O Melhor Das Piores Intenções

16 Capítulo 15 - Encurralado


Notas iniciais
Oi oi!

Falei que ia tentar não demorar muito para postar mas não teve jeito mesmo... Tenho estado muuuito ocupada por causa da escola e tal ; __ ; Então, peço desculpas...

Espero que gostem desse capítulo, que é uma continuação direta do outro. Boa leitura!

Ao notar que já estava bem distante do bar, Izaya desacelerou seus passos, logo desacelerando também as batidas desesperadas de seu coração.

Ele finalmente foi capaz de parar e respirar, tentando também acalmar o fluxo de pensamentos em sua cabeça, mas sem sucesso. Não ajudou o fato de seu celular ter tocado logo naquele momento.

A primeira ideia que teve foi de que Shizuo teria o visto, notado sua reação e agora estaria ligando para ele, mas isso não era nada mais do que sua paranóia. Quando viu que o nome na tela de seu dispositivo era outro completamente diferente, sentiu um alívio inexplicável.

– Alô... Izaya Orihara falando... — Disse, ainda recuperando sua respiração.

Alô, Izaya? — Respondeu o cliente do outro lado da linha. — Eu me atrasei, sinto muito. Estou chegando no bar agora. Onde está você?

– Eu sinto muito, mas não vou poder comparecer — falou Izaya, tentando ao máximo soar sério e não deixar transparecer a ansiedade daquele momento. — Estou passando muito mal. Vamos ter que marcar para amanhã, ou outro dia.

Ah... Certo.

– Peço desculpas por lhe avisar em cima da hora. Mas realmente não estou em condições de sair de casa agora. Vou checar minha agenda de amanhã e então te telefonarei para marcarmos um horário.

Eu queria as informações hoje, mas fazer o quê... Tudo bem, então.

Izaya fechou o celular e enfiou-o dentro do bolso, ainda tremendo da ansiedade de antes. O informante se encostou em um muro e ficou alguns minutos recuperando o fôlego. Quando se sentiu um pouco mais calmo novamente, continuou andando em direção ao seu apartamento.

Chegando lá, foi pego de surpresa ao ver que as luzes estavam acesas e Namie estava sentada em seu sofá de couro preto como se estivesse o esperando. A mulher tinha provavelmente usado sua chave reserva para entrar.

Para sua sorte, as lágrimas já tinham secado e os sinais de que tinha chorado não eram tão evidentes.

– Namie-san?! — Perguntou, a voz um pouco alterada. — São dez da noite, posso saber o que está fazendo aqui nesse horário tão estranho?

Normalmente ele faria alguma piada ou provocação do tipo 'Vejo que você estava me esperando, posso saber o que quer de mim assim tarde da noite?~' mas seu humor naquele momento não era propício a tal coisa.

– Izaya — a secretária respondeu, parecendo entediada e deslizando as unhas compridas e feitas sobre o couro negro do sofá. — Eu tinha esquecido meu celular aqui hoje à tarde, então vim buscá-lo.

– ...Só isso? Então por que simplesmente não pegou seu celular e foi embora?

– Não que eu dê a mínima para você — disse Namie-, mas você soa estranho agora. Não parece você mesmo. Nem me provocou aind-

– Namie, direto ao ponto. Não me faça repetir minha pergunta.

A secretária ficou quase espantada pela seriedade do tom de voz de seu chefe. Alguma coisa deveria estar bem errada para que ele agisse daquela maneira, sem brincadeiras, sem metáforas ridículas, sem mencionar os seres humanos em um tempo de cinco minutos.

– Estranho — murmurou, arrumando algumas mechas de seu cabelo castanho escuro e dando de ombros logo em seguida. — Quando estava vindo para cá, acabei descobrindo algo que poderia ser útil a você, portanto fiquei esperando que você chegasse para lhe dizer.

– Ah... E o que seria isso?

– Daqui a dois dias, Matsubara Shouichi vai dar uma festa de gala em homenagem aos vinte anos da Shouichi Pharmaceuticals. Imaginei que você gostaria de passar lá para dar uma 'olhada'.

Em qualquer outro dia, aquilo teria deixado Izaya muito animado, ao ponto de mantê-lo rindo e girando em sua cadeira giratória por pelo menos dez minutos. Porém, no humor em que estava naquele instante, a notícia não teve tanto impacto e, enquanto ainda o deixava feliz, não era o bastante para apagar as outras emoções indesejáveis que sentia.

– Ótimo — ele respondeu, tentando forçar um sorriso. — Consiga convites para mim amanhã. Aliás, não só para mim.

– Como assim? — Perguntou Namie. — Quem você vai levar?

– Eu vou com o Shizu-chan. — Falar aquele nome deixava um gosto agridoce em sua boca. — Estamos trabalhando juntos, lembra?

