Há muito tempo atrás, em uma pequena vila no extremo norte da Terra, nascia aquele que seria um grande homem, um grande herói. O nome lhe dado foi Nicolau, ele tinha a pele avermelhada e era gordinho.

Naquela época, uma lenda dizia que o Criador dos céus e da terra brindava algumas pessoas com dons, e essas seriam chamadas de santas.

A tal lenda acabara de se provar verdadeira com o nascimento de Nicolau, pois logo se percebeu a habilidade que o menino tinha de fazer as pessoas felizes — especialmente as crianças — habilidade essa que só aumentava conforme seu crescimento.

Nicolau cresceu, atingiu a maioridade, desenvolveu uma forma mais gorda do que a que tinha antes, adotou um grande bigode, suas bochechas se tornaram mais avermelhadas e agora ele gostava de vestir sueters e cachecois vermelhos.

Pelo fato de Nicolau gostar de fazer as pessoas felizes, resolveu fabricar brinquedos de madeira e dar de presente as crianças da vila, para que assim pudesse ver a felicidade delas. Ele começou a presentea-las sempre no fim dos anos, quando se comemorava o aniversário do Criador.

A pequena vila viveu muito feliz graças á Nicolau, a felicidade se espalhara por todas as casas como o ar, mas não por muito tempo. O guardião das trevas, a alma maldita que governava o submundo, observando as pessoas felizes, ficou furioso e resolveu acabar com aquela felicidade.

Ele tratou de aparecer pessoalmente na vila, afim de confrontar os habitantes. Trazia consigo todo o seu exército de espiritos, eles se juntaram e sugaram a felicidade de todas as pessoas. Algumas conseguiam resistir, outras nem lutavam. Nicolau se posicionou a favor dos habitantes, na tentativa de derrotar a tal criatura.

Mas o guardião das trevas era perverso, não usou a força, apenas pôs-se a sugar a felicidade de Nicolau, que tentou lutar, mas não podia, pois a criatura havia pegado em seu ponto fraco. Nicolau era talvez a pessoa mais feliz do mundo, a felicidade fazia parte dele, era como sua energia, e ela fora lhe tirada tão rapidamente que levara até mesmo sua vida junto. Nicolau jazia morto.

Antes de partir o guardião das trevas jogou três maldições nos habitantes da vila. A primeira: ele acabou com todas as florestas da vila e a transformou num deserto, sem água, e com muito, muito calor. A segunda: ele tomou todos os frutos e os animais da vila, tirando todo a alimento daquelas pessoas. E por último veio a pior das maldições, eles extinguiu todos os habitantes da vila, ordenou que eles viveriam aquela vida miserável e que morreriam sem poder gerar filhos, assim se acabaria uma população.

Quando o guardião das trevas foi embora, só a tristeza fez morada naquele local. Não havia mais plantações, nem animais, somente um deserto e um grande calor. Os moradores na maior tristeza, enterraram Nicolau, e junto com ele suas únicas esperanças.

Mas nem tudo estava perdido, quando ninguém tinha mais fé, eis que o Criador olhou por todos. Ele devolveu a vida a Nicolau, mas de uma maneira diferente. Nicolau passou a viver na terra como um anjo, agora ele não tinha só o dom da felicidade, ele tinha poderes maiores concedidos pelo Criador. Agora, Nicolau era imortal. E tinha uma missão na terra.

Nicolau se apresentou aos habitantes da vila. Somente sua presença naquele local já pôde devolver a felicidade a todos os habitantes. Agora, Nicolau tinha uma aparência diferente, ele parecia mais velho, como se tivesse vivido anos e anos em outro lugar, uma grande barba branca tinha crescido em sua face, seus cabelos tinham se tornados brancos também, ele tinha um gorro vermelho e pontudo sobre a cabeça, vestes vermelhas e um longo cajado. Por esse motivo passou a ser chamado por todos de o Mago Vermelho.

Nicolau então começou seu discurso. Ele disse a todos que o Criador havia lhe dado uma segunda chance, havia lhe dado poderes e uma vida imortal, mas não à toa, para salvar a vida deles e principalmente para cumprir sua missão: espalhar alegria pela terra da mesma forma como ele tinha espalhado naquela vila — entregando presentes para as crianças todo fim de ano no aniversário do Criador — mas agora seria para as crianças do mundo todo.

Ele explicou a todos que entregaria os presentes em um trenó mágico voador, trenó este que eles construíriam. Quando questionado quem puxaria o trenó, Nicolau apontou para cinco renas que estavam presentes e afirmou que elas eram renas mágicas e sabiam voar. Nicolau convocou os habitantes como seus ajudantes na missão de fabricar os brinquedos. Mas antes prometeu quebrar as maldições rogadas pelo guardião das trevas.

A maldição da extinção dos habitantes, ele afirmou que era muito forte pra ser quebrada, mas que poderia dar um jeito. Com seu cajado ele ordenou que os habitantes desenvolvessem habilidade para construir brinquedos e que assim como ele, fossem imortais. E assim surgiu a raça dos duendes. Além de tudo isso, eles infelizmente continuariam sem poder gerar filhos.

Para quebrar a segunda maldição, Nicolau ordenou com seu cajado que nascessem árvores de uva e plantas de soja. E assim surgiram os bolos e pães e os vinhos, que alimentaram os duendes durante muito tempo.

Para ser quebrada a outra maldição, Nicolau ordenou que a temperatura baixasse, e que uma grande tempestade caísse do céu, formando o gelo sobre o solo e os flocos sobre o ar. E assim surgiu a neve.

Os duendes nunca mais tiveram sede, pois a grande tempestade formara vários lagos sobre a região. Após tudo isso, Nicolau com a ajuda dos duendes construiu um palácio, onde seria sua morada e a fábrica dos brinquedos.

Mas tarde aquela vila passou a se chamar Pólo Norte. Nicolau não deixou de cumprir sua missão um ano sequer, sempre entregando presentes para todas as crianças do mundo em seu trenó, e nunca faltou rena, pois ao contrário dos duendes, elas poderiam se multiplicar. Logo nasceram várias renas mágicas.

O Criador ficou tão maravilhado com a neve que Nicolau criou, que resolveu levar ela aos outros lugares do mundo, na mesma época em que fazia aniversário e na mesma época em que Nicolau distribuía os presentes. No fim de todos os anos.

E o dia em que a população do Pólo Norte venceu a tristeza, o deserto e a fome não foi só especial pelo fato de Nicolau ter recussitado como um anjo, mas principalmente porque aquele dia foi lembrado para sempre como o dia em que nevou pela primeira vez.

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