O Melhor Amigo

6 Capítulo 6 – Por Um Bom Motivo


Notas iniciais
Nesse capítulo o laço entre Abel e Wesley será testado, por sua vez Lorena Provará se é o não a pessoa especial que ele tanto anceia.

Capítulo 6 – Por Um Bom Motivo

Quase cinco meses se passaram desde que discuti com minha mãe, de lá pra cá as coisas aqui pioraram bastante. Às vezes ela vem em meu quarto para conversar, inútil tudo que ouço entra por um ouvido e sai pelo outro, não gosto dela e nunca vou gostar, por mim pode falar todas as maravilhas sobre família que ela quiser, minha opinião não muda, quero ela longe de mim.

Mais um dia chegando à escola, assim que piso aqui tento esquecer pelo menos um pouco da minha vida na casa da minha mãe, tudo lá tem sido torturante para mim, minha mãe troca constantemente de emoções, às vezes tenta fazer eu me sentir em família um tempo depois ela me repreende por eu ficar distante, sinceramente é um saco.

Por sorte aqui na escola as coisas são bem diferentes, tudo graças a ela. Lorena mudou muito a minha rotina escolar, sempre ficamos juntos em alguns tempos vagos e algumas vezes mato alguma aula para ficar com ela, sei que não é certo Wesley vive me enchendo o saco com isso de matar aula, mas o que eu posso fazer é a única hora que a vejo. No intervalo ela sempre está com os amigos da sala dela, e não gosta que eu vá perturbar nesse momento, diz que é melhor não me misturar com eles porque eles são má influência, achei que AL tinha vergonha de ser minha amiga, mas entendo que ela só quer me proteger por ser mais velha.

Hoje na sala de aula o clima está bem pesado, tem revisão para as provas de amanhã, dificilmente se vê os atentados daqui quietos prestando a atenção na professora, sentados focados nas explicações, copiando tudo em seus cadernos, nem parece à turma que estive por todo o meado do ano.

Eu e Wesley ficamos a maioria das aulas conversando baixinho, como estávamos sempre prestando a atenção nas aulas, as revisões ficaram bem fáceis, ficamos nesse ritmo até tocar o sinal do intervalo.

Já no pátio eu e Wesley estamos sentados como sempre em um banco afastado da bagunça, ficamos ultimamente conversando sobre nossas vidas antes de mudarmos para essa cidade. Diferente de mim ele não teve mortes na família, simplesmente o pai dele teve uma boa oferta de emprego e mudou com toda a família para poder trabalhar aqui, até entendo o pai dele, acredito que o meu teria feito o mesmo.

Um pouco antes de acabar o intervalo Wesley me olha seriamente, o que foi bem estranho, pois estávamos em um assunto descontraído, não entendi bem porque a mudança de postura dele e sinceramente fiquei assustado.

– Aquela sua amiga está ali – diz ele ainda em um tom sério. Nossa toda essa seriedade porque avistou a Lorena.

– Eu vi – respondi também em tom sério. Não havia visto, mas de qualquer forma não posso falar com ela no intervalo.

– Cara eu tenho que te falar uma coisa – agora passa para um tom um pouco menos sério. Voltei a me assustar.

– Como assim? – também passei para um tom menos sério.

– Essa garota é problema, você tem matado muitas aulas... Sei que você não vai repetir por ser muito inteligente, mas mesmo assim se isso continuar você pode ter problemas, falta de mais da suspensão fora que sua mãe seria avisada – diz ele parecendo estar me dando alguma lição.

– Eu não to matando tantas aulas assim, e também já estamos no final do ano e também infelizmente essa é a única forma de ver ela – respondo rispidamente.

– Ta mais... Porque você tem que ver ela todos os dias? Vocês são namorados por acaso?

Nessa hora me bate um pouco de vergonha, já havia me imaginado namorando com Lorena, mas não imaginei que outras pessoas pensariam nisso.

– Não somos não – ainda rispidamente.

– É ... Mesmo porque ela já tem namorado – diz ele secamente. Nesse momento meu coração deu uma acelerada.

– Como assim namorado? – Pergunto bem chateado com o que ouvi.

– O Nelson do oitavo ano, os alunos dizem isso e também eu já vi eles uma vez.

