O Líder Da Máfia
17 Especial Alecssander- Droga Viciante
Notas iniciais
— Darella esquece isso, é inútil continuar procurando. — Rosalya disse.
— Não, não ! Ela deve estar aqui em algum lugar, só devemos continuar procurando ! — Darella disse passando as mãos pela areia.
— Darella, deixa pra lá, nosso vôo é em vinte minutos, devemos ir. — falei — E é apenas uma pulseira, podemos comprar outra.
— Não ! — ela se virou para mim — Não é apenas uma pulseira ! É a pulseira que você me deu na noite do luau em uma ilha das Bahamas ! Eu não posso perdê-la assim de qualquer forma e mesmo que compremos outra, não será a mesma pulseira daquela noite ! — ela voltou a procurar desesperadamente pela areia a pulseira artesanal que eu dei a ela.
As duas semanas na ilha passaram num piscar de olhos e agora estávamos todos procurando a pulseira de Darella que ela perdeu e se recusa a voltar para Nova Iorque sem ela. Depois de cerca de quinze minutos procurando, Rosalya finalmente a convenceu de que não a encontraríamos e precisamos ir ao aeroporto e Darella aceitou a completo contra gosto. As duas foram na frente quando eu disse que precisava voltar para pegar meu celular, e quando entrei na casa novamente, encontrei a pulseira no chão em baixo do sofá. Dava para vê-la apenas por um certo ângulo.
Peguei meu celular e a pulseira e fui atrás delas que já estavam no carro do outro lado da trilha.
Enquanto Rosalya, distraída, digitava rapidamente em seu celular, puxei o braço de Darella e amarrei a pulseira novamente em seu pulso. Pelo canto do olho, pude ver seu sorriso ao encarar a pulseira.
Depois de alguns minutos, já estávamos no aeroporto nos preparando para voltar a Nova Iorque.
Depois daquela noite no mar, Darella anda estranha comigo, como se quisesse me evitar mas não consegue, e hoje foi um do raros momentos em que ela falou comigo. Já a peguei me encarando várias vezes com um olhar pensativo, e Rosalya não quer me contar o motivo.
Sinceramente, isso é uma merda.
— Alecssander está me ouvindo ?! — Rosalya esbravejou.
— Estou. — murmurei.
— Ah é ?! Então o que eu acabei de dizer ?
A verdade é que Rosalya não parava de tagarelar desde a hora em que chegamos ao aeroporto e eu nem prestei atenção em nada do que ela disse.
— Você disse-
— Com licença senhor Fairchild, seu jatinho já está pronto para a decolagem — uma aeromoça avisou.
Salvo pelo gongo, pensei.
Andamos pela plataforma de embarque e subimos no jatinho, nos acomodando nas poltronas. Dessa vez, Darella ficou ao lado de Rosalya e eu fiquei sozinho na poltrona na frente delas. Já era de se esperar.
Enquanto olhava de forma distraída para fora da janela, senti meu celular vibrando no bolso da calça e ao pegar, vi que era um número desconhecido. Encarei Rosalya ao ver que o celular dela também estava vibrando. Ela acenou positivamente com a cabeça e então nós atendemos.
— "Esta é uma mensagem gravada e será excluída imediatamente após seu término: Atenção membros da máfia de todo o mundo, vocês estão sendo convocados para uma reunião na casa do senhor Corleone, em Viena, para um comunicado de extrema importância e urgência. Por isso, é evidente que todos os membros da máfia, da posição mais alta até a mais baixa, estando de licença ou não, estejam presentes. As demais informações serão dadas via SMS." — falou uma voz computadorizada em várias línguas e então a mensagem se excluiu.
— Você também recebeu ? — Rosalya perguntou.
Assenti.
— Você vai ? — perguntei.
— Sim — ela suspirou — Mesmo estando de licença, foi dito que preciso ir. Que merda. — ela ficou algum tempo em silêncio e depois murmurou: — Uma pessoa pode esquecer da máfia, mas a máfia nunca vai esquecer dessa pessoa.
— Do que vocês estão falando ? — Darella perguntou, e mesmo assim não parecia realmente interessada em saber.
— Temos mais uma reunião da máfia para ir. Você vai ? — Rosalya perguntou a ela.
Darella me encarou.
— Eu vou ?
Dei de ombros.
— Se você quiser.
— Por mim tanto faz. — ela revirou os olhos.
Rosalya ficou animada.
— Então você vai ! E nós duas vamos sair para comprar os vestidos amanhã !
