O Líder Da Máfia

19 Feliz Aniversário Para Mim !


Notas iniciais
Oi meus amores ! Como estão ? Quero dedicar esse capítulo à minha leitora Atena, que recomendou a história. Sério, você é demais e não tem ideia do quanto me deixou feliz ! Então aí vamos nós com um capítulo super fofinho, espero que gostem e não deixem de comentar o que acharam ! Boa leitura !

Não vou negar, estou ficando interessada em armas de fogo. Desde o dia em que acordei com Alessander atirando nos alvos, vi que é até divertido, mas não vou me precipitar. Meu pai foi morto por uma delas e eu não devia estar com esse interesse, mas mesmo assim, de certa forma me sinto "atraída".

Na semana seguinte, fui andando até a faculdade para colocar os pensamentos em ordem. Eu estava muito vulnerável aos encantos de Alecssander, e me condeno todos os dias por isso. Se ele sorrir, eu já sinto meu coração na garganta, não controlo meu próprio corpo e me deixo levar pelo momento, o que não seria normal para a Darella de alguns meses atrás. Me sinto fraca.

— Como está minha aniversariante preferida ? — Rosalya perguntou chegando ao meu lado assim que passei pelos portões de ferro.

— Hum... Bem ?! — respondi.

Ela revirou os olhos.

— Não foi nesse sentido que eu perguntei. — falou — Quis dizer em relação à festa que iremos. Já imagino que vai ser demais !

— É, acho que vai ser legalzinha — dei de ombros.

Ela me olhou incrédula.

— "Legalzinha" ? — ela fez aspas enquanto dizia a palavra — É uma festa à fantasia num lugar não muito conhecido de Nova York.É tipo uma festa de halloween fora de época. E além disso, é bem no dia do seu aniversário. Vai ser INCRÍVEL ! — ela deu pulinhos.

— Bom dia Darella — Oliver disse se aproximando de nós com um sorriso. — Oi, Rosa.

— Oi, Oli. — ela respondeu sem encara-lo.

Franzi o cenho.

— O que houve entre vocês ?

— Nada. — responderam em uníssono.

Bufei.

— Então tá.

Se passaram poucos minutos até ambos começarem a falar rapidamente ao mesmo tempo sem me deixar entender nada.

— Parem os dois ! — berrei. Eles se calaram no mesmo instante — Rosa, o que houve ?

— Esse idiota do Oliver me deu um bolo no nosso primeiro encontro por causa de cervejas ! — ela gruniu — Cervejas !

— Ei ! Não foi bem assim ! — Oliver retrucou.

— O que aconteceu Oliver ? — perguntei.

— Eu fiz uma aposta com uns caras: eu marcaria um encontro com ela, não iria, e eles me dariam uma caixa de cervejas. Nada demais. — ele revirou os olhos — Eu já pedi desculpas e ela está fazendo tempestade em copo d'água.

Rosalya o encarou incrédula.

— Tempestade em copo d'água ?! — exclamou — Ora seu... — gruniu — Você disse que gostava de mim e eu disse que lhe daria uma chance quando aceitei sair com você e você faz isso comigo ?!

Suspirei.

— Calem-se os dois. — eles ficaram em silêncio e me encararam. Coloquei as mãos na cintura e fiquei de frente para os dois. — Oliver, você está errado quando fez a aposta. Marcar um encontro pra depois faltar propositalmente ?! Isso não se faz, principalmente com a pessoa que gosta.

Rosalya sorriu com uma expressão convencida.

— Rosa, você também está errada — o sorriso dela murchou — Oliver está bem errado, mas já pediu desculpas.

— Mas ele-

— Mas nada. — a interrompi — Admitam logo que se gostam e acabem com essas brigas idiotas. Já faz um tempo que isso acontece. Ou vocês acham que eu não percebi as mudanças de humor a cada dia ? — revirei os olhos — Agora vamos logo para a aula, já vai bater o sinal.

— Falou a garota que não admite que gosta do cara que mora com ela — Rosalya murmurou.

— Em minha defesa, eu já admiti. — falei, sem pensar.

Rosalya assumiu uma expressão estupefata até, segundos depois, soltar um grito que atraiu a atenção de quem estava por perto.

