O Medo Persiste Naqueles Que Necessitam
1 O despertar nos dias cinzas
Notas iniciais
O céu estava cinza, assim como eu. Cinza. Vazia e fraca. A morte dominava meu corpo. O medo era presente em meu coração.
O obscuro incendiava a minha mente. Eu só queria sair dali. Queria ir para qualquer lugar que roubasse minha lucidez. Precisava respirar e descansar. O mundo me enganava de diversas formas diferentes.
Quando ele chegou, pude ouvir sua respiração ofegante e até vi a formação de um sorriso maligno. Minha hora estava chegando, enfim ele me achou.
A corda rasgava minha by Browse to Save\">pele e junto do frio minha garganta arranhava. Ele abriu sua pasta de tortura e escolheu a lâmina do dia. Era muito afiada e brilhante. Fez um pequeno corte em minha barriga. Já nem gritava mais de dor, eu apenas estava cansada. Outro corte, dessa vez foi em minha perna. O sangue escorria para o chão e lá ele ficava parado e denso.
Ele levantou e pegou uma espécie de desfibrilador, mas não para salvar alguém e sim torturar. O primeiro choque foi a 50w. Não sabia identificar de onde queimava meu corpo, do frio ou do choque? Talvez dos dois...
Mais um choque e ele parou. Disse para eu não me preocupar, amanhã poderia ser meu último dia.
Era impossível dormir, era impossível pensar ou falar. Todo meu corpo doía, mas o que mais me afligia era saber que minha alma estava rompida.
Então o sol nasceu e com ele, Ele voltou. Disse que estava um lindo dia para sua jovem preferida. Disse que hoje eu poderia ser livre, que só dependia de mim.
Atrás dele havia alguém, mas não conseguir ver quem era. Então ele puxou e arrastou a pessoa presa. Era minha irmã. Não consegui respirar, falar ou raciocinar. Ele a tinha pego. O que era aquele monstro? Por que eu? Por que nós? Por que aquilo? Essas eram algumas de várias perguntas das quais minha boca não conseguia dizer.
Ele ofereceu minha liberdade em troca da dela. A pessoa que que eu mais amava no mundo, a minha única família. Não podia deixar ela com aquele monstro. Não podia abandoná-la.
Ele disse que de qualquer forma todos vão sofrer e morrer, que se eu não decidisse logo, ele faria por mim. Como percebeu que eu não iria trocar minha vida pela dela, se enfureceu. Disse que uma a mais não faria diferença, que só aumentaria o prazer dele e desejo de continuar a missão da qual “Deus” o enviou.
Deus. Outro do qual já não acredito mais. Não tenho fé ou esperança. Não tenho nada. Aliás, tenho. Ela é minha única família e está prestes a morrer bem em minha frente.
Ele abriu sua pasta, a pasta que todo dia eu vejo. Dela retirou uma faca. Olhou para mim e perguntou: Alguma última coisa a dizer para sua irmãzinha?
Não consegui pronunciar uma única silaba. Ele então perfurou o pescoço dela, rasgando cilindricamente até todas as veias jorrarem sangue e... Ela morreu. Meu coração parou. Não pude acreditar. Minha voz não saia. Meus pensamentos estavam embaralhados. Uma dor insuportável perfurou meu coração, uma dor da qual não tinha sangue, mas doía como tal.
Eu só queria que ele me matasse logo. Já não aguentava mais tudo isso. A vida já não era mais importante, já não aclamava mais para minha sobrevivência nesse pesadelo real. Então ele se aproximou e sussurrou em meu ouvido:
– Querida, esse é apenas o começo. Ficaremos juntos por muitos longos anos...
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