O Mal Mora Ao Lado
1 Acidente
Notas iniciais
Sobre a estrada coberta de asfalto no meio de um sol de meio-dia, estavam muitos cacos de vidro espalhados pelo asfalto. Logo depois havia um carro capotado, de cabeça para baixo no meio da rua. Dentro dele havia duas pessoas, ambas ensanguentadas: um homem de meia-idade com o rosto manchado de sangue, possivelmente morto; e um garoto de dezessete anos, inconsciente. Felipe abriu os olhos subitamente, olhou ao redor até perceber o pai ensanguentado.
Felipe chacoalhou o velho:
- Pai, acorda! Pai!
Nenhuma resposta. O pai morreu. Ao horizonte, Felipe avistou algo vindo em alta velocidade: um caminhão! Felipe entrou em pânico e alcançou o cinto, que não soltava. Ficou um tempo tentando, até que conseguiu. Caiu de cara no teto, e rastejou pela janela quebrada bem na hora em que o caminhão atingiu em cheio o Mustang do pai, transformando-o em uma bola de fogo que mandou Felipe pelos ares, até atingir o chão. Mas antes se lembrou dos últimos minutos que passou com o pai.
***
Roberto de Paiva Pontes, de cinquenta e poucos anos, era ótimo em pescaria, e pensava em transmitir seu “legado” para o filho, Felipe Ramos de Paiva Leal Pontes, no segundo ano do Ensino Médio da Escola Municipal Bastos Tigres, uma das melhores dos municípios da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Felipe não era nada bom em pescaria, mas pegava alguns peixes. Ao pegar um arenque, o pai se espantou:
- Nossa! Que talento!
Após vários arenques e elogios do pai, eles viram que estava muito sol e provavelmente a mãe de Felipe, Sílvia, já teria preparado a famosa salada de batata que todos adoram, eles foram para o carro.
No carro, Roberto deu a partida e foi embora pela estrada. Ligou o rádio na hora em que tocava um ídolo de sua época: Chuck Berry. Os dois cantavam sem perceber que eles estavam indo em direção a um cacto. Felipe percebeu e gritou:
- Pai, um cacto!
Roberto derrapou na pista com tanta força que o carro capotou e rolou pela estrada até parar, de cabeça para baixo no meio da estrada.
***
Felipe, após lembrar-se do último suspiro do pai, fechou os olhos e atingiu o chão, quebrando a perna. Ele ficou durante horas largado na areia até que uma ambulância chegou e o salvou de morrer de desidratação.
***
No posto de saúde, o médico notificou Sílvia, que veio correndo para o local e ficou chocada ao saber que Roberto havia falecido e que Felipe havia sofrido um acidente de carro ao lado do pai. O médico a informou:
- Está engessada, porém ele não poderá sair de casa por um tempo. Ele vai ficar no máximo quarenta dias em casa.
Ela aceitou, pôs Felipe num táxi e voltou para casa.
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