— Eu. Não. Acredito ! — ela disse pausadamente e soltou outro gritinho — E você já falou pra ele ?

— É claro que não — revirei os olhos — Ele não pode nem saber disso.

— E por que não ?

— É uma questão pessoal.

Ela suspirou.

— Entendo. — falou — Mas você deveria falar isso para ele um dia.

Fiquei em silêncio.

— Ei Oli, ficou sabendo da festa que vai ter daqui dois dias ? — ela mudou de assunto.

— Aquela numa parte não muito conhecida do centro ? — ele franziu o cenho.

— Essa mesma ! — sorriu — Você vai ?

— Festas é comigo mesmo ! — ele sorriu de volta.

Suspirei. Estavam tagarelando novamente, mas pelo menos estavam se falando. Formam um bom casal.

Falando em casal, não pude evitar de pensar em mim e Alecssander. Eu gosto dele, isso eu já admiti para mim mesma e para meus amigos, mas será que ele sente o mesmo ? Será que Rosalya tinha razão quando disse que preciso falar sobre isso com ele ?

Suspirei novamente.

— Um dia, quem sabe... — sussurrei para mim mesma.

[...]

Ao chegar no apartamento, me deparei com Alecssander de costas apoiado no balcão da cozinha enquanto falava no telefone sobre algo em relação à uma missão em Palm Springs, na Califórnia.

— Está sugerindo que eu mande mais homens ? — ele perguntou com uma expressão incrédula — Já mandei o suficiente. Se vire com o que tem.

Passei reto por ele e peguei uma maçã na fruteira ao seu lado. Abri a geladeira e peguei uma garrafa de água, a abrindo e começando a beber.

— Um momento — ele disse atrás de mim.

Para a minha surpresa, Alecssander se aproximou de mim e deu um beijo na minha bochecha, o que fez todo o sangue do meu corpo subir para o rosto.

— Bom dia — ele murmurou antes de voltar para a ligação — Como eu estava dizendo, mais homens para uma missão como essa seria perda de mão-de-obra e armamento. Se não for o suficiente então sinto muito, mas você não está qualificado para essa missão e sugiro que retorne imediatamente para Nova York. — a pessoa do outro lado da linha disse algo em tom desesperado — Ótimo. Te vejo daqui uma semana e espero que esteja com o que pedi em mãos.

Ele desligou a ligação e suspirou logo em seguida, encarando o chão.

Depois de me recompôr, virei de frente para ele.

— Algum problema ? — perguntei.

Ele piscou rapidamente antes de me olhar com um sorriso sem mostrar os dentes.

— Não, nenhum. — disse — Como foi na faculdade ?

Dei de ombros.

— O mesmo de sempre.

Ele assentiu. Ficou alguns segundos em silêncio até mudar de assunto.

— Tem planos para o seu aniversário ?

— Rosa está me obrigando a ir numa festa — falei, revirando os olhos.

Ele riu.

— Que novidade. — disse com ironia — Deixa eu advinhar: ela vai escolher sua roupa também ?

— Provavelmente. — falei revirando os olhos novamente e dando uma mordida na maçã. — Por quê a pergunta ?

— Ia te chamar para sair — ele deu de ombros.

Ficamos algum tempo em silêncio até eu abrir minha maldita boca.

— Não vou fazer nada durante o dia — falei sem pensar e dei de ombros.

Ele mordeu os lábios para esconder um sorriso.

— Ótimo. Você vai sair comigo então.

— Isso foi um pedido ? — perguntei com sarcasmo.

Ele fingiu pensar.

— Não. — sorriu — Preciso ir. Te vejo de noite.

Ele saiu da cozinha e eu tive vontade de dar um tapa no meu próprio rosto por estar sorrindo igual uma idiota.

[...]

Chegou o dia do meu aniversário. Como me sinto por estar ficando um ano mais velha ? Indiferente. É apenas outro dia comum, e eu nunca fui de comemorar, de qualquer forma. Mas já que estou sendo obrigada a ir em uma festa só pra comemorar esse dia, então parabéns pra mim !

