Notas iniciais
Amor, obrigada por me fazer feliz há tanto tempo ♥

Ela dormiu no calor dos meus braços
E eu acordei sem saber se era um sonho
Algum tempo atrás pensei em te dizer
que eu nunca caí nas suas armadilhas de amor

Os olhos cinzentos – azuis? – aos poucos foram se abrindo. Ela estava quente. Confortável. Onde deveria estar. Sorriu, voltando a fechar os olhos. Minato. Sabia. Sempre era ele. Ele quem povoava seus sonhos, seus pensamentos, sua alma inteira. Os cabelos ruivos cobriam ambos os corpos. Nada acontecera na noite anterior. Oh, não. Apenas dormiram. Apenas dormiram, pois o loiro estava com febre e ela sempre cuidaria dele. Aconchegou-se mais, fazendo-o acariciar suas costas cobertas pelo pijama fino.

— Bom dia – ele sussurrou no ouvido dela.

Kushina sorriu um pouco mais. Ah, sim. A voz dele arrepiava-a como nenhuma outra. A respiração em seus cabelos a fez suspirar levemente. O toque dele aquecia ainda mais o corpo delgado. Ela virou-se e encarou os olhos que tanto amava.

— Bom dia! – se espreguiçou e roubou-lhe um beijo singelo.

Minato sorriu de volta. Ela se perdeu no rosto conhecido. Talvez não fosse o homem mais lindo do mundo para as outras pessoas, mas, para ela, não havia nenhum outro que possuísse melhor sorriso, melhores olhos e nem mesmo um cabelo melhor. No fundo – talvez nem tão fundo assim – amava os cabelos bagunçados. Passou os dedos pelos fios adorados, bagunçando-os um pouco mais. Ele riu. Conhecia a namorada. Podia se incomodar quando ela bagunçava seus cabelos em público – já era complicado arrumá-los sem alguém atrapalhando –, mas gostava da atenção; das brigas tolas e sem significado; das risadas e dos beijos roubados. E ela sabia que ele gostava.

— Está linda – ele disse.

Ela corou e olhou para o lado. Não deveria sentir vergonha, mas sentia. Gostaria de passar horas olhando os olhos azuis. Gostaria de se perder ali sem medo. Mas o que ele pensaria? Ela não sabia. Tinha medo de não conseguir desviar os olhos se o encarasse de verdade. Sorria quando se olhavam. Achava incrível o modo como ele ficava curioso, tentando descobrir o motivo do olhar quando, no fundo, o único motivo era se maravilhar com as íris revoltas. Tentar descobrir a cor certa – azul oceano? Azul celeste? Simplesmente… azul? – ou então descobrir o que ele pensava. Não importava. Ela simplesmente se perdia. E ele ria, achando graça.

— Bobo – lhe respondeu – você também.

Ele sorriu e baixou o rosto, beijando delicadamente a barriga em destaque. Kushina se sentiu realizada novamente. As provas diárias de amor que recebia do namorado não apenas a encantavam como a faziam querer ir a um mundo paralelo, viver uma vida paralela, apenas com ele. Com ele e com o filho que teriam.

Namorado? Refletiu. Não moravam juntos, mas a definição não parecia apropriada. Não estavam casados e nem noivos – por enquanto –, mas já pertenciam um ao outro em um nível que muitos casais jamais sonhariam. Não apenas no sentido carnal, mas também espiritual. Ela não era religiosa, mas sabia que sua alma era de Minato e que a dele era sua. Sabia que ele sempre estaria ali, ela precisando ou não. Sempre estaria ali, ela querendo ou não. E não conhecia nenhuma prova de amor maior se não o simples fato de ele ficar. Nunca, jamais, ter ido. Já pensaram em se separar, porém nunca o fizeram realmente. Como poderiam? Sabiam que jamais encontrariam outra pessoa que amassem tanto.

— Como vai nosso pequeno herói?

— Agitado – ela respondeu – não o sente chutando?

Minato fechou os olhos. Uma das mãos estava na barriga da amada e a outra entrelaçada com a mão dela.

— Sinto.

Kushina voltou a acariciar os cabelos dourados. Bagunçou-os, fazendo-o rir e se afastar.

— Tá, chega.

— Nãão – ela pediu manhosa, se aproximando mais – eu gosto tanto – sussurrou no ouvido dele.

Não resistia a uma oportunidade de provocar, irritar ou simplesmente ficar com ele. Minato era – e sempre seria – tudo para si.

— Ah, Kushinaa… – ele suspirou, abraçando-a – para vai.

