Notas iniciais
GEEEEEEENTE VOLTEI DEPOIS DE ÉONS DE HIATUS. Tava criando coragem pra terminar a história. Eu quero fazer outra porque não tô gostando muito dessa, eu tento escrever uma coisa legal mas não consigo. Mas mesmo assim eu vou terminar essa aqui, porque eu comecei e tenho que terminar né. Só não me matem.

Era tudo muito novo para Sofia ainda. Namorar. Ela achava que namorar fosse fácil. A pessoa pedia você para ficar com ela, você aceitava e os dois seguiam a vida normalmente, se beijando de vez enquanto, já que Sofia odiava melações (ops, mais uma coisa para a lista de coisas que ela odiava). Porém, Sofia estava com seu namorado, John, sentado no banco de trás de um carro de luxo enquanto o pai de Enzo os levava para o campo de paraquedismo, onde Enzo iria ter “O Melhor Dia de Todos”.

Enquanto Beatriz conversava com Enzo e seu pai, Sofia ficava sentada, olhando a paisagem acariciando a mão de John, que também não soltava uma palavra de sua boca.

–O Governo do Brasil não cobra impostos sobre o número de palavras que alguém fala, pelo menos não ainda – Enzo falava tentando fazer com que Sofia e John se interagissem na conversa – Vamos gente, falem algo. Estão em silêncio desde que saímos de casa.

Os olhos azuis de Enzo misturado com a sua voz de astro de cinema conseguia chamar a atenção de todos. Sofia decidiu participar da conversa:

–Eu ainda estou pensando na minha mãe. É muito estranho ela sumir e não falar nada.

–Pelo menos ela deixou o cartão dela – disse Beatriz tentando quebrar o clima tenso.

A mãe de Sofia, Dona Helena, havia desaparecido. Ela não atendia o celular. Não deixou recado com o porteiro para onde ia. Apenas deixou um recado escrito em um post-it amarelo dizendo que Sofia podia comprar o que quiser com o cartão. Sofia sabia que sua mãe não era assim. Alguma coisa estava acontecendo e Sofia pretendia descobrir o que era assim que o passeio acabasse.

–Não fique assim Sofia – desta vez era o pai de Enzo – Sua mãe vai aparecer. Enquanto isso se quiser ficar na minha casa, junto com Enzo, você pode. Você e Bia são da família já.

O pai de Enzo, Doutor Marcelo, era uma pessoa muito boa. O dinheiro que ele possuía não tinha subido em sua cabeça ainda, então ele sempre pensava em ajudar os outros. Ele era igualzinho a Enzo. Alto, cabelos pretos sedosos e lindos olhos azuis.

–Obrigado senhor.

–Por favor – disse Marcelo – Não me chame de senhor. Não sou tão velho assim. Sou? – perguntou olhando para Enzo, enquanto ele dava risada.

Depois de algumas horas andando a 100km/h ele haviam chegado ao destino.

O lugar onde Enzo iria fazer paraquedismo ficava no interior. A entrada parecia um galpão velho, daqueles usados para fazer filmes de ação ou gravar vídeo clipes de cantores famosos. O prédio era todo branco. Parede, telhado, portão. Tudo branco.

Na entrada, havia um homem de meia idade. Ele usava uma calça jeans preta e botas de couro também pretas. Sobre ele havia um casaco de aviador marrom e em seu peito havia uma medalha de ouro. Aquele homem deveria ter muito orgulho da medalha já que quando eles chegaram ele estava limpando ela com um pano laranja velho.

Enzo e Beatriz foram os primeiros a saírem do carro. Os dois correram em direção ao galpão como se fossem crianças brincando de pega-pega. Logo depois, Marcelo saiu e ficou de frente para a porta do carro esperando Sofia e John saírem. John ainda não havia dito nada. Sofia começou a achar estranho aquilo. Quando os dois saíram, Marcelo fechou a porta do motorista e travou o carro. Ele e Sofia começaram a andar, mas John ficou parado. Ele levantou a cabeça e ficou encarando o céu, como se nele houvesse a coisa mais imperdível do mundo. Entendendo a situação, Marcelo disse a Sofia:

–Vá lá. Espero vocês no galpão.