Neste momento, estou em meu quarto me arrumando para sair com Alecssander, que está esperando na sala. Não falei sobre isso com Rosalya, ela provavelmente iria querer escolher minha roupa, o lugar que iríamos e se duvidar, a roupa dele também.

Decidi ir com uma roupa simples, sem nada exagerado. Pelo menos nesse dia, eu poderia me vestir como eu mesma.

Decidi colocar um shorts jeans azul escuro com uma regata preta e nos pés botas de cano curto com salto. O cabelo deixei liso e no rosto não passei nada de maquiagem. Hoje eu voltaria a ser a Darella que não se preocupava em se arrumar tanto.

Desci as escadas rapidamente e o encontrei sentado no sofá de braços cruzados acima do peito encarando a televisão desligada, provavelmente perdido em pensamentos. Assim que me viu, piscou rapidamente para voltar à realidade e sorriu, exibindo suas covinhas. Em seguida, levantou-se e nos conduziu até o elevador, apertando o botão do estacionamento.

Durante a descida vagarosa ficamos em completo silêncio, ouvindo apenas nossas respirações, e foi nesse curto tempo que pude reparar em como ele estava bonito com as costas apoiadas na parede do elevador e braços cruzados. Usava uma calça jeans clara, uma camisa preta e uma jaqueta de couro. Com uma expressão impaciente, encarava os números que mudavam a cada andar. Algumas mechas do seu cabelo castanho rebelde insistiam em cair sobre os olhos. Ele notou meu olhar sobre ele, arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto. Desviei o olhar rapidamente e pude ouvir uma risada fraca vindo dele.

Assim que as portas se abriram, Alecssander nos conduziu até sua Range Rover preta e assim que entramos e colocamos o cinto de segurança, ele segurou o volante com as duas mãos e ligou o motor, mas não andou.

— Algum problema ? — perguntei ao ver que ele encarava o nada.

— Sim. Quer dizer, não, quer dizer — suspirou — A verdade é que eu não planejei nada para fazermos hoje e me sinto envergonhado por isso. E também, o aniversário é seu, então você que deveria decidir onde iremos.

Soltei uma risada fraca.

— Então, pela primeira vez, nenhum de nós tem planos ?

— É o que parece — ele deu de ombros e sorriu.

Ficamos algum tempo em silêncio até eu tomar coragem para falar.

— Eu posso mesmo escolher onde iremos ? — ele me encarou.

— Claro.

Falei todos os museus e lugares que eu sempre quis visitar e Alecssander ouviu tudo atentamente enquanto dirigia pela avenida.

— Podemos ir ao Museu de Anatomia primeiro ou então ao Museu de Arte Moderna, eu sempre quis ir à esses museus ! — falei rapidamente com euforia — Ah ! E também podemos ir ao Empire State mais tarde.

— Mas você já não foi lá ?

— Sim, mas eu quero ir de novo.

Ele suspirou, cansado.

— Se você não quiser ir, eu posso pegar o metrô. — falei.

Ele balançou a cabeça e fez um gesto indicando de que iria me levar.

Ele nos levou até o Museu de Anatomia onde estacionou a três quadras devido à multidão que se alastrava pelas ruas dificultando a passagem de carros. Depois de ser obrigada a colocar uma peruca ruiva ridícula e óculos escuros, assim como Alecssander, nós nos juntamos à multidão em direção à entrada do museu.

— Estou tão animada ! — exclamei.

Ele apenas sorriu enquanto me acompanhava até a entrada. A fila para comprar os ingressos estava enorme, mas nem por isso desistimos.

— Eu vou lá comprar os ingressos, você quer esperar aqui ou ir comigo ? — ele perguntou enquanto eu mexia em minha bolsa — Princesa, você ouviu o que eu disse ?

Levantei o olhar em sua direção. Fazia muito tempo que ele não me chamava assim, e tenho quase certeza de que a última vez que ele disse foi com sarcasmo, mas tentei não demonstrar que estava surpresa e continuei mexendo em minha bolsa.

— Estou procurando o dinheiro para o ingresso — confessei — Não quero que você pague tudo sozinho.

— Por quê não ? — perguntou, arqueando uma sobrancelha — Eu não me importo em pagar.

