O Mapa de Ross

2 Capítulo 2 - Visualização


I — Monótono

4 de Julho, 2017.

Me impressiona de fato o modo de vida das pessoas ao meu redor, a mesmice parece ser suficiente para que eles continuem buscando sempre o mesmo objetivo, mas nunca chegam a conquista-lo, planejam, planejam, sonham, entretanto nunca fazem o necessário para saírem de seu comodismo. Ainda analisando, é visível que a capacidade humana se restringe àquilo que nos trás conforto, nossa mente nos leva ao óbvio, nossas ideias claramente demonstram os traços de nossa devoção às coisas impossíveis e as causas perdidas o masoquismo social, a autotortura, a auto depreciação e a impossibilidade de mudança são ações/visões que limitam a nossa espécie. Assim como na evolução das espécies, um réptil é resultado de um anfíbio que buscou ser diferente dos demais.

Sendo assim julgo que os problemas sejam uma tentativa desesperada do destino fazer as coisas serem diferentes uma vez ou outra, entretanto as pessoas observam apenas a sombra do problema esquecendo-se que a sombra de um anão torna-o um gigante; que a nossa visão fica ofuscada quando um raio de luz bate em nossos olhos. Quero dizer que não há a necessidade de fortalecer, engradecer e negativar um problema, um problema pode ser a clara demonstração de que podemos ser melhor do que imaginamos, ou até mesmo ver que temos plena capacidade de buscar novas oportunidades perante nossa pré-determinada história.

Creio que um grande problema seja a busca de atalhos para chegarmos a conclusões óbvias das coisas, quase como aquilo que ocorre nas manchetes de jornais, somos uma geração informada por títulos; buscamos a informação rápida, fazemos análises quantitativas e não qualitativas das coisas, por isso julgamos que aquilo que nós acrescenta algo é com certeza o melhor para nós mesmos e isso é totalmente errado. Certa vez conheci uma mulher, levei-a para comer algo em um bar da esquina, gastamos um total de vinte reais, no outro dia ela se encontrou com um amigo meu descaradamente, afirmando que o mesmo a pagou um jantar que teve custo de mil reais. Ele era um milionário, vinte reais era tudo que eu tinha.

Com isso eu demonstro para você que muitas vezes a quantidade de algo deve ser visto com outros aspectos, analisar a situação por trás dos problemas é evoluir nas questões dos vazios psíquicos e dos conflitos internos, uma vez que passaríamos a nos importar com aquilo que realmente faz a diferença.

Desconhecido.

II — Diretoria

5 de Julho, 2017.

—O que você acha disso, Robert?

—Considero essas afirmações extremamente inteligentes, com certeza não foi qualquer pessoa que escreveu esta carta.

—Essa carta caiu da mochila de Ross ontem na minha sala. Você não consegue encontrar a relação nesses fatos?

—Ainda não compreendi, Marco.

—ELE também está presente, ele não confia que o nosso trabalho será suficiente, ele pensa que não podemos fazer o que ele pediu.

—Você é tão negativo, porque você não procura um novo ponto de vista sobre essa situação? Saia da caixinha.

—Robert, você sempre buscou o lado bom da situação, mas creio que não seja necessário a presença dele entre nós, entretanto a mensagem é clara para qualquer um que a leia, é uma motivação, um incentivo, então porque ele não a destinou diretamente para Ross?

—Como você concluiu que o autor desta carte é especificamente nosso amigo em comum?

—Bom... Eu acho que....

—Marco, aproxime-se, preste atenção às partes grifadas na carta, leia-as na ordem numerada e entenda o que eu quero dizer.

