O Melhor Amigo
13 Capítulo 13 – Vislumbre de Felicidade
Notas iniciais
Capítulo 13 – Vislumbre de Felicidade
Eu quis mudar de vida. Eu queria acreditar em algo diferente e bastaria um simples vislumbre de felicidade para que eu seguisse em frente, porém nada mudou. Tudo que eu queria era uma certeza que essa fase ruim iria passar que futuramente eu seria feliz, só que, quanto mais o tempo passava, mais eu via que minha vida não mudaria e o sentido da palavra amizade prosseguira sem qualquer conhecimento real do significado — ao menos não para mim.
Finalmente a hora de ir para a casa do Jack chegou. Hoje à noite eu faria minha interação junto às pessoas que podem futuramente ser importantes em minha vida, ter bons amigos e talvez encontrar a minha única e especial. Pego-me olhando para o espelho, arrumando o meu cabelo. Tentei deixar ele bem escorrido, mais ao estilo rock’n roll. Coloquei um all star, um jeans escuro e um casaco branco com uma camisa preta da minha banda favorita por cima. Acho que estava bem ao estilo que mais gosto, então espero que agrade.
Já na saída do quarto, vi Solene com um jeans e uma blusa preta, seus cabelos amarrados e um tom bem forte de escuro contornando seus olhos. Achei um pouco de exagero na maquiagem, mas decidi não falar nada.
Descemos as escadas sem falar muita coisa um com o outro e logo em baixo estava minha mãe nos aguardando.
– Juízo vocês dois, tá? – disse minha mãe estendendo as mãos em nossa direção. Ainda acho bem estranho esse tipo de contato com ela, às vezes de fato ela parece minha mãe mesmo.
Assim que passou as mãos sobre nossas cabeças, ela deu um maço de dinheiro para mim e outro para Solene. Isso me deixou um pouco sem jeito; não gostava de receber coisas dela, principalmente dinheiro. Isso me deixava, de certa forma, à mercê dela.
Logo após esse desnecessário ritual familiar, eu abri caminho para saída e deixei a casa junto de Solene. A menina parecia muito empolgada. Apesar de não falar, se via o brilho em seus olhos e alegria em cada passo.
Em algum tempo de caminhada e já descendo a esquina da casa de Jack, bem à frente já avistei o portão vermelho e me empolguei com a situação. Nem conseguia imaginar direito como seria o local, mas estava realmente em ampla empolgação.
– Aonde estamos indo? – perguntou Solene rapidamente. Interrompeu meus pensamentos desnecessariamente, ela estar indo não é o bastante?
– Na casa de um amigo ,ele vai com a gente – respondi friamente. Agora que me dei conta realmente havia esquecido de dizer isso para ela.
– Não sabia que você tinha amigos... Ele é bonito? – perguntou ainda falando rapidamente. Mais uma vez pondo sua língua afiada para trabalhar.
– Não sei... Não reparo nisso, ele só é bem mais velho que você – falei ainda secamente. Apesar de não saber certo a idade de Jack, eu tenho mais ou menos uma ideia, pois ele aparenta ser bem mais velho que eu.
Por sorte, antes que pudéssemos continuar aquele assunto que já estava me irritando, fomos brevemente interrompidos por uma figura que estava parada na frente da casa de Jack. Era um rapaz alto que também aparentava ter entre dezessete ou dezoito anos, estava de jeans e uma blusa azul bem escura com um desenho em seu centro. Era moreno bem claro e tinha um cabelo levemente cacheado, estava com um sorriso no rosto e um skate em suas mãos.
– Olá... Também estão esperando o Jack? – perguntou o rapaz com uma voz meio rouca. Parecia entusiasmado, aparentemente um cara legal.
– Ah! Sim – falei em um tom baixo. Respondo meio que no susto.
– Eu acabei de chamar ele, a mãe dele falou que ele já estava vindo – falou coçando a cabeça e entoando sua voz rouca à medida que falava.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Jack apareceu na porta de sua casa e veio caminhado para o portão. Não sei por que, mas ele parecia meio surpreso em me ver. Isso me deixou um pouco sem graça, ainda mais por ter trazido Solene comigo.
– Opa, e aí... Abel, né? – perguntou Jack ainda com uma face meio surpresa. Bem, ao menos ele lembrou meu nome, só que mesmo assim me sinto apreensivo.
– Aham... Abel sim! – falei ainda me sentindo sem graça.
– Aí, cara, a Letícia já me ligou e tá esperando a gente lá já – corta o rapaz de voz rouca. Que bom que ele falou algo, pois eu nem tinha idéia de como proceder.
– Eita! Vamos logo então, que da última vez que ela chegou antes já tinha um monte lá em cima dela – exclama Jack mostrando preocupação em seu tom.
Todos começamos a andar direcionados para a rua de baixo, onde ficava “Os Aluados”. Eu ainda estava bem sem graça e Solene parecia mais sem graça ainda, já que foi praticamente ignorada por Jack.
– Hey, Jack, sei que você é meio de lua, mas não vai apresentar seus amigos não? – perguntou o rapaz de voz rouca.
