O Melhor Amigo do Meu Irmão
1 18, Porres e Amanhecer
Notas iniciais
“Ok. Talvez eu tenha bebido demais” foi o que eu pensei quando sentei na cama de Kalena e vi o quarto inteiro girar. Prendi meu cabelo, porque toda minha pele estava grudenta de suor de tanto dançar e tomei um gole grande da garrafa de água que eu tinha roubado da cozinha. A música vibrava toda a casa e, mesmo tendo fechado a porta, eu conseguia escutar perfeitamente aquela música nova da Rihanna que, se eu não estivesse tão tonta, certamente estaria dançando sem vergonha nenhuma. Respirei fundo e tomei mais um gole de água lentamente. Não era instantâneo, mas isso e um chocolatinho na bolsa é o que me mantém sem vomitar nessas festas.
Aliás, a festa em questão é o aniversário de 18 anos de Kalena, que é minha melhor amiga desde os 5 anos, quando ela se mudou para a casa da frente junto com os pais. Como tradição, ela tinha que tomar 18 shots de tequila e, como eu sou fodida não só pela vida, mas também pelos meus amados amigos, fui persuadida a tomar junto com ela. Por isso me encontrava escondida no quarto com água e um Kit Kat de fé tentando espantar a tontura.
Ouvi a maçaneta ranger e voltei meu olhar para a enorme porta laqueada. Com um sorriso de canto e um copo cheio de uma bebida escura e gasosa, que eu suponha que seja Coca-Cola, aquele que perturba os meus sonhos entrou. Ele estava, como sempre, perfeito. Seus cabelos castanhos e enrolados estavam bagunçados provavelmente pela dança ou por alguma garota descarada que passou as mãos por ali, seus olhos azuis estavam um pouco caídos pela bebida e sua camisa preta estava com os primeiros botões abertos.
— Aqui está você. Te procurei por toda a festa e presumi que tava nesse seu ritual. — Ele disse divertido e sentou ao meu lado na cama. Eu ri e apoiei minha cabeça em seu ombro. — Aqui, trouxe uma Coca pra ser mais rápido. — O moreno anunciou passando o copo em sua mão para a minha. Peguei e sorri agradecida, bebendo um gole grande.
— Vai aproveitar sua festa, Danny. Eu tô bem, daqui a pouco desço. — Falei sendo sincera. Eu já estava ficando estável novamente e quase pronta para voltar a rebolar como se ninguém estivesse vendo. Ele riu.
— Eu adoro Kalena, você sabe, mas não sei se ainda tenho idade pra um monte de menor de idade se drogando e passando a mão em mim. — Jones debochou e eu franzi o cenho. Eu era menor de idade. Quer dizer, eu faria 18 em um mês, mas mesmo assim. Desencostei minha cabeça do ombro dele e olhei pra frente irritada. Maldito seja.
— Qual é, Lou. Você e a Kali são diferentes. Você é a minha princesinha. — Daniel se explicou e beijou minha testa delicadamente. Bufei.
— Viu? Já estou bem melhor. — Eu ignorei o que ele disse e fiquei de pé. Olhei para baixo e ajeitei minha saia, que já era curta o suficiente, e minha blusa, pra ter certeza que estava tudo em ordem. Soltei os cabelos e sorri, largando a Coca-Cola, a água e a embalagem vaia do Kit Kat sobre a cômoda de Kali. — Vamos, sardento. — Impliquei e ele riu, seguindo-me até onde a festa realmente acontecia. Ele não sabia, mas eu estava puta da cara.
Daniel tinha 3 anos a mais do que eu e minha amiga. Como nós nos conhecemos, você pergunta. Eu respondo: ele é simplesmente um dos melhores amigos do meu meio irmão. Ele é tipo a Kalena de Harry, só que com um pênis, muito mais músculos e o sorriso mais lindo do mundo. Consequentemente, ele me conhece desde que eu tinha 10 anos e ele 13. Eu sempre fui muito próxima de Harry, então nós todos brincávamos juntos e a idade não era realmente um problema. Até que chegou o momento em que eu e Kalena tínhamos 13, e os meninos 16. Eram fases muito diferentes. Quando nós fizemos 15 e começamos a sair com meninos em encontros e coisas do gênero, Harry, Daniel, Dougie e Tom ficaram ainda mais protetores, como se ainda fôssemos crianças. Agora estamos fazendo 18, e mesmo assim somos as eternas meninas de 10 anos brincando com eles de esconde-esconde na casa de Kalena.