Assim que escutei aquelas palavras um sentimento de raiva consumiu meu corpo, fiquei extremamente chateado com o fato do meu melhor amigo está tentando me afastar da minha pessoa especial com boatos e inventando coisas só porque acha que ela é má influência, não tenho culpa que ele é covarde de mais para matar aula, mas daí difamar minha preciosa já é demais.

– Olha não sei o que você acha que viu dela, mas ela é bem o contrario do que pensa e diferente de você nunca falou nada de errado sobre você então não vejo motivo para você está atacando ela assim – respondo quase gritando. Levanto-me com profundo descontentamento e saio andando.

Andando pelo pátio meio desgovernado quando repentinamente avisto Lorena que vinha em minha direção, sempre linda com aqueles cabelos loiros desbotados, sorriso meigo no rosto e um ar de alegria que a envolvia.

– Oi baixinho – falou esboçando um enorme sorriso. Geralmente não gosto de ser chamado de baixinho, mas por ela fica até bom.

– Oi Lorena – respondo cabisbaixo. Será que ela realmente tem namorado? Eu nunca a vi com ninguém, mas ela quase não aparece no pátio e nem na hora da saída avisto ela.

– Está tão pra baixo... O que aconteceu? – me pergunta ela parecendo preocupada. Nesse momento percebo o quanto ela gosta de mim e se preocupa com meu estado.

– Um amigo me disse algumas coisas sobre você que eu não gostei.

– Aquele que anda com você pra cima e pra baixo? – muda para um tom de voz mais firme.

– Sim! Ele disse que você não é boa influência e que tem um namorado.

– É aquele ali neh? – diz ela apontando para frente. Logo em seguida vi que Wesley vinha em minha direção parecendo está preocupado.

Lorena Vai à direção de Wesley e para enfrente a ele, essa é a primeira vez que vejo os dois juntos, apesar de ser amigo de ambos eles nunca estiveram em um mesmo local ao mesmo tempo.

– O bafo de bosta o que você estava dizendo de mim ai? – Diz Lorena parecendo muito brava. Fiquei muito surpreso não esperava esse tipo de reação dela.

Wesley olha para os lados parecia está evitando olhar para Lorena, não responde nada simplesmente fica parado na frente dela com um olhar vazio.

– O que foi não vai abrir a boca pra não matar a escola inteira? – ainda parecendo muito brava. Pela primeira vez tinha visto Lorena tão agressiva e atacando alguém.

Logo outros alunos foram chegando perto e conforme Lorena continuava a humilhar Wesley eles riam, faziam escárnio da aparência dele e ressaltando que ele tinha mal-hálito.

Wesley olhava para mim como se pedisse ajuda, porém o que poderia fazer? Além do mais foi ele que começou isso espalhando aquelas mentiras sobre Lorena, ela está simplesmente se defendendo, não de uma forma muito agradável, mas mesmo assim é só um instinto de defesa.

– Hei baixinho vem aqui! Não é verdade que na turma dele ninguém senta perto porque o bafo dele fede muito?

Antes que eu falasse qualquer coisa os outros alunos começaram a gargalhar incessantemente, deixando Wesley bem abatido, logo em seguida o sinal tocou e ele saiu correndo tentando evitar mais humilhação.

Lorena fica com uma cara feliz parecendo bem contente, não sei bem, mas naquele momento me pareceu que ela tinha gostado de ter feito aquilo.

– Vem comigo baixinho quero lhe dizer algo – diz ela intimidadoramente. Cheguei a gelar em pensar no que ela poderia querer me dizer.

Fomos até próximos a sala dos professores, Lorena parecia bem apreensiva, olhava para os lados a todo instante fitava a entrada da sala algo certamente a incomodava muito, tira uma chave do bolso e destranca a sala de mestres.

– Preciso de sua ajuda – me diz ela ainda parecendo bem apreensiva. Ela estava tão preocupada, porque será que está assim? Será que se arrependeu do que fez com Wesley?

– Sim o que você quer? – Prontamente me disponho a ajudá-la.

– Eu tive muitos problemas esse ano, se eu tirar uma nota ruim nessa prova final eu serei reprovada e ai minha mãe vai me tirar da escola, assim eu e você ficaremos longe um do outro – com uma voz calma e doce. Parecia está me suplicando.

