O Melhor Amigo
11 Capítulo 11 – O Cisne de Vidro
Notas iniciais
Capítulo 11 – O Cisne de Vidro
O que um amigo verdadeiro deve fazer quando o sentimento de amizade requer sacrifícios para que seu amigo seja feliz? Isso é certo ou errado? Quando se está perdido? Quando tem que dar tudo que se tem? Quando é preciso jogar fora suas esperanças? Quando a pessoa que você mais gosta é seu único e melhor amigo... Vale apena perde-la para vê-la feliz?
As palavras de Leo foram um tormento para mim, queria ver a Suzy feliz, mas não queria perde-la, minha intenção era fazê-la feliz para que eu pudesse me confessar para ela, não sei o que fazer.
– Se eu me afastar dela é certo que ela vá encontrar outro grupo? – Sério e direto. Ainda insistindo na questão na esperança de que ele me desse outra resposta.
– Maninho... Se ela tiver só eu arrumo um grupinho pra ela, dificilmente iriam zoar ela em um grupo, meninas se protegem muito, nesse ponto seria melhor pra ela já que com você ela sempre é zoada de alguma forma... Mas você tem certeza que quer isso? Se gosta dela porque não fica com ela do seu lado? Porque ela tem que arrumar um grupinho? – pergunta ele com um tom sério. Na certa ele não entende, ele é tão famoso e descolado, atrai as massas e está sempre de bem com a vida, não conhece o sentimento de quem está sozinho. Ela teve um sério trauma e nunca foi aceito em nenhum grupo isso é importante pra ela.
– Pera eu vou falar com ela... E depois eu decido e te falo ok? – Em um tom bem baixo. Guardo ainda alguma esperança de mudar de ideia, vou falar com ela antes e depois tomo essa decisão.
Leo apenas acena com a cabeça e volta para o seu grupo de amigos, eu cabisbaixo sigo em direção ao refeitório ainda pensando o que devo fazer com Suzy, sei que ela seria muito feliz se tivesse um grupo de amigas, na festa de melancia ela parecia tão de bem com a vida fiquei muito feliz de vê-la assim.
Assim que chego ao refeitório, vejo os outros alunos olhando para Suzy e cochichando, não faziam questão de esconder que estavam falando dela, por sua vez ali sentada envergonhada de semblante triste e totalmente abatida estava à pessoa que eu queria que fosse a minha única e especial.
– Demorei muito? – com um tom alegra e confortante. Tento esconder minhas intenções e finjo não ter percebido que falavam dela.
– Não... Não demorou não – um tom baixinho e melancólico. Está realmente abatida com os olhares, isso vive acontecendo com ela aqui, como eu não tenho muita atitude continuam a olhar mesmo comigo perto, pois sabem que eu não vou fazer nada.
– Posso te perguntar uma coisa? – também em um tom baixinho.
– Sim o que quiser – um pouco menos melancólica. Parece que minha presença a anima isso me deixa um pouco feliz.
– Gostaria de ter mais amigos sabe um grupo grande de amigos... Alias amigas você não tem nenhuma amiga neh? – ainda em tom baixinho e com um pouco de insegurança na voz. Extremamente apreensivo com a resposta dependendo do que ela dizer pode mudar totalmente nossa amizade.
– Ah! Eu tenho você, pra mim isso é muito bom, mesmo porque eu nem sei como é ter uma amiga nunca tive uma, não sei conversar sobre coisas de garotas e provavelmente se tivesse com algumas seria a mais feia, me sinto segura com você sei que nunca vai caçoar de mim e me fazer sentir inferior, entre ter várias amigas e ter só você eu prefiro ter só você – ainda baixinho e timidamente. Ela ficou corada com a resposta está com vergonha de dizer isso, ela é tão legal e agora com isso tenho mais certeza de minha decisão, devemos ficar juntos.
Em meio à conversa os meninos começam a fazer uma brincadeira de pegar no refeitório e entre corridas e gritarias o “Cisterna” acaba tropeçando e caindo em cima de Suzy que se estatela no chão.
– Há! O “Cisterna” caiu em cima da “mister pig” – disse um dos alunos caçoando de Suzy.
Logo os outros alunos começaram a rir incessantemente, o próprio “Cisterna” mesmo no chão se escancarava de rir de Suzy que de tanta vergonha saiu chorando do refeitório enquanto os alunos ficavam rindo e repetindo – Vai mister pig... Pig,pig,pig.
