O Melhor Dia de Todos
4 A Culpa É Do Destino
Sim. Amar valia a pena. Pensou Sofia. Mas não era com ela. Não pensava em ter um namorado por enquanto. Ela achava que namorar a deixaria totalmente dependente do menino. Ela teria que ligar para ele todos os dias, mandar fotos via snapchat, ir na casa dele e se ele a visse com outro garoto, provavelmente discutiriam. E Sofia realmente não queria isso.
O problema maior era que ela não parava de pensar em John. Não parava de imaginar os lábios carnudos dele. Ela chegou ao ponto de imaginar ele sem camisa. Ela afastou esses pensamentos dando lhe tapas na cabeça. Ela já estava atrasada para a quinta aula então apressou seus passos pelo corredor na esperança de entrar na sala antes do professor. Ela perdeu muito tempo na biblioteca discutindo sobre o que fazer para o trabalho do “Melhor Dia de Todos” que por sinal, ainda tinha muitas dúvidas sobre ele, e ainda não tinha decidido o que ia fazer para ter “O Melhor Dia de Todos”.
Ela não sabia o que fazer, mas se o nome do trabalho fosse “A Maior Surpresa da Sua Vida” ela iria correr para a biblioteca e começar a fazer o trabalho, pois foi isso o que aconteceu. Sofia teve a maior surpresa que ela podia esperar naquele dia. John estava na sua sala de aula, sentada na cadeira que sempre foi vazia. A cadeira que ficava na frente da dela.
Ela custava a acreditar. O cara que ela conheceu na biblioteca e que mexeu seu coração estava lá. Na sala dela. Era estranho, pois um aluno nunca foi substituído de sala assim no meio de semestre.
–Algum problema? – Perguntou John
Ela nem reparou, mas estava em pé na frente dele desde o momento que entrou na sala.
–Nenhum problema – respondeu Sofia – Só surpresa por você estar aqui.
–Entendo.
Sofia continuou encarando John por um bom tempo até ele perguntar:
–É seu lugar?
–Ah. Não – respondeu ela – O meu é atrás.
Nesse momento ele deu um sorriso e para não parecer que ela era ogra, sorriu também.
O professor entrou na sala e foi direto para a mesa. Era aula de matemática. Sofia sentou no seu lugar e ficou olhando para o cabelo de John. Era muito bonito. A cor do cabelo dele era preto, mas com o reflexo do sua, a cor ficava cinza.
–Está pensando em ser cabeleireira Sofia? – perguntou o professor. A voz dele era alta o suficiente para que todos na sala pudessem ouvir.
Para parecer descolada e legal Sofia perguntou em resposta:
–Por que acha isso professor?
John se virou para ela nesse momento. A impressão que ele passava era que em sua mente, imaginava Sofia mexendo no cabelo dele.
–Por que desde que eu fiz a chamada até agora você não parou de olhar para o cabelo do seu colega à frente.
“Hummmmm”. Esse foi o barulho que a sala toda fez. Alguns davam risada. Inclusive John que passava a mão no cabelo dele. Bem na parte que por causa do reflexo da luz do Sol estava cinza.
–Presta atenção na aula, por favor – disse o professor e acrescentou por fim – E vocês calem a boca.
Quando o sinal tocou, Beatriz e Enzo saíram sem nem mesmo falar com Sofia como se os dois tivessem planejado fazer alguma coisa. Sem ela. O que era muito estranho. Mas ela logo percebeu o que eles queriam. Na verdade, o que a sala toda queria. Todos foram embora rapidamente deixando Sofia e John sozinhos na sala.
–O que é mais interessante? – perguntou ele na expectativa de puxar assunto.
–Quais as opções?
–Meu cabelo ou álgebra?
Sofia ficou um tempo calada e logo respondeu:
–Seu cabelo.
Os dois deram risadas. Mas Sofia fechou a cara no mesmo instante. Ela estava rindo, com um cara gato que provavelmente estava dando em cima dela. Ela estava gostando. Ela parou e pensou “É só uma conversa, se a gente se tornar apenas amigos e não passar disto está ótimo”.
–Seu cabelo é bonito – disse John. Ele deu um sorriso. E Sofia gritou.
–O que foi? – Perguntou ele espantado.
–Você quase me cegou com esses dentes tão brancos.
Os dois caíram na gargalhada novamente.
Ele a acompanhou até a saída da escola.
–Vou indo – disse John.
–Até amanhã John. Foi muito legal nossa conversa.
–Eu também adorei.
Quando ele foi embora. Enzo e Sofia apareceram e deram lhe um abraço totalmente desengonçado.
–E aí? Já tem o telefone dele? – perguntou Enzo.
–Eu não quero o telefone dele.
–Quer sim Sofia – disse Beatriz – Vocês formam um belo casal. E aposto que ele está caidinho por você.
E Sofia, por mais difícil que fosse para ela, também estava caidinha por ele.
–Sofia – continuou Enzo – A menina que sempre foi decidida a não namorar, finalmente encontra um cara que combine com ela. Parece aquelas histórias clichês dos romances americanos.
Sofia não gostava dos romances americanos. Ela os achava todos iguais. Ela leu A Culpa é das Estrelas uma fez, mas não porque quis. Leu porque tinha que fazer um trabalho sobre ele. Ela até admitiu que achou a história bonitinha, mas se houvesse um segundo livro, ela provavelmente não leria.
–Vou pra casa gente – disse Sofia – Vocês vão agora?
–Por que você vai agora – perguntou Enzo – Achei que fosse embora com sua mãe.
–Por que achou isso? – perguntou Sofia.
–Porque ela está aqui na escola – Beatriz respondeu – E conversando com o professor Bruno.
Sofia simplesmente entrou na escola como um furacão. Ao chegar ao fim do corredor, viu sua mãe e o professor de projetos Bruno conversando na frente do elevador. Sua mãe vestia um vestido curto cor azul e usava uma bolsa da mesma cor. Bruno usava uma camiseta vermelha sem estampa, calça jeans e um sapatênis. Sofia foi em direção a eles. Bruno fez uma cara de espanto e continuou falando. Sofia chegou ao lado de sua mãe quando Bruno falava:
–...sua filha é muito boa. Não se preocupe Dona Helena.
–Do que os dois conversavam? – Perguntou Sofia.
–Vim saber a sua situação escolar da minha filha – respondeu Helena, sua mãe.
–Você nunca se importou com minha vida escolar – retrucou Sofia – Por que de uma hora para a outra se preocuparia?
O silêncio tomou conta do local por um bom tempo.
–Eu vim a pedido de seu pai querida – Sua mãe respondeu – Muito obrigado pelas informações Bruno.
–De nada, senhorita.
Sofia e sua mãe foram em direção ao estacionamento. O carro de sua mãe era um Honda CRV preto. Sofia sentou no banco da frente, colocou o cinto e não disse mais nada.
–Não vai falar comigo? – perguntou sua mãe.
–Só se você me responder o verdadeiro motivo de você ter ido à minha escola conversar com meu professor.
–Eu já disse. Seu pai pediu que eu viesse aqui ver como anda suas notas. Nós refletimos um pouco e percebemos que devemos ter mais atenção na vida escolar de nossa filha.
–Vou fingir que acredito.
Sofia se virou para olhar a janela, mas se arrependeu, pois um cara com uma arma apontada em direção a sua cabeça gritava em voz alta para que as duas saíssem do carro. O pior pesadelo de Sofia acontecia nesse momento. Ela estava sendo assaltada.
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