— Isso não é um encontro ! — esbravejei, o encarando. Ele pareceu surpreso por eu ter mencionado isso e eu tive vontade de bater em meu próprio rosto. Ele não estava considerando aquilo um encontro e nem eu mesma sei o motivo de ter pensado nisso — Portanto, você não paga tudo.

Ele ficou em silêncio por alguns minutos, absorvendo a merda que eu tinha falado.

— Não era para ser um encontro — afirmou enquanto colocava as mãos nos bolsos de sua jaqueta — Mas se você quiser, pode se tornar um.

Ficou nítido que eu perdi a fala e congelei no lugar, o observando por longos segundos. Não parecia estar brincando, mas não quis correr o risco de me enganar. Retomei a postura, fechei a bolsa e continuei andando como se nada tivesse acontecido. Ouvi Alecssander prender a risada enquanto se apressava para me alcançar até a bilheteria, onde deixei que ele pagasse pelos ingressos sem protestar. Durante todo esse percurso, permaneci calada olhando sempre para frente e em momento algum arrisquei encara-lo.

— Devo considerar seu silêncio como um sim ? — brincou enquanto aguardávamos na fila de entrada.

Continuei calada sem encara-lo e ele suspirou.

Felizmente passamos sem dificuldades pelos seguranças da entrada e logo de início, vimos um guia que chamava os turistas para um tour. Comecei a caminhar em sua direção mas Alecssander segurou meu braço e negou com a cabeça.

— Não vamos com ele. — pediu enquanto íamos em direção oposta à do guia.

— Por quê não ? — indaguei, observando as pessoas seguindo o homem — Ele deve saber tudo sobre esse lugar.

— Apenas não. — falou depois de nos afastarmos.

Acabei não dando muito importância àquilo e seguimos pelo corredor oposto ao da multidão. A cada atração eu soltava um comentário eufórico e Alecssander, que parecia não entender nem gostar de nada sobre aquilo, apenas assentia ou sorria.

No fim, acabamos nos encontrando com o guia novamente e mesmo parecendo desconfortável, Alecssander não se importou de segui-lo desta vez.

— Durante o Renascimento, Michelângelo, Sandro Botticelli e Leonardo Da Vinci foram pessoas que aprofundaram suas pesquisas em Anatomia Humana. — o guia falou.

— Na verdade — falei, mais alto do que o esperado, atraindo a atenção dos turistas e do guia — Botticelli não estudou Anatomia. Ele se focou em pinturas.

O guia ficou com as bochechas vermelhas e passou a explicar outra atração. Ele dizia informações completamente erradas e eu o corrigia na maioria das vezes. Eu me sentia desconfortável por fazer isso tanto quanto ele, mas não estava gostando dele passando informações erradas aos turistas. Ao reparar em sua mão, vi que ele segurava as fichas desajeitadamente e parecia nervoso, suponho que seja seu primeiro dia e alguém tentou lhe pregar uma peça embaralhando os papéis, pois tenho certeza que um museu conhecido mundialmente não seria imprudente em contratar alguém tão incompetente que não soubesse fazer seu próprio trabalho. Mas se o erro for do próprio funcionário, acredito que não manteria o emprego por muito tempo.

— Tem certeza que Física é o curso certo pra você ? — Alecssander indagou.

Soltei uma risada.

— Na verdade, eu sempre quis fazer Medicina.

— Sério ?! — ele parecia surpreso.

— Sim, você não sabia ?

— Tem muitas coisas que eu não sei sobre você.

Desviei o olhar. Ele tinha razão; eu não falava nada sobre minha vida a ele mesmo fazendo quase um ano que nos conhecíamos e morávamos juntos.

— Eu faço Física porque foi o que meu pai achou melhor para mim — confessei de repente — Mas meu amor sempre esteve em Medicina. Tanto que comecei o curso, mas mudei no segundo semestre.

— E por que não faz agora ?

Dei de ombros.

— Física não é tão ruim quanto parece, eu até gosto. — falei — E estou quase concluindo, de qualquer forma.

Depois de algum tempo, notei que não só o guia, mas também os turistas e visitantes estavam se incomodando com minhas correções, mas nem por isso parei.

Chegou um momento em que Alecssander segurou meu braço com força e me tirou daquele lugar, ignorando meus protestos.