Darella bufou e depois assentiu sem animação alguma.
Senti meu celular vibrando novamente e percebi que era o SMS com os detalhes sobre a reunião. Seria daqui dois dias, as sete da noite em uma casa do bairro nobre de Viena.
— Viena é uma cidade tão linda ! Você vai adorar amiga ! — Rosalya disse depois de ler a mensagem que também chegou em seu celular.
— Viena ?! — Darella disse em um tom um pouco mais alto do normal — Mas é na Europa ! Eu tenho faculdade nesses dias sabiam ?!
— Ah você pode faltar ! Sabemos do seu histórico e não é como se você precisasse ir para a faculdade para ser quem é. Vaaaaamos por favor ?! — Rosalya fez cara de cachorro abandonado.
— Tanto faz. — Darella bufou.
O jatinho finalmente levantou vôo e novamente, percebi Darella ficar apreensiva, mas dessa vez eu não pude fazer nada e Rosalya não percebeu seu medo, o que me deixou um tanto inquieto. Iria falar para Darella se sentar ao meu lado, mas é certo de que ela recusaria então me contentei em ficar quieto.
Duas horas depois chegamos em Nova Iorque e fomos diretamente para meu apartamento, onde Rosalya se enfiou no quarto com Darella e ficaram por lá conversando sobre "assuntos de meninas" como elas disseram.
Fui para meu quarto, onde tranquei a porta e entrei no corredor secreto que levava a uma sala de armas com alguns alvos feitos de madeira. A sala era à prova de som, por isso, mesmo que eu ficasse atirando o dia inteiro ali, as duas não ouviriam nada.
Peguei uma pistola e atirei várias vezes em três alvos e como o esperado, acertei o centro dos três.
Depois de algum tempo, voltei ao meu quarto e me joguei na cama, percebendo que estava exausto e devido a isso, não demorou muito para que eu começasse a cochilar.
[...]
Passaram-se os dois dias e agora já estávamos em frente a um hotel pouco luxuoso -ordens de Darella- em Viena. Ela adorou a cidade -o caminho do aeroporto até o hotel, na verdade- e tentou não demonstrar que estava animada para conhecer o lugar, mas isso estava estampado em seu rosto.
Eu estava disfarçado com um moletom e óculos escuros, o que estava sendo insuportável devido ao calor primaveril que fazia em Viena.
Assim que chegamos aos quartos, que eram no andar vinte e sete, nos acomodamos e trocamos de roupa, me dando um completo alívio por trocar de disfarce. Tinha sido uma péssima ideia colocar moletom.
Eu fiquei sozinho no quarto enquanto Rosalya e Darella se instalaram no quarto bem em frente ao meu.
Fomos almoçar em um restaurante ali perto, onde comemos frango com salada.
Quando estávamos voltando, Rosalya insistiu em passar em uma loja de roupas famosa, o que deixou eu e Darella sozinhos.
— Quer conhecer os pontos turísticos da cidade ? — puxei assunto.
— Se não for muito incômodo, sim, eu quero. — ela disse, séria.
— Você não é incômodo algum. — sussurrei e não sei se ela ouviu. Se ouviu, não demonstrou reação.
Dirigi até a Biblioteca Nacional Austríaca, um lugar que certamente ela iria adorar. Assim que chegamos em frente, ela se surpreendeu com o tamanho do lugar, e quando entramos, sua expressão de surpresa misturada com alegria foi a melhor coisa que eu vi no meu dia.
— Todo esse lugar é uma biblioteca ?! — ela exclamou.
Eu ri.
— É... E pode pegar qualquer livro.
— Qualquer um ?! — seus olhos brilharam de entusiasmo.
— Bom, eu acho que os livros mais antigos são proibidos para venda, mas fora esses, sim, qualquer um.
— Mas eu levaria horas para escolher apenas um livro...
— Temos tempo. Ainda falta quatro horas para a reunião, podemos ficar aqui até as seis. Ou até Rosalya ligar gritando.
Ela sorriu e saiu correndo pela biblioteca, parando em todas as estantes com milhares de livros, idêntica a uma criança em uma loja de brinquedos.
Sentei em uma poltrona velha e cruzei os braços, certo de que teria que esperar muito tempo.
Quando senti um peso em meu olhos, me deixei levar pelo sono.
[...]
— Alecssander...?- ouço alguém me chamando ao longe — Hum... Alecssander ?!
