Passado

A notícia já estava sendo transmitida por todos os meios de comunicação, Jô estava preocupada, enquanto Gustavo digitava.

— ela vai ficar bem tia — Gustavo tentou tranquiliza.

— isso não pode estar acontecendo de novo — ela andava em volta da sala — quando isso aconteceu eu achei que iria morrer.

— ninguém mais vai morrer — ele levantou e colocou as mãos nos ombros de sua tia tentando tranquilizar as coisas — acho melhor eu ir para casa.

— não — ela falou baixo — ele deve estar próximo à espreita.

— tia, não tem ninguém à espreita — Gustavo disse colocando o prato na pia enquanto seu telefone tocava.

— quem é?

— número restrito — ele revirou os olhos — alô?

— gostaria de falar com o Gustavo...

— seu dia de sorte — ele respondeu sorrindo.

— eu te vi treinando — a voz doce e feminina suspirou — você dá bons golpes.

— você gostou? — ele sorriu — venha me assistir lutando no campeonato.

— se você estiver vivo até lá — a voz mudou, se tornando grossa.

— quem é?

— alguém que vai te dar o golpe fatal.

— você não me conhece — ele baixou o tom de voz.

— está falando baixo para sua tia não te escutar? — Gustavo começou a olhar pelas janelas — dessa vez ela não vai se safar.

— só por cima do meu cadáver — falou bravo.

— isso não vai ser muito difícil para mim — zombou — venha me pegar.

Gustavo saiu pela porta da frente.

Jô estava apreensiva, tinha medo de que seu pior pesadelo acontecesse.

Em todos os canais a notícia do duplo homicídio era pauta. Sentiu uma angústia enorme no peito e tentou ligar pra Nayara e não obteve resposta. Enquanto isso seu sobrinho estava do lado de fora, o frio estava forte e Gustavo sentia o ar gelado bater em seu peito entre os botões de sua camisa. No fundo da casa tinha uma árvore e nela um objeto lhe chamou atenção, deu alguns passos e então seu telefone tocou.

— noite fria né? — a voz misteriosa perguntou.

— onde você está? — deu mais um passo.

— não vou estragar a brincadeira — riu.

Jô olhou do alto da escada o andar de baixo e estranhou o silêncio.

— Gus? — ela respirou — você está aí?

Do lado de fora ele observava a árvore de longe e então se aproximou mais.

— não tenha medo... — suspirou — venha me pegar!

Ele chegou e ficou frente a frente com a árvore e viu que tinha uma corda amarrada e parecia uma forca.

— onde você está maldito? — Gustavo falou com ódio.

Jô começou a descer as escadas lentamente, pegou um porta-retrato que estava preso na parede para se defender, caso alguém aparecesse.

— Gus? — perguntou ao chegar na cozinha, tudo estava quieto e não havia sinais de que Gustavo estava ali, então ela sentiu um movimento vindo atrás de si e então ela desviou de uma facada que seria certeira em seu rosto — socorro! — ela lançou o porta-retrato na figura encapuzada e enquanto ela desviou e se distraiu Jô se escondeu dentro do armário na sala. O seu telefone tocou no andar de cima, ela tateou dentro do armário e encontrou uma vassoura, então o assassino passou em direção a escada e ela rapidamente abriu a porta do armário e o golpeou com a vassoura, Gustavo chegou pela porta da frente.

— maldito — disse, rudimental aconteceu muito rápido, no momento em que Jô escutou a voz do sobrinho virou-se em sua direção e então o assassino lhe deu um chute e a derrubou antes de sair pela porta dos fundos, Gustavo o seguiu e ao chegar na porta tropeçou e caiu, a figura encapuzada apareceu segurando sua faca e cravou na perna dele fazendo o gritar de dor, então Jô apareceu segurando a vassoura e encontrou Gustavo tentando parar seu sangramento.

Nayara tomou um gole do vinho, o garçom veio até sua mesa e deixou os pratos, Thomas sentou-se.

— desculpe — lamentou — o banheiro estava com fila.

— achei que só os banheiros femininos possuíam filas — ela riu.

— parece que um dos mictórios estava quebrado — ele fez careta.

— entendi — ela fez sinal para eles começarem a comer — então o que vamos fazer neste feriado?

— meus pais querem ver a minha avó — ele respondeu — ela está doente.

— sério? — Nayara entristeceu — espero que ela fique bem!

— ela vai ficar — ele respondeu triste.

— estou na torcida — ela ergueu sua taça para brindar, Thomas pareceu se lembrar de algo e então ergueu sua taça.

— Nayara? — perguntou.

— sim?

— desde que eu te conheci minha vida se tornou muito mais alegre e eu queria compartilhar essa alegria com você pelo resto da minha vida, aceita se casar comigo? — perguntou mostrando uma caixinha com uma aliança dourada.

— claro que sim! — Nayara respondeu animada quase gritando.

Quando se deu conta que a música favorita dela estava tocando.

— então eu preciso colocar isso no seu dedo — ele falou sorrindo.

— eu não estou acreditando — ela estendeu uma mão a seu agora noivo enquanto a outra levou a sua boca.

O clima estava de muita alegria até que o telefone de Thomas tocou.

— é a sua mãe — ele estendeu o celular a ela.

— mãe você não vai acreditar... — ela atendeu a ligação já querendo dar a notícia — o que?.... como assim... que hospital?... estou indo agora mesmo! — e desligou-se telefone.

— o que aconteceu? — Thomas perguntou.

— minha mãe e o Gustavo foram atacados.

— vou pagar a conta e vamos! — Thomas foi correndo em direção ao caixa, enquanto Nayara pegou seu celular e percebeu que ele estava descarregado.

Quando chegaram no hospital Nayara abraçou sua mãe.

— eu fiquei apavorada! — Jô falou quase chorando — ele voltou e dessa vez vai tentar nos levar!

— eu não estou conseguindo entender.

— ele vai conseguir nos matar filha!

— quem mãe?

— o corvo vermelho filha — ela começou a chorar — eu não posso deixar isso acontecer, temos que descobrir quem está por trás disso!

— Nay, vai ver como seu primo está, eu fico com a sua mãe — Thomas disse colocando sua mão monomotor da sua noiva.

— certo — Jô indicou a recepcionista e após conversar com a mesma Nayara foi em direção ao quarto, Gustavo estava dormindo, ela escutou o celular dele tocando em cima de uma mesa — alô?

— você não imagina o quanto esperei para escutar a sua voz...

Notas finais
Quem será que é o corvo vermelho?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.