— ‘Tô com sono – ela murmurou, acomodando-se no peito bem-definido.

— Você ‘tá sempre com sono – acusou.

Ela só riu. Não era uma mentira.


Naquele amor
A sua maneira
Perdendo o meu tempo a noite inteira

A mulher suspirou. Estava suja de sangue. Deitou-se na grama. O sentia ainda consigo. Estava tão cansada… dormiu – ou desmaiou? Mas não sentiu frio. Ela era quente. Era fogo. E nem mesmo a grama gelada conseguiu acordá-la.

Não mandarei cinzas de rosas
Nem penso em contar os nossos segredos

Acordou no hospital. Tsunade estava ao seu lado. Kushina tentou respirar, mas o ar não entrava. Nada funcionava. Minato? Naruto? Onde estavam? Kyuubi? O monstro se soltara? Sentiu-se desesperada.

— Tsunade! – tentou gritar.

— Calma, Kushina. Calma.

A mulher tentou acalmá-la, mas ninguém jamais conseguiria. Apenas ele conseguia. Minato. Onde estava ele? Onde estava Minato? Onde?

— Minato – sussurrou.

— Está tudo bem. Você vai ficar bem. A Kyuubi saiu – ela informou – pensei que iria abortar.

— Eu ia…

— E então? – o tom da loira era repreensivo.

— Eu não consegui. A Kyuubi não permitiu – mentiu ela.

— Kushina… Minato sabia do perigo que era trazer essa criança á vida?

— Não – mentiu novamente – ele não sabia de nada. Eu também não. Só pensei que fosse a vontade de Kami-sama…

— Kushina…

Mas ninguém lhe arrancaria a verdade. Ninguém arrancaria os segredos deles.


Naquele amor
A sua maneira
Perdendo o meu tempo a noite inteira

Ela havia acabado de descobrir. Correu para ele. Sempre para ele. Para quem mais? Estava grávida. Não podia estar, disso todos sabiam. Quando se descontrolava emocionalmente o demônio tinha mais poder. Num parto? Podia sair. Kyuubi não poderia controlá-la. Sabia que a vila sempre fora mais importante do que ela. Do que o filho que carregava.

— O que foi?

Ela estava descabelada. Kushina tinha os olhos transtornados, lhe gritava que estava com problemas. Queria que ele percebesse, lhe perguntasse o que estava acontecendo, a aconchegasse em seus braços… a prendesse para nunca mais sair.

— Eu… eu ‘tô grávida – despejou de uma vez.

O que mais poderia fazer? Sentia-se em apuros, queria paz. Ele era sua paz. Minato, primeiramente, ficou branco. Ela empalideceu também. E se ele quisesse abandoná-la? E se ele fosse… simplesmente ir embora? Simplesmente… pedir o aborto? Mas então ele a abraçou. E ela se sentiu segura. Sentiu-se protegida como nunca antes. Sabia que ele não poderia ir contra todos da vila por ela, mas, naquele momento, ela se sentia protegida,

— Vai dar tudo certo – ele prometeu.

— Mas a Kyuubi…

— Daremos um jeito, eu prometo.

— Não quero abordar – segredou.

— Não vai – ele prometeu.

— Jura?

— Juro.

Não souberam quanto tempo ficaram abraçados. Ela se sentia mais calma. Tinha o coração a mil – como não teria? –, mas não estava sozinha. Nunca estaria. Ele sempre estaria com ela. Até não estar mais. Desviou o pensamento. Sentia-se insegura por tudo ser tão perfeito. Todas as mulheres se sentem inseguras quando tudo é perfeito demais. Mas tudo bem. Todos se sentem inseguros algumas vezes na vida. Uns mais do que outros, mas tudo bem. Tudo bem, porque Minato estava ali. Não se preocupou com o fato de ele ser mais importante para ela do que qualquer outro. Não se incomodou com o fato de ele estar colocando a vida em perigo por sua causa. Não se incomodou e nem se preocupou, pois o cheiro dele lhe invadia as narinas. Pois o calor dele envolvia seu corpo. Pois eles se amavam e, naquele momento, nada mais importava.

Ela dormiu no calor dos meus braços
E eu acordei sem saber se era um sonho
Algum tempo atrás pensei em te dizer
que eu nunca caí nas suas armadilhas de amor

— Me diiiz, vai – a garota de catorze anos o importunava.

— Não posso – ele murmurou, olhando para o lado.

— Eu não conto nada pra ninguém – prometeu – todo mundo me conta de quem gosta.

— É diferente! – ele se defendeu.

