O Lobo Azul
2 Capítulo 2
Notas iniciais

POV Tom
Peguei-me olhando para o celular, pela centésima vez somente naquele minuto. Marcavam seis e meia.
— O que ela disse? – perguntou Olivia, minha namorada.
— A neve a pegou pela estrada. – contei.
— Será que ela conseguirá chegar a tempo?
— Não sei... – eu estava preocupado.
— Vou avisar aos amigos dela. – Olivia se ofereceu.
— Não, não precisa. Deixa que eu falo com eles. – resolvi ir até lá.
— Tudo bem.
Fui até o camarim, passando por convidados, professores, notei os jurados. Cheguei até o corredor e pude ver dois amigos dela conversando entre si, em frente a porta de um dos camarins.
— Ei! – chamei. Os dois se calaram, olhando-me surpresos.
— Tom? – a garota morena, Jessie, franziu a testa.
— Oi, cara. – respondeu o loiro, Max. – Você sabe onde a Luna está?
— Bom, era sobre isso mesmo que eu ia falar... – cocei atrás da cabeça – Ela resolveu vir depois e acabou se atrasando por causa da tempestade de neve.
— Ah não. Nossa, o tempo escolheu um ótimo dia para nevar. – Jessie foi irônica e parecia muito preocupada – E agora?
— Temos que esperá-la. Será que ela chega a tempo? – Max perguntou. Ambos se olharam aflitos – Pois, se formos chamados, perderemos a vez.
— Não sei... – suspirei.
— Tenta ligar de novo. – pediu Jessie.
— OK. – eu peguei meu celular do bolso e digitei.
Eles aguardavam notícia e eu a ser atendido, entretanto, chamava e ela não atendia. Esperei mais 5 chamadas, se fosse preciso 20.
— Ela não atende... – avisei. Ambos se olharam novamente.
— O que será que aconteceu? – Jessie indagou e eu mais nervoso fiquei.
Mas que porra está acontecendo? Cadê a minha irmã?
Luna P.O.V
Após ouvir passos largos se aproximando, esmagando a neve da floresta ao lado, não pensei em nada a não ser levar o garoto para dentro do carro, completamente assustada com o que me disse.
Fiz uma força tremenda para levantá-lo; ele mancava, ferido. Caçadores estavam atrás dele, mas por quê?
Ali dentro do carro do meu pai, olhando para ele tampado com minha jaqueta, respirando depressa. Sua pele era pálida como a neve e seus olhos chamativos que nunca havia visto.
— Abaixa! – bradou ele e ambos abaixamos. Notei ambas silhuetas sob o vidro embaçado, passarem depressa por nós.
Eles gritavam raivosos e não nos viu. Eu só pedia a Deus que eles não notassem o sangue na frente do veículo. Mesmo sem saber o que realmente acontecia; eu tive medo pelo garoto ferido.
Estávamos em apuro.
Após passarem, senti um alívio e voltei a respirar. Olhei para o garoto que me olhava com os olhos arregalados. Ele quase não piscava.
— Eles se foram, não sentiram o meu cheiro. A neve deve ter escondido o sangue. – sussurrou ele, ofegante e logo me veio a intriga.
— Por que os caçadores querem te pegar? Por acaso você é algum tipo de animal?
— Quem me dera se eu fosse só um simples animal. – suspirou.
— O que quer dizer com isso? – indaguei.
Ele fechou a cara, pressionando o maxilar, mas logo voltou a me olhar e seu semblante era outro. Ele se aproximou lentamente e sussurrou na minha face, com seu ar quente saindo dos lábios secos e rosados. Não havia odor, havia um suspiro gostoso.
— Eu não sou o que você vê... – sua palavra me abismou e eu tomei medo do seu olhar que havia ficado sombrio. Estava confusa diante daquele garoto intrigante.
A pele clara, as manchas, caçadores, o vulto azul que havia visto antes de atropelá-lo. Ele estava nu... Ele era muito diferente de todos os garotos que eu já vi. O garoto só podia ter sofrido algum tipo de mutação. Mas, como isso era possível? O que ele era? O que estava dentro do carro comigo?
—alguns segundos entre suspiros-
— O que você é? – indaguei trêmula.
— O lobo azul...
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