O medo,

O medo,

O medo.

Em chamas, ele entra,

Pelas telhas e pelas fendas;

Deita-se em sua cama e lhe diz:

“Não, dormir não vais.”

E tu sentas no chão e o encara, enojado.

O medo puxou-me em casa,

Cravou suas unhas impecáveis em meu braço,

Sentou-se comigo à mesa.

Que cara tinha o medo?

O medo tinha a cara terrível;

O medo tinha a cara de todos nós.

Vencer o medo não dava;

Seria eu então o medo.

Vesti a roupa da Morte,

Domei Cérberus,

E fui eu ser meu inimigo,

Cordeiro na pele de lobo.

Não iria eu tentar vencê-lo;

Não seria fácil tentar conviver com ele,

Nem sequer domá-lo.

Pelo caminho mais rápido e ardiloso vão os fortes,

E é melhor ser temido do que respeitado.

Venci o Medo.

Venci.

Com as mãos vermelhas, o Medo venci.

Fiz o certo.

E tremendo, pergunto:

É melhor ser temido do que respeitado, certo?

Certo?

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