— Ei, o que está fazendo ?! — esbravejei — Estou completamente insatisfeita com esse guia e tenho total direito de demonstrar isso !

Percebi que paramos num setor sobre o sistema nervoso, que estava vazio a não ser por nós dois.

— Estou impedindo que você seja presa e eu também ! — ele gritou antes de soltar meu braço com brutalidade.

Arregalei os olhos e perdi a fala, vendo que estava agindo como uma idiota o dia inteiro, e quem estava mais incomodado não eram apenas os turistas e o guia, mas principalmente Alecssander. Abaixei a cabeça e fiquei em silêncio por alguns minutos. Alecssander estava prestes a falar algo quando eu o interrompi.

— Tem razão, me desculpe — murmurei — Passei dos limites.

Ele suspirou.

— Acho melhor irmos embora. — anunciou, desviando o olhar para a parede.

Eu assenti.

— Eu sou uma idiota — declarei — Fiz um escândalo por uma besteira.

— Eu não diria que foi uma besteira — ele disse enquanto andávamos até a saída — Só acho que seu modo de se expressar foi um pouco extravagante. Mas pelo menos tivemos sorte por nenhum segurança nos expulsar.

Suspirei, concordando com a cabeça.

Passamos rapidamente pelo saguão que estávamos antes e fiquei aliviada por ver que boa parte das pessoas que presenciaram meus gritos já tinham ido embora.

Emiti um gemido de alívio quando finalmente chegamos ao carro.

— Podemos ir para casa ? — murmurei encarando a janela.

Ele não respondeu, mas vi pelo reflexo que assentiu vagarosamente com a cabeça.

Me peguei perdida em pensamentos e olhei pra Alecssander, abrindo e fechando a boca várias vezes. Quando me dei por vencida, voltei a encarar a janela.

— O que foi ? — ele indagou quando paramos no sinal vermelho — Você quer me dizer alguma coisa ?

Suspirei.

— Eu nunca estive em um encontro. — falei em voz baixa sem encara-lo — Thomas dizia que era perda de tempo.

— E você concordava ? — ele perguntou.

— Ele tinha argumentos convincentes — dei de ombros.

— Mas... E as vezes que saímos ?

— Não eram encontros, Alecssander. — falei como se fosse óbvio, revirando os olhos e encerrando o assunto.

O sinal ficou verde e ele acelerou, virando à esquerda na avenida. Somente quando passamos pela rua do museu novamente que eu percebi que não estávamos voltando para o condomínio.

— Para onde estamos indo ? — perguntei, o encarando com curiosidade no olhar.

— Para um lugar. — ele respondeu simplesmente virando à direita em outra rua.

— E estamos indo para esse lugar por quê ? — indaguei novamente.

— Porque ainda estamos em um encontro. — ele disse sem me encarar.

Tive que morder os lábios com força para conter o sorriso involuntário que surgia em meu rosto.

Ele pegou a estrada que levava para o interior e dirigiu por cerca de dez minutos até estacionar ao lado de um morro com uma grama verde que era iluminada pela luz do sol.

— Onde estamos ? — perguntei.

— Quando chegarmos lá em cima você saberá — ele disse sorrindo de canto subindo o morro rapidamente me deixando para trás. Não demorou muito para que ele chegasse ao topo e eu tive que me apressar para alcança-lo.

— Nossa, é... Lindo demais ! — exclamei, extasiada.

A verdade é que estávamos do outro lado do imenso Central Park, um lugar onde poucas pessoas visitavam por ser à caminho do interior e mais longe de Manhattan e do Brooklyn, mas incrivelmente lindo destacando um rio que passava por baixo de uma ponte de pedra que possuía muitas flores e árvores de todas as cores ao seu redor, principalmente nesta época do ano.

Andamos por um longo tempo, conversando sobre assuntos variados e parando algumas vezes para descansar. Acredito que nunca conversamos tanto mesmo morando juntos por vários meses.

— Com frio ? — ele perguntou quando paramos na ponte de pedra e uma brisa de vento frio soprou, o que me fez tremer de leve. Assenti vagarosamente — Quer ir embora ?