— Diferente por quê? – ela perguntou desconfiada.

— Porque é.

Ele saiu e ela ficou emburrada. Sabia a resposta. No fundo, Kushina sabia. E estava confusa. Havia como não estar? Claro que não. Se ele gostasse dela… ela gostava dele? Não sabia. Sim? Não? Talvez? Ele era bom um amigo. Seu melhor amigo? Talvez. Já o olhara de forma diferente, sabia. Já o analisara. Já se imaginara namorando ele. Sabia que Minato jamais a machucaria, mas… mas o quê, afinal? Por que não tentar? E se ele não gostasse dela? Foi para casa com as dúvidas martelando.

No dia seguinte, se encontraram. Falavam de tudo; eram bons amigos. Quando não tinham mais assuntos, coisas como “pudim? É, é bom” apareciam. Coisas sem importância, que diziam apenas para poderem ficar juntos. Coisas toscas que ninguém mais compreenderia. Coisas deles. Ele gritava. Com os olhos azuis, gritava a maior declaração que ela já vira.

O coração de Kushina estava acelerado. Ao acordar, vira uma carta com o nome dele embaixo da porta. A declaração mais linda de todas. As palavras rodavam pela sua cabeça. As palavras finais eram as mais marcantes, ela jamais as esqueceria, nem mesmo um ano e sete meses depois. “Talvez não seja bom pra você ler isso, mas eu não conseguia mais guardar pra mim. Precisava te contar”. E foi o que mais marcou porque… como poderia não ser bom saber? Era bom. Era muito bom. E confuso. Falaram-se de manhã, mas ela agiu como se de nada soubesse. Até ele vir com a pergunta derradeira. A pergunta que acabou com as chances de ela pensar no ‘não’. A pergunta tola que a fez gritar sim para si mesma. A que a fez saber que, de todos, ele era o mais importante. O principal. O certo. Minato perguntou:

— Você gosta de caixas?

E Kushina soube que estava perdida.

Naquele amor
A sua maneira
Perdendo o meu tempo a noite inteira

— Kushina? – era Tsunade.

A ruiva abriu os olhos. Naruto? Minato? Onde estavam?

— Naruto…?

A loira sorriu. Kushina percebeu pelos olhos entreabertos. Nos braços fortes, descansava um pequenino embrulho laranja. Sentiu as lágrimas acumularem-se e lhe embaçarem a visão. Livrou-se delas, não poderia perder o momento mais importante de todos – seria mesmo?

— É Naruto?

Tsunade lhe entregou o pequenino. Ela chorou. Ele era igual ao pai. Os cabelos loiros enfeitavam o rosto marcado. Kyuubi, a ruiva pensou. Sentiu a presença da raposa. Sentia-a ainda em si. Olhou para o filho com raiva – ou seria medo? – e não se entendeu. Ela mesma já passara por aquilo. O amava, sabia. Acariciou o rostinho pequeno. Não poderia odiá-lo jamais.

— Cadê Minato? – perguntou, querendo compartilhar o momento com o amor de sua vida. O mais importante de todos.

Tsunade não respondeu de imediato. Um pânico crescente se espalhou pelo corpo enfraquecido. Por que não recebia respostas? Tsunade tocou-lhe os ombros. Ela sentiu algumas lágrimas escaparem, no fundo, sabia o que ouviria.

— Kushina… eu lamento. Você sabe que ele selou a raposa em Naruto… nem mesmo ele sobreviveria a isso.

A ruiva olhou para o pequeno. E sentiu culpa. Sentiu culpa por culpar o filho. Sentiu culpa por saber que, na verdade, era ela quem o matara. Ela. Kushina chorou e acariciou o rosto adormecido. O amava? Demais. Seria capaz de amá-lo quando se tornasse igual ao pai? Quando a saudade de Minato se tornasse insuportável? Não tinha como saber. Kakashi entrou na sala e todos os outros saíram.

— Vou morrer, não vou? – perguntou ao aluno do amado.

— Não. Está ferida, mas Tsunade não permitiria sua morte.

— Você permitiria?

— Jamais.

Ela havia imaginado que esta seria a resposta dele. Como poderia lhe dar outra? E seu coração se apertou. Sentou-se na cama hospitalar, ignorando a vertigem. Kakashi colocou o embrulho em seus braços. Kushina acariciou o filho. Sim, o amava demais.

— Minato morreu?

— Hai.

