O Massacre
2 Passado
Passado
A notícia já estava sendo transmitida por todos os meios de comunicação, Jô estava preocupada, enquanto Gustavo digitava.
— ela vai ficar bem tia — Gustavo tentou tranquiliza.
— isso não pode estar acontecendo de novo — ela andava em volta da sala — quando isso aconteceu eu achei que iria morrer.
— ninguém mais vai morrer — ele levantou e colocou as mãos nos ombros de sua tia tentando tranquilizar as coisas — acho melhor eu ir para casa.
— não — ela falou baixo — ele deve estar próximo à espreita.
— tia, não tem ninguém à espreita — Gustavo disse colocando o prato na pia enquanto seu telefone tocava.
— quem é?
— número restrito — ele revirou os olhos — alô?
— gostaria de falar com o Gustavo...
— seu dia de sorte — ele respondeu sorrindo.
— eu te vi treinando — a voz doce e feminina suspirou — você dá bons golpes.
— você gostou? — ele sorriu — venha me assistir lutando no campeonato.
— se você estiver vivo até lá — a voz mudou, se tornando grossa.
— quem é?
— alguém que vai te dar o golpe fatal.
— você não me conhece — ele baixou o tom de voz.
— está falando baixo para sua tia não te escutar? — Gustavo começou a olhar pelas janelas — dessa vez ela não vai se safar.
— só por cima do meu cadáver — falou bravo.
— isso não vai ser muito difícil para mim — zombou — venha me pegar.
Gustavo saiu pela porta da frente.
Jô estava apreensiva, tinha medo de que seu pior pesadelo acontecesse.
Em todos os canais a notícia do duplo homicídio era pauta. Sentiu uma angústia enorme no peito e tentou ligar pra Nayara e não obteve resposta. Enquanto isso seu sobrinho estava do lado de fora, o frio estava forte e Gustavo sentia o ar gelado bater em seu peito entre os botões de sua camisa. No fundo da casa tinha uma árvore e nela um objeto lhe chamou atenção, deu alguns passos e então seu telefone tocou.
— noite fria né? — a voz misteriosa perguntou.
— onde você está? — deu mais um passo.
— não vou estragar a brincadeira — riu.
Jô olhou do alto da escada o andar de baixo e estranhou o silêncio.
— Gus? — ela respirou — você está aí?
Do lado de fora ele observava a árvore de longe e então se aproximou mais.
— não tenha medo... — suspirou — venha me pegar!
Ele chegou e ficou frente a frente com a árvore e viu que tinha uma corda amarrada e parecia uma forca.
— onde você está maldito? — Gustavo falou com ódio.
Jô começou a descer as escadas lentamente, pegou um porta-retrato que estava preso na parede para se defender, caso alguém aparecesse.
— Gus? — perguntou ao chegar na cozinha, tudo estava quieto e não havia sinais de que Gustavo estava ali, então ela sentiu um movimento vindo atrás de si e então ela desviou de uma facada que seria certeira em seu rosto — socorro! — ela lançou o porta-retrato na figura encapuzada e enquanto ela desviou e se distraiu Jô se escondeu dentro do armário na sala. O seu telefone tocou no andar de cima, ela tateou dentro do armário e encontrou uma vassoura, então o assassino passou em direção a escada e ela rapidamente abriu a porta do armário e o golpeou com a vassoura, Gustavo chegou pela porta da frente.
— maldito — disse, rudimental aconteceu muito rápido, no momento em que Jô escutou a voz do sobrinho virou-se em sua direção e então o assassino lhe deu um chute e a derrubou antes de sair pela porta dos fundos, Gustavo o seguiu e ao chegar na porta tropeçou e caiu, a figura encapuzada apareceu segurando sua faca e cravou na perna dele fazendo o gritar de dor, então Jô apareceu segurando a vassoura e encontrou Gustavo tentando parar seu sangramento.
Nayara tomou um gole do vinho, o garçom veio até sua mesa e deixou os pratos, Thomas sentou-se.
— desculpe — lamentou — o banheiro estava com fila.
— achei que só os banheiros femininos possuíam filas — ela riu.
— parece que um dos mictórios estava quebrado — ele fez careta.
— entendi — ela fez sinal para eles começarem a comer — então o que vamos fazer neste feriado?
— meus pais querem ver a minha avó — ele respondeu — ela está doente.
— sério? — Nayara entristeceu — espero que ela fique bem!
— ela vai ficar — ele respondeu triste.
— estou na torcida — ela ergueu sua taça para brindar, Thomas pareceu se lembrar de algo e então ergueu sua taça.
— Nayara? — perguntou.
— sim?
— desde que eu te conheci minha vida se tornou muito mais alegre e eu queria compartilhar essa alegria com você pelo resto da minha vida, aceita se casar comigo? — perguntou mostrando uma caixinha com uma aliança dourada.
— claro que sim! — Nayara respondeu animada quase gritando.
Quando se deu conta que a música favorita dela estava tocando.
— então eu preciso colocar isso no seu dedo — ele falou sorrindo.
— eu não estou acreditando — ela estendeu uma mão a seu agora noivo enquanto a outra levou a sua boca.
O clima estava de muita alegria até que o telefone de Thomas tocou.
— é a sua mãe — ele estendeu o celular a ela.
— mãe você não vai acreditar... — ela atendeu a ligação já querendo dar a notícia — o que?.... como assim... que hospital?... estou indo agora mesmo! — e desligou-se telefone.
— o que aconteceu? — Thomas perguntou.
— minha mãe e o Gustavo foram atacados.
— vou pagar a conta e vamos! — Thomas foi correndo em direção ao caixa, enquanto Nayara pegou seu celular e percebeu que ele estava descarregado.
Quando chegaram no hospital Nayara abraçou sua mãe.
— eu fiquei apavorada! — Jô falou quase chorando — ele voltou e dessa vez vai tentar nos levar!
— eu não estou conseguindo entender.
— ele vai conseguir nos matar filha!
— quem mãe?
— o corvo vermelho filha — ela começou a chorar — eu não posso deixar isso acontecer, temos que descobrir quem está por trás disso!
— Nay, vai ver como seu primo está, eu fico com a sua mãe — Thomas disse colocando sua mão monomotor da sua noiva.
— certo — Jô indicou a recepcionista e após conversar com a mesma Nayara foi em direção ao quarto, Gustavo estava dormindo, ela escutou o celular dele tocando em cima de uma mesa — alô?
— você não imagina o quanto esperei para escutar a sua voz...
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