– Ah, é verdade. — Ela assentiu. — Ainda não consegui me acostumar com a ideia de vocês juntos.

– Não que isso seja da sua conta, mas eu e Shizu-chan não estamos juntos. Estamos trabalhando juntos. Perceba que há uma grande diferença entre as duas frases.

– Tem certeza? — A mulher perguntou, rindo. — Você tem me feito comprar quase que o dobro de lubrificante ultimamente.

– É isso o que dá mandar a sua secretária fazer suas compras pra você — Izaya murmurou, suspirando.

– Enfim, era só isso. Estou indo embora agora.

– Amém.

– Rude — disse ela. — Deveria me agradecer por eu perder meu tempo te deixando informado.

– É para isso que eu pago você, Namie-san.

– Então é melhor você aumentar o meu salário.

– Vai sonhando. Até amanhã.

– Até amanhã.

Logo após a saída de Namie, Izaya trancou a porta e sentou-se no sofá em que ela estava sentada antes, levando suas mãos ao rosto e suspirando pesadamente.

– É tudo tão estranho... — Murmurou, referindo-se a seu ataque de pânico mais cedo.

Ao relembrar a cena que tinha visto, sentiu mais uma vez seu peito ficar apertado e sua garganta secar. Seus olhos se apertaram, dando o máximo de si para não derramar mais lágrimas.

– Por que eu estou com tanto... Medo...

Eram tantas perguntas, tantos problemas, tantos... Izaya se sentia exausto de uma maneira que não tinha sentido há muito tempo, como se toda sua energia, tanto física quanto emocional, tivesse sido sugada de si em uma questão de minutos.

– Eu preciso descansar. Amanhã vou ligar para o Shizu-chan e falar sobre a festa de gala.

O informante precisou tomar dois comprimidos para dormir naquela noite.

* * *

O telefone celular de Shizuo tocou no fim da tarde, logo depois de ele ter dado uma surra no quinto cara endividado.

Na última vez em que tinham estado juntos, Izaya tinha pegado seu celular sem que ele soubesse e trocado o toque para seu número. Então, quando uma musiquinha irritante de um idol group começou a tocar de dentro de seu bolso, Shizuo já sabia quem era.

Mesmo assim, por não ter perdoado Izaya por sua atitude ridícula de antes, esperou que o informante falasse primeiro ao atender.

– Alô, Shizu-chan? — Sua voz não era animada mas também não era desanimada. Era 'normal', no mínimo.

– Izaya — ele respondeu, sem muita emoção. — O que você quer?

– Eu descobri uma coisa — Izaya disse, fingindo que a frieza da última frase de Shizuo não tinha doído nem um pouquinho.

– E se eu disser que não estou nem aí? — Shizuo disse, sem pensar, já ficando um pouco nervoso.

– Não tem como você 'não estar nem aí'. É parte do nosso acordo. — Izaya suspirou, fazendo o telefone emtir um chiado do lado de Shizuo.

– E se eu disser que estou caindo fora?

Shizuo poderia dizer que estava com raiva de Izaya, mas não era simplesmente raiva. Raiva era o que ele costumava sentir normalmente, aquela vontade de atirar uma máquina de vendas no informante, de xingá-lo até faltarem expressões na língua japonesa, chegando a um ponto em que ele começaria a pesquisar xingamentos em outras línguas apenas para não lhe faltarem palavras.

O que ele sentia naquele momento, na verdade, era um tipo de frustração- de decepção, algo como 'por que você faz isso?!'. Queria agarrar Izaya pelos ombros e chacoalhá-lo até ele botar para fora todos os motivos daquela atitude estúpida e covarde que tinha usado nos últimos dias.

– Então eu acho que você gostaria de assistir a cidade desabar aos poucos, incluindo todos aqueles que você ama — o informante falou, ainda sem muita emoção na voz. Nem soava como uma provocação, como lhe seria esperado normalmente.

– Você é estranho pra caralho — Shizuo rosnou, soando mil vezes mais estressado.

– Como assim, Shizu-chan? — Izaya perguntou, finalmente soando irritado, deixando o ex-barman de certa forma espantado. — Eu não estou fazendo nada de errado. Eu estou agindo simplesmente como eu deveria agir. O que é estranho nisso?

– Você. Você é estranho. E falso. Agora mesmo, enquanto você fala isso, dá pra perceber que está forçando. E ponto final.

Shizuo tentava tomar cuidado para não esmagar o celular com a força de seus dedos completamente tensos em volta do aparelho frágil.

Aquela conversa também era estranha; dava a ele uma sensação de desconforto e constrangimento.