– Ah, sim... Desculpa, minha cabeça realmente às vezes não funciona... Na verdade, ninguém aqui se conhece direito, né... Bem, esse é o Moreno. Moreno, esse é o Abel, já a menina eu não conheço – disse Jack sorrindo um pouco.
– Essa é minha irmã Solene – cortei de imediato. Bem, parecia que era o jeito dele mesmo.
Solene sorriu timidamente e apenas cumprimentou com a cabeça. Em meio à toda aquela sessão de apresentação, nós quatro passamos a andar conversando sobre nossas bandas favoritas e o que esperávamos fazer hoje, e pela primeira vez conversei com Solene como se ela fosse uma amiga minha.
Umas meia hora após sairmos da rua de Jack, nós finalmente chegamos a rua dos Aluados, e era bem diferente do que eu imaginava. Era uma espécie de praça, havia uma pista de skate em seu centro e vários bancos aleatórios e mesas cimentadas pelo lugar. Tinha algumas árvores e muita gente vestida de preto espalhada por todo o ambiente; era diferente, porém me parecia perfeito.
Jack assim que chegou foi falar com uma menina de longos cabelos pretos enquanto Moreno ia para a pista de skate, e antes que eu notasse Solene já estava falando com umas meninas — se não me engano, eram amigas da escola dela, ou seja... Mal cheguei e já estou sozinho.
Passou-se algum tempo e me vi sentado em um dos bancos, esperando o tempo passar. Já não havia nem sombra das pessoas que vieram comigo e eu já estava bastante entediado, ficava apenas fitando Solene de longe — já que minha mãe havia imposto essa responsabilidade a mim. No final das contas, não adiantara nada trazê-la.
Repentinamente, um rapaz se senta ao meu lado e seguidamente uma menina de cabelos cacheados de jeans e blusa preta se senta em seu colo. Os dois começam a se beijar na boca, o que me incomoda muito, fiquei sem graça e já estava me preparando para me levantar quando, um pouco distante, escutei uma voz.
– Nossa, vocês dois, hein! – Era uma voz fina e estridente. Tratava-se de uma moça de cabelos pretos bem curtinhos, pele morena um pouco escura e olhos esverdeados bem claros. Estava com um vestido longo e preto, de primeira me pareceu linda.
– Hum ... Você sumiu, tive que aproveitar, né! – respondeu a menina sentada ao meu lado.
– Quem é o guri? – disse a menina de cabelos curtos e vestido, parada a minha frente.
A menina de cabelos cacheados arregalou os olhos ao me ver e seguidamente começou a rir.
– Desculpa, nino! Eu não havia te visto – disse ela ainda rindo. Agora sim eu estava no auge da vergonha.
– Está tudo bem! – respondi timidamente.
Todos os presentes começaram a rir exasperadamente, o que me deixou mais envergonhado ainda. Primeiro contato que tive nesse lugar e já era motivo de chacota? Era bem mesmo minha cara.
– E qual é o seu nome, lindinho? – perguntou a menina de vestidos pretos com sua voz fina e estridente. Lindinho? Pior que não sei se ela estava me elogiando ou caçoando de mim.
– Meu nome é Abel – falei com um pouco de timidez na voz. Ótimo, eu havia dado agora mais um motivo para me zoarem, devia ter mentido o meu nome.
– Nossa, que nome lindo... Gostei do seu nome, guri. O meu é Daiane, mas pode me chamar de “Daí” – falou ainda com a voz fina e estridente. Meu Deus, aqui era realmente a cidade dos apelidinhos, será que ninguém se chamava pelo nome?
Antes que eu pudesse dizer algo, a menina de cabelos cacheados e blusa preta se levanta do colo do rapaz e o puxa pelo braço. Deixou sair um malicioso sorriso enquanto caminhava lentamente, arrastando-o pelo braço.
– Vou para outro lugar continuar o que você interrompeu – falou com um ar malicioso em sua voz. Bem, fiquei menos desconfortável sem eles se beijando do meu lado.
– Vai me abandonar de novo? – perguntou Daí com um tom de sarcasmo.
– Você já encontrou companhia... Aproveite o seu lindinho ai – respondeu a menina de cabelos cacheados ainda com malícia em sua voz.
Dai pareceu ficar um pouco envergonhada com o que a amiga disse, mas apenas deixou escapar um lindo sorriso tímido que realçou seus olhos esverdeados. Seguidamente, ela se sentou ao meu lado e me olhou diretamente nos olhos.
– Então, lindinho... Vamos dar uma volta? – soou quase como um sussurro. Falando assim bem baixinho e me olhando dessa forma, me faz perder o rumo. Pareci estar sonhando, mas não entendia como isso estava acontecendo.
Esse pequeno contato, essas poucas palavras... Isso que acabara de acontecer beirava o inacreditável. Eu conseguira, de fato, insistir em manter contato com alguém e dera certo. Vir aqui também certo e o resultado de tudo que quis estava na minha frente, olhando para mim com esses olhos esverdeados e brilhantes! Finalmente, depois de tanto tempo, tive o meu primeiro vislumbre de felicidade.
Capítulo Betado por — lorena_luiza.
Fale com o autor