Abri os olhos e dei de cara com Darella em minha frente segurando um livro. De imediato, me lembrei de que estávamos na biblioteca e vendo que o movimento do local diminuiu, supus que ficamos ali por algumas horas.
— Que horas são...? — murmurei ainda sonolento, passando a mão pelo rosto.
— Seis e quinze... — ela sussurrou com uma expressão culpada.
Arregalei os olhos.
— Tudo isso ?!
— Eu me empolguei...
Suspirei.
— Não tem problema. Só precisamos voltar logo ao hotel para mudar de roupa se não nos atrasaremos para a reunião.
— Certo... Aqui está o livro — ela disse me entregando um livro grosso de no mínimo seiscentas páginas.
— "A teoria de tudo" ? — perguntei a ela, lendo o título do livro.
Ela assentiu.
— Esse homem é incrível. — ela se referiu a Stephen Hawking.
Apenas concordei com a cabeça e fui pagar o livro.
Voltamos até o hotel, onde Rosalya nos xingou por ter deixado ela sozinha e contou uma história dramática sobre como teve que fazer para voltar.
Fui até meu quarto e vesti um terno preto fosco junto de uma camisa branca e uma gravata preta slim. Joguei meu cabelo para trás e passei as mãos pela barba. Precisava fazer, mas não estava com vontade hoje.
Sentei na cama e esperei Darella e Rosalya se arrumarem, o que, se dependesse de Rosalya, levaria horas.
Algum tempo depois, ouvi Rosalya e sua voz escandalosa batendo na porta do quarto, o que levei como um sinal para dizer que estavam prontas e era pra irmos.
Assim que abri a porta, meu olhar caiu imediatamente em Darella. Ela usava um vestido longo preto com decote grande em "V" e renda da região dos peitos até os ombros e pelo braço inteiro até o pulso. O cabelo enrolado jogado para o lado direito, um colar redondo de brilhantes, um brinco grande e um chamativo batom vermelho.
Já Rosalya usava um vestido dourado como se fosse puro ouro jogado num vestido com uma fenda que ia da metade da coxa até o chão. Lembrava muito o vestido que Darella usou na primeira reunião que eu a levei. O cabelo preso num coque meio solto e uma maquiagem escura e chamativa.
— Só não baba hein Alecssander ?! — Rosalya falou num tom de brincadeira e eu despertei de meu transe.
— Vamos ? — Darella perguntou com sua famosa expressão séria.
Concordamos e descemos até o carro. Dirigi por vinte minutos até uma mansão gigantesca e assim que parei o carro, o manobrista me pediu para estacionar.
Ofereci o braço à Darella e ela aceitou, me deixando a conduzir pelo jardim iluminado da mansão dos Corleone.
Ficamos andando pelo jardim até um homem jovem subir ao palco improvisado num canto perto de algumas árvores.
— Primeiramente boa noite a todos e obrigado por virem. — cumprimentou o jovem — Bom, eu acho que a essa altura todos já devem saber que meu tio, Charles Andoline, líder da máfia portuguesa foi assassinado por um homem metido a besta que não sabe seu lugar no mundo. — lancei um olhar assassino a ele, porém tenho certeza de que ele nem havia me visto ali — Enfim, sem mais delongas, no testamento dele estava escrito que a máfia estaria nas minhas mãos após sua morte. Portanto, a partir de agora, eu me declaro o novo líder da máfia portuguesa. Uma boa noite a todos e aproveitem a música, as bebidas e as comidas. — ele encerrou e desceu do palco, dando vez aos músicos e deixando vários murmúrios pelo jardim.
Alguns disseram coisas como "então era só isso?! Perdi meu tempo" e outros já diziam " Mas ele não é muito jovem para liderar ?! Ele vai destruir a máfia portuguesa, isso sim".
Rosalya havia encontrado alguns amigos da máfia francesa e foi cumprimenta-los. Já eu e Darella, continuamos andando pelo jardim imenso. Vi o senhor Corleone em um canto perto do balco, e fui até lá.
— Eu nunca tinha ouvido falar que Charles tinha um sobrinho. — falei, em português — Prazer em conhece-lo. Sou Alecssander Al'Capone, máfia americana.
—Alecssander Al'Capone — ele repetiu meu nome com uma voz amarga — Prazer, sou Bruno Andoline Corleone, digamos que meu tio era reservado quanto a sua família. — ele completou com uma voz mais doce.
