O Melhor Amigo
9 Capítulo 9 – A Festa da Melancia
Notas iniciais
Capítulo 9 – A Festa da Melancia
– Promete que vai estar sempre comigo? – Uma voz trêmula e pouco confiante. Digo olhando em seus olhos esperando por uma resposta positiva.
– Prometo, eu adoro você seremos sempre amigos – uma voz doce e um pouco tímida. Não era bem o que queria ouvir, mas saber que sempre a terei a meu lado me faz muito feliz.
Aproximo-me dela e lhe dou um abraço bem apertado que é imediatamente respondido com um forte aperto em torno de meu corpo. Finalmente alguém que gosta de mim e que não vai me usar para nada.
Uma pessoa pode ser feliz, mesmo que a vida a isole das coisas que ela goste, mesmo que esteja em um lugar que seu coração não suporta, mesmo que todos ao seu redor o façam se sentir muito solitário, se você perseverar uma hora vai encontrar uma pessoa, alguém que reconheça a pessoa que você é, fazendo se sentir ter a melhor vida do mundo, eu achei na Suzy esse sentimento, finalmente me sinto feliz de novo.
Já tem dois meses desde que eu e Suzana viramos amigos, alias Suzy que é como ela gosta de ser chamada, sinceramente essa é a cidade dos apelidinhos. Nem me importo o apelido dela é tão gracioso que vale apena ficar diminuindo o nome dela que por acaso parece nome de mulher mais velha.
Hoje na escola vai ter uma festa de comemoração a um feriado dessa cidade, eles celebram o aniversário da cidade com o nome de dia da melancia, onde melancias são decoradas como se fossem aboboras, tem festa temática dança, musica, diversão e tudo mais que se tem em uma festa, seria terrível para mim, se não fosse pela Suzy, graças a ela acho que vou me divertir muito.
Tem pelo menos vinte minutos que chegamos na escola, eu vim com uma roupa bem bonita bem ao menos meu pai dizia que eu ficava bonito nessa roupa, uma camisa verde com um gatinho em seu centro e uma calça jeans bem fosca, arrumei o cabelo, não me sinto lindo, mas ao menos me arrumei o máximo para ela.
Ela veio com um vestido todo rosa bem largo com uns bordados floridos, ela não usava roupas muito apertadas, pois tinha vergonha de seu corpo um pouco arredondado. Eu amei ver ela de rosa, essa cor realçava sua pele bem branquinha e suas bochechas rosadas, como sempre com seus cabelos negros presos e amarrados com um laço também de cor rosa.
Há algum tempo sentados olhando para a festa fizemos uma promessa de sempre estarmos juntos, estou tão feliz, não esperava que ela fosse aparecer em minha vida, e tão bom está assim tão conectado com alguém, espero que tudo de certo com ela.
– Você não está com fome? – Pergunta Suzana bem calmamente. Ela de fato come muito, acho que por isso que ela ta desse tamanho.
– Bem, não muito... Mas se você quiser comemos algo – respondo também calmamente. De fato não estou com fome, mas não ligo de ir comer algo com ela, estando ao seu lado tudo está certo.
– Ah! Não precisa ir por minha causa – um pouco animada.
– Mais eu quero ir com você – Prontamente a corto.
– Ta você que sabe – ainda animada. Não sei por que mais comer a anima tanto.
Andamos até as tendas, ela compra algumas guloseimas e vai comendo ao mesmo tempo em que fala comigo sobre a festa, e tão bom andar do lado dela, mas percebo os olhares e as gracinhas dos outros alunos, sempre que nos vêem, ficam cochichando, aposto que deve ser por eu ser um ninguém e ela meio gordinha.
– Fala Bel, tudo jóia meu maninho – logo de cara já reconheço a voz alegre e irritante.
– Oi Leo – respondo seco como sempre.
– Pode me emprestar a sua namorada um pouco? – pergunta ainda com a voz alegre e irritante. Na mesma hora me surpreendo e ao mesmo tempo fico com vergonha.
– Não somos namorados – eu e Suzana respondemos juntos.
– A sei lá você estão sempre juntos achei que eram, alias toda a escola acha – diz ele ainda com a voz alegre. Porque sempre que ele aparece, eu fico constrangido de alguma forma?
– Ta mais não somos – insisto ainda seco. Tento terminar logo o assunto, não quero assustá-la com isso de namoro, pretendo pedir ela em namoro hoje, mas ainda está muito cedo.
– Ta mais pode me emprestar ela? Tem uma gincana e precisamos de meninas para torcer pra mim, quem tiver mais meninas segurando melancia do seu lado ganha – fala ainda animado. E essa agora? To ligando pra gincana? Ele que ache outra, vou perder minutos de meu tempo com ela por causa da gincana besta dele.
– Se ela quiser ir – ainda seco. Não quero que ela vá, mas não posso obrigá-la.
– Ah! Eu gostaria de ajudar – diz ela animada. A porque esse animo todo? Achei que ela iria ficar aqui comigo.
