O Melhor Das Piores Intenções
1 Capítulo 1 - Inesperado
Notas iniciais
Tive um surto de inspiração quando minha conexão de internet falhou por cinco horas na sexta-feira e me surgiu a ideia dessa fanfic. O que vocês acham? Parece boa?~
Minhas experiências anteriores escrevendo longfics não foram as melhores e por isso costumo evitá-las... Mas algo me diz que essa vai dar certo. Tomara.
Boa leitura! ♥
Shizuo Heiwajima estava tendo um bom dia.
Fazia muito tempo que ele não tinha um dia como aquele: calmo e sem stress. Ele não podia culpar a sorte pela sua maioria de dias ruins, porém. Sua personalidade não lhe ajudava em nada. Ele era o tipo de pessoa que ficava com raiva muito, muito fácil. E não era só isso.
Shizuo não era como as outras pessoas. Mesmo em relação àquelas que tinham o mesmo problema dele, ou seja, o temperamento explosivo, ele não podia se comparar a elas. Porque mesmo essas pessoas, quando ficavam com raiva, faziam coisas normais, como por exemplo: gritar, rasgar papéis, atirar objetos no chão. Já ele, quando ficava com raiva, arrancava placas, levantava máquinas, arrebentava paredes e, o pior de tudo, machucava pessoas.
Era algo que ele não conseguia controlar. Quando começava a sentir o sangue ferver em suas veias e sua visão ficar vermelha, já sabia que era tarde demais. Faria algum estrago, de uma maneira ou outra. Então, quando a raiva passava e ele já tinha destruído boa parte do ambiente, era como se 'acordasse' para a realidade. Era como sair de um estado de transe do qual se arrependia muito. Mas estava além do seu controle.
Entretanto, aquele dia estava sendo diferente. Os devedores que tinha que enfrentar em seu trabalho com Tom Tanaka tinham sido fáceis de se lidar. Não foi necessário mais do que um ou dois socos e uma ou outra ameaça para que eles pagassem suas dívidas. Shizuo nem tinha precisado atirar ninguém numa parede. Aquilo era simplesmente excepcional.
Muito satisfeito com a atitude de seu empregado e também por estar de bom humor, Tom se ofereceu para pagar a Shizuo uma refeição em seu café preferido de Ikebukuro. Chegando lá, Shizuo pediu um capuccino com chantilly e açúcar extra e um pedaço de uma torta de morango.* O dia parecia ficar cada vez melhor.
– Você parece estar de muito bom humor hoje, Shizuo-kun — observou Tom, assistindo seu guarda-costas enterrar o nariz em uma nuvem de chantilly no topo de seu capuccino.
Shizuo limpou envergonhado a 'barba de Papai Noel' formada pelo creme em volta de sua boca antes de responder. Tom divertiu-se ao notar que seu empregado mais se parecia com uma criança enquanto comia do que com um adulto... Aliás, o adulto mais forte da cidade. Quem diria!
– É verdade, Tom-san — respondeu Shizuo, dobrando o guardanapo sujo na mesa. — O trabalho foi fácil hoje, eu acho. O clima está bom. A comida também — sorriu, pegando uma garfada de torta de morango. — Aliás — continuou, ainda com a boca cheia — hoje eu ainda não vi aquela... Aquela... Pulga... Maldita... Izaya...
Tom percebeu a tensão e raiva formando-se na expressão de Shizuo. Tudo ficou óbvio quando ele fechou o punho e o bateu na mesa, assustando uma moça na mesa ao lado.
– Eh... Heh... Shizuo-kun — disse Tom, fazendo um sinal para que ele se acalmasse — é melhor não falarmos do Izaya Orihara-san agora... Logo quando você estava tão de bom humor...
– É verdade, Tom-san. Eu sinto muito. — Ele largou o garfo e abaixou a cabeça por um instante em sinal de culpa.
– Tudo bem, tudo bem! Não se preocupe. Só não estrague seu bom humor, certo?
Shizuo concordou, assentindo com a cabeça, e seu chefe sorriu. Terminou de tomar seu capuccino e comer seu bolo em silêncio e em seguida despediu-se dele.
– Obrigado pela refeição. Até amanhã, Tom-san.
– Até amanhã, Shizuo.