Quando finalmente chegamos no andar debaixo, obviamente o caminho foi silencioso porque eu estava estressada demais para conversar sobre besteira, estava tocando I Took a Pill in Ibiza. Daniel adorava essa música e, não negou nem por um momento esse fato quando me puxou para o meio da multidão dançando e cantando com aquela voz e sorriso maravilhosos. A raiva fugiu de mim e quando vi eu dançava também.
Ele parecia de divertir demais, rindo e pulando, guiando meus movimentos sem nenhuma malícia. Dançamos uma porção de músicas e, quando já estava ficando cansada, vi Kalena do outro lado. Chamei-a, mas ela não pareceu ouvir, até porque ela estava pendurada em Dougie, que parecia preocupado com o estado de minha amiga. Apertei o ombro de Danny para ele prestar atenção em mim antes de começar a falar.
— Acho que a Kali não tá legal. — Falei no ouvido dele e ele virou o rosto para ver a garota. Ele confirmou com a cabeça e puxou meu corpo para que eu escutasse sua resposta. Um arrepio percorreu meu corpo inteiro.
— Vem comigo. — Ele disse pegando minha mão e me guiando pela confusão. Paramos em frente aos nossos amigos e, mesmo assim, ele não soltou minha mão. Essa era definitivamente uma boa sensação. Boa não, ótima. — Como ela tá, dude?
— Ela tá podre, tem que ir pra cama, tomar um banho, mas se recusa a sair da festa dela. — Doug segurava minha amiga pela cintura, já que aparentemente não conseguia ficar de pé sozinha. Jones pegou o celular no bolso da calça e ligou a tela. Eram 5 da manhã e o pessoal não tinha começado a ir embora. Revirei os olhos e peguei o celular das mãos dele. O moreno me olhou sem entender e eu simulei a palavra “polícia” silenciosamente. Ele franziu o cenho ainda sem ter entendido e eu revirei os olhos. Como podia ser tão lento, por Deus.
— Vou chamar a polícia pra terminar com isso aqui, Jones. — Eu falei em seu ouvido, apenas alto o suficiente para que ele escutasse. Ele negou com a cabeça.
— Leva a Kali pra tomar um ar que eu resolvo. — O moreno praticamente ordenou. Eu gostava dele assim, muito. Concordei com a cabeça e passei o braço pela cintura de Kali.
— Vamos tomar um arzinho, amiga? — Perguntei e ela confirmou rindo. Ela estava completamente fora da realidade, o que me fez rir também. — Pode soltar, Doug. — Avisei, mas ele pareceu não ouvir.
— Deixa ele, Lou, é bom assim. — Uma Kalena completamente bêbada, tropeçando nas palavras, berrou. Eu ri e Dougie entendeu que era para soltá-la, o que resultou em um biquinho exagerado de minha amiga. Ela virava outra pessoa quando estava embriagada, quase irreconhecível.
— Fica quietinha e vem comigo, Kali. — Falei tentando poupar ela de mais vergonha na frente dos meninos. Guiei minha amiga até o jardim e a coloquei sentada em um banco. Ela apoiou a cabeça no encosto e riu alto.
— Amiga, tudo tá girando. — Ela constatou impressionada. Confirmei com a cabeça e pensei em buscar água e comida para ela, mas era arriscado demais deixa-la sozinha nesse estado. Ajeitei a cabeça dela e coloquei minha jaqueta sobre seus ombros, já que ela estava toda arrepiada, mesmo suando. Tudo bem que era verão, mas a madrugada estava um pouco gelada. Ainda mais considerando que a roupa de Kalena era bem pequena.
Ficamos por o que pareceu uns 10 minutos ali, com Kali completamente mole e eu tentando mantê-la sem se machucar, até que finalmente a multidão começou a deixar a casa. O céu estava mudando, logo amanheceria. Depois de mais alguns minutos, Tom saiu da casa com a gravata amarrada na cabeça e uma garrafa em mãos, completamente hilário.
— A casa tá limpa, madames. — Ele falou um pouco perdido e eu ri balançando a cabeça negativamente. Eu já estava ficando sóbria e Kali menos podre de bêbada. Os meninos foram saindo da casa rindo de algo que acho que nem eles sabiam o que era, e Dougie deitou na grama.
— Cara, o céu é muito fantástico. — Ele observou enquanto os tons de laranja e azul se misturavam no amanhecer. Deitei do lado dele, a esse ponto nem me importando com o estado da minha roupa ou qualquer coisa assim. Aos poucos, todos foram deitando o corpo na grama, ainda úmida pelo orvalho da madrugada, e deixando a mente flutuar pelas nuvens e raios de sol que ia surgindo. Kali e Tom provavelmente aproveitavam mais, já que estavam mais embriagados do que nós. Mas definitivamente todos não se arrependiam de estar ali. Nós éramos somente aquele momento.
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