O Líder Da Máfia

30 Voltando à programação normal


Notas iniciais
Boa Leitura !

Contei a ele tudo, sem nenhuma exceção. Desde a precariedade do lugar e a conversa com a mulher desconhecida até todos os estupros. Não sei ao certo o momento em que comecei a sentir lágrimas quentes escorrendo pelas minhas bochechas que insistiam em sair, mas não tentei segurá-las.

Alecssander ouviu tudo atentamente e não falou nada até que eu terminasse. Pude ver que ele estava se segurando para vir me abraçar, mas sabia que isso seria pior para ambos os lados.

Quando fiquei em silêncio total, os olhos de Alecssander estavam vagos, ele parecia estar numa espécie de conflito interno. Ficou me encarando por minutos que pareciam horas, e quando tentou se aproximar, eu o repreendi.

— Não se aproxime ! — falei, e ele parou onde estava. — E por favor, pare de me olhar dessa forma. Já é suficientemente constrangedor falar isso em voz alta, não preciso que me olhe desse jeito.

— Isso é minha culpa... — ele murmurou encarando o chão.

— Como ?

Ele me encarou.

— Isso tudo é culpa minha não é ? — repetiu e então se levantou, passando a mão pelos cabelos e ficando de costas para mim. — Se eu não tivesse te deixado sozinha naquele dia, nada disso teria acontecido.

Me levantei e fui até ele, ficando à uma distância razoável.

— Ei, isso não é culpa sua. — falei, o que fez ele se virar de frente para mim. — A culpa é de quem fez isso comigo, e apenas dele e da mulher que me prendeu naquele lugar. Você não tem nada haver com isso.

Ele olhou no fundo dos meus olhos e esticou o braço, roçando a ponta dos dedos ao lado de minha bochecha. De imediato, dei um passo para trás e me afastei. Ele fechou o punho antes de deixar o braço cair ao lado do corpo e desviar o olhar.

— Desculpe... — murmurou.

— Tudo bem... — murmurei de volta.

Ficamos algum tempo em silêncio até ele respirar fundo e me encarar.

— Bom, está bem. Vou ter paciência e te dar o tempo que precisar. — ele deu um sorriso desanimado. — Por ora, vamos apenas voltar a dormir, ainda está de madrugada.

Eu assenti.

— Vou voltar para a minha poltrona então. — ele deu uma risada baixa.

— Alecssander, você não precisa fazer isso se não quiser. Você pode voltar para seu quarto, até porque eu acho que dormir na poltrona não deve ser muito confortável.

— Você quer que eu vá ? — ele perguntou com uma expressão séria.

Desviei o olhar e neguei com a cabeça. Ele sorriu.

— Então a poltrona está bom pra mim. — ele jogou a cabeça para trás no travesseiro e se acomodou na poltrona. — Então, boa noite de novo.

— Boa noite... — murmurei antes de deitar de costas para ele na cama.

Se passaram alguns minutos com ambos tentando dormir um pouco, mas sem nenhum sucesso. Eu não conseguia dormir por motivos óbvios, e Alecssander porque ele dorme na poltrona, com a luz ligada e agora, provavelmente pensando em tudo que falei. Me sinto aliviada e ao mesmo tempo arrependida de ter contado.

— Darella ? — ele sussurrou de repente.

— Hum ?

— Eu vou pegar as pessoas que fizeram isso com você. — ele disse com uma voz seca. — E quando eu pegar, vou fazê-los pagar caro.

[…]

Como já era de se esperar, não consegui dormir à noite, apenas alguns cochilos de poucos minutos. Mas, quando acordei de manhã, Alecssander não estava na poltrona.

Me levantei, fiz minha higiene pessoal e desci até a cozinha, onde o encontrei servindo-se de suco de laranja. Assim que me viu, deu um sorriso sem mostrar os dentes.

— Bom dia — disse. — Suco ?

Assenti e ele pegou outro copo e despejou mais suco antes de me entregar. Ele vestia apenas uma calça de moletom cinza da Nike, exibindo seu abdômen definido e seus pés descalços.

— Acordou animado hoje — falei. — Vai fazer algo importante ?

Ele deu de ombros.

— Hoje começo as investigações para encontrar quem te prendeu e afins. Espero conseguir alguma coisa. — disse. — E você ?

— Vou voltar para as aulas na faculdade.

Ele quase cuspiu o suco.

— Não acha que está meio cedo ? — perguntou. — Digo, faz apenas dois dias que você voltou, não acha melhor esperar um pouco até que você esteja bem ?

— Se eu continuar aqui, minha cabeça só vai me fazer lembrar de coisas que eu quero profundamente esquecer. — de repente, seu corpo ficou rígido. — Mas eu estou bem. Juro. E também, faltei um mês inteiro, aposto que tenho muita coisa para por em dia.

— Entendo. — ele disse apenas. — Bom, se quiser carona, vou sair daqui meia hora.

— Certo. — terminei meu suco e subi até meu quarto para trocar de roupa.

Coloquei uma calça jeans clara rasgada com uma blusa rosa e óculos de sol da mesma cor junto de tênis brancos da Adidas e uma mochila preta. O cabelo deixei solto e liso.

Depois de pronta, desci correndo até o andar de baixo onde Alecssander me esperava já pronto, com sua roupa social de sempre, para descermos para o estacionamento.

— Você está linda. — ele disse assim que entramos em sua Range Rover preta.

— Mas eu nem me arrumei direito. — franzi o cenho.