Shizuo deixou o café e saiu andando com as mãos nos bolsos. Ao chegar em uma esquina, acendeu um cigarro. Apesar de ter prometido a si mesmo que fumaria apenas quando estivesse estressado, aquilo já tinha se tornado um vício e não conseguia ficar sem.
Continuou caminhando calmamente enquanto fumava, rumo ao seu apartamento. O edifício em que morava era de certa forma distante dali, mas Shizuo não gostava de carros e tinha pique suficiente para andar a pé. Aliás, mesmo que estivesse anoitecendo, jamais teria que se preocupar com segurança, afinal, eram as outras pessoas que tinham que ter medo dele e não o contrário...
Andando em seu ritmo lento e despreocupado, observando a cidade distraidamente, um de seus pés atingiu uma caixa de papelão. Se tivesse dado mais um passo, teria tropeçado nela. Era do tamanho de um travesseiro comum e estava semi-aberta. Tinha alguma coisa que parecia estar... Gemendo lá dentro.
O loiro levantou a caixa do chão e a abriu. Para sua surpresa, o que pareciam gemidos eram na verdade miados, e a criatura que estava dentro da caixa era um filhote de gato. Tinha o pêlo malhado e bonito, além de olhos de um tom castanho quase avermelhado.
– Oi — disse Shizuo, tirando o gatinho da caixa e o segurando à sua frente. — Você não tem dono, não é mesmo...?
Como se estivesse respondendo à pergunta, o gato deu um miado bem infeliz. Provavelmente estava com fome, pensou Shizuo.
– Olha, eu sinto muito, mas eu vou ter que te deixar aí — disse o ex-barman, ajoelhando-se e colocando o gato de volta na caixa. — Eu tenho certeza que... Hm... Alguma outra pessoa que passar por aí vai levar você pra casa... Talvez...
Percebendo que estava sendo abandonado novamente, o gato foi mais ágil e soltou-se das mãos de Shizuo, em seguida pulando para o seu ombro e cravando as garras em sua camisa, como se fosse uma garantia de que não iria sair dali.
– Ei! — exclamou Shizuo, tentando tirar o gato de seu ombro, mas ele estava bem enroscado na camisa. — Você está estragando a camisa que o meu irmão me deu, huh. Tá bom, tá bom, eu vou levar você. Mas saia daí.
Depois de mais algumas tentativas de remover o gato de seu amado uniforme de barman, o felino finalmente soltou as garras e permitiu que Shizuo o segurasse em seus braços apropriadamente.
– Vamos pra casa.
Depois de caminhar por pelo menos mais uns vinte minutos, Shizuo finalmente chegou ao edifício em que morava, com o gatinho nos braços. Era um prédio simples, com apenas cinco andares e sem elevador. A residência que seu salário conseguia suportar.
Shizuo entrou em seu apartamento e soltou o filhote no chão. O mesmo saiu andando pelo apartamento para explorá-lo por alguns minutos, mas logo voltou e começou a arranhar a calça do ex-barman, que tinha se jogado no sofá e ligado a televisão para descansar um pouco.
– Ah é, eu esqueci. Você tá com fome.
O loiro dirigiu-se até a geladeira e abriu uma lata de atum para o felino, em seguida também colocando a sua frente um prato de leite. O animal comia o atum e bebia o leite ao mesmo tempo, parecendo indeciso em relação ao que ingerir primeiro. Parecia não ver comida há mais de um dia.
– Ei, não se anime muito — disse, para o gato — porque eu não pretendo ficar com você por muito tempo. Se der, te entrego pro meu irmão, Kasuka. Ele gosta de gatos. Eu acho.
O gato nem tirou os olhos da comida, então Shizuo resolveu deixá-lo se alimentar em paz e voltou para o sofá onde antes estava sentado. Apesar de seu dia ter sido melhor do que de costume, alguma coisa o incomodava. E o pior é que ele sabia exatamente o que era.
Quando estava no café com Tom, tinha se lembrado de Izaya. No restante do dia, o informante não tinha cruzado seus pensamentos, até então. E ele não estava incomodado simplesmente por lembrar da pulga que dizia odiar — o buraco era muito mais embaixo, se é que você me entende.