— Não — murmurei me aproximando lentamente dele na tentativa de me aquecer. Era fim de verão, os dias eram quentes mas de noite sempre esfriava. Em breve já estaríamos no outono. — Quero ficar aqui mais um pouco.

Ele assentiu. Outra brisa fria passou por nós e eu me encolhi, o que o fez passar os braços por cima de meus ombros e me puxar para perto de si, colando meu corpo em seu peitoral. Instintivamente passei os braços em volta de seu corpo por dentro da jaqueta. Acabei sorrindo e deitando a cabeça em seu ombro, fechando os olhos e inspirando profundamente seu perfume. Eu poderia ficar ali para sempre, mas quando soprou uma brisa ainda mais fria, ele decidiu que era hora de irmos.

Ele retirou sua jaqueta e a colocou sobre meus ombros, se apressando em andar na frente. Quando percebeu que eu não o seguia, olhou para trás. Eu encarava o belíssimo pôr do sol no horizonte com um sorriso de canto, e ao olhar para o lado e perceber que ele me observava, meu sorriso se alargou.

Alecssander andou vagarosamente até mim no meio da ponte e parou quando centímetros de distância nos separavam. Aproximei meu rosto do seu enquanto o olhava profundamente, tentando adivinhar o que se passava por trás daqueles lindos olhos castanhos-chocolate. Coloquei uma das minhas mãos em seu rosto e fiquei em dúvida se deveria ou não avançar os poucos centímetros que nos separavam. Alecssander foi quem tomou a iniciativa acabando com o espaço entre nós e selando nossos lábios.

Foi nesse momento que aconteceu; quando ele me beijou. Foi quando tudo mudou. Agora, não existia mais o frio e nem nada à nossa volta, apenas eu e ele. Era um beijo diferente do primeiro que tinha acontecido apenas pelo calor do momento. Hoje, ambos desejavam isso como uma pessoa sedenta precisa de água. Era um beijo calmo, sem pressa para que acabasse. Foi apenas nesse momento que eu tive total certeza das dúvidas que me rodeavam: eu estava apaixonada por ele, e esse sentimento era recíproco.

Fechei os olhos automaticamente ao sentir sua boca cobrindo a minha e percebi meus batimentos cardíacos aumentarem ruidosamente. O cheiro das rosas ao nosso redor se misturavam com seu perfume amadeirado e me fizeram levar a mão livre até seu rosto, o puxando para mais perto e acabando com qualquer espaço ainda existente entre nós. Sua boca deslizava suavemente sobre a minha e eu podia sentir um sabor de hortelã. Ele inclinou levemente a cabeça para o lado nos permitindo mais acesso à boca um do outro. Alecssander colocou ambas as mãos em minha cintura e colou meu corpo no seu.

Meus pulmões pediram ar e eu fui obrigada a nos separar. Deitei meu rosto na curva do seu pescoço e deixei minhas mãos em seus ombros. Ele subiu as mãos até minhas costas e me envolveu num abraço apertado.

— Acho que agora devemos ir embora, Princesa — ele sussurrou, ofegante — Rosalya vai me matar se demorarmos muito.

Soltei uma gargalhada antes de concordar. Nos separamos do abraço e caminhamos lado a lado, e logo depois de descer da ponte de pedra, Alecssander entrelaçou seus dedos nos meus e nos conduziu até seu carro novamente.

Assim que chegamos em frente ao condomínio, fiz menção de retirar a jaqueta, mas ele me impediu.

— Está frio, não quero que você pegue um resfriado — ele justificou.

Concordei com a cabeça.

— Você não vai entrar ? — indaguei, franzindo o cenho.

Ele suspirou.

— Não. — falou — Preciso ir até a máfia resolver assuntos urgentes.

— Entendo.

Ficamos alguns segundos em silêncio até ele falar.

— Te vejo de noite ? — perguntou.

— Eu vou no carro da Rosa, não sei que horas ela pretende voltar.

— Sem problemas. Não acho que voltarei tão cedo do escritório.

Sorri sem mostrar os dentes.

— Certo. Boa noite.

Fiz menção de sair do carro, mas fui impedida quando Alecssander me puxou pelo braço em sua direção e colou sua boca na minha num beijo rápido.

