A música se encerrou e Jenny se dirigiu ao camarim. Tivera uma noite cansativa e precisava de uma longa noite de descanço. O que mais queria, era sua cama. Quando retirou sua roupa, colocou uma nova e se arrumou para ir para casa. Saiu do camarim direto para o estacionamento. Enquanto pegava sua chave, um acidente aconteceu. Jenny caiu de joelhos perto de uma das portas de emergência e deitou de bruços, morta, dormindo profundamente em uma poça do seu próprio sangue. Ouvia-se passos, aparentemente se dirigindo à um carro, quando um alarme foi tocado e o som de motor ecoava no local.

Uma das faxineiras do teatro, Mary, estava saindo do vestiário quando viu Jenny caída, ensanguentada. O desespero e o medo logo a tomou. Tomou a iniciativa de ligar para emergência, não poderiam fazer nada, afinal, a quantidade de sangue que a banhava, alarmava seu falecimento. Mas ligando para emergência ou para polícia, conseguiriam retirar o corpo dali. Foi o que fez. A emergência demorou quarenta minutos para chegar, enquanto a polícia, em torno de uma hora e quinze minutos. Quando chegaram, Mary ficou aterrorizada com o que via, uma mulher acaba de ser morta, a mulher quer recebeu centenas de aplausos a poucas horas atrás, a mulher que dançava como se estivesse flutuando em um palco de madeira em frente à um público admirador e atento.

– A senhora avistou alguém aqui antes de ver o corpo morto?- disse um dos policiais que estava examinando o local.

– Não vi nada. Quando cheguei aqui, o corpo já estava assim.- disse Mary apavorada.

–Precisamos levá-a a delegacia, para dar testemunho do acontecimento, a senhora poderia me acompanhar?!- disse o policial e detetive Lewis.

–Claro!- disse Mary ansiosa.

Quando chegou à delegacia, Mary esperava ser chamada sentada em uma cadeira na sala de espera, estofada com espumas e courino azul. Assistia à uma reportagem de assassinato na Plodwood Avenue, perto do Plodwood Hospital. Era uma moça jovem, de vinte e dois anos que estava saindo de uma peça de teatro em que interpretava uma vilã. Mary foi chamada. Se dirigiu até a sala do delegado e lá foi recebida pelo mesmo. O nome dele era John Franklin e era simpático, o que não aparentava pela sua cara carrancuda. Mary se sentou na cadeira na frente da mesa de John e lá confessou o que viu: — Quando saí de meu trabalho, encontrei a moça deitada no chão, ensopada de sangue. Não vi ninguém no local, estava apenas eu e ela.- disse Mary apreensiva.

O delegado franzia a testa e nao conseguia ligar os pontos. Tomou um gole do seu café e voltou a perguntar:

– O corpo parecia recentemente morto. Estava um pouco quente ainda. Creio que será investigado profundamente esse caso. Não tem mais nada a dizer, Srta. Mary?- disse John.

–Infelizmente não. É tudo o que sei do caso.- disse Mary.

–Então já pode ir para casa. Descanse e se caso precisarmos, entraremos em contato com você.- John falou.

Mary se retirou da delegacia e foi até sua casa. Lá contou tudo para o marido que ficou surpreso com a história. Acordara algumas vezes de madrugada e ficava mentalizando a imagem de Jenny deitada de bruços, em uma poça de sangue. Queria saber do que se tratava, mas não conseguia investigar nem os barulhos de seu telhado. Na terceira vez que acordou, foi até a cozinha e pegou um copo d'água, bebeu um grande gole e voltou a dormir.

No dia seguinte, enquanto foi trabalhar, ficava se perguntando: "Será que foi homícidio?", "será que foi suicídio?". Logo descartou a segunda hipótese. Ninguém cometeria suicídio em um estacionamento de um teatro, até porque, alguem descobriria e poderiam ver tal ato. Enquanto pensava no caso, tirou um breve cochilo até chegar na sua estação. Se dirigiu até a saída e chegou no seu trabalho. Quando passou pelo estacionamento, não deixou de olhar para a mancha de sangue que ficara no chão, demarcado com uma fita branca pelos peritos.

Um carro parou perto de onde estava e dele saiu um homem, vestido com um terno preto, camisa branca e uma gravata prateada com listras cinzas. Seu cabelo estava bem arrumado e estava carregando uma pasta. Quando viu a presença de Mary, disse:

– Fiquei sabendo do que aconteceu na noite passada. Fiquei aterrorisado.- disse o homem.

– Pois é, fui eu quem acionou a polícia e a emergência. Foi totalmente horrível a imagem que transmitia.- disse Mary ao rapaz.

O homem não disse mais nada, abaixou sua cabeça e saiu andando. Mary torceu o nariz e se perguntava o porque do rapaz sair tão rápido sem dizer uma palavra depois. Ela desconfiava dele, afinal, nunca tivera aparecido ali antes.

Mary pensou bem e decidiu que iria fazer alguma coisa por Jenny.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.