consciência os cabelos dourados do mais novo.
“ E você tinha razão, América…“, dizia em uma voz sonolenta, mesmo certo de que o outro nada ouvia, “ Eu pensava que você não viria...”
Alfred apenas mexeu-se um pouco no sofá, em busca de uma posição mais confortável. Um de seus braços foi movido até a barriga do inglês e ali ficou repousado, envolvendo sua cintura.
Arthur sorriu consigo mesmo. Gostava de sentir aquele peso sobre seu peito.
Parou de afagar os cabelos do americano e descansou a mão sobre o ombro do outro.
“ Sleep well, child…“, disse ao país inconsciente antes de fechar os olhos e adormecer junto deste.
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