Ele sorriu de canto.

— Não precisa se arrumar para estar linda. Você fica bonita até quando está dormindo. — disse.

Tive que virar o rosto para a janela e morder os lábios para não sorrir. Merda. Eu definitivamente odeio esse efeito que ele tem sobre mim.

Ele dirigiu rapidamente pelas ruas de Nova York até parar em frente aos enormes portões de ferro da faculdade.

— Te vejo à noite. — ele disse. — Vai ficar bem indo pra casa sozinha ?

Assenti.

— Até de noite. — falei antes de fechar a porta e adentrar o campus.

Tudo ali era muito nostálgico. Ao olhar para a direita, vi o banco que eu costumava sentar todos os dias no intervalo com Oliver me perturbando sem parar. E ao andar mais um pouco e olhar para a esquerda, vi a árvore que Rosalya, Oliver e eu costumávamos ficar todos os dias conversando sobre assuntos aleatórios. Agora, voltando depois de um mês inteiro sem ver ninguém, tudo aquilo parecia estar tão longe do presente; parecia tão vago.

— NÃO. ACREDITO. — ouvi alguém gritar e rapidamente reconheci aquela voz e sorri antes mesmo de olhar para sua dona. — DARELLA ?!

Rosalya correu em minha direção e me deu um abraço de urso super apertado.

— Eu soube o que houve com você, sinto muito. — ela sussurrou rapidamente em meu ouvido e então se afastou com um sorriso de orelha à orelha. — Senti tanta a sua falta !

Fiz uma expressão surpresa.

— Você cortou o cabelo ? — perguntei.

— Pois é, achei que estava na hora de fazer uma pequena mudança. — ela disse sorrindo passando a mão pelos cabelos que agora batiam em seu ombro.

— Darellinha !! — Oliver gritou ao longe e veio correndo em minha direção, me dando um abraço apertado como o de Rosalya. De imediato, o empurrei para se afastar, mas sem dar muito na cara de que eu não queria ser tocada — Quanto tempo ! Sentimos sua falta !

— Eu também senti a falta de vocês. — respondi.

— Você está tão magra, espero que esteja se alimentando bem, mocinha. — Oliver me cutucou com uma expressão brincalhona e eu dei um sorriso nervoso.

Ouvi alguém gritar perto dos portões da faculdade e de repente uma ruiva e uma morena me deram um super abraço em trio.

— Rose, Christine, que bom ver vocês. — falei assim que elas me soltaram.

— Menina, que saudade de você ! — disse Christine com um sorriso.

— E como foi de viajem ? — perguntou Rose.

Franzi o cenho.

— Viajem ?

Ela assentiu.

— Sim, Rosalya nos contou que você fez uma viajem para Miami, por isso andou sumida nesse último mês. — ela esclareceu. — Conte-nos todos os detalhes !

O sinal que indicava o início das aulas soou, me dando tempo para inventar uma mentira qualquer mais tarde. Querendo ou não, Rosalya me livrou de boatos desnecessários, devo uma à ela.

Me peguei sorrindo de orelha à orelha quando entrei novamente depois de muito tempo na sala de física. Nada parecia ter mudado, a não ser Amber que agora também estava com o cabelo liso e curto pelos ombros. Quando me viu, fechou a cara de imediato, mas eu ignorei e fui até meu lugar.

Como sempre, apesar de ter passado um mês, as aulas continuavam as mesmas, com professores me enchendo o saco e me dando boas vindas por ter voltado.

No intervalo, todos nos reunimos debaixo daquela árvore e conversamos sobre os mais diversos assuntos. Rosalya e Oliver finalmente assumiram um relacionamento sério; Rose havia parado de cursar física e se juntou à Rosa em moda; Christine nos contou que vai se mudar para o Queens mas vai continuar na mesma faculdade.

Ao ver todos sorrindo e se divertindo, não pude evitar de sorrir e perceber o quanto eu senti falta daquelas pessoas que eu finalmente considerava amigos. Não me arrependo de ter conhecido cada um deles e também não entendo porque sempre preferi estar sozinha no passado. Essas pessoas agora eram minha família, e sem dúvida é a melhor família que eu poderia ter.

— Você está sorrindo feito boba já tem alguns minutos, Darella. — disse Rose, me acordando de meus devaneios. — Pensando em alguém especial ? — perguntou com um sorriso malicioso.

Eu revirei os olhos.

— Claro que não.

— Vamos, nos conte. — incentivou Christine. — Quem é o cara ?

— Ninguém importante.

— Isso significa que tem alguém ? — Rose prosseguiu.

— Não ! — falei.

— Aaah, vai, Darella ! — reclamou Oliver. — Nos conte quem foi capaz de derreter esse seu coraçãozinho de gelo.

Revirei os olhos.

— Vão cuidar da vida de vocês ! — reclamei jogando salgadinho neles.

Num piscar de olhos, estávamos numa guerra de salgadinhos e ficamos assim até o sinal bater novamente, indicando que as aulas iriam recomeçar.

Na saída, acabei indo embora andando, não sem antes passar no Starbucks, pedindo meu Latte de baunilha com canela, desfrutando do mesmo com muita vontade.

Ao chegar no apartamento, corri até meu quarto e me joguei na cama, percebendo que eu estava exausta. Decidi tomar um banho rápido na banheira e fiquei nela por sabe-se lá quanto tempo.

Notas finais
Gostaram ? Não ? Comentem ! Até o próximo capítulo !