– Eu faço o que puder para não ficarmos longe um do outro.

– Preciso que você entre na sala dos professores e pegue as provas que vão cair amanhã – ainda com uma voz calma e doce. Não acreditei no que eu acabei de escutar, ela queria que eu roubasse as provas.

– Ma... Mais isso é errado – digo com a voz tremula. De fato não era uma coisa que eu queria fazer.

– Eu sei, mas eu não tenho esperanças, você não quer que continuemos nos vendo?

– Sim quero.

– Então faça isso pra mim. É por um bom motivo.

Nesse momento fique estático, achava muito errado fazer isso, nunca fiz algo desse tipo em minha vida, desde que conheci Lorena já fiz algumas traquinagens na escola, só que esse ato é impensável para mim, porém se eu não fizer, ela vai sair da escola e eu nunca mais vou vê-la. Lorena é a minha pessoa especial e tenho que lutar por ela, de fato é uma coisa ruim, mas como ela disse “é por um bom motivo”.

– Ta bom eu farei por você, eu gosto muito de você, não quero que fiquemos distantes um do outro – respondo firmemente. Não queria fazer aquilo, mas não posso ficar sem vê ela, farei o que for preciso para ficar junto dela.

Assim que respondo Lorena me cede um forte abraço, fazendo o calor de seu corpo eliminar as minhas incertezas, depois disso confirmei com meu coração tudo que eu estava prestes a fazer estava correto, iria ajudá-la e com isso ganhar o coração dela, é muito bom sentir que sou necessário para ela.

Lorena fica na porta da sala enquanto eu entro, todos os professores estavam em aula por isso à sala estava vazia, logo me aproximo das provas, estou realmente tenso, meu coração está muito acelerado mal acredito que estou fazendo isso. Pego as provas da turma de Lorena, uma de cada matéria e saio muito nervoso e preocupado, porém com um sentimento de dever cumprido.

Assim que saio Lorena me pega pelas mãos e me leva até perto da quadra, existia um canto lá aonde quase ninguém ia, logo que chegamos percebo que Nelson do oitavo ano estava parado lá, isso me incomodou um pouco, porém o que vi a seguir foi bem pior, mal dá pra acreditar, Lorena beijando ele na boca como se fossem namorados.

– Eu consegui! – diz Lorena para Nelson, parecendo muito feliz. Cada vez mais eu ficava confuso, o que está acontecendo aqui?

Eles ficaram trocando caricias enquanto Nelson falava algumas coisas no ouvi de Lorena, isso me matou de ciúmes, porque ela está agarrada com ele? Achei que ela gostava de mim.

Assim que ela entrega as provas para Nelson ele vai caminhando levando ela pelas mãos, eu entristecido dou voz a única palavra que veio a minha boca.

– Lorena! – Quase em um tom de choro.

Lorena olha para mim calmamente, se desvencilha de Nelson e vem em minha direção, é a minha ultima esperança certamente ela vai reconhecer meu valor, ao menos minha amiga eu quero que ela seja.

– Olha baixinho você é legal, mas sinceramente... Somos muito diferentes, não servimos nem para ser amigos – fria e secamente.

Olho para ela quase que suplicando pela sua atenção, queria dizer algo, mas as palavras não saiam, apenas fiquei parado esperando que ela mudasse de idéia.

– Não vai contar para ninguém neh? – Agora alterando para uma voz doce e deixando escapar o seu sorriso.

Ainda não consigo pronunciar palavras, simplesmente balanço a cabeça em sinal de negativo, já havia aceitado que perdi minha pessoa especial, alias eu nunca á tive.

De longe vejo Lorena se distanciado abraçada com sua pessoa especial, percebo que não sou necessário para ela, só precisava de mim para pegar as provas, minha utilidade acabou, perdi meu amigo e meu acalanto para minha solidão nessa cidade, novamente estou sozinho.

Notas finais
esse capítulo ficou um pouco maior do que eu esperava, com isso encerro o primeiro arco desse livro, espero que tenham gostado e que acompanhe os próximos capítulos onde se iniciará um novo arco. se puder deixe um comentário.