– Hum... Ta, então depois nos falamos – digo secamente. Tento transparecer não me importar, apesar de estar bem irritado.
Eles partem me deixando aqui parado com cara de bobo, pior que sem ela não tenho nada para fazer nessa festa chata.
– Oi! – Uma voz animada que surgi em meio as pessoas. Mal deu para acreditar, Solene estava vindo falar comigo.
– Oi? – Um pouco confuso. Pudera acho que essa é a primeira vez em um ano que ela vem falar comigo por livre e espontânea vontade.
Solene estava com um vestido verde cristalino, ia fazer uma apresentação de dança junto com suas amigas. Ela estava ali na minha frente acompanhada das duas Mellíssas, sim a melhor amiga de minha irmã Solene se chama Melissa só se escreve de forma diferente, mas a forma que é falado a mesma coisa que a minha irmã Mellíssa.
– Fiquei sabendo que você esta namorando a gordinha? – Diz ela com um sorriso sarcástico no rosto. Sabia que tinha algo de errado, ela veio aqui só pra caçoar de mim.
– Não estou, e não é da sua conta – respondo asperamente.
– Nossa garoto tava só perguntando – diz ela agora asperamente.
Não dou mais trela para ela simplesmente me viro e começo a andar, de todos naquela casa a que menos gosto e a Solene, ela é chata, implicante, se acha muito apesar de não ser muito bonita e nem muito inteligente as notas dela estão sempre na média ou abaixo dela.
Após me afastar de Solene fico próximo a gincana que por acaso o Leo havia ganho, se tem alguém que pode juntar muita menina em um canto só esse alguém é ele.
Observo Suzy ali no meio das meninas, ela parece tão feliz, tão interada com as outras pessoas, acho que não posso culpá-la por essa felicidade, eu mesmo gostaria de ser o centro das atenções, ser o mais bonito ou o mais legal, o melhor no futebol ou em algo que chame a atenção e os outros me notassem, mas infelizmente no que sou bom não atraí ninguém, ser bom nos estudos só afasta mesmo.
Quase meia hora esperando finalmente Suzi se afasta das meninas e vem falar comigo, eu já estou bem cansado de esperar, mas entendo os motivos dela, aposto que ela está adorando isso.
– Desculpe a demora estávamos falando de umas coisas da festa acabei me distraindo – diz ela bem animada. Ao menos queria que ela parecesse está pedindo desculpas.
– Ta tudo bem, eu também estava por ai fazendo algumas coisas – respondo seco. Acho que to começando a ficar bom em mentir.
– Vamos comer algo? Estou morrendo de fome – pergunta ela ainda animada. Ta dessa vez eu também estou com fome.
Alguns minutos depois eu e Suzy estávamos sentados perto das barraquinhas de vendas, estávamos comendo um sanduíche ao mesmo tempo em que conversávamos.
– Está gostando da festa? – Pergunto com um pouco de insegurança.
– Sim! Pela primeira vez em minha vida estou me divertindo – responde animada. Que bom que ela está gostando.
Repentinamente Suzy baixa um pouco a cabeça e fica com uma expressão entristecida, parecia que a qualquer momento ela iria chorar. Seus olhos estavam concentrados no chão como se não quisesse olhar para mais nada.
– Está tudo bem Suzy? – Com um tom preocupado.
– É que eu me lembrei de minha antiga escola... Todos lá me tratavam como uma gorda inútil que não servia para nada, era excluída de tudo, sentava no canto da sala até os professores me ignoravam – com um tom melancólico da uma pausa para respirar.
Fico sem ter o que dizer, via a tristeza em seu rosto à medida que ia falando, deve ter sido duro para ela viver com todas essas pessoas contra só por não ser um exemplo de beleza ou por ser um pouco gordinha.
– Teve uma festa assim lá, um festival também, eu fiz a burrice de ir, fiquei sozinha quase todo o tempo e depois algumas pessoas da minha sala ficavam rindo de mim sempre que eu passava perto delas, os meninos riam de mim ficavam me chamando de “porca prenha”... Eu fiquei tão triste que comecei a chorar no meio da festa e ninguém parou de caçoar de mim, na verdade ficavam repetindo “porca prenha” sem parar, até que um professor veio e me tirou da festa como se a culpa tivesse sido minha, porque os alunos falaram que eu comecei. Tudo que eu queria era participar de algum grupo ter muitos amigos! – Ainda com um tom melancólico e olhar fixo no chão.
Fique bem triste ao ouvir isso dela, fizeram uma maldade grande com ela, isso me lembrou vagamente o que a Lorena fez com o Wesley ano passado, ele deve ter se sentido muito triste também. Sinto-me muito impotente com ela assim não sei o que dizer.
Farei ela se sentir melhor, essa será a minha missão e só depois de fazer ela feliz que a pedirei em namoro, minha pessoa especial precisa de uma prova de meus sentimentos e certamente farei isso pra ela.
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