– Está dizendo isso por causa do que eu disse daquela vez? Para você não me ligar mais? Ou foi porque eu sumi por uma semana e talvez um pouco mais? Eu já tinha feito isso várias vezes antes e você nunca pareceu incomodado.

– Antes era antes. Agora é diferente. Nós não somos exatamente como éramos antes, Izaya.

– O que você quer dizer com isso?

– Nós precisamos conversar. Pessoalmente. E eu preciso te dar uma surra também.

– Ótimo — o informante respondeu, irônico, ignorando a última parte. — Mesmo porque eu tenho coisas para te falar relacionadas ao nosso acordo, incluindo uma festa na qual nós temos que ir.

– Eu não quero falar sobre o nosso acordo. Eu quero falar sobre a gente.

– Shizu-chan, pare de agir como se nós tívessemos um relacionamento ou algo do tipo. Isso sim é estranho pra caralho.

– Foda-se.

– Vamos nos encontrar daqui a vinte minutos naquele café que fica no terraço do edifício ao lado de onde você mora. — Izaya suspirou.

– Ótimo.

– Ótimo.

– ÓTIMO!

– Depois eu que sou estranho, nee. Até daqui a pouco, Shizu-chan.

– Se você não aparecer lá eu vou até Shinjuku te arrastar pelo cabelo. Tchau. Filho da puta.

Shizuo desligou o celular, deitando-se no sofá e soltando um enorme suspiro.

– Difícil difícil difícil difícil difícil...

O loiro nem trocou de roupa — estava vestindo seu uniforme — e logo saiu de seu apartamento, indo até o café sobre o qual Izaya tinha falado, que ficava no terraço do prédio vizinho.

Chegando lá, ele teve que esperar Izaya por alguns minutos, mas logo a pulga apareceu, vestindo uma camiseta vermelha e calça jeans preta.

– Há quanto tempo, Shizu-chan.

– Isso não tem graça.

Izaya sentou se à mesa e pediu um café preto à garçonete jovem. Shizuo pediu um milkshake e uma fatia de bolo.

– E então, Shizu-chan, será que eu posso falar o que eu tinha que falar primeiro? O que é mais importante.

– Pode. Mas não enrole.

– Certo. Matsubara Shouichi vai dar uma festa, algo do estilo de um baile, direcionado às pessoas mais nobres da cidade. Ele pretende fazer disso uma 'comemoração aos vinte anos de sua empresa'.

– Estranho. Quem tem uma empresa falindo não tem o que comemorar — Shizuo observou.

– Eu ia falar isso — Izaya resmungou, virando o olhar. — Shizu-chan está se achando inteligente demais.

– Eu avisei a você que não era tão burro quanto você pensava.

– Tenho que admitir que está me surpreendendo em alguns aspectos.

Shizuo sentiu um certo alívio pela conversa deles nesse momento não soar tão estranha como a anterior. Mas ele continuava frustrado em relação ao comportamento de Izaya.

– Enfim, nós temos que ir nessa porcaria, certo?

– Não chame de 'porcaria', é uma festa de gala. Vai ser interessante. E sim, nós temos que estar lá.

– Não soa interessante para mim.

– Claro que não, afinal Shizu-chan é apenas um cidadão da classe do proletariado, nee... Nunca soube e nunca saberá aproveitar uma festa mais sofisticada...

– Tch, como se você fosse muito sofisticado. Quando vai ser isso?

– Daqui a dois dias.

– Tá.

– Shizu-chan por acaso tem roupas de gala?

– Não.

– Como eu esperava. Então vou ter que providenciar para você.

– Tanto faz — Shizuo deu de ombros. — Era só isso, não era? Então agora eu quero conversar sobre outra coisa.

– Estou até com medo. — Disse Izaya, fechando seu semblante.

Shizuo suspirou e passou uma mão pelos cabelos loiros que já estavam precisando de um corte.

– Eu quero saber o porquê de você estar agindo tão estranho ultimamente. E sendo um filho da puta dez vezes pior do que o de costume.

Izaya levou as mãos ao rosto e bufou, com uma cara bem explícita de 'eu não quero falar sobre isso'.

– Por que você se importa com isso, Shizu-chan?

– Não tente me responder com uma pergunta, pulga.

– Homens que odeiam um ao outro não devem satisfações um ao outro, Shizu-chan.

– Eu não me importo com isso. Não é como se houvessem regras para essas coisas. E se houvessem, eu não daria a mínima, também. Eu fiz uma pergunta e quero uma resposta, Izaya. Simples assim.

Você tem que parar de fazer tudo soar tão complicado.

– Não se pode ter tudo o que se quer, nee...

É por isso que você nunca está feliz. Apenas fingindo.

– Exato. E é por isso mesmo que eu não vou deixar você escapar.

Essa última frase fez Izaya engolir em seco.