Shizuo não via Izaya há mais de duas semanas. Não tinha o visto em Ikebukuro, nem sentido seu cheiro pela cidade, nem recebido nenhuma ligação. E então você deve estar se perguntando: isso não seria algo positivo, uma vez que eles se odiavam tanto?
É aí que eu repito a expressão já usada anteriormente: o buraco era muito mais embaixo.
A relação entre Shizuo e Izaya tinha sido, há algum tempo, mais do que o que os cidadãos de Ikebukuro podiam visualizar. Os moradores do distrito viam os dois brigarem quase que diariamente há anos, mas recentemente, mais coisas haviam acontecido do que o que eles poderiam observar.
Izaya e Shizuo estavam mantendo relações sexuais há algum tempo. Tudo tinha começado há aproximadamente seis meses atrás, quando aconteceu pela primeira vez, depois de uma longa briga que os levou até o apartamento de Izaya. Depois disso, tornou-se uma atividade quase que periódica: dormiam juntos pelo menos uma vez por semana. Pareciam estar viciados naquilo.
As relações entre eles não eram baseadas em romance, amor, ou qualquer sentimento nobre e profundo. Apenas desejo. Tinham uma atração um pelo outro que nunca tinham tido por outras pessoas e seus corpos tinham uma compatibilidade quase que perfeita, como se tivessem sido feitos um para o outro. Quando estavam dividindo a mesma cama pareciam por alguns momentos esquecer que se odiavam e apenas perdiam-se no próprio prazer. Só isso. Nada de romance. Ou pelo menos isso era o que tentavam dizer a si mesmos.
Era exatamente por isso que Shizuo ficava com raiva de si mesmo ao pensar que sentia falta da pulga, que geralmente o atormentava tanto. Ficava com raiva de si mesmo por se perguntar onde ele estaria, com quem ele estaria, o que ele estaria fazendo, e porquê.
– Logo hoje que eu tive a chance de ter um dia tranquilo eu perco o meu tempo e a minha paciência pensando naquele maldito, huh?
Por um segundo, Shizuo chegou até a pensar em telefonar. Deixar uma mensagem. Alguma coisa. Então se tocou do quão ridícula a ideia soava e deixou-a de lado. Izaya iria no mínimo rir muito da cara dele se fizesse aquilo.
– É só... Curiosidade... Não é como se eu me importasse, afinal.
Sentindo a necessidade de se concentrar em alguma outra coisa, Shizuo resolveu jantar. Tirou uma bandeja de ootoro da geladeira, esquentou o que tinha sobrado do arroz que consumiu na hora do almoço e colocou tudo em um prato, levando-o em seguida em direção ao sofá, para comer enquanto assistia ao jornal.
O filhote de gato malhado, que já tinha terminado de comer sua porção, andou até o sofá e passou a arranhar a calça do ex-barman novamente.
– Uh? O que você quer dessa vez? — Shizuo perguntou, desviando o olhar da tela fria da televisão. — Quer isso? Mas eu acabei de te dar comida, tch...
Mesmo assim, ele pegou um pedaço de ootoro e levou em direção à boca do gatinho, que o abocanhou rapidamente e mastigou, lambendo em seguida os dedos dele ao terminar. Em seguida, Shizuo ofereceu outro pedaço. E outro.
– Você gosta disso, hm...
Considerando isso um convite para comer mais, o gato subiu no sofá, em um único pulo.
– É bem ágil para um gato magro e fraco — observou Shizuo. — Ágil... Gosta de ootoro... Você me lembra alguém. I-Infelizmente, quero dizer...
Ele encarou o felino por alguns segundos.
– Acho que vou te chamar de Pulga. Aliás, eu tinha que dar um banho em você, porque vai que tem... Pulgas de verdade aí.
Parecendo contente, o gatinho se esfregou na calça de Shizuo e ronronou, com os olhinhos fechados. O loiro resolveu brincar com ele por alguns segundos, até que uma chamada na televisão capturou sua atenção.
– Cinco pessoas foram brutalmente assassinadas a golpes de espada nesse fim de tarde em Ikebukuro — disse a voz séria da repórter. — As vítimas eram de idades e sexos diferentes e aparentemente não tinham nada em comum. Os ferimentos nos corpos indicam que a espada usada em questão não era um modelo comum mas possivelmente uma do tipo katana. Você poderá conferir mais informações sobre o ocorrido no Plantão da Noite. E agora, a previsão do tempo...