— Eu entendo perfeitamente. Não é como se eu e Charles fossemos próximos suficientemente para conversar sobre família. — estiquei a mão para cumprimenta-lo, mas ele ignorou fingindo que não viu minha mão e pegou outra taça de champanhe quando o garçom passou ao lado. Ouvi Darella soltar uma risada por eu ter sido ignorado e então limpei a garganta colocando a mão que antes estava esticada na cintura de Darella, a empurrando levemente para frente. — Essa é minha acompanhante, Darella Pines.
— Devo admitir Alecssander, você tem um ótimo gosto para mulheres. — Bruno diz a encarando dos pés a cabeça de maneira maliciosa — Prazer em conhecê-lá Darella ! — ele fala em inglês, a olhando diretamente nos olhos.
— Igualmente, Bruno. — disse Darella com sua famosa expressão séria e voz seca. Bruno pareceu desconfortável por Darella ter ignorado seu olhar malicioso, o que me fez sorrir.
— Cuidado, senhor Corleone. — comecei, fazendo ele retirar os olhos de Darella e se focar em mim — Matei seu tio por causa dela, não queremos que essa história inconveniente se repita, não é mesmo ?!
— O amor e suas loucuras ! Sei bem do que você é capaz senhor Al'Capone, e se eu fosse você não me mataria, pois tenho certeza que nem você nem sua bela dama sairiam vivos daqui, aliás, nem vocês nem qualquer outro convidado! — disse Bruno em tom de ameaça com um sorriso de canto.
Soltei uma risada sarcástica.
— Você fala como se soubesse manusear uma arma ou comandar uma máfia. — fiz uma pausa — Escute garoto, eu sei muita coisa sobre você e uma das coisas que eu sei é que você se recusou a entrar para a máfia até agora, quando foi obrigado devido ao testamento de Charles. Então não tente se comparar à mim, que nasceu na máfia. Ah, e só tente me ameaçar quando estiver à minha altura. — dei um sorriso de canto, para finalizar.
— Posso não ter nascido na máfia, mas cresci nela ! Não foi uma ameaça, foi um aviso, atire em mim e isso aqui... — ele gesticula com a mão direita indicando o local como um todo — Vai pelos ares!- ele solta o único botão de seu blazer exibindo um detonador automático ali escondido para em seguida abotoa-lo novamente.
— Um detonador ?! Jogada esperta, se me permite dizer senhor Corleone. — falei. Darella nos encarava com o cenho franzido e mesmo não entendendo uma palavra do que estávamos falando, parecia saber que estávamos prestes a sacar armas e apontar para a cara do outro — Esperta mas não o suficiente. Detonando este lugar resultaria em uma guerra entre várias máfias, ou melhor dizendo, entre os sobreviventes delas, muitas mortes e feridos e isso sem falar que os federais desconfiariam de uma explosão no meio do nada. Você é um amador quando se trata da máfia, melhor reivindicar sua liderança e voltar à sua vidinha normal. — fiz uma pausa — Mas não se preocupe. Não planejo arrumar confusões com você, pelo menos não hoje.
— Alecssander, vamos para o outro lado do jardim. — Darella falou, puxando meu braço na direção contrária de Bruno. Sua expressão era de preocupação, o que me fez assentir para ela e me virar para encarar Bruno novamente.
— Se você tentar encostar um dedo nela, a morte do seu tio não será nada em comparação ao que eu farei com você. — terminei, passando o braço por cima dos ombros de Darella e então começamos a nos afastar de Bruno — Está tudo bem ?
— Por que não estaria ?! — ela disse, voltando à expressão séria de sempre.
Dei de ombros.
— Você parecia preocupada.
— Obviamente não.
Ficamos em silêncio.
— Bom, salvei sua vida mais uma vez, não vai me agradecer ?! — falei em tom de brincadeira, mas ela parou de andar e se virou de frente para mim.
— E por que eu agradeceria ? Você não faz mais do que sua obrigação me "salvando". — ela disse, séria.
— Obrigação ?! Não acha que está sendo convencida demais ? — esbravejei.
— Eu não pedi por tudo isso ! Não pedi pra você me trazer para esse mundo criminoso, não pedi nada disso e você ainda quer que eu agradeça ?! — ela deu uma risada curta e sarcástica — Faça-me o favor Alecssander !
— Ok Darella ! Você tem razão, está feliz agora ?! — dei as costas para ela e sai andando.
— Onde você está indo ?! — ela perguntou, porém sem vir atrás de mim.
— Qualquer lugar em que eu possa esfriar a cabeça !