— Feliz aniversário. — ele disse soltando meu braço.

Senti minhas bochechas esquentarem e saí do carro imediatamente, correndo até o portão do prédio. Ao olhar para trás, vi que a janela do motorista estava aberta e ele me encarava com um sorriso de canto.

— Foi o melhor primeiro encontro. — declarei, abrindo um sorriso — Obrigada, Alec.

Seu sorriso se alargou e eu não tive coragem de esperar por uma resposta. Corri para dentro e entrei no elevador sozinha, apertando o botão da cobertura.

Dei alguns passos para trás até colar as costas na parede gelada e deslizar até o chão. Eu estava nas nuvens, sentindo meu coração na garganta e o rosto doendo de tanto sorrir. Sentir o perfume dele grudado em sua jaqueta me deixava extasiada.

Levou alguns segundos até eu perceber que o elevador chegou na cobertura, e assim que entrei no apartamento, fui recebida por Rosalya com uma expressão nada amigável.

— Onde. Você. Estava ?! — ela disse pausadamente e não me deu oportunidade de responder — Nós marcamos às sete horas, já são sete e meia !! Eu espero que você tenha uma boa justificativa.

— Desculpa, Rosa eu-

— Eu fiquei tão preocupada — ela disse fazendo drama e vindo correndo me dar um abraço. Ela deu uma fungada seguida de várias outras antes de se afastar com o cenho franzido. — Esse cheiro não é seu — ela me olhou dos pés a cabeça — E eu conheço seu estilo, você não usaria uma jaqueta dessas com esses sapatos. Com quem estava ?

— Com ninguém... — murmurei.

Ela arqueou uma sobrancelha com desconfiança; sabia que eu estava mentindo.

Suspirei.

— Eu saí com o Alecssander.

Ela arregalou os olhos

— Ai. Meu. Deus ! — exclamou — Eu não acredito ! — soltou um gritinho agudo — Está desculpada ! Mas vamos, sem demora, não podemos nos atrasar para a festa.

Ela me empurrou até meu quarto onde várias sacolas de shopping se encontravam em cima da minha cama e algumas jogadas no chão.

— Hora da plebéia virar princesa ! — ela bateu palmas.

[...]

Quando Rosalya disse que faria "a plebéia virar princesa" eu não achei que fosse no sentido literal, mas realmente, ela escolheu uma fantasia de princesa para mim. Não vou dizer que não gostei, o vestido cor de creme era simples, porém, estonteante; as mangas eram três quartos e o decote era no formato "U"; a saia que ia da cintura até os pés era lisa com alguns detalhes com pérolas. No pescoço, Rosalya me emprestou um colar de pérolas simples, deixou meu cabelo solto e colocou uma coroa prata com algumas pedras azuis esverdeadas, que contrastavam com o branco e combinavam com meus olhos e o batom vermelho.

No momento, estava sentada aguardando ela terminar de se arrumar. Sua fantasia seria de deusa grega, com direito a decote nos peitos e uma fenda que ia do quadril até o chão em sua perna direita. Quando ficamos prontas, ela dirigiu até a parte mais afastada da cidade onde se encontravam prédios abandonados e apenas um estava iluminado e com uma música alta abafada.

Fomos até o prédio e subimos alguns lances de escadas pelas laterais até Rosa bater em uma porta e um homem carrancudo fantasiado de marinheiro abriu a porta e nos deixou entrar. Ouvi ele murmurar algo assim que começamos a descer outro lance de escadas e de repente a música parou.

— Rosa, tem certeza de que estamos no lugar certo ? — sussurrei.

— Tenho, agora continue andando e cuidado onde pisa.

Depois de subir e descer várias escadarias, finalmente paramos em frente a duas grandes portas.

Rosa bateu duas vezes nessa porta e outro homem, esse com expressão mais amigável e fantasia de pirata, falou que poderíamos entrar.

Me assustei quando vi que estava tudo escuro e silencioso até que de repente, as luzes se acenderam e um coro de todas as pessoas presentes disseram: " Feliz Aniversário Darella !"

Senti minhas bochechas pegando fogo e instintivamente olhei para Rosalya que sorria sem parar.

