Notas iniciais
Olá! Se você é a Bran: Mana, espero que se divirta lendo seu presente. Foi feito com muito carinho. Se você não é a Bran: Espero que também possa se divertir por aqui. ♥ Boa leitura!

Jon
8 anos

Jon estava esforçando-se para conseguir dormir, mas o choro dela o obrigava a ficar de olhos abertos. Além disso, do outro lado da sala, Viserys resmungava sem parar. Ele e Daenerys haviam brigado pela sétima vez naquele dia, e, pela sétima vez, o pai de Jon apartara a confusão.

Quando a mãe dissera que os dois passariam o fim de semana com eles, Jon soube que precisaria desistir de ler seus novos quadrinhos – presentes do tio Benjen. Nunca havia paz e silêncio quando os irmãos Targaryen estavam juntos. Viserys estava sempre procurando alguém para importunar, e Daenerys chorava toda vez que se tornava o alvo das provocações.

— Você precisa ser um bom menino e nos ajudar a cuidar de seus tios — sua mãe pedira no dia anterior, com um sorriso nos lábios e uma tentadora barra de chocolate na mão.

E embora Jon tivesse concordado, continuava a não ver muito sentido naquilo. Viserys e Danerys eram seus tios, mas tinham quase a mesma idade que ele. Os irmãos de sua mãe eram adultos, tinham suas próprias casas e não precisavam que ninguém cuidasse deles caso o vovô Rickard precisasse viajar. Como crianças podiam ser tias de outra?

Jon apertou o lobo de pelúcia quando Daenerys soluçou pelo choro. Você precisa ser um bom menino. Bons meninos iam dormir na hora combinada, mas meninos realmente bons não deixavam garotas chorando.

Devagar, ele afastou o cobertor azul-gelo e escorregou para fora do colchão. A luz amena do abajur o guiou até Daenerys, deitada de costas para ele ao lado do sofá maior. Sua mão vacilou no ar a caminho do ombro dela, que sacudia levemente.

Um bom menino.

— Daenerys — chamou baixinho, colocando-se de joelhos atrás dela.

O burburinho do choro parou quase que de imediato, mas a menina não se virou. Jon perguntou-se se deveria voltar para seu colchão em silêncio e fingir que nada havia acontecido. Porém, ela estava fungando contra a coberta.

— Daenerys. — Ele tentou novamente, dessa vez pondo a mão em seu ombro.

Demorou um minuto inteiro – ou um pouco menos do que isso, Jon não estava contando de verdade –, para que ela se virasse. Seus olhos púrpuros estavam inchados do choro, e as bochechas tinham trilhas molhadas. Encolhida como estava, Daenerys parecia muito menor do que realmente era.

— Aqui, pode ficar. — Jon colocou o lobo de pelúcia sob a coberta dela. — O Fantasma vai te ajudar a dormir. Ele sempre me ajuda.

Jon não esperou por uma resposta. Tão silenciosamente quanto caminhara até ali, ele retornou para a quentura de seu colchão e fechou os olhos.

Daenerys não chorou mais naquela noite, nem nas outras que vieram depois, mesmo quando Viserys a beliscava com força.

Quando Jon explicou aos pais o porquê de ter abrido mão de Fantasma, a mãe afagou seus cabelos com um sorriso orgulhoso.

— Você puxou ao seu pai, querido. Bom menino.