Eu nada pude fazer, fique sem ação, foi tudo tão rápido que não deu tempo para ajudá-la, tudo aconteceu bem na minha frente e eu não pude reagir, que droga de amigo eu sou, não posso protegê-la.
Acaba de cair um balde de água fria em mim, percebo que não seguir com ela seria estar condenando ela a ser vítima de chacota para sempre, não sou bom para responder provocações e nem forte para obrigar os outros a não caçoarem dela, não tenho amigos para me da suporte e nenhum adulto iria me ajudar, não posso mantê-la sem feri-la.
Saio correndo do refeitório já com meu objetivo certo em minha mente, de longe avisto Leo com sua turminha e sem mesmo me anunciar eu o interrompo.
– Eu concordo – firme e direto. Interrompendo a conversa dele com seus amigos, mas eu estava desesperado para resolver isso.
Leo me olha um pouco torto, põe a mão em meu ombro e me guia para longe dos amigos dele, estava com a face séria o que eu dificilmente via no dia a dia.
– Maninho... Você não pode ficar me interrompendo assim na frente dos outros é moh feio isso – diz ele ainda de semblante sério. Chega a me dar um pouco de medo ele nunca falou assim comigo.
– Desculpa... – com insegurança na voz. Agora estou com medo de que ele não me ajude.
– Ta maninho eu posso arrumar as amigas para ela e cuidar para que ninguém fique zoando ela, mas me diz, quer mesmo que eu arrume umas amigas para ela? Como eu disse ela vai se afastar de você, mesmo porque as próprias amigas vão induzir ela a fazer isso.
– Sim eu quero – firme e direto. Estou decidido a dar um pouco de felicidade para ela.
– Ta ela vem ai... Se despeça dela, mas te digo... Não vai ter volta – ainda sério.
Observo Suzy saindo do banheiro com seus olhos vermelhos de tanto chorar, estava abatida e muito cabisbaixa, aquela menina gordinha e de fita no cabelo com a pele rosada e grandes bochechas me encantava mais do que qualquer uma nessa escola, só agora percebi o quanto ela é linda, é mesmo uma pena.
Deixo Leo para trás e ando na direção de Suzy, começo a tremer de nervosismo, não acredito no que estou prestes a fazer, quanto mais me aproximo menos quero perdê-la, ela atualmente é tudo para mim.
– Oi você esta bem? – Pergunto com um tom bem baixo. Sei que não está, mas não evito de perguntar.
– Sim estou me desculpe por ter saído daquela forma... Eu não aguentei aqueles imundos – responde ela com alguma mágoa em sua voz.
– Está tudo bem... Olha o Leo e os amigos deles estão te esperando, depois da festa você não falou mais com eles a próprias amigas dele falam muito de você, elas estão te chamando para conversar – disfarço alguma satisfação na voz. Sim menti, mas foi para o bem dela.
– Elas querem falar comigo? – pergunta um pouco desconfiada, porém com alguma satisfação em sua face.
– Sim... Vai lá – digo apontando para frente.
– Ta então vamos! – ainda desconfiada.
– Elas não me chamaram... Só você – seco.
Suzy começa a me olhar um pouco desconfiada da situação, aperta seus olhos e fica com um ar sério, na certa perceberá que algo não estava certo, uma linha de informações fora de contexto que parecia a esta incomodando.
– Mais porque isso? Eu prefiro ficar aqui com você – seca e direta. Parece mesmo decidida a ficar comigo.
– Olha na verdade tem bastante tempo que o Leo tem me dito que as amigas dele querem falar com você, mas eu achei que seria legal manter você por perto... – tremo um pouco a voz não acreditando no que eu estava para dizer, porém continuo – mas você atrai muitos os olhares negativos, ta sempre comendo e vive sendo zoada e sério não é nada contra você, mas eu já sou zoado o suficiente sozinho e não preciso disso hoje pra mim foi a gota d’água, prefiro ficar sozinho do que ficar sendo zoado com você – com a voz tremula, mas tentando ser o mais direto o possível. Não queria mentir dessa forma para ela e muito menos magoá-la, mas prefiro ela feliz longe de mim do que triste ao meu lado, ela será protegida com eles, quanto menos contato tiver comigo melhor.