Ela deixou algumas lágrimas escorrerem. Elas pousaram no pequenino, mas este não acordou. Ela riu. Ele dormia como ela, como pedra. Sabia que não teria problemas com choros noturnos, mas o jeito como se chutara durante a gestação… talvez os tivesse durante o dia. Acariciou o rosto belo. Ele seria incrível, ela sabia. Mas estava exausta. Quebrada.

— Você cuidará dele, não cuidará?

— Você cuidará.

— Kakashi…

— Sim – prometeu.

— Mamãe te ama, Naruto. E papai também – ela beijou os cabelos loiros e o ninou. O pequenino sorriu. Parecia entender as palavras sinceras.


Naquele amor
A sua maneira
Perdendo o meu tempo a noite inteira

— Morreremos? – ela perguntou deitada sobre ele.

— Juntos – Minato prometeu.

— Logo?

— Talvez – mas ambos sabiam que era um sim.

— Não tenho medo – constatou.

— Por quê?

— Estarei com você. Valerá a pena.

Ele sorriu. Ao mesmo tempo, o casal acariciou a barriga gigante. Ambos sabiam que morreriam. Ambos sabiam que não poderiam participar da vida de Naruto. Ambos sabiam que a Kyuubi os mataria. E sorriam, pois não tinham medo. Não tinham medo da morte, pois não seriam capazes de matar o filho amado para escapar dela.

~~~~~~~~~~ melodia ~~~~~~~~~~

Ele possuía uma lápide. Ela sorriu. Beijara Naruto e fugira do hospital. Ajoelhou-se sobre a terra onde o amado estava enterrado. Sentia a força ir embora, o frio a castigava. Sem a Kyuubi, não era mais fogo. Os cabelos ruivos a envolviam até os pés.

— Hey, amor – ela sussurrou – Naruto é lindo – chorava –, mas eu estou com tanta saudade…

Kushina acariciou a lápide. Ainda sentia o calor do filho em seus braços. Ele era perfeito.

— Lembra da promessa? Não poderia continuar sem você. Estou tão quebrada… não fique irritado, eu não cuidaria bem dele. Você sabe que sou impulsiva. E eu acabaria, um dia, numa briga, dizendo que ele te matou. E isso não é verdade, mas eu diria. Porque eu te matei.

Ela riu.

— Não fique com essa cara, você sabe que brigaríamos muito. Você lembra o quanto ele me chutava, não?

Ela ainda lembrava o modo como Minato a olhava indiferente quando ela falava besteiras que, para ele, não tinham graça. Era um olhar sério que não combinava com seu espírito calmo e, ao mesmo tempo, brincalhão.

— Te amo, meu menino – sussurrou. Para ela, ele sempre seria o menino fofo com quem começou a namorar, não importava se já haviam se passado anos. Não importava se ele já era homem.

Kushina se deitou no chão. Estava tonta, sabia. Sem os remédios de Tsunade seu corpo ia parando de funcionar aos poucos. Sem a Kyuubi, ela ficava vazia. Sua força ia embora, pois, assim como a raposa era dependente do Jinchuuriki, este também dependia do monstro.

Aos poucos, Kushina voltou ao lugar ao qual pertencia. Aos braços dele.

Notas finais
É a minha primeira fic desse casal *--* A estória não é parecida com a minha, ok? (só a parte das caixas), foi tudo saído da minha cabeça porque eu amo esse casal. Eu não engravidei e nem morri, ta? ashuhahsuha' Então, o que acharam? Mereço o carinho de vocês? Amoras e amoros, reviews *--* não tem nada demais nela, mas eu gosto. Sabem? É... certa? Não sei explicar. Só parece certo pra mim. A forma como ambos morrem no final, n sei explicar. Quero a opinião de vocês *--* Enfim, isso aqui é o que eu queria dizer a vocês, meus amoros e minhas amoras. Muito obrigada por virem. As palavras a seguir são dirigidas ao meu namorado, então n vão achar nada muito interessante, mas quem quiser ler, a vontade ;33 obrigada mesmo, gente. Reviews? Faz bem e eu gosto (:D) *--* Mor :3 Você disse que esse é o seu casal preferido de Naruto, então esse é meu presente pra você :33 Um ano e sete meses, né? Não vou me prolongar, disse tudo na carta. Só quero dizer que você me faz muito feliz. E não to dizendo que a gente vai morrer, ta? Só to dizendo que nós, assim como eles eram, somos o certo. E vamos ficar juntos até você ter cabelos brancos e eu morrer de obesidade por causa do chocolate :33 Te amo muito. Você sempre estará comigo, mesmo longe. E nosso amor é eterno. Essa fic comemora os primeiros 19 meses de 19.000 :3 Obrigada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!