—Sendo assim creio que eu demonstro para você que muitas vezes a quantidade de algo deve ser visto com outros aspectos: Temos plena capacidade de buscar novas oportunidades perante nossa pré-determinada história. Um grande problema pode ser minúsculo se nos levantarmos para olhar para ele e, mais que isso, olhar para a resolução que se encontra por trás dele. -Nesse momento o sinal para o fim das aulas toca.-
—Acredito que não tenhamos que discutir mais sobre isso. -Afirma Marco, que sai da sala após o Diretor concordar com a cabeça.-

III – Intenções

5 de Julho, 2017.

Já fazem dois anos que indiretamente introduzi uma nova forma de educar e com uma nova visualização a respeito da transmissão do conhecimento através da mudança de realidade dos jovens e adolescentes do colégio Trinity. A minha visão sempre está voltada para o desenvolvimento da psique individual de mordo a tornar as pessoas verdadeiros cidadãos, aptos, por si só, a serem formadores de opinião e respeitarem as diferenças existentes dentro da sociedade, a serem ótimos líderes gestores de pessoas e não chefes manipuladores de unidades, sendo assim os resultados que previ estão sendo superados, a experiência desse novo método indica que o sistema educacional que antes privava nossos alunos e educadores pode tornar-se um sistema educacional que motiva ambas as partes e seja fortemente necessário para a formação de indivíduos aptos a conviverem em sociedade e a serem vanguarda de seu tempo.

Creio que a revolução educacional deve ser, acima de tudo, ousada para desafiar o “atual” sistema educacional de nossa sociedade, estamos vivendo novos tempos, temos que adaptar a nossa população para que esteja apta a viver esses novos tempos, novas formas de ver e viver a vida são necessárias, a escola não precisa ser algo imposto, mas algo que seja frequentado com prazer, tornar a escola, de modo literal, a segunda casa de nossos educandos é um plano realmente ousado, buscar a estrutura nessa unidade e encontra-la é o nosso principal objetivo, uma vez que existem diversas situações desconfortáveis dentro e fora do ambiente escolar que não são discutidas com os pais podem ser discutidas com psicólogos e coordenadores preparados e aptos a estudarem e auxiliarem estes na luta contra essas dificuldades de modo a preservar a sua mentalidade produtiva e sua criatividade indutiva, tornando assim o indivíduo preparado para enfrentar os seus problemas buscando soluções simples e efetivas para a resolução dos mesmos e até mesmo uma forma para evita-los propriamente dito.

Podemos observar grandes falhas na educação a partir do momento em que percebemos a existência da violência, intolerância e conflitos em nossa sociedade, em algum momento descuidamos de alguns problemas, deixando eles de lado, quando fazemos isso acendemos a chama da falha e da inconstância em nosso futuro, então é essencialmente necessário a modificação da visão das pessoas perante diversas situações para que as mesmas saibam identificar essas zonas de conflitos e esses problemas e saibam resolve-los, dessa forma poderíamos gerar uma reação em cadeia tornando esses educandos ativos em nossa sociedade através do desenvolvimento do Código do Altruísmo pregado por Augusto Cury. Há uma frase que motiva o meu pensamento, o meu estudo e a minha imersão nesse projeto que se resume claramente a ideia de preservar a educação como valor universal durante a era atual e durante as eras que virão e, para tal, cabe a pessoas inovadoras colocarem em prática o seu papel de modificadoras da sociedade e utilizar de sua influência em prol da melhoria da humanidade como um todo, para finalizar utilizo-me humildemente de uma frase de Mario Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.”

IV – Fragmento

5 de Julho, 2017

“Assim eu, Brás Cubas, descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência. Talvez não entendas o que aí fica; talvez queiras uma coisa mais concreta, um embrulho, por exemplo, um embrulho misterioso. Pois toma lá o embrulho misterioso.”—Memórias Póstumas de Brás Cubas

Após a leitura desse pequeno fragmento Ross indagasse sobre diversas questões que para si pareciam até então relativamente insignificantes, ele indaga a si mesmo o fato de sua própria existência e questiona para si mesmo o conceito de vida enquanto castigasse pela diferença clara entre este conceito e viver, propriamente dito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.