Suzy fica me olhando com os olhos lacrimejando, dava para ver que ela tentava dizer alguma coisa, mas as palavras não estavam saindo, e antes de mais qualquer coisa acontecesse somos interrompidos por Leo.
– Oi linda... Estamos te esperando vem? – com o a voz alta e seu simpático sorriso no rosto.
Suzy cabisbaixa simplesmente o acompanha, nem se quer olha para mim, vai andando sem se quer me dizer uma ultima palavra, nunca mais vou abraçá-la isso aperta meu coração, eu gosto dela e sei que o melhor para ela é viver bem passar o resto do ano letivo se divertindo e não sendo motivo de chacotas da escola, espero que de tudo certo para ela então esse fica sendo nosso mudo adeus.
Finalmente depois de um dia pavoroso estou voltando para casa, Suzy não olhou para mim nas duas ultimas aulas, com razão o que fiz com ela foi horrível. Sento-me no ônibus ignorando completamente minhas irmãs e torço para chegar logo em casa, realmente estou doido para afundar minha cara no travesseiro e ficar com ela lá resto da noite.
Agora me lembro hoje é dia de entregar a minha agenda escolar, uma mania que tem nessa escola de medir a frequência dos alunos e sua interações em aula, notas essas coisas, melhor eu conferir a minha antes de entregar, só o que meu faltava para hoje seria ver minha mãe agindo como mãe. Vejo na minha mochila o livro de capa fina escrito “ O Viajante” e na hora me lembro, foi o presente da Suzy, pego ele com imenso carinho, minha ultima lembrança dela, eu já tinha esquecido que havia o guardado, com toda a confusão ele ficou descartável, mas agora sua importância é significativa. Abro o livro e bem na capa no lado de dentro no canto superior leio uma dedicatória escrita com uma caneta preta e com uma letra que eu já estava acostumado a ver “ desculpe se não te disse isso logo de cara, mas por eu ser feia e gordinha eu fiquei com medo de você rejeitar, eu gosto muito de você, sei que sou muito caçoada e que você deve sofre com isso, mas quero que saiba que gosto de ti do fundo do meu coração e não me importo com o que digam de mim desde que você esteja ao meu lado, com isso quero dizer que quero um dia namorar com você se você quiser, com amor Suzy” em seu final enfeitado com pequenos corações.
Já não tinha forças para ficar mais triste, cada palavra lida era uma punhalada em meu coração, afastei a pessoa que só queria estar do meu lado por medo de não poder protegê-la, e agora não sei se eu estava certo ou errado o que não importa porque eu já a perdi.
Assim que entro em casa, já percebo minha mãe na cozinha fazendo alguma coisa e parecia apressada, Mellíssa sobre correndo, na certa devia estar querendo ir ao banheiro, enquanto que Solene questiona minha mãe.
– O que está fazendo mãe? – com um tom baixinho e bem curiosa.
Minha mãe sai da cozinha e vem me da um abraço, me aperta contra o seu corpo com força parecia está muito desesperada por esse contato.
– Desculpe filho eu esqueci de te dar feliz aniversário hoje de manhã, mas olha estou fazendo um bolinho para cantarmos um parabéns aqui entre nós ta bom? – parecendo suplicar por desculpas.
– Desculpa... Mas realmente não to afim disso, e além do mais... Eu sou alérgico a ovo, não posso comer bolo – digo com pesar na voz. Estava tão triste com o que ouve com a Suzy que mal dei importância, simplesmente comecei a subir e deixando minha mãe com uma cara bem triste.
– Tá bom filho... Tem um presente para você lá em cima, veio da sua tia – diz ela com tristeza na voz. Parecia está chorando, mas também nãp prestei muita atenção.
Assim que chego à porta do quarto vejo um bilhete e um anel, nossa capricho nenhum de minha mãe, além de escrever um bilhete chinfrim sem nenhum capricho ainda me da um anel feminino, às vezes imagino que ela não pensa, o que faria com esse anel?
Entro no meu quarto e assim que foco na cabeceira da cama tenho uma visão estonteante, uma escultura de vidro, talhada a mão, cada detalhe de sua forma, seu bico, suas azas o molde que foi feito sua transparência se tratava de uma obra prima, não imaginava um presente tão bom, algo que realmente mudou meu humor não pela escultura em sim mais o valor sentimental dela, se tratava do ultimo trabalho em vida de meu pai o seu cisne de vidro.
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