Sofia assentiu. Ela foi em direção a John. Durante o trajeto, ela observou como ele estava bonito. Ele usava uma camiseta polo azul. Calça jeans cor gelo e um Vans preto. Seu cabelo estava penteado para o lado esquerdo. Sofia também percebeu que ele estava mais moreno. Talvez ela não tivesse reparado antes. Ela decidiu andar mais rápido. Quando ela chegou perto, John tirou as mãos do bolso e a abraçou.

–Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Sofia.

–Não – respondeu ele – Está tudo bem. É que hoje é... – Ele parou de falar, como se arrependesse de ter começado – Ah, deixa quieto.

–Começamos a namorar ontem. Nada de segredos.

–É que é nosso primeiro dia de namoro e eu queria passar o dia com você. E não vir pra cá.

–John – Sofia começou a se lamentar. Aquilo fazia sentido. Mas na lista de propriedades da sua vida, os amigos viam na frente do namoro. Ela não podia faltar no “Melhor Dia de Todos” do Enzo – Enzo é meu amigo desde que eu me conheço por feto...

–Por feto? – Perguntou John confuso.

–Deixa quieta essa parte. Mas é que eu não podia faltar com ele nesse dia. E além do mas... – Sofia começou a passar a mão pelo peito de John. Não era totalmente definido mas dava para fazer algum tipo de estrago – Temos a vida toda pela frente.

–Ah, sim, a vida toda – ele disse como se aquilo de ficarem juntos pela vida toda nunca ia acontecer – Vamos.

John pegou a mão de Sofia e os dois caminharam juntos até a entrada do galpão.

...

Lá dentro não havia nada. Literalmente nada. Era um galpão vazio. Na parede ao fundo, havia apenas dois banheiros. Masculino e feminino, para as pessoas trocarem de roupa.

Enzo saiu de lá dentro já vestido para pular. O pai dele saiu do banheiro logo atrás.

–Hey casal – Beatriz apareceu atrás deles sem avisar. John levou a mão ao coração como se tivesse levado um susto.

–Diga Bia – respondeu Sofia.

–Vamos subir para o telhado. Tem uma vista melhor lá.

Os três subiram uma escada, um pouco enferrujada, e saíram no telhado do galpão. Lá havia apenas uma caixa d’água gigante. Eles se apoiaram na grade que ficava na beirada. Sofia realmente se encantou. Atrás da pista de decolagem, havia apenas colinas. Não era uma floresta, com árvores grandes. Só havia colinas. Muitas delas. Todas tinham uma grama verde que refletiam a luz do sol nos olhos de Sofia. John e Bia também olhavam com a boca aberta.

O pai de Enzo apareceu atrás deles:

–Bonito não? Eu pulei de paraquedas aqui também. É linda a vista de cima.

Sofia reparou que no meio das colinas, havia algumas torres de eletricidade, mas ela decidiu ignora-las.

Depois de alguns minutos o avião. Um aeromotor vermelho entrou na pista e depois de alguns segundos decolou. O avião ficou sobrevoando a área por alguns minutos, talvez fosse para que Enzo criasse coragem e pulasse. Beatriz percebeu que a porta do avião se abriu e gritou:

–É AGORA! UHUL!

–Sofia e John se olharam e deram risada. Porém na hora em que Enzo pulou, um vento muito forte começou. Mas não era um simples vento forte, era um vento muito mais que forte. Como se fosse um furacão. O vento cessou por uns instantes. Enzo e o instrutor já estavam voando pelo céu. Quando a asa do paraquedas se abriu, o vento forte começou de novo. O coração de Sofia parou naquele momento. Os dois, Enzo e o instrutor, foram arremessados para o outro lado da colina e a ponta esquerda da asa do paraquedas ficou presa em um fio de eletricidade daquela torre que Sofia resolveu ignorar quando chegou. O barulho de eletricidade foi enorme naquela hora. O restante da asa grudou nos outros fios de eletricidade e Sofia pode ver a corrente elétrica passar pela corda e atingir Enzo e seu instrutor. Os dois levaram um choque de uma quantidade de volts desconhecida. Eles se contorciam em pleno ar como um ataque epilético. A corda se soltou e os dois caíram de cabeça a uma altura de aproximadamente 40 metros de altura. Pequena comparada aos 500 metros de qual eles pularam do avião, mas fatal. Depois daquele choque Sofia sabia da verdade. Não restava duvidas. Ela teve mais certeza quando John segurou a sua mão e a mão de Beatriz. Enzo estava morto.

Notas finais
Obrigado por ler até aqui ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.