– O que você quer dizer com isso, Shizu-chan?

– Você está tentando se afastar de mim de qualquer jeito, fingir que não há nada, mas eu não vou deixar você fazer o que você quer.

– COMO ASSIM?! — Izaya se exaltou, de modo que algumas poucas pessoas que estavam sentadas nas mesas em volta direcionaram seus olhares a ele e a Shizuo.

– O QUE VOCÊS ESTÃO OLHANDO? — Os dois resmungaram, em uníssono. Cada um dos clientes que estava olhando para eles desviou o olhar imediatamente, com medo.

– Enfim — Shizuo continuou. — Eu sei o que você está tentando fazer e eu não vou deixar. Alguém me ensinou isso.

– Ah é, quem? — Izaya perguntou, estreitando seus olhos.

– Uma pessoa.

– Por acaso foi a mulher com quem você estava conversando ontem à noite?

Por estar muito irritado, Izaya deixou aquilo escapar. Porém, se arrependeu imediatamente. Como ele iria explicar que tinha visto Shizuo no bar por acaso? Como poderia fingir que não se importava depois de dizer uma coisa daquelas?

– COMO VOCÊ SABE QUE EU ESTAVA COM UMA MULHER NO BAR ONTEM?! — Shizuo exclamou, espantado.

Izaya sentiu seu estômago se revirar e seus olhos começaram a arder novamente, como no dia anterior. Shizuo realmente era a única pessoa que conseguia tirá-lo do sério ao ponto de fazê-lo falar algo que não queria sem sequer perceber.

A única pessoa que conseguia tirá-lo do sério ao ponto de tê-lo feito chorar no dia anterior.

O informante estava sempre medindo suas palavras, pensando, calculando, manipulando; mas quando se tratava de Shizuo, era como soprar um castelo de cartas que ele tinha levado anos para construir. Todas as cartas caíam, todas as máscaras caíam, de uma vez só, todo o trabalho mental que ele tinha era desperdiçado, destruído, feito inútil; tudo por causa da imprevisibilidade do loiro.

Tudo por causa daqueles malditos sentimentos.

Shizuo estendeu uma mão para agarrar o braço de Izaya mas este desviou bem a tempo, levantando-se e derrubando a cadeira atrás de si.

– Shizu-chan, eu acho que nós deveríamos parar de dar tanta atenção aos nossos problemas pessoais e focar mais na situação da Segunda Saika, certo? Se continuarmos assim, vamos romper nosso acordo em algum ponto e acabar fracassando no final. Não vamos mais falar sobre isso-

O moreno estava quase tremendo enquanto falava, amaldiçoando o efeito que Shizuo estava tendo sobre ele. Se ao menos fosse capaz de tratá-lo da mesma maneira fria com que tratava seus clientes...!

– Izaya-

– Por favor.

Aquelas duas últimas palavras surpreenderam Shizuo, de modo que ele não foi capaz de falar mais nada. A última pessoa de quem esperaria ouvi-las era Izaya. Aquilo também era preocupante, de certa forma: o moreno tinha que estar muito desesperado para chegar ao ponto de dizê-las. Especialmente ao homem que dizia tanto odiar.

– Vamos fingir que não aconteceu nada, sim? — Disse o informante, dando um sorriso amarelo. — Eu vou te ligar provavelmente amanhã ou depois para te informar melhor sobre a festa. Até mais, então.

Izaya saiu dali em passos rápidos e Shizuo resolveu não pressioná-lo mais, ainda surpreso pela maneira estranha com que ele tinha agido. Apenas continuou sentado à mesa, terminando seu bolo e em seguida entortando o garfo em seus dedos, irritado.

– Tch, mas que droga... O que diabos ele está fazendo?

Notas finais
Eu amo a maneira com que o Shizuo consegue tirar o Izaya do sério completamente e fazê-lo dizer ou pensar coisas que ele jamais diria ou pensaria normalmente... Esse negócio de ele ser ~a única pessoa que consegue~ é uma das coisas que mais amo nesse casal.

Shizuo e Izaya são exclusivos um para o outro. Ninguém consegue causar em um deles o mesmo efeito que o outro causa.

Outra coisa que eu adoro é explorar os sentimentos do Izaya. Cada reação, cada ideia, cada contradição... Ele é sempre tão controlado, tem essa mania de achar que está sempre ganhando - aí vem o Shizuo e mostra pra ele que, por mais que ele tente evitar isso, ele ainda é tão humano quanto os humanos que ele assiste todos os dias.

ENFIM chega de reflexão /dá um tapa na própria cara... Por favor me deixem comentáriossssss ; u ; vou tentar escrever bastante nesse final de semana para ver se consigo postar mais rápido da próxima vez.