— Por quê sinto que tem dedo seu nisso ? — falei com uma expressão séria.

— Olha, acho que estou vendo o Oliver, até depois amiga ! — ela deu uma desculpa esfarrapada antes de sair correndo e me deixar sozinha ali.

Comecei a andar por entre a multidão sendo parabenizada por pessoas que eu nem conhecia, e fiquei surpresa ao ver que boa parte dos alunos da faculdade estavam ali, inclusive Amber e suas seguidores que estavam fantasiadas de gatas siamesas.

Cumprimentei e fui cumprimentada por Rose e Christine que estavam fantasiadas de fadas. Me senti mal por não falar tanto com elas; depois de conhecer Rosa, perdi contato com muitas pessoas.

Senti alguém cutucando meu ombro e me virei pronta para receber mais uma parabenização, mas me surpreendi ao ver ele.

— Alecssander ? — indaguei, o analisando dos pés à cabeça. Ele estava fantasiado de piloto de avião com direito a chapéu e medalhas no peito direito. — O que faz aqui ? Achei que estivesse na máfia.

Ele franziu o cenho.

— A senhorita deve estar me confundindo com alguém. — disse — Eu sou o comandante James Fairchild, piloto os aviões da linha Fairchild Airlines.

Segurei o riso.

— Você não é nada criativo. — limpei a garganta e entrei na personagem, assim como ele — É um prazer conhecê-lo comandante, sou Elizabeth primeira, rainha da Inglaterra.

— O prazer é todo meu, Majestade — ele fez uma pequena reverência.

Ficamos nos encarando por alguns segundos até cairmos na gargalhada.

— Você está... — ele me olhou dos pés à cabeça — Maravilhosa. Lembre-me de dar os parabéns à Rosalya mais tarde.

— Você também não está nada mal. — ele riu — E pode agradecer à Rosalya agora mesmo, ela está bem atrás de você.

— Isso mesmo Alecssander, beije meus pés por ser tão maravilhosa e providenciar essa festa sozinha. — ela ergueu o pé na direção dele e todos rimos.

— Ei, sozinha não ! — ouvimos alguém se aproximando. Era Grace, fantasiada de mulher dos anos sessenta com um vestido branco com bolinhas pretas.

— Tem razão, Grace que teve a ideia de fazer a festa, ela merece boa parte dos créditos — Rosalya admitiu.

— Obrigada, Grace e Rosa. Está tudo muito lindo. — agradeci, com um sorriso gentil.

Elas se entreolharam e soltaram um coro de "óun".

— Tão fofa ! — Rosa apertou minhas bochechas.

— Vamos dançar ? — Alecssander disse de repente oferecendo a mão quando a música foi trocada.

Concordei com a cabeça e segurei sua mão, me deixando ser guiada até o meio da pista de dança onde ele deixou as mãos em minha cintura e eu em seus ombros.

— Te salvei de ser tratada como criança, palmas para mim. — ele disse, convencido.

— Meu herói. — falei enquanto abanava o rosto com a mão como se fosse uma donzela em perigo.

— Na verdade, está mais para piloto de avião mesmo. — ele disse se analisando.

Nós rimos.

— Isso tudo não te traz uma sensação nostálgica ?

— Do baile da sua faculdade ? Claro, até a Amber está aqui.

— Falando nisso, por que diabos convidaram ela ?

— Não faço ideia — ele deu de ombros.

Ficamos nos encarando por longos segundos até ele começar a aproximar seu rosto do meu lentamente, então... A aba do seu chapéu bateu na minha testa.

Eu e ele nos entreolhamos e começamos a rir.

— Ainda bem que não aconteceu nada — admiti.

Ele franziu o cenho.

— Por quê ?

— Rosalya nos mataria por borrar meu batom.

Ele concordou e nós rimos novamente. Era incrível o quanto estávamos nos dando bem nos últimos dias, e espero que continue assim pelo resto da noite. De preferência, pelos próximos dias também.

Notas finais
QUE CAPÍTULO FOFO NÉ GENTE ? QUASE VOMITEI ARCO-ÍRIS ESCREVENDO ELE ! Hahahahahaha Gostaram ? Não ? Comentem ! Até o próximo capítulo !