A reportagem deixou-o chocado. Cinco pessoas de uma só vez? Golpes de katana? Isso lhe lembrava do acontecimento com Saika, a espada demoníaca que possuía a estudante Anri Sonohara. Porém, Shizuo sabia que Saika não matava pessoas — cortava-as somente para dominá-las e possuir suas mentes. Logo, não poderia ser ela, poderia?
No fim das contas, ele achou que seria melhor se não pensasse muito sobre aquilo. Era possível que não tivesse nada a ver, e ele nunca tinha sido do tipo de se preocupar muito com as notícias da televisão. Sabia que Ikebukuro não era tão segura quanto parecia. O mal estava por todos os cantos e as coisas mais estranhas possíveis aconteciam ali... E ele era uma delas. Então, resolveu dar de ombros e deixar de lado.
Muito cansado, Shizuo decidiu tomar um banho e ir direto para a cama. O gatinho — Pulga — deitou-se sobre um pequeno tapete em frente e se enrolou ali para dormir.
Embora tivesse várias coisas em mente, o cansaço foi mais forte e logo o ex-barman caiu em sono profundo.
* * *
Um som musical e irritante o acordou. Era seu celular que estava tocando.
Relutantemente, Shizuo se mexeu na cama e abriu os olhos devagar. Ainda estava muito escuro para ser de manhã. De fato, o relógio em seu criado-mudo marcava 3 : 25 da madrugada. Por que alguém estaria ligando para ele nesse horário?
– Alô — ele murmurou, a voz áspera e sonolenta.
– Shi~zu~chan! — Uma voz irritantemente alegre cantarolou do outro lado da linha. — Por acaso eu interrompi seu sono de beleza, Shizu-chan? Se bem que, se beleza dependesse de sono, acho que você teria que hibernar pelos próximos dez anos, nee~
Demorou alguns segundos para que Shizuo pudesse processar as informações. Quando finalmente entendeu, teve vontade de desligar na cara da pulga. Mas por algum motivo não o fez.
– IZAYA! — Gritou. — Mas que merda... Por que diabos está me ligando a essa hora da madrugada seu filho da puta...?!
– Não fale tão alto Shizu-chan, meus ouvidos doem~ — depois de uma risadinha, a voz de Izaya ficou séria. — Eu preciso falar com você. Amanhã. É um assunto sério.
– Falar, hah? Por que não me fala agora que já teve o trabalho de me acordar, seu desgraçado? Eu vou matar você...
– Isso é algo que tem que ser tratado pessoalmente, Shizu-chan. — A voz dele era misteriosa e, Shizuo tinha que admitir, um tanto sexy... — Você é dispensado do seu trabalho às seis e meia, certo? Eu vou até o seu apartamento.
– Você o quê? E como você sabe o horário em que eu saio do trabalho? Iza-
– Bye bye, Shizu-chan~
Izaya então desligou sem deixá-lo terminar sua frase. Shizuo atirou o telefone na parede, de raiva. A pulga estava passando dos limites. Acordando-o às 3 : 25 da madrugada para tirar uma com a cara dele...
– Pulga maldita... — Shizuo rosnou, puxando o lençol sobre si e virando para o outro lado da cama, para pegar no sono novamente.
* Na light novel de Durarara!! é dito que Shizuo tem gostos semelhantes aos gostos de uma criança e por isso ele adora doces e açúcar. O mais interessante é que Izaya é o completo oposto: na light novel vemos que ele odeia tudo o que é doce e gosta de coisas que o Shizuo não gosta, como café e bebidas alcóolicas. Esses dois...
Notas finais
Deixem comentários poooooooooor favor ; v ; não se escondam de mim eu não mordo, juro! Digam se pretendem acompanhar pra eu ter uma ideia de quantas pessoas realmente estão interessadas, senão nem vale a pena escrever mais.
Pra ser sincera, não sei quando vou atualizar, tudo depende de eu ter tempo para escrever ; w ; Volto pra escola amanhã e tals.
Até o próximo! Espero que eu tenha sido capaz de corresponder às suas expectativas.
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