A deixei sozinha no meio do jardim e fui até o bar, onde peguei um copo de uísque e virei num só gole pela garganta. Eu queria beber tanto ao ponto de ficar bêbado e esquecer dessa briga, mas tive responsabilidade pensando que se bebesse, não poderia levar Darella de volta ao hotel com segurança. Mas que merda ! Mesmo com raiva, ainda me preocupo com essa mulher !
Depois de cerca de vinte minutos, andei pelo jardim a procura de Darella, e comecei a ficar apreensivo quando não a encontrei. Merda, se eu não fosse tão orgulhoso isso não teria acontecido e mesmo com raiva, ela poderia estar ao meu lado ! E se alguém como Bruno a pegou ?! E se ela foi embora ?!
Espantei esses pensamentos e senti um profundo alívio no peito quando a vi me encarando a apenas alguns metros de mim ao lado do palco. Ela me encarava com o cenho franzido e segundos depois, veio andando até mim com determinação no olhar.
— Eu... E-Eu... — ela gaguejou, sem me olhar nos olhos.
— O que você quer ? — pergunto finalmente, sentindo minha voz sair rouca.
— Agradecer. — ela responde e antes que eu diga qualquer coisa, ela segura meu rosto com ambas as mãos e encosta sua boca na minha. Paro de respirar e arregalo os olhos. Um beijo ! Eu estava recebendo um beijo da Darella ! Minha reação inicial é jogar meu corpo para trás, mas é tarde demais.
Quando sua língua afasta meus lábios sem resistência e encontra a minha, sinto meu corpo estremecer no lugar. A velocidade com que minha língua a aceita e o prazer com aquele toque é tão arrebatador que sinto que vou explodir ali mesmo. Sinto meu coração dar socos violentos em meu peito. Perco todo o oxigênio dos pulmões. Vou sufocar de uma sensação maravilhosa, mas não quero que acabe.
Ela se afasta e ri do meu estado surpreso. Por fim, retira as mãos do meu rosto e desvia o olhar.
— Você... — comecei, em dúvida se devia ou não perguntar sobre isso. — Você lembrou da promessa ?
Ela franziu o cenho.
— Que promessa ?
— Não importa. — dei de ombros. Talvez seja melhor que ela nunca saiba, ela estava bêbada de qualquer forma, duvido que se lembraria.
Ficamos algum tempo em silêncio.
— Acho melhor voltarmos ao hotel. — sussurrei e ela assentiu — Essa noite já está suficientemente cheia de surpresas.
Avisamos Rosalya de que iríamos voltar ao hotel e ela concordou, dizendo que iria mais tarde com seus amigos.
O caminho até lá foi silencioso, e assim que entramos no elevador ficou um silêncio tenso.
A olhei pelo canto do olho e suspirei alto. Ela me encarou e eu não esperei mais tempo. Segurei seu rosto com as duas mãos e selei nossos lábios mais uma vez, mas diferente do beijo de mais cedo, esse era feroz e avassalador, cheio de desejo.
Ela passou a mão pelos meus cabelos e puxou com força para mais perto, apertando minha boca contra a sua tentando diminuir mais ainda o espaço inexistente que havia entre nós.
Passei as mãos por baixo de suas coxas e ela entendeu, dando impulso para pular e entrelaçar as pernas envolta do meu quadril. Ouvimos seu vestido rasgando devido ao ato, mas ignoramos. A empurrei até a parede do elevador com certa brutalidade e ela soltou um gemido baixo durante o beijo por causa do baque em suas costas. O beijo dela era como uma droga viciante impossível de largar.
O elevador apitou antes do nosso andar, indicando que alguém entraria e imediatamente nos separamos. A mulher nos encarou dos pés a cabeça e corou. E eu até imagino o motivo: eu e Darella ofegantes, com as bocas rosadas manchadas de batom vermelho, o vestido dela rasgado ao lado da perna esquerda, nossos cabelos completamente desgrenhados e meu terno meio amarrotado.
Assim que a mulher entrou, limpei a garganta e ajeitei a gravata que havia se desfeito sabe-se lá como.
O elevador chegou no nosso andar e nós saímos, caminhando até as portas de nossos quartos. Ouvi uma porta abrindo e fechando rapidamente e quando virei para trás, Darella já havia entrado no quarto.
Suspirei pesadamente e quando me virei para entrar em meu quarto, fui surpreendido por uma mão em meu ombro que me virou de frente com brutalidade e encostou seus lábios macios sobre os meus novamente.
Foi assim, rápido e sem dizer qualquer palavra, que nós desejamos boa noite um para o outro.
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